O OEE (Overall Equipment Effectiveness), ou Eficiência Global do Equipamento, é um indicador comumente utilizado na indústria, que indica o nível de eficiência do equipamento, ao comparar a capacidade de produção deste que foi idealizada e a que foi efetivamente entregue, em suma ele viabiliza a análise de produtividade deste, uma vez que utiliza parâmetros que permitem identificar os tipos de perdas e a possibilidade de corrigi-las ou atenuá-las, além de revelar os custos indiretos e ocultos, permitindo uma melhor gerenciamento dos recursos.
De acordo com SANTOS et.al (2020), existem seis perdas que devem ser observadas durante a mensuração e avaliação do referido índice, sendo estas assim definidas:
1. Perda de Inicialização, categorizada como perda de qualidade devido a um refugo e/ou rejeição durante a produção de inicialização causada pela máquina
de configuração de erro;
2. Setup, categorizado como perda de tempo de inatividade devido a tempo
“roubado” devido ao longo tempo de preparação causado pela troca de produto, falta de material, ausência de operador (falta de operador), ajuste da máquina, etc.;
3. Perda de tempo do ciclo, categorizada como perda de velocidade devido a uma diminuição na velocidade do processo causada por várias situações, por exemplo: a máquina está desgastada, sob a capacidade escrita em sua placa de identificação, abaixo da capacidade esperada, ineficiência do operador e assim por diante;
4. Perda de velocidade, categorizada como perda de velocidade devido à parada menor, isto é, o motor para com uma duração curta, normalmente não superior a cinco minutos e não requer manutenção, por exemplo:
reinicialização da máquina, limpeza/verificação, obstrução do sensor, obstrução de entrega e assim por diante;
5. Perda por quebra, categorizada como perda de tempo de inatividade devido a falhas de equipamentos da máquina, manutenção não programada e assim por diante.
6. Perda de Defeito, categorizada como perda de qualidade devido à rejeição e retrabalho durante as execuções de produção. Santos et al. (2020).
Portanto, quando essas perdas não são geridas de forma correta, poderão promover outros desperdícios o que irá afetar diretamente a produtividade e consequentemente a lucratividade da empresa, resultando em prejuízos que estarão vinculados a determinado equipamento, mas que refletirá em todo o processo produtivo.
A análise dessas perdas refletirá nos índices utilizados pelo indicador OEE, através das quais permite-se uma análise de produtividade considerando os seguintes aspectos: Disponibilidade, Performance e Qualidade, devendo tais serem combinados simultaneamente conforme expresso pela equação 1:
OEE = Disponibilidade x Performance x Qualidade [1]
GASTL (2017), assim descreve esses indicadores:
Disponibilidade: É obtido pela razão entre horas disponíveis e o tempo planejado. Considera o tempo que o equipamento está fora de funcionamento.
Performance: É obtida pela divisão da produção efetiva pela meta de produção planejada. Indica as perdas referentes a velocidade ou ritmo de produção atribuídas ao equipamento;
Qualidade: É obtido pela razão entre o número de produtos sem defeito pela quantidade total de produtos fabricados no mesmo período. Avalia os produtos defeituosos originários do processo. GASTL (2017)
Conforme descrito anteriormente, as perdas fazem parte do processo, podendo ser assim distribuídas entre os índices, conforme a equação 2.
Disponibilidade % = (Horas disponíveis /Tempo planejado) * 100% [2]
Nesse índice podemos considerar perdas para as horas disponíveis como setup, quebra da máquina, ociosidade.
Já para o índice da Performance as perdas associadas correspondem a possíveis perdas de velocidade ou tempo de ciclo, expressa pela equação 3.
Performance % = (Produção efetiva / Produção planejada) * 100% [3]
Por fim as perdas associadas a qualidade estão relacionadas aos defeitos e inicialização ou erro descrita na equação 4.
Qualidade % = (Produtos sem defeitos / Quantidade total produzida) * 100% [4]
Conforme percebido pela descrição dos parâmetros, para uma maior efetividade do emprego do OEE, considera-se importante associar esse indicador com outras ferramentas como aquelas baseadas expressas pela filosofia Lean, que é baseada na gestão de práticas e resultados visando uma produção mais “enxuta”
baseada na redução de desperdícios. Neste caso, a redução das perdas propostas pela análise do OEE poderá ser melhor efetivada pela identificação e correção dos desperdícios apontados pela filosofia lean, sendo estes desperdícios de tempo, de transporte, de movimentação, de espera, produção em excesso, processamento e estoque.
A identificação e a possível eliminação ou atenuação destes desperdícios deverá conferir melhor qualidade aos serviços prestados. Assim, considerando que a mensuração da qualidade deve ser embasada na redução dos custos, padronização dos serviços, satisfação do cliente no âmbito do atendimento quanto ao serviço prestado ou produto recebido e o aumento da produtividade. A partir desta análise pode-se subentender que no setor público o alcance de um bom índice está relacionado a satisfação do usuário, quanto ao atendimento das suas necessidades e
o custo que dela advém ao cofre público.
Portanto cabe aqui observar o conceito de eficiência para a Administração Pública, segundo CRUZ (2019), “Eficiência é a capacidade do Estado de alocar seus recursos escassos às atividades em que eles tenham os maiores retornos, em outras palavras, que assegure retornos sociais elevados”.
Considerando a gestão da saúde, este termo parece assumir um significado ainda maior, pois o usuário avalia eficiência como a capacidade do gestor em devolver a ele o retorno de seus investimentos em obrigações tributárias (imposto), devendo este ser revertido em políticas públicas que atendam as demandas da população de forma satisfatória.
Conforme descrito por ANDRADE (2007):
A ampliação da eficiência do sistema de saúde brasileiro no que se refere à provisão de serviços é de grande importância, tanto pelo lado da demanda, por meio da identificação das necessidades da população quanto pelo lado da oferta, em termos da forma como esses serviços são disponibilizados. Além disso, a incorporação de tecnologia no setor saúde tem reflexos conhecidos sobre o custo do sistema, além de exigir mecanismos de regulação cada vez mais complexos e sofisticados. Logo, estudar o sistema de regulação e a incorporação de novas tecnologias é uma necessidade cada vez mais premente no sistema de saúde brasileiro. ANDRADE (2007).
Segundo GASTL (2017) a busca pela eficiência e produtividade permite um olhar mais amplo sobre todo o processo produtivo e não apenas parte dele, auxiliando assim a identificação de falhas, ou gargalos e a possível correção destes, possibilitando maior embasamento para a tomada de decisão, a maximização dos ganhos e a melhoria dos resultados, admitindo a adoção de novos métodos e alteração nos processos, quando necessário.
Além disso, por se tratar de uma análise sobre a cadeia produtiva, ou de suprimento, permite a participação de todos os colaboradores inerentes ao processo, conferindo a estes também uma maior autonomia e maior interação de toda e equipe.
Portanto pode-se inferir que o OEE é um indicador de eficiência global do equipamento, ou no estudo em questão do processo de prestação de serviços dos usuários da UBS de estudo.
O OEE vem sendo considerado um indicador definitivo para medida de desempenho de equipamentos, podendo ser
adaptado para diversos processos. Este indicador é vastamente conhecido e utilizado mundialmente. Em outras palavras a medição da eficácia global dos equipamentos pode ser aplicada de diferentes formas e objetivos. (GASTL, 2017).
Neste sentido, o indicador em questão deverá ser utilizado continuamente, sendo que a cada nova intervenção, o OEE medido inicialmente deverá ser comparado com valores de OEE encontrado durante a avaliação atual, o que poderá permitir a identificação de qual máquina, ou procedimento que está com a pior performance. Entretanto para um valor mais correto, deverão ser consideradas as paradas, sendo estas, no caso do atendimento médico, os intervalos entre uma consulta e outra, uma solicitação junto a recepção, dentre outras demandas existentes.
Quanto ao resultado dos cálculos, a literatura traz os seguintes parâmetros:
As faixas de interpretação de resultado, servindo de mínimo definido para o nível Classe Mundial. (GASTL, 2017).
Entretanto a aplicação desta ferramenta requer uma avaliação prévia, apontando as necessidades, os objetivos e o plano de implementação. Logo o mesmo deve ser considerado como uma filosofia para toda a empresa, e não apenas de um setor ou processo, nem mesmo como uma obrigação, ou imposição burocrática, visto que os colaboradores precisam estar motivados e devidamente envolvidos para maior Quanto às vantagens do emprego desta ferramenta, de forma integrada, seja no setor produtivo ou na prestação de serviços, podemos elencar: 1) Permitir o monitoramento quanto a eficácia dos equipamentos (ou processo) individuais e de toda a linha de produção da qual o mesmo está inserido; 2) Reduzir o trabalho administrativo com o OEE, devido à possibilidade de melhor monitoramento; 3) Conferir maior credibilidade dos dados aferidos; 4) Favorece no planejamento de ações corretivas mais rapidamente; 5) Oportunizar a divulgação dos resultados de forma mais rápida, para todos os setores.
Assim, no presente estudo, pretende-se mensurar os índices de produtividade dos serviços prestados na área de Atenção Básica, utilizando a ferramenta OEE, pela possibilidade de avaliação e controle dos recursos empregados, permitindo uma melhor gestão.