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Capítulo IV. Resultados e Discussão

4.3 Caracterização por espetroscopia

4.3.1 Fenchona

Pelo espetro de IV (figura 47) para a fenchona pode verificar-se a presença de uma banda de absorção a 1736 cm-1 característica da vibração de extensão entre os átomos de carbono este

composto, correspondente ao grupo carbonilo da fenchona, sendo assim possível verificar a existência do grupo funcional presente na estrutura da fenchona.

No espetro de massa de baixa resolução (figura 48) o ião molecular M+∙ surge a m/z 152,

correspondente à fórmula química C10H16O.

Em relação aos dados de RMN de 1H para a fenchona, cujos resultados estão apresentados na

tabela 16, pode observar-se que a fenchona possui dois singletos. O primeiro singleto a δ 1,15 corresponde aos protões do grupo metilo na posição 10 e o segundo singleto a δ 1,04 aos protões dos grupos metilos das posições 8 e 9. Tem também um duplo dupleto na posição 4. Pela análise dos espetros de RMN de 13C (figura 50) cujos valores de desvios químicos estão

apresentados na tabela 17, verifica-se que a fenchona apresenta sinais correspondentes a dez átomos de carbono, dos quais três são quaternários, sendo o que aparece a 223,40 ppm característico do carbono do grupo carbonilo. Pode-se observar ainda um sinal de um carbono terciário, três sinais de átomos de carbono secundário e três são relativos a átomos de carbono primário.

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4.3.2 trans - anetol

O espetro de IV (figura 51) do trans-anetol apresenta absorções características das ligações C- H presentes no anel aromático (3022 cm-1), da ligação dupla (1606 cm-1), das ligações duplas

do anel aromático (1508 cm-1) e da ligação C-O-C (1241 cm-1).

No espetro de massa (figura 52) o ião molecular M+∙ surge a m/z 148 que corresponde à

fórmula molecular C10H12O.

No espetro de UV (figura 53) verifica-se λmáx=206 nm e 270 nm, que justifica a presença do

anel aromático conjugado com outra ligação dupla na estrutura da molécula.

Analisando o espetro de 1H RMN do trans-anetol (figura 54), cujos resultados estão

apresentados na tabela 16, verifica-se que este apresenta a δ 3.83 um singleto correspondente aos protões do grupo metilo, na posição 10. Verifica-se a existência de dois dupletos a δ 6,87 (3J=8,7 Hz) e a d 7,27 (3J=8,5 Hz), o primeiro refere-se aos protões das

posições 2 e 6 e o segundo aos das posições 3 e 5. Tem dois duplos dupletos, um a δ 6.38 (3J

trans=15,7 Hz e 3Jalilico=1,8 Hz) e outro a δ 1,89 (3JH9H8=6,6 Hz e 3Jalilico=1,8 Hz) que

correspondem aos protões das posições 7 e 9 respetivamente e ainda um duplo quarteto a δ 6.13 (3J

trans=15,7 Hz e 3JH8H9=6,6 Hz) do protão da posição 8.

O espetro de 13C RMN do trans-anetol (figura 55) apresenta sinais correspondentes a dez

átomos de carbono, dos quais dois são quaternários, seis são sinais relativos a átomos de carbono terciários e dois sinais são de átomos de carbono primários.

4.3.3 Estragol

Figura 25 - Estrutura química do trans-anetol.

43

O espetro de IV (figura 56) para o estragol apresenta absorções características das ligações simples C-H pertencentes ao anel aromático (3001 cm-1), da ligação dupla (1609 cm-1), da

vibração da ligação dupla do anel aromático (1508 cm-1), da ligação simples C-O-C (1242 cm-1)

e do anel aromático di- substituído nas posições 1,4 (808 cm-1).

No espetro de massa para este composto (figura 57), o ião molecular M+∙ surge a m/z 148 que

corresponde à fórmula molecular C10H12O.

No espetro de UV (figura 58) verifica-se um λmáx= 204 nm e 227 nm, que justifica a presença

do anel aromático na estrutura da molécula.

O espetro de 1H RMN do estragol (figura 59), cujos resultados estão apresentados na tabela

16, apresenta um singleto que se refere aos protões do grupo metilo da posição 10. Pode observar-se também dois dupletos que correspondem aos protões do anel aromático nas posições 2-6 e 3-5 e um terceiro dupleto do protão da posição 7. Tem um multipleto correspondente ao protão da posição 9 e por fim um duplo duplo tripleto (3J

trans=16,9 Hz;

3J

cis=10,2 Hz e 3JH8H7=6,7 Hz) do protão da posição 8.

O espetro de 13C RMN do estragol (figura 60) apresenta também sinais correspondentes a dez

átomos de carbono, dos quais dois são quaternários, cinco sinais são relativos a átomos de carbono terciários, dois sinais correspondem a átomos de carbono secundários sendo o que aparece a 115,42 ppm relativo ao metileno terminal e por fim um sinal relativo a um átomo de carbono primário.

Pode-se constatar que os compostos trans-anetol e o estragol apresentam bandas de absorção no espetro de infravermelho muito semelhantes, uma vez que são isómeros e apenas diferem na posição da ligação dupla da cadeia propenilo (Gross et al., 2002), como se pode verificar pelas figuras 25 e 26.

44 Tabela 16- Sinais de RMN de 1H para a fenchona, trans-anetol e estragol.

H

δ (ppm) Área

Multiplicidade

J (Hz)

Fenchona

10 1,15 3H Singleto - 8 e 9 1,04 6H Singleto - 4 2,15 1H Duplo dupleto 3,1; 1,4 7 1,55 1H Multipleto - 7 1,79 1H Multipleto - 6 1,40 1H Multipleto - 6 1,79-1,50 1H Multipleto - 5 1,73 1H Duplo dupleto 5,7;4,0 5 1,60-1,35 1H Multipleto -

trans-anetol

7 6,38 1H Duplo dupleto 15,8; 1,8 8 6,13 1H Duplo quarteto 15,7; 6,6 9 1,89 3H Duplo dupleto 6,6; 1,7 10 3,83 3H Singleto - 3 e 5 7,29 2H Dupleto 8,5 2 e 6 6,87 2H Dupleto 8,7

Estragol

2 e 6 6,89 2H Dupleto 8,6 3 e 5 7,15 2H Dupleto 8,6 7 3,38 2H Dupleto 6,7 8 6,00 1H Duplo duplo tripleto 16,9; 10,2; 6,7 9 5,10 2H Multipleto - 10 3,83 3H Singleto -

45 Tabela 17 - Sinais de RMN de 13C para a fenchona, trans-anetol e estragol.

Fenchona

trans- anetol

Estragol

C carbono Tipo de δ (ppm) carbono Tipo de δ (ppm) carbono Tipo de δ (ppm)

1 C 54,14 C 158,50 C 157,99 2 C 223,40 CH 113,90 CH 113,85 3 C 47,38 CH 126,87 CH 129,51 4 CH 45,33 C 130,82 C 132,11 5 CH2 24,94 CH 126,87 CH 129,51 6 CH2 31,84 CH 113,90 CH 113,85 7 CH2 41,65 CH 130,30 CH2 39,36 8 CH3 23,35 CH 123,48 CH 137,90 9 CH3 21,70 CH3 18,42 CH2 115,42 10 CH3 14,62 CH3 55,27 CH3 55,28

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Capitulo V Conclusão

Considerações finais

Esta investigação teve como objetivo a caracterização química do óleo essencial e dos extratos do funcho, proveniente das sementes desta planta. Para tal, foram colhidas amostras em vinte locais diferentes de Portugal, de forma aleatória e foram realizadas extrações por hidrodestilação e extrações sucessivas em Soxhlet com solventes orgânicos com aumento de polaridade desses solventes. A partir das extrações realizadas por hidrodestilação e Soxhlet foi feito o estudo da composição química do óleo essencial e dos compostos fenólicos presentes nos extratos da planta, respetivamente.

Do óleo essencial obtido a partir da hidrodestilação, das vinte amostras de sementes de funcho (Foeniculum vulgare Mill.) em estudo, com locais de recolha diferentes, verifica-se claramente que todas elas têm os mesmos compostos maioritários no conteúdo do óleo essencial. Os constituintes presentes em maior quantidade foram os fenilpropanóides e um monoterpeno oxigenado.

Os rendimentos obtidos nas extrações por hidrodestilação foram relativamente razoáveis, estando entre 0,5 e 2,9%.

No total dos dezassete compostos identificados no óleo essencial do funcho através da análise por GC-MS, os componentes maioritários foram, em todas as amostras estudadas, o trans- anetol, o estragol e a fenchona. Pela comparação com estudos realizados anteriormente verificou-se a possível presença de um quimiotipo anetol, um quimiotipo fenchona e um quimiotipo estragol. Para além destes quimiotipos, pela análise do perfil químico obtido neste estudo, propôs-se também a presença de um quarto quimiotipo trans-

anetol/fenchona/estragol.

Embora se pense que o funcho em estudo possa pertencer à subespécie capillaceum, devido à elevada quantidade de trans-anetol presente nas amostras, é bastante difícil distinguir as subespécies piperitum e capillaceum apenas com base no conteúdo dos componentes trans- anetol e fenchona.

Realizou-se a análise por HPLC-DAD, dos extratos obtidos nas extrações em Soxhlet, para a determinação de compostos fenólicos presentes na planta. Através da comparação de

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compostos padrão com os picos cromatográficos dos extratos obtidos nos cromatogramas, identificaram-se cinco compostos fenólicos presentes nos extratos. Além da comparação dos picos cromatográficos, foram também comparados os espetros de UV de cada composto. A quantificação dos componentes identificados foi realizada com recurso a retas de calibração dos compostos padrão e área dos respetivos picos cromatográficos. Dos cinco compostos identificados, um é flavonoide, a rutina e os outros quatro são ácidos fenólicos, correspondendo ao ácido gálico, ácido protocatecuico, ácido vanílico e ácido cumárico. Foi realizada também a caracterização espetroscópica dos componentes maioritários do óleo essencial do funcho, por UV, IV e RMN, com a finalidade de verificar e confirmar a estrutura do trans-anetol, estragol e fenchona, correspondentes aos compostos maioritários identificados na análise química por GC-MS do óleo essencial.

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Perspetivas futuras

Nesta secção são apresentadas algumas propostas acerca de perspetivas para trabalho futuro, que poderão complementar o trabalho realizado:

- Possível otimização do processo de extração do óleo essencial das sementes do funcho. - Seria relevante proceder à confirmação da presença dos quimiotipos encontrados, bem como confirmar o quimiotipo proposto neste estudo, correspondente ao trans- anetol/fenchona/estragol.

- O estudo realizado pode ser complementado com a realização de testes de atividade biológica das sementes de funcho.

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55

Tempo

Anexos

Anexo 1

Neste anexo estão representados os cromatogramas obtidos após análise cromatográfica por GC-MS das vinte amostras de semente de funcho em estudo.

Figura 27 - Cromatograma obtido para a amostra 09564.

Figura 28 - Cromatograma obtido para a amostra 09572.

Abundância

Tempo Abundância

56 Figura 29 - Cromatograma obtido para a amostra 09576.

Figura 30 - Cromatograma obtido para a amostra 09578.

Abundância

Tempo

Tempo Abundância

57 Figura 31 - Cromatograma obtido para a amostra 09579.

Figura 32 - Cromatograma obtido para a amostra 09581.

Tempo Abundância

Tempo

58 Figura 33 - Cromatograma obtido para a amostra 09583.

Figura 34 - Cromatograma obtido para a amostra 09586.

Tempo Abundância

Abundância

59 Figura 35 - Cromatograma obtido para a amostra 09587.

Figura 36 - Cromatograma obtido para a amostra 09596.

Tempo

Tempo Abundância

60 Figura 37 - Cromatograma obtido para a amostra 09873.

Figura 38 - Cromatograma obtido para a amostra 09880.

Tempo

Abundância

Tempo Abundância

61 Figura 39 - Cromatograma obtido para a amostra 09884.

Figura 40 - Cromatograma obtido para a amostra 09886.

Tempo Abundância

Tempo Abundância

Caracterização química das sementes de Foeniculum vulgare Mill

62 Figura 41 - Cromatograma obtido para a amostra 09887.

Figura 42 - Cromatograma obtido para a amostra 09901.

Tempo

Tempo Abundância

63 Figura 43 - Cromatograma obtido para a amostra 09904.

Figura 44 - Cromatograma obtido para a amostra 09905.

Tempo Abundância

Tempo Abundância

64 Figura 45 - Cromatograma obtido para a amostra 09908.

Figura 46 - Cromatograma obtido para a amostra 09913.

Tempo Abundância

Tempo Abundância

65

Anexo 2

Neste anexo estão apresentados os espetros realizados para a caracterização dos constituintes maioritários do óleo essencial do funcho. Estes incluem os espetros de IV,UV, massas e RMN.

Figura 47 - Espetro de infravermelho da fenchona.

Figura 48 - Espetro de massa para a fenchona. Wavenumbers (cm-1)

m/z Abundância

66 Figura 49 - Espetro de 1H RMN da fenchona.

67 Figura 51 - Espetro de infravermelho para o trans – anetol.

Figura 52 - Espetro de massa do trans-anetol.

Figura 53 - Espetro do UV do trans-anetol.

Wavenumbers (cm-1)

m/z Abundância

68 Figura 54 - Espetro de 1H RMN do trans-anetol.

Figura 55 - Espetro de 13C RMN do trans-anetol.

69 Figura 56 - Espetro de infravermelho do estragol.

Figura 57 - Espetro de massa do estragol.

Figura 58 - Espetro de UV do estragol.

m/z Abundância

70 Figura 59 - Espetro de 1H RMN do estragol.

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