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Ferramentas diagnósticas da Conservação para edificações de

A fim de sistematizar todas essas informações, no sentido de ler, interpretar, avaliar e propor medidas de gestão de riscos em uma edificação de biblioteca, é fundamental a implantação de protocolos de diagnóstico. Trata-se da primeira etapa do planejamento estratégico, por sua vez vital para qualquer ação de conservação preventiva. Pois é indispensável no estabelecimento do contexto na metodologia de gestão de riscos aplicada à preservação dos acervos.

O diagnóstico [...], em síntese, compreende uma análise integrada de aspectos que tangem não somente à materialidade da coleção e à infraestrutura envolvida na sua proteção, mas também às políticas e práticas organizacionais/institucionais, e, transversalmente, a questões de segurança, que impactam nas condições de preservação dos acervos (GONÇALVES, 2020, p. 394) (Figura 8).

Avaliar consiste, acima de tudo, em fazer um julgamento mediante algum tipo de critério (Hoffmam, 2003 apud Elali, 2010). A partir dessa ideia, Silveira e Gonçalves (2019b) abrem a sua proposição para reflexões iniciais para a integração entre Avaliação Pós-Ocupação e Conservação Preventiva aplicada na prática.

Figura 8 – Eixos estruturantes do diagnóstico de condições de conservação.

Fonte: Gonçalves (2020, p. 394).

No âmbito interdisciplinar da Arquitetura e Urbanismo, Elali e Veloso (2004; 2006) e Elali (2010) têm apresentado discussões sobre Avaliação Pós-Ocupação, abordando contextos e aspectos diversos das rotinas dessa área, que se caracterizam por

“buscar resultados práticos e aplicáveis em termos programáticos, e apontar alterações a curto, médio ou longo prazo” (ELALI; VELOSO, 2004, p.2 apud SILVEIRA; GONÇALVES, 2019b).

Segundo as autoras, a atividade passou de visitas e contatos não-sistemáticos com edifícios ou conjuntos edificados, para a aplicação de diversos métodos e/ou técnicas avaliativos; “os quais possibilitam o conhecimento aprofundado das soluções adotadas e suas consequências [...] em esferas que envolvem desde a viabilidade” de emprego de técnicas construtivas até a análise de uso efetivo do espaço físico e o estudo de aspectos específicos de conforto ambiental (ELALI; VELOSO, 2006, p. 1) (SILVEIRA; GONÇALVES, 2019b, p. 13).

Neste trabalho, insere-se a preservação de acervos como uma dessas esferas. A BC-UFMG apresenta-se como laboratório para a aplicação dessa abordagem; de forma que a literatura atual, juntamente com as preocupações de normatização, no que se refere à produção de ferramentas de diagnóstico, forneçam procedimentos, métricas

de preservação e possibilidades acertadas de escolhas que visem à segurança do acervo cultural – neste trabalho, especificamente, em bibliotecas.

Silveira e Gonçalves (2019a) retratam a relevância do papel do ambiente construído da BC-UFMG na preservação de suas coleções. Os autores dão enfoque à etapa inicial de diagnóstico de condições de conservação do edifício. Para isso, sugerem as normas técnicas de desempenho das edificações como um potencial aliado para construir rotinas de gerenciamento de riscos com base no conhecimento aprofundado dos elementos físicos da construção.

O Anexo B deste trabalho sugere pontos-chave de condução analítica entre a ABNT NBR 15575:2013, a ABNT NBR 15220-3:2005 e as camadas de envoltório protetoras para a conservação do acervo.

No âmbito dos protocolos de diagnóstico, o contexto da região climática pode ser visto no roteiro elaborado pelo GCI (1999), voltado para instituições em regiões do mundo onde a implementação de sistemas mecanizados de controle climático não representa uma opção prática. A segunda das quatro etapas orientadas em seu modelo de avaliação de necessidade de controle do entorno museal para a conservação, caracteriza-se por análise de documentação existente e por observações e entrevistas in situ; e traz temas como aspectos do entorno do edifício, e suas respectivas áreas de abrangência: macroambiente, edifício e entorno das coleções. As respostas a essas perguntas direcionadas por especificidade, uma vez reunidas, servirão como base informacional para um exame pormenorizado e diagnóstico de problemas, de suas causas e significado.

Destacadamente a níveis de instalações, equipamento, suprimento e planejamento no interior da instituição de salvaguarda, a National Park Service (NPS) (2009) elabora um checklist que visa à preservação e proteção de coleções museais. O documento apresenta-se sob a forma de questionário, e identifica e descreve deficiências por categorias, a ação a ser executada para corrigi-las, e a porcentagem efetivamente corrigida. Dentre as categorias, destaca-se: o armazenamento de coleções, o ambiente museal, a segurança e a proteção contra fogo. Além disso, são também levantados dados financeiros, referentes ao custo das correções, ao financiamento gasto no ano fiscal precedente, e as estimas anteriores de custo.

Sob a forma de organogramas textuais, a Spectrum 4.0 (2014) busca padronizar a gestão e documentação de coleções museais. Há um enfoque na gestão do acervo, especialmente na informação associada aos bens salvaguardados, tratada como componente estrutural da regulação e formalização dos procedimentos associados à gestão dos mesmos. No seu capítulo de procedimentos de gestão de riscos, é requisito mínimo da norma, dentre outros fatores, a avaliação de risco sobre o acervo e a implementação de códigos nos edifícios. No item processo do organograma do capítulo é possível ver a conexão feita com o campo da Arquitetura, e a importância de suas diretrizes de levantamento, mapeamento e códigos para a gestão de riscos às coleções.

Por sua vez, o método RE-ORG (2017) elaborado pelo ICCROM em conjunto com o CCI, busca melhorar as condições de armazenamento no interior das instituições de salvaguarda. As diretrizes trabalham com a escala do mobiliário (tipologias, materiais, dimensões, distribuição, taxa de ocupação, etc.), e sua relação com a sala na qual conforma o leiaute (Figura 9). O método é composto por: 1) livro de exercícios, com instruções passo a passo essenciais aplicáveis à maioria dos projetos; 2) planilhas, para levantamento de informações essenciais; e 3) recursos adicionais, que consistem em ferramentas para casos específicos.

Trata-se de alguns exemplos de protocolos na área encontrados na literatura. Em geral, os mais conhecidos e utilizados consistem em questionários e listas extensas (checklists) (GONÇALVES, 2020). Gonçalves et al. (2017) e Gonçalves (2020) estudam e comparam esses e outros mais, com o intuito de desenvolver uma ferramenta simplificada de diagnóstico, que pondera aspectos e critérios qualitativos e quantitativos.

Organizado por seções, como edifício, mobiliário, coleção e segurança, para cada uma das quais uma pontuação é atribuída, podendo ser negativa (prejudicial à conservação) ou positiva (favorece a conservação). O modelo oferece quatro níveis de influência, para efeito de ponderação: 0 (não afeta); 1 ou -1 (pequena); 2 ou -2 (média); 3 ou -3 (grande). A pontuação global é então calculada a partir desses valores (GONÇALVES, 2020) (Tabela 1).

Figura 9 – Os quatro componentes da reorganização/reestruturação do armazenamento de coleções no RE-ORG Method.

Fonte: ICCROM / CCI (2017b, p. vi, tradução nossa5).

Tabela 1 – Interpretação da pontuação global resultante do protocolo de diagnóstico de