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Ferrugem-do-café

No documento Anais... (páginas 76-78)

Das doenças que ocorrem no cafeeiro no Estado de Rondônia, a ferrugem é a mais

importante, devido aos grandes prejuízos que causa à cultura. Esta doença ocorre em todas as regiões produtoras do café no Brasil, América Central e América do Norte (Schieber &

Zentmyer, 1984). No café arábica a perda é cerca de 35% a 40% (Garcon, et. al, 2000), No entanto, no café canéfora esses dados são desconhecidos principalmente na Amazônia. Esta é uma doença foliar que, inicialmente, causa manchas cloróticas translúcidas com 1-3 mm de diâmetro, observadas na face inferior do limbo foliar. Em poucos dias as manchas crescem, atingindo 1-2 cm de diâmetro. Na face inferior, desenvolvem-se massas pulverulentas de coloração amarelo-laranja formado por uredósporos do patógeno que, quando coalescem, podem cobrir grande extensão do limbo foliar.

O agente causal da doença é o fungo Hemileia vastatrix Berk & Br. O fungo ataca as variedades de café, porém, dentro do gênero Coffea, são observadas diferenças na

patogenicidade. A espécie Coffea canephora que, predomina na Região Amazônica, apresenta cultivares com resistência, enquanto que a maioria das cultivares comerciais dentro da espécie

C. arabica é suscetível à doença (Silva, et. al, 2000).

Para que sejam adotadas medidas de controle da ferrugem do cafeeiro, é necessário observar os seguintes fatores: a) alto potencial do inóculo inicial; b) cargas pendentes dos frutos; c) densidade foliar das plantas; e, d) clima (Zambolim et. al, 1997). O controle pode ser feito através do controle químico à base de cobre e dos sistêmicos (grupo dos triazóis) via foliar e via solo; do controle genético. Silva et. al (2000); relataram a resistência de clones da

variedade Conilon à ferrugem do cafeeiro as quais devem ser estudadas mais detalhadamente.

Cercosporiose

A cercoporiose, também conhecida como olho-pardo, mancha-circular, mancha-parda ou olho- de-pombo, é uma doença bastante antiga nos cafezais brasileiros e das Américas, datado no Brasil desde 1887 (Godoy et. al, 1997).

No Brasil, a doença está presente de forma endêmica em quase toda as lavouras cafeeiras, sendo que, nas regiões que apresentam condições favoráveis (seca, solos pobres), constitui-se em uma doença de importância econômica (Carvalho & Chalfoun, 2000; Chalfoun, 1998. O agente causal dessa doença é o fungo Cercospora coffeicola Berk & Cook. Os sintomas característicos que conferiram as denominações dessa doença são manchas circulares de coloração castanho-claro a

escuro, com o centro branco-acinzentado, quase sempre envolvidas por um halo amarelo. (Godoy et. al, 1997; Cavalho & Chalfoun, 2000). Presente em todas as regiões cafeeiras do Brasil, a doença causa prejuízos tanto na fase de viveiro (mudas), como de campo (plantas novas e adultas) (Carvalho & Chalfoun, 2000). Segundo os mesmos autores os principais danos

provocados pela doença são: a) viveiros - queda de folhas e raquitismo das mudas; b) pós-plantio - desfolha e atraso no crescimento das plantas; c) lavouras novas - após as primeiras produções; pode causar queda de folhas e frutos e seca de ramos produtivos; d) lavouras adultas - queda de folha, amadurecimento precoce e queda prematura de frutos, chochamento. As lesões funcionam como porta de entrada para outros fungos que depreciam a qualidade do produto.

As condições climáticas como umidade relativa alta, temperaturas amenas, excesso de insolação, déficit hídrico e quaisquer outras condições que levem a planta a um estado nutricional deficiente ou desequilibrado favorecem a doença (Juliatti et al, 2000; Carvalho & Chalfoun, 2000; Godoy et. al, 1997). Algumas dessas condições são substratos pobres para a formação de mudas, textura de solo inadequada (argiloso ou muito arenoso), sistema radicular deficiente, compactação do solo, deficiência de nitrogênio, excesso de potássio ou desequilíbrio da relação N/K.

De acordo com Godoy et. al, 1997 e Carvalho & Chalfoun, 2000; o controle da doença deve se iniciar com os cuidados na formação das mudas, evitando condições favoráveis à doença através de práticas culturais, como a formação de viveiros em local bem drenado e arejado, utilização de substratos balanceados em nutrientes, com boas propriedades físicas, controle da irrigação e do excesso de insolação nas mudas.

O controle químico deve ser feito quinzenalmente, com aplicações preventivas com fungicidas cúpricos alternados com ditiocarbamatos, na concentração de 0,3% gastando em média 10 litros de calda fungicida para 20.000 mudas. Nos plantios novos, havendo períodos de seca, é recomendável efetuar pulverizações com uma mistura de fungicidas e nutrientes, empregando- se fungicida cúprico a 0,5% com uréia a 1%. Nos cafezais de segundo e terceiro ano, se a doença for grave, recomenda-se adotar programa de pulverizações preventivas, usando-se fungicida cúpricos que coincidem com a época do controle da ferrugem que vai de novembro a junho, na região Amazônica (Garcia et. al, 2000).

Antracnose

Dentre as doenças que atacam o café a antracnose constitui, em alguns países, um grave problema trazendo sérios prejuízos à cultura. Em algumas regiões ocorre uma enorme variação de intencidade dos danos por ela provocados (Dorizzotto, 1993). Esta doença afeta todas as espécies de cafeeiro, mas a suscetibilidade é maior em Coffea arabica e C. canephora. Dentro da arábica há uma grande diferença varietal quanto à suscetibilidade a esse patógeno (Pereira & Chaves, 1978).

Os sintomas da antracnose, segundo Godoy et. al, 1997; Chalfoun, 1998; manifestam-se em todas as partes da planta podendo serem atacadas por Coletotrichum coffeanum, que

habitualmente coloniza tecido externo do cafeeiro. Os primeiros sintomas nas flores é usualmente uma mancha ou listra marrom-escuro sobre o tecido branco da pétala. Em frutos verdes observam-se pequenas manchas necróticas, escuras, ligeiramente deprimidas em qualquer região do fruto. Sobre as folhas observa-se manchas necróticas cinzas, irregulares, grandes e comumente nos bordos. Após certo tempo, anéis concêntricos se formam, nos quais massas de esporos são visíveis.

O ataque do fungo sobre as folhas novas da ponta dos ramos pode causar o chamado “Elon dieback”, que inicia uma prematura, súbita e parcial abscisão das folhas sobre as partes novas

e suculentas da planta. A lesão progride em direção ao tecido vascular, começando uma murcha repentina e colapso do ramo.

Após 74 a 96 horas, ocorre a morte do ponteiro. A ação do patógeno é favorecida por chuva leve e orvalho abundante. Geralmente toma oito internódios sobre os quais o fungo forma acérvolus que em condições favoráveis liberam conídios em massa típica de coloração rósea pálida. Posteriormente as formas saprofíticas formam peritécios do estádio perfeito do fungo

Glomerela cingulata (Chalfoun, 1998).

No documento Anais... (páginas 76-78)