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Fatores que facilitaram a desaprendizagem dos gestores

No documento DESAPRENDIZAGEM DE GESTORES: (páginas 160-163)

4 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

4.2 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

4.2.2 Em que se constitui o processo de desaprendizagem

4.2.2.3 Fatores que facilitaram a desaprendizagem dos gestores

Entre os fatores que facilitaram a desaprendizagem dos gestores, são encontrados aspectos que podem ser atribuídos tanto ao indivíduo, quanto à organização. Desse modo, em relação aos fatores individuais, primeiro, observa-se que, para facilitar a própria desaprendizagem, foi importante buscar compreender as exigências impostas pelo contexto vigente na organização, o que se deu por meio de diferentes caminhos, como refletir sobre as necessidades da organização (Carlos, § 8), exercer o autocontrole emocional, com a finalidade de agir de modo profissional e responsável (Marcos, § 11) e a disposição pessoal para adequar os antigos aprendizados às características do novo ambiente de trabalho (Breno, § 8).

Os gestores consideram, também, que a avaliação positiva do novo modo de pensar e fazer colaborou para a desaprendizagem do antigo. Não obstante, para constatar que o novo processo de trabalho era eficiente (Leila, § 7), bem como reconhecer os pontos positivos da forma de trabalhar que o antigo concorrente adotava (Pedro, § 11), os gestores apontam que foi necessário adotar uma postura de abertura pessoal e flexibilidade para aceitar a nova situação. Por isso, para parte dos gestores, a disposição para mudar e adquirir novos aprendizados são outros dois fatores facilitadores da desaprendizagem vivenciada, os quais podem ser traduzidos pela adoção da atitude de "humildade intelectual", ou seja, ter consciência "daquilo que você não sabe que não sabe" (Pedro, § 12).

Também, o senso de responsabilidade individual pela execução do próprio trabalho e alcance dos resultados esperados mostrou-se como um elemento facilitador da desaprendizagem, expresso em entendimentos como o de que, apesar das limitações impostas pelo novo contexto organizacional, é preciso realizar o trabalho da melhor maneira possível (Tereza, § 10).

Quanto aos fatores organizacionais considerados facilitadores da desaprendizagem, parte dos gestores destacou, entre outros, a disseminação de informações sobre as mudanças em andamento e os seus efeitos na situação de trabalho das pessoas. De acordo com as narrativas, ser comunicados, logo após a efetivação da F&A, de que não seriam demitidos e do que se esperava deles (Alex, § 10; Joana, § 10), bem como a existência de um discurso institucional sobre a mudança, do qual pudesse apropriar-se para justificar a sua mudança de comportamento, perante os pares (Téo, 13), colaboraram para que pudessem levar adiante o processo de desaprendizagem.

Mostrou-se relevante, também, a condução do processo de mudança na organização de modo paulatino, sem a promoção de uma “ruptura traumática” (Joana, § 10), de forma que os gestores pudessem adaptar-se ao padrão novo, à medida que a desaprendizagem se desenvolvia (Wesley, § 9). Outro fator é representado pelo desenvolvimento de uma cultura organizacional própria da organização resultante, como forma tanto de amenizar as diferenças culturais (Carlos, § 12), quanto de não permitir a prevalência da identidade de apenas uma das organizações que se fundiram (Marcos, § 12).

Da mesma forma, os gestores apontaram diversos fatores envolvendo ações de capacitação e acompanhamento relativas ao novo modo de desenvolver as atividades e fazer a gestão. São ações na forma de treinamento – inclusive, no local de trabalho (Leila, §10) –, que envolvem os aspectos operacionais do trabalho e a prática da gestão (Joana, § 10) e da liderança (Douglas, § 12), de visitas técnicas (Marcos, § 13), e de orientações e de feedbacks,

pelos superiores, quanto ao trabalho realizado e ao comportamento adotado pelo gestor (Gabriel, §13-14; Wesley, § 9).

Por último, verificam-se outros dois fatores organizacionais facilitadores da desaprendizagem: a aceitação, pela organização, de opiniões pessoais sobre a nova forma de executar o trabalhar (Leila, § 7) e os incentivos financeiros ao desempenho. Sobre este aspecto, o gestor relata que foi importante dar-se conta de que o valor da própria remuneração estava atrelado ao cumprimento de metas pela equipe, para o que concorria desaprender algo da forma de liderar e adotar novos comportamentos (Gabriel, § 10). O Quadro 20 traz a síntese dos fatores individuais e organizacionais facilitadores da desaprendizagem, conforme as narrativas dos gestores que vivenciaram este processo.

Quadro 20: Fatores individuais e organizacionais facilitadores da desaprendizagem, conforme as narrativas dos gestores

Fatores facilitadores da desaprendizagem Nível Gestores

Entendimento sobre as exigências do contexto vigente na

organização. Individual

Breno (§ 8), Carlos (§ 13), Marcos (§ 11), Marta (§ 10). Avaliação positiva do novo modo de pensar ou de fazer. Individual Carlos (§ 7), Leila (§ 7),

Marcos (§ 6), Pedro (§ 11). Disposição pessoal para a mudança. Individual Cargos (§ 13), Douglas (§

13), Téo (§ 16).

Disposição pessoal para adquirir novos aprendizados. Individual Carlos (§ 13), Pedro (§ 12), Téo (§ 16).

Responsabilidade individual pela execução do próprio

trabalho e obtenção dos resultados esperados. Individual

Carlos (§ 7), Gabriel (§ 9), Tereza (§10).

Disseminação de informações sobre as mudanças em andamento e os seus efeitos sobre a situação de trabalho das pessoas.

Organizacional

Alex (§ 10), Joana (§ 10), Téo (§ 13).

Condução do processo de mudança na organização de

modo paulatino. Organizacional

Alex (§ 10), Joana (§ 10), Wesley (§ 9).

Busca pelo desenvolvimento de uma cultura

organizacional própria da organização resultante da F&A. Organizacional

Carlos (§ 12), Marcos (§ 12).

Treinamento para orientar sobre o novo modo de fazer e

gerir. Organizacional

Douglas (§ 12), Joana (§ 10), Leila (§ 10). Orientações e feedbacks recebidos de pares e superiores.

Organizacional Gabriel (§ 13-14), Wesley (§ 9).

Visitas a unidades organizacionais que implantaram o

método novo. Organizacional

Marcos (§ 13). Participação na definição das mudanças, por meio de

sugestões e ideias. Organizacional

Leila (§ 7). Incentivos financeiros. Organizacional Gabriel (§ 10). Fonte: elaborado pelo autor, com base nos resultados desta pesquisa (2016).

Entre os fatores facilitadores da desaprendizagem, relativos ao nível individual, verifica-se que o entendimento sobre as exigências do contexto vigente na organização, a avaliação positiva do novo modo de pensar ou de fazer e a disposição para a mudança são aspectos, também, identificados por Becker (2010), em sua pesquisa sobre os fatores que influenciaram a desaprendizagem individual decorrente de um processo de implantação de um novo software de gestão empresarial. O mesmo se observa em relação a dois fatores facilitadores no nível organizacional, que são o treinamento para orientar sobre o novo modo de fazer e gerir, e as orientações e feedbacks recebidos de pares e superiores.

Nesse sentido, os demais fatores individuais e organizacionais facilitadores da desaprendizagem, identificados nesta pesquisa, mostram-se específicos à situação de desaprendizagem vivenciada pelos gestores, a partir do evento de F&A. Na sequência, são discutidos os resultados quanto aos fatores individuais e organizacionais que dificultaram a desaprendizagem dos gestores.

No documento DESAPRENDIZAGEM DE GESTORES: (páginas 160-163)

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