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Fatores facilitadores do exercício do poder de polícia

2. MARCO REFERENCIAL

4.4 Dificuldades e fatores facilitadores do exercício do poder de polícia

4.4.2 Fatores facilitadores do exercício do poder de polícia

Os fatores facilitadores apresentados neste estudo foram sistematizados em três categorias: fatores facilitadores relacionados ao serviço, ao agente e ao meio social. Entende-se que como os fatores facilitadores são categorias inter-relacionadas, buscou- se enfatizar o aspecto predominante.

4.4.2.1 Fatores facilitadores do exercício do poder de polícia relacionados ao serviço

Os principais fatores facilitadores referidos pelos entrevistados dizem respeito à infra- estrutura, em termos de instalações físicas, disporem de objeto de atuação normatizados e acesso à informação institucional. Como descritos nos trechos abaixo:

“... Agora melhorou aqui em relação à infra-estrutura, quando a gente veio trabalhar aqui, (...) a estrutura melhorou muito, muito, muito. Porque antes nem estrutura a gente tinha, era tudo numa salinha apertada, todo mundo numa salinha apertada, nas salinhas apertadas, era terrível. Era dividido assim (...) agora tudo apertadinho. E aqui não, aqui tá melhor, aqui tem espaço grande, tudo bem dividido, isso melhorou muito...” (E1).

“... nós temos ainda, a ligação direta com a instituição, (...) e isso favorece você a esclarecer dúvidas, a ter informações, informações legalizadas, você tem acesso a um sistema que lhe dá todas as informações que você quiser, (...) isso aí, acho que é assim, um fator muito importante pra nós servidores (...) esse leque de informações, que é muito bom, e eu acho que é... deixa ver, acho que é, (...) é preponderante mesmo (...) comunicação, que é muito boa...” (E5).

“... O que facilita é a portaria estar coberta, portarias. Quando tá coberta por portaria...”(E1).

Um entrevistado ressalta que o próprio poder de polícia constitui um fator facilitador da atuação em vigilância sanitária. Como ilustra o segmento abaixo:

“... Olha, eu acho que sem o nosso poder de polícia (...) seria inviável, você fazer qualquer atribuição, porque, veja bem, a gente vai lidar com o – segmento regulado- atrás de um empresa (...) tem toda uma equipe montada, tem advogado, (...) tem tudo, então você, primeiro você tem que ta... Pra atuar tem que tá bem seguro, pra você dar o auto tem que tá bem seguro, porque senão, a sua ação oh, não vai pra canto nenhum. Do tempo que eu to aqui nunca soube de auto de infração que tenha sido derrubado por uma empresa, nunca soube, porque, quem normalmente dá o auto é o fiscal, o fiscal tá imbuído desse poder, porque se ele não for fiscal e não tiver esse poder, não dá, não tem como, aí ele não tem essa autoridade, essa autoridade tá baseada, a gente teve uma portaria, todo ano essa portaria ela é atualizada, então até nisso a empresa logo, logo, na defesa, como é que o cara vai lá autua e não é fiscal, não tem poder de polícia, então a gente precisa desse poder pra desenvolver nossas ações...” (E8).

A questão da autonomia72 do técnico mais uma vez emergiu no discurso dos profissionais de vigilância sanitária, neste caso como um fator facilitador assim considerado em diferentes esferas de gestão. Como apresenta os excertos seguintes:

“... Acho que a primeira coisa que nos dá condição de trabalhar bem é essa autonomia que nós temos, eu acho que isso aí, você trabalha sabendo que você tem resposta, eu acho, é um dos fatores (...) eu acho que é uma das coisas assim, a autonomia (...) acho que é preponderante mesmo, a autonomia...” (Ej).

“... Eu acho que por mais dificuldade que exista, a vigilância tem uma característica de nos dar autonomia, então, sempre nos deu autonomia pra exercer da forma que o nosso bom senso nos reporte, mesmo que meu bom senso não esteja escrito na lei, mas a vigilância, órgão Vigilância, compreende isso muito bem e ampara isso muito bem, então eu acho que isso facilita em relação a todas as adversidades. Se você olhar assim, as adversidades são muito maiores do que os facilitadores, mas acho que esse facilitador, eu acho que ele tem um potencial subjetivo tão forte que em alguns momentos ele supera, não digo em todos, mas em alguns momentos supera muitas adversidades. Há, de uma certa forma, um respeito pelas ações, de como você se, de chegar (...) Então o amparo das suas ações, mesmo que, pô eu fiz uma coisa que a lei dizia que eu tinha que fazer outra, a lei me dizia assim, você tinha que fazer isso, mas eu fiz outra, porque meu senso crítico mostrava que eu deveria fazer de outra forma. Então essa questão daí, eu acho que vale muita coisa, facilita, ajuda a superar as adversidades, ajuda a fazer com que as coisas acabem andando, e as vezes o cidadão comum, ele não precisa pagar por um excesso de poder de polícia só porque a gente tem muitas adversidades, aí essa coisa é meia compensatória...” (Eg).

4.4.2.2 Fatores facilitadores do exercício do poder de polícia relacionados ao agente

Foi identificada, nos discursos dos entrevistados, a referência ao “gosto” do profissional pela atuação em vigilância sanitária como um fator facilitador do exercício do poder de polícia relacionado ao agente, isto é, o fator facilitador está no próprio técnico e não na instituição ou fora dela.

“... Nossa, o que facilita bastante é você gostar do que você tá fazendo, é o primeiro ponto, quando você não gosta, tudo fica difícil, quando você gosta da sua atividade, da sua profissão, se torna tudo fácil, você gosta, você

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A percepção sobre a autonomia pelos técnicos variou entre entrevistados até mesmo dentro da própria esfera de gestão

busca, você tenta fazer direito na medida do possível, você tenta aprender, se tem dúvida você procura. Basicamente isso...” (E10).

4.4.2.3 Fatores facilitadores do exercício do poder de polícia relacionados ao meio-social

Foi possível perceber que um terço dos técnicos afirma que os fatores facilitadores da atuação encontram-se no meio-social, portanto, fora da instituição. Os depoentes assinalam um processo de mudança da “sociedade” em relação à vigilância sanitária e afirmam que tanto a população quanto o segmento regulado já os vêem com respeito, e que este segmento até já se preocupa em adequar-se aos requisitos sanitários. Os depoimentos abaixo ilustram estas observações.

“... O que tá facilitando, é que no decorrer dos anos a sociedade tá mais consciente do que é a vigilância sanitária, a importância dela. (...) as pessoas não sabiam o que era poder de polícia da vigilância, não sabia o que era ... Eu entrei na vigilância sem saber o que era vigilância sanitária. Acho que o Brasil como um todo, tá mais consciente do nosso trabalho, da importância do nosso trabalho da vigilância. Então eles tão mais preocupados em melhorar, em resolver...” (E1).

“... Olhe, facilidades vamos dizer (...) temos tudo, eles nos respeitam como fiscais, e seguem todas as nossas instruções, não temos problemas como também com as empresas, todas as nossas notificações são respeitadas, nossos autos dados...” (E7).

Por fim, alguns entrevistados vêem como fator facilitador do exercício do poder de polícia a atuação em conjunto com outros órgãos ou até mesmo, tão somente, a proximidade física de suas instalações, como ilustra o trecho abaixo:

“... É muito a proximidade também com a polícia federal que trabalha muito próximo à gente; então, a gente sente assim, um pouco acolhido, também, assim, uma necessidade dessa a gente daria o poder de polícia, mas teria... eles também aqui ‘dejunto’ pra sustentar, pra de qualquer maneira ajudar a gente a manter a pessoa ou aquele... vamos dizer, dentro do que a gente pede, solicita; então, isso dá um respaldo ou até melhora porque nós temos essa polícia federal trabalhando, inclusive na sala ao lado, então isso até facilita,(...) acho que fica mais fácil...” (E6).