4. Modelo de Suporte à Decisão na Gestão Estratégica da Condição de Ativos (MSD
4.1. Ferramentas aplicáveis nas etapas do Modelo MSD GECA
I. Identificação do Problema
A identificação do risco tem um papel preponderante na gestão do mesmo, e a falha na identificação do mesmo pode levar a que a organização não atinga os seus objetivos organizacionais (Rostami, 2016), então, o risco pode ser definido como a perda ou dano espetável associado à probabilidade de ocorrência de um evento indesejado (Arunraj e Maiti, 2006). Sendo que, as técnicas de identificação e gestão de risco representam uma parte importante no planeamento da manutenção através da identificação das fontes risco à operação dos sistemas e formas de redução/mitigação desse risco, em termos de falhas e acidentes.
Nesta primeira fase, o objetivo, acima de tudo, é definir o objeto de estudo, ou seja, é vital identificar o sistema ou elemento crítico que possa por em causa a continuidade de operação do caso de estudo, por fim terão de ser definidos os objetivos a serem alcançados pelo modelo, de acordo com o problema em questão.
Na Tabela 4.1, baseada em vários autores, são identificadas as ferramentas utilizadas na identificação do risco.
II. Análise de Risco
Nesta etapa, de acordo com o problema e o objeto de estudo identificado, será feita uma análise aos componentes mais críticos que o constituem. Estes componentes passarão, inevitavelmente, pelos componentes que impõem um maior risco à operação do sistema, ou seja, na eventualidade de ocorrência de um modo de falha cujo impacto no sistema seja negativo ao ponto de o colocar inoperativo, criando, por consequência, grandes tempos de imobilização e, invetiváveis, custos adicionais. Por tanto, desta etapa será a de atingir o nível operacional de objetivos de manutenção.
Posto isto, através de vários autores, a Tabela 4.2 sumariza as ferramentas de análise de riscos mais utilizadas na indústria da manutenção.
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Tabela 4. 1 - Ferramentas de identificação de risco
A decisão da escolha da ferramenta a utilizar nesta etapa do MSD - GECA, será de acordo com o Caso de Estudo.
Ferramentas Autores Foco
Brainstorming
Garrido et al. (2011); Kansal e Sharma (2012); Grubisic et al.
(2011); Rostami (2016)
Técnica focada na de formação e filtragem de ideias através de um grupo de pessoas.
Técnica Delphi
Garrido et al. (2011); Kansal e Sharma (2012); Grubisic et al.
(2011); Rostami (2016)
Técnica que visa obter o consenso de opiniões, entre os experts, sobre futuros eventos.
Diagrama de Influência
Garrido et al. (2011); Ahmed et al. (2007); Kansal e Sharma
(2012); Rostami (2016)
Representação gráfica das variáveis de decisão do problema através de nós (utilidade, decisão e informação). Entrevista Garrido et al. (2011); Kansal e
Sharma (2012); Rostami (2016)
Entrevista coletiva ou individual a experts.
Checklist
Garrido et al. (2011); Ahmed et al. (2007); Kansal e Sharma (2012); Grubisic et al. (2011);
Rostami (2016)
Listagem de pontos cruciais e pré- determinados são analisados para a existência de situações de risco.
Fluxogramas Garrido et al. (2011); Kansal e Sharma (2012)
Ilustração gráfica do processo para melhor compreensão dos riscos. Root Cause
Identification/Analysis (RCA)
Garrido et al. (2011); Rostami (2016)
Processo gráfico de avaliação de potenciais causas de risco. Diagramas Causa-Efeito
ou Ishikawa ou Espinha de peixe
Garrido et al. (2011); Ahmed et al. (2007); Kansal e Sharma
(2012); Rostami (2016)
Ilustração das interligações entre os vários fatores causadores de problemas ou efeitos.
Análise SWOT (Strenghts, Weaknesses,
Opportunities, Threats)
Garrido et al. (2011); Grubisic et al. (2011); Rostami (2016)
Ferramenta de planeamento estratégico que consiste na avaliação e
identificação de pontos fortes, pontos críticos, as oportunidades e os riscos. Análise dos Modos de
Falha e seus Efeitos (FMEA)
Ahmed et al. (2007); Grubisic et al. (2011)
Análise de modos de falha, causas, consequências para o sistema e ações de correção dos problemas.
Árvore de Falhas (FTA) Ahmed et al. (2007); Grubisic et al. (2011)
Ferramenta visual que decompõe as falhas em eventos, top-down, estabelecendo relações de causa e efeito, com o intuito de identificar potenciais falhas.
Árvore de Eventos
(ETA) Ahmed et al. (2007)
Representação visual, bottom-up, das potenciais consequências das falhas a partir das falhas no sistema.
Hazard and Operability
Studies (HAZOP) Ahmed et al. (2007)
Palavras de verificação são atribuídas aos parâmetros do processo para identificação de problemas operacionais e de segurança.
Análise What if? Garrido et al. (2011)
Técnica executada em grupo, experts do sistema ou processo em causa, de modo a levantar questões, do tipo “E se?”, para identificação de riscos e sua, respetiva, mitigação.
Revisão Documental Rostami (2016) Técnica de recolha de dados através da revisão da documentação existente.
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Tabela 4. 2 - Ferramentas análise de risco mais utilizadas na manutenção
A decisão da escolha da ferramenta a utilizar nesta etapa do MSD - GECA, será de acordo com o Caso de Estudo.
III. Estratégia de Resposta
Com o intuito elevar os resultados do modelo proposto do nível operacional para um nível estratégico de objetivos de manutenção, esta última etapa do modelo de suporte à decisão terá o objetivo identificar e eleger a alternativa final, ou seja, a mais ideal disponível, dentro os critérios e alternativas, também a definir. A decisão da escolha das ferramentas a utilizar nesta etapa do MSD – GECA, será de acordo com o Caso de Estudo, mas baseada nos Métodos de Análise de Decisão Multicritério, pois são métodos estruturados que conferem ao decisor os meios necessários para encontrar uma solução a um problema complexo, ou seja, não solucionável por critérios intuitivos (Ishizaka e Nemery, 2013; Guitouni e Martel, 1998).
Ferramentas Autores Foco
Simulação Monte Carlo (MCS)
Shiao (2005); Netjasov e Janic (2008); Ahmadi et al.
(2016); Kansal e Sharma (2012)
Análise de efeitos de danos de acordo com vários parâmetros incertos.
Árvore de Eventos (ETA) Netjasov e Janic (2008); Ahmed et al. (2007)
Representação visual, bottom-up, das potenciais consequências das falhas a
partir das falhas no sistema.
Árvore de Falhas (FTA) Netjasov e Janic (2008); Ahmed et al. (2007)
Ferramenta visual que decompõe as falhas em eventos, top-down, estabelecendo relações de causa e efeito, com o intuito de identificar
potenciais falhas. Processo Analítico Hierárquico (AHP) Ahmadi et al. (2016); Kansal e Sharma (2012) Hierarquização baseada em comparações para a par. Análise dos Modos de Falha e
seus Efeitos (FMEA)
Ahmadi et al. (2016); Cicek e Celik (2013)
Identificação de eventos críticos, suas causa e efeitos com o objetivo de maximizar a fiabilidade, segurança e
custos. Grelhas de Probabilidade e
Impacto Ahmed et al. (2007)
Representação em grelha da importância relativa de eventos
críticos, de acordo com a sua probabilidade e o seu impacto Estimativa da Fiabilidade do
Sistema Ahmed et al. (2007)
Técnica que determina a probabilidade de um elemento do sistema funcionar sem uma falha num
período de tempo específico. Métodos de Apoio à Decisão
Multicritério Ahmed et al. (2007)
Métodos, baseados em problemas complexos envolvendo múltiplos
critérios, com o propósito de estruturação e decisão.
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