2.3 Responsabilidade Social
2.3.1 Ferramentas da Responsabilidade Social
Entendendo que os princípios de responsabilidade social são de caráter voluntário, existem alguns documentos-tipos ou diretrizes nacionais e internacionais que orientam na implantação desse processo nas organizações.
Dentre as ferramentas propostas, Melo Neto e Froes (2001) sugerem uma matriz para mensurar o nível de responsabilidade social de uma organização. Por meio da utilização de uma escala de 0 a 3 avalia cada um dos seguintes vetores da responsabilidade:
1. Grau de apoio ao desenvolvimento da comunidade; 2. Grau de investimento na preservação do meio ambiente;
3. Grau de investimento no bem-estar dos colaboradores e de seus dependentes; 4. Grau de investimento na criação de um ambiente de trabalho agradável; 5. Grau de transparência das comunicações dentro e fora da empresa; 6. Grau de retorno aos acionistas;
7. Grau de sinergia com os parceiros, satisfação com clientes e/ou consumidores. Ashley (2005) apresenta vários modelos das ferramentas, entretanto, dentre os modelos apresentados, o modelo proposto por Ederle e Tavis (1998) se destaca dos demais, por propor três níveis de desafios éticos a serem enfrentados pelas organizações, a citar:
Nível 1 – A organização atende aos requisitos éticos mínimos; Nível 2 – A organização atende além do nível ético mínimo; Nível 3 – A organização tem aspirações de atender a ideais éticos.
Para analisar as dificuldades que os executivos enfrentam e/ou se deparam quando estes buscam transformar suas organizações em empresas cidadãs, Martin (2002) propõe um modelo que mensura o grau de responsabilidade social das organizações. Essa nova proposta é denominada “Matriz da virtude”. Calculando o retorno da responsabilidade social corporativa, o autor apresenta mais uma ferramenta para colaborar com os executivos nessa difícil tarefa (SANTOS 2003).
Melo Neto e Froes (2001) estabeleceram um método que permite mensurar o valor do benefício social gerado e o custo/benefício de um projeto ou atividade, nesse sentido, essa metodologia avalia as atividades sociais com relação ao custo e ao valor agregado. Sugerem ainda que em todas as etapas do projeto ou das atividades sejam avaliados valores sociais agregados com a utilização da cadeia de valor propostas por esses. Após a análise realizada, a organização define sua estratégia de como atuar, dando importância às atividades realizadas com o maior nível de agregação de valor social e excluindo aquelas de maior custo/benefício e que possivelmente gerariam menor valor social.
Outra ferramenta que se destaca é o Balanço Social, surgindo nos anos 60 quando parte da população dos Estados Unidos e Europa realizaram um movimento se contrapondo as organizações vinculadas à guerra no Vietnã. A sociedade exigia uma prestação de contas por parte das empresas. Em face disto, muitas organizações após essa oposição passaram a divulgar suas ações dentro do campo social (SANTOS 2003). De acordo Neves (1998), citado por Santos (2003) o balanço social representa o conjunto de despesas feitas pela empresa, sendo exigidas ou não por lei, que afeta de uma forma positiva a qualidade de vida e bem- estar da sociedade como um todo.
Reunindo informações acerca de ações, projetos e benefícios voltados ao público interno, seus colaboradores, investidores e acionistas, analistas financeiros de mercado e a própria comunidade, o Balanço Social representa um grande passo em direção a transparência de gestão e a valorização da atuação social de uma empresa conciliada com seus objetivos econômicos (ETHOS, 2010).
O que norteia este movimento são os princípios de ética corporativa, o conceito de desenvolvimento sustentável e as expectativas de que as organizações possam contribuir com as necessidades da sociedade no ato de sua responsabilidade social. Dessa forma o Balanço Social vem a fornecer informações relevantes para tomadas de decisões estratégicas organizacionais, contribuindo com a motivação e o estímulo dos colaboradores para que os mesmos se integrem no esforço pelo bem-estar e desenvolvimento da sociedade, transparecendo e fazendo com que os clientes, fornecedores e investidores visualizem a maneira pela a qual a empresa é administrada (SANTOS, 2003).
Martins (2006), em artigo publicado, destaca algumas ferramentas de responsabilidade social ao serviço das empresas. Dentre elas pode-se citar:
1- O código de conduta de ética
Este se caracteriza pelo registro dos dados da organização em forma de declaração, que a partir deste, se origina em um código de conduta e ética. Estes dados servem como parâmetro para os colaboradores como forma de cumprir o que na declaração foi formulado. Contudo, vale aqui salientar que os objetivos propostos pela declaração devem ser de responsabilidade de toda organização, ou seja, é preciso um trabalho em que haja interação entre todos os colaboradores para o cumprimento dos tópicos descritos nesta declaração e suas atividades a serem cumpridas.
2- Guidelines for Multinational Enterprises
Esta ferramenta da responsabilidade social corporativa se caracteriza como uma série de recomendações voluntárias voltadas para as organizações multinacionais em todas as grandes áreas da ética no trabalho, relações de emprego, relações comerciais e industriais, direitos humanos, ambiente e corrupção, competitividade, interesses do consumidor, ciência e tecnologia, entre outras. O objetivo desta, portanto, é fazer com que essas multinacionais contribuam nas áreas de economia, ambiente e desenvolvimento social de forma positiva.
3- Global Reporting Initiative
A GRI se caracteriza como uma instituição independente formada por vários grupos de interesse que tem por missão desenvolver e divulgar a aplicação global da Sustainability Reporting Guildelines. As organizações aplicam voluntariamente suas diretrizes nas áreas ambientais, econômicas e sociais. A gestão participativa é uma característica priorizada por esta, bem como, a ativação de representantes das áreas como comércio, investimento, ambiente, direitos humanos, investigação e organizações laborais provenientes de toda parte do mundo.
Sabendo-se que as ferramentas da responsabilidade social servem de parâmetro para o gerenciamento das organizações em relação ao grau de responsabilidade social praticados por estas, se faz necessário o planejamento de estratégias de gestão da responsabilidade social como um meio de suporte para os administradores em sua tomada de decisão. É preciso mencionar que mesmo apresentando as ferramentas acima, a presente pesquisa se utilizará dos indicadores de responsabilidade social propostos por Sousa e Wanderley (2006).