Estudos mostram que a propensão ao desenvolvimento do Fenômeno do Impostor leva em consideração as origens dos sujeitos, nos contextos interpessoal e social, o que envolve as mensagens dadas na família e na sociedade por meio da socialização (CLANCE et al., 1995).
Pessoas com sentimentos impostores podem ter um ou mais dos quatro elementos- chave familiares relacionados à realização que podem contribuir para o desenvolvimento do fenômeno: (1) quando crianças, pessoas com sentimentos impostores acreditam que seus talentos eram atípico para seus familiares, sua raça ou gênero; (2) o feedback que essas crianças recebem de professores, colegas ou vizinhos é inconsistente com o feedback da família; (3) os membros da família não reconhecem ou elogiam essas crianças por suas realizações e talentos; e (4) para seus pais é muito importante que seus filhos sejam inteligentes e bem-sucedidos com pouco esforço (CLANCE, 1985; CLANCE et al., 1995; GIBSON-BEVERLY; SCHWARTZ, 2008; KING; COOLEY, 1995).
A variável familiar se torna, determinante para a compreensão do fenômeno, já que as crianças são forçadas ao papel de satisfazer as necessidades de seus pais. Elas, não conseguem, muitas vezes, desenvolver um senso de si e lutar contra sentimentos de inadequação e ansiedade (WHITMAN; SHANINE, 2012), desenvolvendo um alto receio social e medo do futuro (RENN et al., 2005; WHITMAN; SHANINE, 2012).
Algumas pesquisas evidenciam que o Fenômeno do Impostor tem propensão a ser desencadeado por diversos fatores, que vão desde o perfeccionismo (LEONHARDT; BECHTOLDT; ROHRMANN, 2017; PARKMAN, 2016; SAKULKU; ALEXANDER, 2011) até o ambiente familiar em que este indivíduo foi criado (KING; COOLEY, 1995; NEUREITER; TRAUT-MATTAUSCH, 2017; SAKULKU; ALEXANDER, 2011; WHITMAN; SHANINE, 2012).
Clance et al. (1995) mencionam que alguns sujeitos acometidos pelo Fenômeno do Impostor tendem a “buscar a aprovação de um mentor ou superior usando bajulação,
43 censurando suas opiniões opostas, oferecem amizade, ou mesmo tolerando assédio sexual, acreditando que podem contribuir no caminho para o sucesso.” (p.81, livre tradução).
Pesquisas indicam que os escores do Fenômeno do Impostor são mais altos para discentes em populações minorizadas (PARKMAN, 2016). As mulheres e outros grupos minorizados estariam ainda mais propensas no ambiente acadêmico a expressarem sua própria vulnerabilidade e tendências impostoras, em especial em áreas onde estão tradicionalmente subrepresentadas (como ciências exatas e engenharia) (HOANG, 2013; HUTCHINS; RAINBOLT; 2017; PETEET et al., 2014).
Gibson-Beverly e Schwartz (2008) afirmam que mulheres podem ser mais propensas que os homens a experimentar os efeitos do FI por conta do impacto dos estereótipos de papéis de gênero. Hoang (2013) explica que, em ambientes onde são subrepresentadas, mulheres, muitas vezes, podem questionar suas habilidades e capacidades. Além disso, fatores sociais e culturais também podem contribuir para o medo do sucesso. Em contraste, Badawy et al. (2018) afirmam que homens acometidos pelo fenômeno reagem significativamente mais negativamente sob condições de feedback negativo do que mulheres.
Como um adendo a esta ideia, no que tange a faixa etária dos discentes, Parkman (2016) relata que este fator poderia influenciar de forma negativa com o aumento da idade, já que eles têm que lidar com filhos, ter um emprego e os estudos fazendo com que estes indivíduos acreditem que os professores possam sentir pena deles.
Ainda quanto se fala em questões de minorias, Bernard et al. (2017) verificaram, em sua pesquisa, que as jovens afro-americanas relatam maior frequência de discriminação e uma maior propensão ao desenvolvimento do Fenômeno do Impostor (BERNARD et al., 2017). Além disso, pesquisas apontam relação entre o FI e grupos étnicos e raciais, em que afro- americanos demonstram ser mais suscetíveis ao sofrimento psicológico em comparação com os pares brancos (COKLEY et al., 2013; PETEET et al., 2014).
O Quadro 6 apresenta uma síntese dos principais achados sobre o Fenômeno do Impostor e os grupos minorizados.
Quadro 6 – Fenômeno do Impostor e a relação com as categorias sociais
Categorias sociais Descrição Autores
Gênero Mulheres podem ser mais propensas que os homens a experimentar os efeitos do FI por conta do impacto dos estereótipos de papéis de gênero. Em contraste, homens acometidos pelo fenômeno reagem significativamente mais negativamente sob condições de feedback negativo do que mulheres. Badawy et al. (2018); Gibson-Beverly; Schwartz (2008); Hoang (2013); Hutchins; Rainbolt (2017); Peteet et al., (2014)
44 Afrodescendentes Afro-descentes demonstram ser mais suscetíveis ao sofrimento
psicológico em comparação com os pares brancos. Além disso, as jovens afro-americanas relatam uma maior propensão ao desenvolvimento do Fenômeno do Impostor.
Bernard et al., (2017); Cokley et al., (2013); Peteet et al., (2014). Idade, trabalho,
estado civil e filhos O aumento da idade pode influenciar de forma negativa, já que eles têm que lidar com filhos, ter um emprego e os estudos fazendo com que estes indivíduos acreditem que os professores possam sentir pena deles. Embora o Fenômeno do Impostor possa se manifestar em qualquer idade, a inter-relação entre idade e experiência de trabalho pode ser significativa. Mais especificamente, a experiência de trabalho pode resultar no desenvolvimento de estratégias de coping mais bem desenvolvidas para lidar com medos provenientes do sentimento de impostura.
Parkman (2016); Sightler e Wilson (2001)
Fonte: Elaborado pela autora (2020).
Parkman (2016) afirma que as universidades precisam pensar na retenção do seu corpo discente e docente. Neste sentido o Fenômeno do Impostor vem sendo amplamente documentado na academia e tem o potencial de impactar negativamente a capacidade de programas de reterem alunos, professores e funcionários. Compreender o Fenômeno do Impostor pode ser muito útil para identificar as pessoas em risco de abandonarem suas carreiras. Torna-se igualmente importante estudar as possibilidades de minimizar o FI, de forma a criar um ambiente mais convidativo, permitindo que faculdades e universidades mantenham os melhores desempenhos em toda a academia.