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FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO EVENTOS CV

PARTE II- TEMAS DESENVOLVIDOS DURANTE O ESTÁGIO CURRICULAR

3. FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO EVENTOS CV

Devido à natureza multifatorial da doença, é fundamental o desenvolvimento de estratégias de prevenção primária que permitam diminuir a incidência das DCV, através da remoção ou diminuição da contribuição dos fatores de risco. Fatores de risco são condições que aumentam o risco cardiovascular, ou seja, aumentam a probabilidade da pessoa sofrer uma doença cardiovascular. Os fatores de risco podem ser divididos em duas grandes categorias: fatores de risco modificáveis e fatores de risco não modificáveis. Os fatores de risco modificáveis são aqueles que podem ser controlados, tratados ou modificados, sendo eles: [57,58]

Tabaco: acredita-se que o fumo do tabaco seja responsável por cerca de 10% de todas as DCVs. O tabagismo promove doenças cardiovasculares

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através de vários mecanismos. Pode danificar o endotélio, aumentar os depósitos gordurosos nas artérias, a coagulação e o colesterol de lipoproteínas de baixa densidade, reduzir a lipoproteína de alta densidade e promover o espasmo da artéria coronária. A nicotina, o componente aditivo do tabaco, acelera a frequência cardíaca e aumenta a pressão arterial. O risco de desenvolver DCV diminui rapidamente após a cessação tabágica, sendo necessários alguns anos (cerca de 15) para o risco associado ao tabaco desaparecer totalmente, [59,60];

Sedentarismo: a inatividade física tornou-se uma grande preocupação para a saúde pública, sendo a segunda principal causa de morte nos Estados Unidos. A inatividade física também está associada ao aumento do risco de morbilidade ou agravamento de muitas doenças crónicas e condições de saúde. Há estudos que mostram que fazer mais de 150 minutos (2 horas e 30 minutos) de atividade física moderada a cada semana ou uma hora de atividade física vigorosa todos os dias reduzirá o risco de doença cardíaca coronária em cerca de 30%, [59,61];

Obesidade: a obesidade tornou-se uma epidemia global em crianças e adultos. Está associada a numerosas comorbilidades como DCVs, Diabetes tipo 2, hipertensão, certos tipos de cancro e apneia do sono. Além de um perfil metabólico alterado, variadas alterações ocorrem na estrutura e função cardíaca no indivíduo à medida que o tecido adiposo se acumula em excesso. Assim, a obesidade pode afetar o coração através da sua influência em fatores de risco conhecidos como dislipidemia, hipertensão, intolerância à glicose, apneia obstrutiva do sono/hipoventilação e estado protrombótico, além de mecanismos ainda não reconhecidos. Estima-se que a obesidade cause cerca de 31% da doença coronária e 11% do AVC em todo o mundo; [59,62];

• Diabetes Mellitus: DCVs são a principal causa de mortalidade e morbilidade em populações diabéticas, sendo que estas populações têm o risco duplicado para sofrer de uma DCV. Os diabéticos tendem a apresentar elevada quantidade de colesterol very-low-density lipoproteins (c-VLDL) e c-LDL e baixas quantidades de c-HDL. Estas características são comumente denominadas de dislipidemia diabética e são particularmente aterogénicas. É importante controlar os valores de glicémia, [63,64];

• Hipertensão arterial: a hipertensão faz com que os vasos sanguíneos fiquem obstruídos ou diminuam de calibre. A hipertensão pode levar à aterosclerose e ao estreitamento dos vasos sanguíneos, tornando-os mais

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propensos a bloquear os coágulos de sangue ou os fragmentos de material gordo que se rompe com o revestimento da parede dos vasos sanguíneos. O dano às artérias também pode criar pontos fracos, contribuindo para o desenvolvimento de DVC. Devem-se fazer medições regulares da pressão arterial de forma a garantir que está dentro dos valores normais e uma vez que a redução dos valores em doentes com hipertensão arterial (HTA) está associada a menor taxa de mortalidade e morbilidade, [59,64];

• Hipercolesterolémia: o colesterol é vital para células saudáveis, no entanto, se o corpo acumular demais, o colesterol pode-se depositar nas paredes das artérias, tornando-as danificadas podendo mesmo ficar bloqueadas. A maioria do colesterol é normalmente transportada sob a forma de c-LDL e elevados níveis deste estão associados a um maior risco de DCV. Por sua vez, o c-HDL é responsável pelo transporte do colesterol para fora da corrente sanguínea, pelo que valores elevados estão associados a um menor risco de DCV. De tal modo, verifica-se que valores de c-HDL <40mg/dL nos homens e <45mg/dL nas mulheres podem ser considerados como marcadores de risco aumentado para DCV, [59,60,64];

• Hipertrigliceridémia: níveis elevados de triglicerídeos estão associados ao aumento de risco de DCV. Valores elevados de triglicerídeos estão normalmente associados a valores baixos de c-HDL. A redução de peso e a prática regular de exercício levam à diminuição dos valores de triglicerídeos, [60,64];

• Consumo excessivo de álcool: beber três ou mais bebidas alcoólicas por dia está associado a um risco elevado de DCV, no entanto há estudos epidemiológicos que sugerem um menor risco de DCV com consumo de álcool moderado (uma a duas bebidas por dia) em comparação com não bebedores. No entanto três ou mais bebidas alcoólicas por dia está associado a um risco elevado de DCV, pois contribui para aumento de peso, triglicerídeos altos, pressão arterial alta, etc., [60,64];

• Dieta equilibrada: uma dieta rica em gorduras saturadas (por exemplo, queijo) e gorduras trans (muitas vezes usadas em bolos, biscoitos e fast food) provoca níveis elevados de colesterol, estando diretamente relacionadas com DCV. Gorduras insaturadas, polinsaturadas e monoinsaturadas são benéficas para a saúde do coração, estão presentes em peixes, nozes, sementes e vegetais. Os ácidos gordos essenciais ómega-3 e ómega-6 são encontrados em

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peixes oleosos, nozes e sementes. Estes ácidos não são produzidos no nosso corpo, pelo que temos que os ingerir para obter os seus benefícios, [59].

Há ainda a considerar os fatores de risco não modificáveis, sendo eles:

• História familiar: se um parente masculino de primeiro grau sofreu um enfarte agudo do miocárdio antes dos 55 anos, ou se um parente feminino de primeiro grau sofreu um antes dos 65 anos de idade, há um maior risco de desenvolver DCV Se ambos os pais sofreram DCV antes dos 55 anos, o risco de desenvolver doenças cardíacas pode aumentar para 50% em relação à população em geral, [59];

• Sexo: ser do sexo masculino é um fator de risco para as DCV, que se agrava com o envelhecimento. As mulheres até à menopausa são menos suscetíveis, pois as hormonas femininas protegem-nas de eventos cardiovasculares, no entanto depois da menopausa o risco da mulher é igual ao do homem, [58,59];

• Idade: o envelhecimento é por si só um fator de risco para as DCV.

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