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Questões comentadas pelo professor

21. FCC - TJ TRT19/Administrativa/2014

Tudo é grandioso na Amazônia, o maior bloco remanescente de floresta tropical do planeta. Com pouco mais de 6,8 milhões de quilômetros quadrados, espalha-se por nove países da América do Sul − a maior parte está no Brasil, que detém 69% da área coberta pela floresta. Estima-se ainda que ela abrigue quase 25% de todas as espécies de seres vivos da Terra, além de 35 milhões de pessoas (20 milhões somente no Brasil). A Amazônia tem também a maior bacia fluvial do mundo, fundamental para a drenagem de vários países e para a geração de chuvas. É o maior reservatório de água doce do planeta, com cerca de 20% de toda a água doce disponível.

Por isso, é um dos reguladores do clima e do equilíbrio hídrico da Terra.

Apesar de tanta grandiosidade, são as alterações em pequena escala, como a abertura de clareiras para a extração seletiva de madeira, que podem representar uma das principais ameaças à conservação do ecossistema, destaca o biólogo Helder Queiroz, diretor do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. De modo geral, explica Queiroz, as principais ameaças à Amazônia estão hoje associadas às práticas que levam direta ou indiretamente à perda de hábitats e à redução de populações de plantas e de animais.

"Muitas árvores com madeira de grande valor comercial são fundamentais para a alimentação de diversos animais", diz Queiroz.

Hoje, a perda de ambientes naturais é maior numa região conhecida como Arco do Desmatamento, que se estende do sul ao leste da Amazônia Legal − uma área de 5 milhões de km2 que engloba oito estados. O Arco do Desmatamento, definido pela fronteira da expansão agropecuária − que converte grandes extensões de floresta em pastagens −, concentra cerca de 56% da população indígena do país.

As regiões de várzea, em terrenos mais baixos, no interior da floresta amazônica, também têm atraído a atenção do poder público durante a elaboração de estratégias de conservação do ecossistema. Boa parte dessa região é inundada pelas chamadas águas brancas, de origem andina, ricas em sedimentos e nutrientes. Nesses trechos, a vegetação tende a ser mais abundante. Devido a essa riqueza em recursos naturais, as florestas de várzea sofrem mais com a constante ocupação humana. Todas as grandes cidades amazônicas, e boa parte das pequenas, estão localizadas nessas áreas.

(Adaptado de: ANDRADE, Rodrigo de Oliveira, Pesquisa Fapesp, outubro de 2013. p. 58-60)

... que podem representar uma das principais ameaças à conservação do ecossistema ... (Texto I, 2o parágrafo)

O sinal indicativo de crase deverá permanecer, como no exemplo acima, caso o segmento grifado seja substituído por:

a) cada componente da biodiversidade.

b) alguma das espécies ameaçadas.

c) qualquer ser vivo da floresta.

d) respeito das condições do ambiente.

e) recente pesquisa de medicamentos.

RESOLUÇÃO

ALTERNATIVA A – ERRADA – Não se emprega crase antes de palavra masculina, como é o caso do substantivo “componente”.

ALTERNATIVA B – ERRADA – Não se emprega crase antes de pronome indefinido, como é o caso de

“alguma”.

ALTERNATIVA C – ERRADA – Não se emprega crase antes de pronome indefinido, como é o caso de

“qualquer”.

ALTERNATIVA D – ERRADA – Não se emprega crase antes de palavra masculina, como é o caso de

“respeito”.

ALTERNATIVA E – CERTA – Deve-se empregar a crase, haja vista que ocorre a fusão da preposição “a” – requerida pela regência do substantivo “ameaças” (ameaças a algo) – com o artigo “a” – requerido pelo substantivo “pesquisa”.

Resposta: E

22.

FCC - AJ TRT19/Judiciária/"Sem Especialidade"/2014

De que forma o conhecimento da cultura renascentista pode auxiliar no entendimento do presente?

A história da cultura renascentista ilustra com clareza o processo de construção cultural do homem moderno e da sociedade contemporânea. Nela se manifestam, já muito dinâmicos e predominantes, os germes do individualismo, do racionalismo e da ambição ilimitada, típicos de comportamentos mais imperativos e representativos do nosso tempo. Ela consagra a vitória da razão abstrata, que é a instância suprema de toda a cultura moderna, versada no rigor das matemáticas que passarão a reger os sistemas de controle do tempo e do espaço. Será essa mesma razão abstrata que estará presente na própria constituição da chamada identidade nacional. Ela é a nova versão do poder dominante e será consubstanciada no Estado Moderno, entidade controladora e disciplinadora por excelência, que impõe à sociedade um padrão único, monolítico e intransigente. Isso, contraditoriamente, fará brotar um anseio de liberdade e autonomia do espírito, certamente o mais belo legado do Renascimento à atualidade.

Como explicar a pujança do Renascimento, surgido em continuidade à miséria, à opressão e ao obscurantismo do período medieval?

O Renascimento assinala o florescimento de um longo processo de produção, circulação e acumulação de recursos econômicos, desencadeado desde a Baixa Idade Média. São os excedentes dessa atividade crescente em progressão maciça que serão utilizados para financiar, manter e estimular uma ativação econômica. Surge assim a sociedade dos mercadores, organizada por princípios como a liberdade de iniciativas, a cobiça e a potencialidade do homem, compreendido como senhor da natureza, destinado a dominá-la e a submetê-la à sua vontade. O Renascimento, portanto, é a emanação da riqueza e seus maiores compromissos serão para com ela.

(Adaptado de: SEVCENKO, Nicolau. O renascimento. São Paulo: Atual; Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 1982. p. 2 e 3)

O sinal indicativo de crase pode ser corretamente suprimido, sem prejuízo para a correção e o sentido original do texto, em:

a) ... à opressão e ao obscurantismo...

b) ... o mais belo legado do Renascimento à atualidade.

c) ... em continuidade à miséria...

d) ... e a submetê-la à sua vontade.

e) ... que impõe à sociedade um padrão único...

RESOLUÇÃO

ALTERNATIVA A – ERRADA – No trecho “surgido em continuidade à miséria, à opressão e ao obscurantismo do período medieval”, é obrigatório o emprego do sinal indicativo de crase, haja vista que se trata da fusão da preposição “a” – requerida pela regência do substantivo “continuidade” – com o artigo “a” – solicitado pelos substantivos femininos “miséria” e “opressão”. A presença do artigo se faz necessária, haja vista que todos os elementos da enumeração requerem o artigo definido – é o caso de “miséria”, “opressão” e

“obscurantismo”.

ALTERNATIVA B – ERRADA - É obrigatório o emprego da crase, haja vista que ocorre a fusão da preposição “a” – requerida pela regência do substantivo “legado” (legado a algo) – com o artigo “a” – solicitado pelo substantivo “atualidade”.

ALTERNATIVA C – ERRADA - É obrigatório o emprego da crase, haja vista que ocorre a fusão da preposição “a” – requerida pela regência do substantivo “continuidade” (continuidade a algo) – com o artigo

“a” – solicitado pelo substantivo “miséria”.

ALTERNATIVA D – CERTA – É facultativo o emprego da crase no trecho. A preposição “a” é garantida pela regência do verbo “submeter” (submeter a algo). Já a presença do artigo “a” é facultativa antes do pronome possessivo feminino “sua”. Dessa forma, é possível dispensar o acento grave, sem qualquer prejuízo à correção gramatical.

ALTERNATIVA E – ERRADA - É obrigatório o emprego da crase, haja vista que ocorre a fusão da preposição “a” – requerida pela regência do “impor” (impor algo a alguém) – com o artigo “a” – solicitado pelo substantivo “sociedade”.

Resposta: D