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Fatores que afetam a puberdade em novilhas

No documento CARLOS SANTOS GOTTSCHALL (páginas 25-30)

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1.2 Fatores que afetam a puberdade em novilhas

O primeiro grande pico de LH pré-ovulatório ocorre somente após o aumento da progesterona, necessária para a sensibilização de centros nervosos e desencadeamento do comportamento de estro (ANDERSON et al., 1996). A puberdade pode ser induzida com a administração de progestágenos (auriculares, vaginais ou via oral) seguido ou não por injeção intramuscular de fonte de estradiol (PATTERSON et al., 1999; CLARO JUNIOR et al., 2010). Entretanto, a eficácia destes tratamentos depende da idade (HALL et al., 1997), desenvolvimento e peso corporal das novilhas tratadas (YOUNGQUIST e THRELFALL, 2007).

2.1.2 Fatores que afetam a puberdade em novilhas

A idade a puberdade é uma característica reprodutiva de extrema importância produtiva, especialmente em sistemas intensivos de cria que buscam o primeiro parto aos 24 meses de idade (PATTERSON et al., 1992).

Inúmeros fatores irão determinar a manifestação da puberdade. Dentre eles, destacam-se a idade (GREER et al., 1983; HALL et al., 1997), genótipo (LASTER et al., 1976; BAKER et al., 1988), estação do ano (ARIJE e WILTBANK, 1971;

SCHILLO et al., 1992), peso vivo (FOX et al., 1988; PATTERSON et al., 1999), nutrição (SCHILLO et al., 1992; NRC, 2000; PATTERSON et al., 1999; HOLM et al., 2009) e interações sociais e ambientais (HANSEN et al., 1983; PATTERSON et al., 1992; QUADROS e LOBATO, 2004).

Estudos prévios foram esclarecedores para a compreensão da puberdade em novilhas. Embora os mecanismos precisos ainda não sejam totalmente conhecidos, há concordância de que a puberdade em novilhas irá ocorrer após certo nível de desenvolvimento somático (“peso mínimo crítico”) que quando atingido irá cessar o efeito do feed-back negativo do estradiol sobre a hipófise, hipotálamo ou ambos, permitindo um incremento na freqüência pulsátil de LH e conseqüente ovulação. A Figura 3, adaptada de Holm et al. (2009) sintetiza os principais fatores que afetam a puberdade e a influência da mesma sobre a produtividade dos rebanhos.

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Figura 3. Fatores que afetam a idade à puberdade e os efeitos da mesma sobre a

produtividade dos rebanhos de bovinos de corte.

Adaptado Holm et al. (2009).

Embora idade e peso à puberdade sejam correlacionados, o peso vivo é o principal fator que afeta a idade à puberdade em bovinos. Geralmente, a puberdade inicia quando a novilha atinge cerca de 40% a 50% do seu peso adulto (YOUNGQUIST e THRELFALL, 2007). Somente após as novilhas alcançarem um determinado peso e desenvolvimento corporal o primeiro estro irá ocorrer (SHORT e BELLOWS, 1971;

BOYD, 1977), sendo este peso afetado pelo plano nutricional. Entretanto, puberdade não deve ser interpretada como maturidade sexual. Após a manifestação do primeiro estro segue um processo de maturação sexual com incremento de fertilidade. Segundo Byerley et al. (1987) e Perry et al. (1991) a fertilidade em novilhas acasaladas no

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primeiro estro é menor que a fertilidade de novilhas que já tenham apresentado múltiplos estros. Essas informações confirmam que a maturidade sexual é um processo gradual que se sucede à puberdade, e que fertilidade aumenta nos ciclos subseqüentes.

2.1.2.1 Peso mínimo crítico

Segundo (SHORT e BELLOWS, 1971; RADOSTITS, 2001) o percentual de novilhas exibindo estros regulares e a taxa de prenhez ao início da estação de acasalamento são dependentes da idade e, principalmente do peso das novilhas por ocasião do acasalamento.

Apenas alcançar a puberdade não é suficiente. As novilhas devem ciclar regularmente antes do início da estação reprodutiva. Portanto, deverão ser adequadamente manejadas e alimentadas para atingir um grau de desenvolvimento corporal, normalmente expresso pelo peso vivo (PATTERSON et al., 1999). Na prática, esse peso equivale a 65% do peso adulto maduro, que deverá ser atingido pelas novilhas antes do início da estação de acasalamento (ROVIRA, 1996; NRC, 2000). Esse conceito decorre do entendimento que a maturidade sexual é um processo gradual que se sucede à puberdade, e a fertilidade aumenta nos ciclos subseqüentes (BURNS et al., 2010).

Pesquisas conduzidas ao final dos anos de 1960 e durante a década de 70 resultaram no conceito de peso mínimo crítico. Inúmeras pesquisas indicam que nem idade, nem peso, são indicadores absolutos de desenvolvimento reprodutivo. Entretanto, existem limiares de idade e peso que devem ser alcançados antes do desencadeamento da puberdade (NRC, 2000). Com base neste princípio Lamond (1970) propôs o conceito de “peso alvo” ou peso mínimo crítico que deve ser atingido antes da estação de acasalamento, conforme a base genética do rebanho. Esse conceito é amplamente difundido pelos pesquisadores (DZIUK e BELLOWS, 1983; HOLMES, 1989;

ROVIRA, 1996; PATTERSON et al., 1999).

Wiltbank et al. (1985) sugerem que as novilhas de reposição devem ser alimentadas para atingir um peso mínimo crítico previamente estabelecido a uma determinada idade. Esse peso estimado representa 55%, 60% e 65% do peso adulto maduro respectivamente, para novilhas Bos taurus de duplo propósito ou leiteiras, Bos taurus de corte ou Bos indicus (NRC, 2000).

Segundo Funston et al. (2009) o principal fator de ordem nutricional que determina o sucesso reprodutivo em novilhas, consiste simplesmente em assegurar crescimento adequado antes da estação de acasalamento. Como regra básica, as novilhas

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deverão atingir 60 a 65% do peso adulto antes do início da estação de acasalamento.

Fox et al. (1988) relacionam o peso que deve ser atingido ao primeiro acasalamento, conforme o escore frame (descrição numérica da altura de bovinos, na escala de 1 a 9) e o peso adulto dos animais. Novilhas com frames de 1, 3, 5, 7 e 9 e o respectivo peso adulto de 400, 467, 533, 600 e 667 kg devem apresentar o peso ao inicio do acasalamento respectivamente de 260, 304, 346, 390 e 434 kg, o que representam em todas as situações 65% do peso adulto.

2.1.2.2 Escore de trato reprodutivo

O escore de trato reprodutivo (ETR) é um sistema proposto por Andersen et al.

(1991) para estimar o estágio de desenvolvimento do trato reprodutivo de novilhas. Essa classificação utiliza uma escala de 1 a 5 e estima a maturidade sexual baseada nas estruturas ovarianas e desenvolvimento uterino.

O ETR foi desenvolvido com o objetivo de auxiliar na seleção de novilhas destinadas à reprodução e prospectar o desempenho de novilhas em programas de sincronização de estros. Segundo DESJARDINS e HAFS, (1969) e HONARAMOOZ et al. (2004) durante o desenvolvimento das novilhas, até atingir a puberdade, o trato reprodutivo passa por modificações significativas, preparando-se para o início de uma gestação. Esse rápido desenvolvimento uterino é devido, parcialmente, ao estimulo do aumento da concentração de estrógeno circulante.

Segundo Andersen et al. (1991) (Tabela 1) o ETR 1 é designado para novilhas que apresentam o trato genital infantil, baseado na ausência de tônus uterino, ovários pequenos e sem estruturas palpáveis. Novilhas com ETR 2 são consideradas mais próximas à puberdade, que o escore 1, devido ao maior diâmetro dos cornos uterinos e tamanho ovariano. Novilhas com escore 3 estão muito próximas à puberdade, apresentando maior tônus e desenvolvimento uterino, além de folículos palpáveis.

Novilhas com ETR 4 não apresentam corpo lúteo facilmente perceptível, mas possuem indicativos (útero e ovários) de ciclicidade. Novilhas com ETR 5 apresentam características semelhantes ao ETR 4 somada a presença de um corpo lúteo evidente.

Patterson et al. (1999) com base na classificação de Andersen et al. (1991) afirmam que as novilhas classificadas com 1 devem ser consideradas impúberes, as novilhas 2 e 3 peri-púberes e as novilhas 4 e 5 púberes (Tabela 1).

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O ETR é indicado por Holm et al. (2009) como um método preciso para a seleção de novilhas previamente à estação de acasalamento, além de estar correlacionado com a idade à puberdade, resposta à sincronização e resposta reprodutiva ao estro sincronizado.

Tabela 1 - Escore de trato reprodutivo de novilhas ETR Cornos uterinos Ovários

Adaptado de Andersen et al., 1991 e Patterson* et al., 1999.

Associações entre o ETR e desempenho reprodutivo em novilhas são descritos por vários autores. Andersen et al. (1991) em análise compilada de resultados, descrevem taxa de prenhez ao estro sincronizado de 3, 23, 40, 55 e 55%, respectivamente para os ETR´s 1, 2, 3 4 e 5. Os mesmos autores descrevem uma taxa de prenhez ao final da estação de acasalamento de 28, 74, 77, 94 e 85%. Holm et al. (2009) descrevem taxa de prenhez à inseminação de 31, 40, 53, 70 e 80%, respectivamente para os ETR´s 1, 2, 3, 4 e 5, com superioridade (P<0,05) para os valores resultantes do ETR 4 e 5. A taxa de prenhez ao final da estação (50 dias) foi de 56, 76, 81, 92 e 93% para os ETR´s 1, 2, 3, 4 e 5, com diferença significativa (P<0,05) entre os ETR´s 1-2 e 4-5, enquanto o ETR 3 não se diferenciou dos demais. Gottschall (1999) usando a classificação pelo ETR na escala de 1 a 5 encontrou respectivamente, 64,7%, 77,8%, 79,0% e 89,3% de prenhez ao final da estação de acasalamento, de 60 dias, em novilhas submetidas a IA após aplicação de PGF2Į, para os ETR 2, 3, 4 e 5. Brinks (1994) relata resultados similares com taxa de prenhez em novilhas durante 60 dias da estação de acasalamento e com ETR de 1, 2, 3, 4 e 5, respectivamente, 38%, 61%, 70%, 93% e 85%; e uma taxa média de prenhez de 78,5%.

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No documento CARLOS SANTOS GOTTSCHALL (páginas 25-30)