Para explicar o crescimento e suas diferenças entre cada Estado, o estudo deve se focar nos principais indicadores econômicos de evolução e sua participação na variação de crescimento, para que se possa verificar detalhadamente em que se diferencia e o que explica um Estado com dimensões e população de certa forma pequena, como Santa Catarina, crescer tanto e se desenvolver de forma rápida e duradoura, com divisão de crescimento em vários municípios, como se vê a seguir, onde se explicam as principais diferenças entre cada Estado.
No Gráfico 9, apresenta-se a evolução dos estabelecimentos para os APLs estudados, a fim de verificar e comparar as suas respectivas diferenças para análise de crescimento. Como se pode perceber, enquanto os APLs de Santa Catarina e Ceará têm crescimento acumulado parecido com valores próximos de 100% em 1997 e em 2011, Pernambuco tem um crescimento consideravelmente maior nesses 15 anos de 770% para números de estabelecimentos, sendo uma das prováveis explicações para esse fato à diminuição da informalidade ao longo dos anos.
Gráfico 9 - Evolução dos estabelecimentos das divisões 17 e 18 CNAE 95 dos APLs identificados de 1997 a 2011
Fonte: Elaboração Própria com base na (BRASIL/MTE/RAIS 2013)
O crescimento em números absolutos para os três estados foram de 1.390 para Ceará, 1.262 para Pernambuco e 1.161 para Santa Catarina. Esse fato se deve também ao mercado têxtil de Pernambuco ser bem menor no início de 1997, enquanto os demais estados já vinham com mercados estabelecidos e com tamanho relativamente maior, o que se deve destacar é
0 500 1000 1500 2000 2500 3000
97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11
APLS CEARÁ APLS PERNAMBUCO APLS SANTA CATARINA
que o crescimento de Pernambuco vem se mostrando forte, o que colocará o Estado entre os principais em números de estabelecimentos e empregos dentro de alguns anos.
Avaliando o Gráfico 10, tem-se um crescimento muito parecido de empregos em relação a estabelecimentos, com Ceará e Santa Catarina próximos de 100%, enquanto Pernambuco teve crescimento de 534%, também muito maior do que os outros dois estados com crescimento acentuado nos 15 anos analisados destacam-se também a proximidade entre Ceará e Santa Catarina, andando praticamente juntos ao longo dos 15 anos, inclusive na queda que ocorreu entre 2010 e 2011, Pernambuco teve crescimento de 2010 e 2011, conforme o Gráfico 10, indicando seguir na contramão dos demais APLs identificados no presente estudo.
Gráfico 10 - Evolução dos empregos das divisões 17 e 18 CNAE 95 dos APLs identificados de 1997 a 2011
Fonte: Elaboração Própria com base na (BRASIL/MTE/RAIS 2013)
Na avaliação de crescimento absoluto, verifica-se que o Ceará teve crescimento de 23.809 empregos, enquanto Pernambuco teve 11.211 empregos a mais e Santa Catarina, com 26.220 empregos a mais. Pode-se perceber que, apesar do crescimento muito maior em percentual para Pernambuco, a quantidade absoluta é bem menor, indicando maior número de empresas com poucos empregados, já que o crescimento absoluto de estabelecimentos foi parecido entre os três estados com APLs identificados.
Para explicar o crescimento dos APLs que se destacam nos três estados, as Tabelas7 e 8 apresentam as correlações de Person para 5 variáveis de mercado, para se averiguar quais delas tem relação positiva ou negativa com o crescimento de cada APL avaliado.
0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 70000
97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11
APLS CEARÁ APLS PERNAMBUCO APLS SANTA CATARINA
Foi feito correlações entre as variáveis através do coeficiente de correlação linear de Pearson, para avaliar qual o grau de correlação entre as variáveis aqui apontadas para a evolução do setor têxtil e de Confecção, conforme Figueiredo Filho e Silva Júnior (2009), esse coeficiente de correlação de Pearson é uma medida de associação bivariada que mede a força e grau de relacionamento entre as duas variáveis. A correlação mede a direção e o grau da relação linear entre duas variáveis quantitativas. Em uma frase: o coeficiente de correlação de Pearson (r) é uma medida de associação linear entre duas variáveis, sendo sua fórmula a seguinte: (2)
O coeficiente de correlação Pearson (r) varia de -1 a 1. O sinal indica direção positiva ou negativa do relacionamento e o valor sugere a força da relação entre as variáveis. Uma correlação perfeita (-1 ou 1) indica que o escore de uma variável é perfeitamente negativa em caso de -1 e perfeitamente positiva em caso de 1. No outro oposto, uma correlação de valor zero indica que não há relação linear entre as variáveis.
Pela Tabela 7 percebem-se as variáveis em destaque para PIB nacional com correlação grande e positiva para Fortaleza com 0,62 e média de 0,33 para Jaraguá do Sul, sendo os demais municípios entre correlações negativas o que mostra que o PIB nacional não está relacionado ao crescimento nestas cidades de forma lógica.
Tabela 7 - Correlação de Person entre a variação anual de crescimento dos estabelecimentos nos APLs e indicadores econômicos
Município
PIB Nacional PIB Estadual Vendas Varejo Informalidade Desemprego Emprego
Têxtil Informalidade e Taxa de Desemprego foi o IPEADATA com base nos dados do IBGE 2013. Emprego Têxtil a fonte foi a RAISMTE 2013.
Fonte: Elaboração Própria com base na (BRASIL/MTE/RAIS et al 2013)
Para o PIB estadual, destacam-se os APLs de Fortaleza, Blumenau, Brusque e Jaraguá com correlações positivas indicando influência positiva do PIB no crescimento do setor, em Pernambuco se têm somente correlações negativas, diferenciando-se dos demais APLs, assim como Maracanaú.
Para vendas no varejo, praticamente todos os municípios tiveram correlações positivas, apenas Toritama apresenta correlação negativa, com destaque para Fortaleza com valores de 0,38 e Blumenau com valores de 0,11 sendo todas positivas. Para informalidade, o destaque fica para Fortaleza, Toritama e os municípios de Santa Catarina, com correlações negativas para essa variável.
A variável taxa de desemprego tem destaque em relação aos empregos gerados em metade dos municípios, quando a taxa de desemprego estadual diminui, o número de estabelecimentos no setor têxtil aumenta, para o crescimento do número de estabelecimentos, mostrando-se dividida entre positivos e negativos, pois com mais empregos tem-se mais consumo e, automaticamente, mais estabelecimentos.
De todas as variáveis, somente emprego no setor têxtil teve impacto positivo para todos os municípios, significa dizer que quanto mais empregos no setor maiores os números de estabelecimentos, indicando aumento de empregos pelo aumento de empresas e não aumento de empregos nas empresas já existentes. Quanto maior o PIB nacional, vendas no varejo, empregos no setor têxtil e informalidade menor, maior o número de estabelecimentos gerados na maioria das economias desses APLs. Quanto menor o PIB nacional, vendas no varejo, empregos no setor têxtil e informalidade maior, menor serão os estabelecimentos gerados na maioria desses APLs. A relação de uma variável com a outra demonstra a importância para o mercado têxtil dos três estados avaliados e seus respectivos APLs. As demais variáveis têm relações oscilando entre positivas e negativas entre os municípios, não demonstrando relações parecidas entre todos os municípios e seus APLs.
Na Tabela 8, têm-se as correlações para empregos no setor têxtil dos municípios e seus respectivos APLs quanto às variáveis descritas também para estabelecimentos. Sendo as relações mais fortes com as seguintes variáveis: PIB nacional a maioria foi positiva, para taxa de desemprego a maioria foi negativa e para número de estabelecimentos no setor todas foram positivas, indicando que quanto maior o PIB nacional, maior o número de estabelecimentos e menor a taxa de desemprego, maior os números de empregos nos APLs estudados.
Tabela 8 - Correlação de Person entre a variação anual de crescimento dos empregos nos APLs e indicadores econômicos
Município
PIB Nacional PIB Estadual Vendas Varejo Informalidade Desemprego Estabelecimento
Têxtil Informalidade e Taxa de Desemprego foi o IPEADATA com base nos dados do IBGE 2013. Emprego Têxtil a fonte foi a RAISMTE 2013.
Fonte: Elaboração Própria com base na (BRASIL/MTE/RAIS et al 2013)
Dentre todas as variáveis, as de maior impacto foram à taxa de desemprego e número de estabelecimentos no setor têxtil, indicando que o número de empregos aumenta à medida que crescem os estabelecimentos, não sendo gerados esses empregos necessariamente nas mesmas empresas já existentes, mesmo com as maiores tecnologias empregadas no setor, os empregos dependem de mais empresas para aumentar.
A correlação entre taxa de desemprego no Estado de Santa Catarina mostra-se estranha tendo um resultado positivo para essa variável, ou seja, quanto maior a taxa de desemprego maior o número de empregados no setor têxtil para o Estado, indicando que o setor destoa dos demais, provavelmente em épocas de maior desemprego o emprego no setor têxtil do Estado não é tão afetado.
Conforme Tabela 9, verifica-se o tamanho dos estabelecimentos para cada município e seus respectivos APLs, onde se têm resultados para todos os municípios com zero empregados muito próximos, em torno de 10%, a maior concentração para todos os municípios está entre 1 e 4 empregados com valores de 32,5% para Maracanaú e 46,7% para Toritama, os números mostram-se parecidos nessas faixas de empregados para todos os municípios.
Tabela 9 - Tamanho das empresas nos APLs avaliados para o ano de 2011 em (%)
Tamanho
Fortaleza Maracanaú Caruaru Santa Cruz Toritama Blumenau Brusque Jaraguá do
Sul
0 Empregado 11,6 4,6 10,4 8,4 9,6 10,2 9,6 8,0
De 1 a 4 40,9 32,5 41,4 34,4 46,7 40,1 46,3 34,7
De 5 a 9 19,0 15,9 21,8 23,8 17,9 20,3 16,3 20,6
De 10 a 19 14,0 14,6 14,3 19,6 13,1 13,0 10,6 14,7
De 20 a 49 9,8 11,3 9,9 12,7 8,3 9,4 10,1 11,7
De 50 a 99 3,0 7,3 1,7 0,9 3,5 3,1 3,9 5,5
De 100 a 249 1,3 4,6 0,4 0,2 0,9 1,9 1,8 2,1
De 250 a 499 0,2 4,0 0,0 0,0 0,0 0,9 0,9 1,2
De 500 a 999 0,0 4,6 0,0 0,0 0,0 0,7 0,4 0,3
1000 ou Mais 0,1 0,7 0,0 0,0 0,0 0,5 0,0 1,2
Fonte: Elaboração Própria com base na (BRASIL/MTE/RAIS 2013)
As maiores diferenças entre os municípios de Pernambuco e as demais estão a partir de 100 empregados, pois os valores são todos abaixo de 1% com a maioria sendo zero, enquanto os demais municípios do Ceará e Santa Catarina têm valores variando acima de 1%
para várias faixas acima de 100 empregados, indicando assim que no Estado de Pernambuco seus APLs são de empresas na sua maioria com menos de 100 empregados com alta concentração entre zero e 49 empregados e valores em torno de 95% de concentração nessa faixa. Para Ceará e Santa Catarina, a concentração nessa mesma faixa tem valores em torno de 92%, com os demais estando nas faixas maiores de empregados.
Destacam-se na Tabela 9 Maracanaú e Jaraguá, com os maiores percentuais entre as faixas acima de 100 empregados com 14% para Maracanaú e 5% para Jaraguá, sendo Jaraguá o único APL com mais de 1% de empresas com mais de 1000 empregados.
Na Tabela 10 pode-se verificar outra variável importante para o crescimento de um APL que é a escolaridade dos empregados, apresentando-se Santa Catarina como destaque para Superior Completo com as maiores percentuais nessa faixa e Pernambuco com os menores percentuais, indicando um dos principais motivos para o grande crescimento do setor em Santa Catarina, pois quanto maior a educação de um povo maior o crescimento desse povo.
Tabela 10 - Grau de instrução dos empregados nos APLs avaliados 2011 em (%)
Grau de Instrução
Fortaleza Maracanaú Caruaru Santa Cruz Toritama Blumenau Brusque Jaraguá do
Sul
Fonte: Elaboração Própria com base na (BRASIL/MTE/RAIS 2013)
Para todos os municípios, as maiores concentrações estão no ensino médio completo, indicando para todas as regiões proximidades para essa faixa, variando entre 31,4% para Santa Cruz e 57,5% para Maracanaú. Outro ponto a ser destacado para explicar o crescimento mais acelerado dos APLs do Ceará e Santa Catarina é a concentração na faixa entre Analfabetismo e até a 5ª série incompleta, destacando-se negativamente os municípios de Pernambuco, com valores somados de 9% para Santa Cruz, enquanto os demais municípios do Ceará e Santa Catarina não passam de 2% avaliando-se a Tabela 9.
Conforme Marini e Silva (2011), a importância da educação para a competitividade dos estados ganha cada vez mais importância, resultando na busca em elevar os índices educacionais de suas populações, essa função fundamenta-se na educação como propulsora para a geração de conhecimento, e, como consequência, a ampliação das capacidades produtivas locais, implicando também na melhoria da renda populacional, assim a educação apresenta-se como elemento chave no desenvolvimento socioeconômico dos APLs. É importante salientar que a grande maioria dos autores destaca a educação de uma população como o passo mais importante para o crescimento.
Outro fator importante para explicar o crescimento de um setor ou país é a sua renda, conforme Tabela 11, apresenta-se o salário médio dos empregados de cada município avaliada no setor têxtil e, mais uma vez, percebem-se as grandes diferenças entre Pernambuco e Ceará em relação à Santa Catarina, com pouquíssimos empregados estando nas faixas acima de três salários mínimos, enquanto Santa Catarina tem de 18,15% em Blumenau na soma, desconsiderando os não classificados, e 24,19% para Brusque, estando na faixa de mais de três salários mínimos.
Tabela 11 - Salário médio nos APLs avaliados para o ano de 2011 em (%)
Remuneração Média (SM)
Fortaleza Maracanaú Caruaru Santa Cruz Toritama Blumenau Brusque Jaraguá do
Sul
Fonte: Elaboração Própria com base na (BRASIL/MTE/RAIS 2013)
As maiores concentrações estão na faixa de 0,5 a 1,5 salários mínimos para Ceará e Pernambuco, enquanto em Santa Catarina a concentração é mais dividida entre 1,01 e 3 salários mínimos. Ficando realmente muito destacadas grandes diferenças de distribuição de renda entre os três estados avaliados com fortes indícios de ser o maior fator de crescimento acelerado e desenvolvimento sustentável do setor têxtil de Santa Catarina em relação aos demais estados e seus APLs, juntamente com o nível de escolaridade.
Conforme Santos et al (2003), as ações de um polo de desenvolvimento, ao atrair investimentos para região, geralmente cria e reforça a criação de um APL. Essas empresas, à medida que produzem e exportam para outras regiões, reforçam o próprio polo de desenvolvimento e, gerando maior renda, atraem pessoas de outras regiões e induzem investimentos públicos em infraestrutura. Como consequência, atraem mais empresas, principalmente no ramo de serviços, para atender a demanda crescente, criando um ciclo de desenvolvimento regional muito poderoso, em que a renda tem papel fundamental na manutenção desse desenvolvimento.
Fechando as avaliações, tem-se a Tabela 12 com dados municipais para alguns dos principais indicadores de desenvolvimento e distribuição de renda, na coluna população total somente Fortaleza tem um número maior que 500.000 habitantes, enquanto as demais têm menos de 400.000 habitantes, com o menor município sendo Toritama.
Tabela 12 - População, valor adicionado no PIB municipal, IDH, GINI, incidência de pobreza e distância para a capital nos APLs avaliados.
Município População 2003, a variável de distância para a capital é de 2013
Fonte: Elaboração Própria com base no (BRASIL/IBGE 2013)
No valor adicionado da indústria no PIB municipal, percebe-se a grande diferença entre Santa Catarina e Ceará em relação a Pernambuco, separando Fortaleza, onde a população é muito maior, tem-se Blumenau, Brusque, Jaraguá do Sul e Maracanaú com valores superiores a um bilhão de reais, enquanto os municípios de Pernambuco tem valor adicionado abaixo de 400 milhões de reais, destacando-se de certa forma o desenvolvimento do Estado de Pernambuco muito abaixo dos demais municípios onde se concentram os APLs têxteis. Como esse valor é em preços correntes, pode indicar que as mercadorias transacionadas nos municípios de maior valor adicionado são de preços mais altos, com valores agregados maiores, gerando mais renda e lucro para empresas.
Outros pontos que se destacam e explicam de certa forma o grande desenvolvimento de Santa Catarina em relação ao Nordeste é o IDH, índice de Gini, e índice de pobreza. Os APLs de Santa Catarina têm resultados melhores em relação aos demais com IDHs em torno de 0,8, índices de Gini em torno de 0,38 e índice de pobreza em torno de 20%, bem abaixo dos APLs do nordeste brasileiro, indicando melhor distribuição de renda, maior bem-estar da população atrelado ao menor índice de pobreza, algo fundamental para o crescimento com desenvolvimento da região e dos APLs têxteis.
A distância entre os APLs e a capital é no geral em torno de 150 km para os municípios de Pernambuco e Santa Catarina com diferenças apenas para Ceará, com a concentração em torno da capital, contudo nenhuma dos municípios está acima de 200 km da capital, o que indica que o desenvolvimento de APLs depende da proximidade das capitais.