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A ingestão excessiva de carboidratos, principalmente refinados, de rápida absorção, favorece o desenvolvimento de hipercolesterolemia, por promover um desequilíbrio entre a oferta lipídica e de outros nutrientes. Além disso, a hiperglicemia, hiperinsulinemia e hipertrigliceridemia pós-prandiais resultantes da sua ingestão estão relacionadas com aumento do risco de desenvolvimento de doença cardiovascular (SANTOS et al., 2013).

A literatura mostra que são múltiplos os mecanismos pelos quais o excesso de peso e obesidade afetam o metabolismo dos lipídeos e glicose. Ademais, com o passar do tempo, ocorrem mudanças hormonais que se tornam mais evidentes no período pós menopausa, que resultam em alterações da composição corporal, caracterizada pela perda de massa magra e aumento e redistribuição da gordura corporal (GREENDALE et al., 2019). O excesso de peso e a dislipidemia estão relacionados ao aumento do risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV). Essa associação já foi verificada em diversos estudos (RODRIGUES

et al., 2013; CUPPARI, 2014; SBD et al., 2017; JESUS et al., 2019). As DCV representam

uma das principais causas de morte precoce no mundo, implicando em elevados gastos com saúde pública (BRASIL, 2011; WHO, 2013; RODRIGUES et al., 2013; CUPPARI, 2014).

Dietas pobres em gorduras ou muito pobres em gorduras (≤ 19%), com restrição de alimentos como leite e derivados, carnes, óleos vegetais, acabam em contrapartida sendo ricas em carboidratos e moderadas em proteínas. Essa proporção teve como objetivo inicial ajudar na prevenção da doença cardiovascular, porém, à medida que a obesidade aumentava nos indivíduos norte-americanos, os autores da dieta mudaram o enfoque de prevenção de doença cardíaca para a perda de peso (ABESO, 2016).

Os fatores de risco para o desenvolvimento de DCV podem ser divididos em dois grupos: fatores modificáveis, e fatores não modificáveis. No grupo dos fatores modificáveis incluem alterações dos fatores comportamentais (padrão alimentar, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool), fatores biológicos (dislipidemias, hipertensão arterial, excesso de peso e hiperinsulinemia) e fatores sociais (socioeconômicos, culturais), e no grupo dos fatores não modificáveis estão, idade, sexo e herança genética (RODRIGUES et al., 2013; CUPPARI, 2014). Dentre todos esses fatores, as dislipidemias representam importantes fatores de risco cardiovascular sinalizado pela elevação dos níveis plasmáticos de triglicérides ou de alterações dos níveis das lipoproteínas que transportam o colesterol e as gorduras no sangue.

Sendo assim, a classificação do ponto de vista laboratorial compreende quatro tipos bem definidos: a) Hipercolesterolemia isolada (aumento do colesterol total e/ou da fração LDL-c); b) hipertrigliceridemia isolada (aumento dos triglicérides); c) hiperlipidemia mista (aumento do colesterol total e dos triglicerídes); d) diminuição isolada do HDL-c (redução da lipoproteína de alta densidade ou aumento dos triglicérides ou LDL-c) (CUPPARI, 2014).

Uma meta análise realizada por Naude et al. (2014), avaliou os resultados obtidos em 19 ensaios clínicos randomizados e indicou que em condições isoenergéticas, os efeitos das dietas com pouco carboidrato (≤ 45%VET) e balanceadas em carboidratos (45% a 65% VET) de 3 a 6 meses e entre 1 a 2 anos, foram semelhantes para perda de peso e melhora da condição cardiovascular de indivíduos com excesso de peso não-diabéticos. Com relação aos lipídeos sanguíneos, esta meta análise demonstrou que, em um período de 3 a 6 meses, a variação média de concentração de LDL e colesterol total (CT) foi pouco representativa para o grupo com baixo consumo de carboidrato, enquanto no grupo de dieta balanceada apresentou redução significativa desses dois marcadores.

Nessa perspectiva uma meta análise realizada por Mansoor et al. (2016), compararam os efeitos de dois tipos de dietas, uma com baixo consumo de carboidrato e outra com baixo consumo de gorduras sobre a perda de peso e os fatores de risco cardiometabólico. Foram avaliados 11 ensaios clínicos randomizados (n= 1379) concluindo-se que, embora a maior perda de peso tenha sido promovida pela dieta com baixo carboidratos, os seus efeitos sobre as alterações dos fatores de risco cardiometabólicos ainda são inconclusivos. Porém, afirma- se que, a restrição severa (20 g/dia) dos carboidratos, pode trazer prejuízos para a condição cardiometabólica do indivíduo, apesar de promover um aumento da concentração de HDL. Além disso, a difícil adesão a este tipo de intervenção por parte dos participantes é bastante comum, devido à monotonia alimentar resultante da redução significativa de um grupo de alimentos.

Os resultados controversos em relação ao impacto da intervenção dietética com baixo teor de carboidratos sobre os marcadores de risco cardiometabólicos demonstram a necessidade de se verificar níveis de restrição que promovam de forma eficaz e segura a melhora da condição cardiometabólica do indivíduo. Nesse contexto, levando em consideração a influência que os fatores de risco modificáveis exercem sobre o desenvolvimento de DCV, intervenções para manutenção de peso saudável e adequação dos macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos) fazem parte de medidas preventivas da atuação de equipes multiprofissionais para prevenção de doenças e promoção da saúde.

Escolher o melhor plano de dieta para um indivíduo não é fácil e existem inúmeros fatores a serem considerados, como o grau de obesidade e comorbidades associadas. A escolha de uma dieta com baixos níveis de carboidratos ou baixo teor de gordura pode ser baseada nas condições clínicas do participante, como por exemplo: indivíduo com resistência à insulina ou sensibilidade elevada ao referido hormônio (XAVIER et al., 2013). Outro fator a ser considerado, é a ingestão de alimentos e a prática de atividade física. Por sua vez, é necessário ressaltar o tipo de abordagem dietética a que o participante pode aderir e a prontidão do indivíduo para mudar os hábitos alimentares.

Nesse contexto, Matarese e Pories (2014) ressaltam que o grau de alfabetização dos participantes afetará na escolha da dieta. Para muitos desses indivíduos, o melhor conselho é que comam a metade do que normalmente costumam comer. Pode não ser o ideal, mas é o melhor a se fazer para alcançar e descomplicar o termo dietas. Em vista do exposto, conclui- se que não há uma dieta que seja universalmente aceita para induzir a perda de peso efetiva.

3.4 BENEFÍCIOS DA PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA E MODIFICAÇÕES NO

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