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Questões comentadas pelos professores

3. FGV– CGU – 2022)

Em relação às funções do governo e às políticas econômicas, é correto afirmar que:

(A) o governo exerce a função alocativa ao implementar atividades que requerem investimentos elevados e com retorno econômico baixo, mas que, no longo prazo, produzem retornos sociais importantes;

(B) a intervenção direta do setor público na produção de bens e serviços de infraestrutura, ao claramente beneficiar as classes sociais menos favorecidas, atende precipuamente o objetivo da função estabilizadora;

(C) o financiamento de políticas fiscais contracíclicas via elevação do déficit público, com o intuito de estimular uma economia recessiva na armadilha da liquidez, provoca o efeito crowding out total e é vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal;

(D) a votação em um candidato a um cargo público majoritário sinaliza a intenção da população em relação à implementação da política pública desejada. Assim, o candidato vencedor que utiliza como pauta principal a taxação de grandes fortunas revela o desejo da sociedade pela função reguladora;

(E) a independência do Banco Central do Brasil fortalece a credibilidade da política monetária e torna a gestão da taxa de juros mais eficiente ao combater pressões inflacionárias e estimular o crescimento econômico, cumprindo assim o papel preponderante da função distributiva.

RESOLUÇÃO:

Vamos às alternativas!

a) Correta. Perfeito! Se as atividades querem investimentos elevados, mas com retorno econômico baixo, o mercado não se interessará por elas, já que preferirá investir em outras oportunidades. No entanto, para que o país não fique sem os retornos sociais dessas atividades, o governo pode assumir tal ônus ou incentivar o

mercado a fazê-lo (por meio da redução de impostos, por exemplo). Nessa situação, o governo atua na função alocativa.

b) Incorreta. Se o foco do governo na infraestrutura é beneficiar as classes sociais menos favorecidas, estamos diante da função distributiva (e não estabilizadora)

c) Incorreta. Aqui, a FGV utilizou vários jargões econômicos (“contracíclicas”, armadilha da liquidez, crowding out total) e, com certeza, se trataria da função estabilizadora do governo. Mas repare que a questão não perguntou de qual função estamos tratando, ela pergunta, na verdade, se há vedação a essas situações econômicas elencadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Como é uma prova para a CGU, já era esperado que a FGV cobrasse mais de uma matéria numa mesma questão, misturando Economia com Administração Financeira e Orçamentária.

As situações econômicas citadas pela banca compõem um modelo estudado na Economia chamado “ Modelo IS/LM”. E a Lei de Responsabilidade Fiscal é cobrada em Administração Financeira e Orçamentária (AFO). Portanto, se seu edital não cobra o Modelo IS/LM e/ou AFO, não se preocupe, você não precisa saber nada sobre esta alternativa.

Mas para os curiosos de plantão, vou explicar o que a FGV cobrou.

Bom, a alternativa nos diz que a economia está em recessão (isto é, não está crescendo). Nessa situação, uma das opções do governo para retirar a economia da recessão é aumentar os gastos públicos (daí o nome

“contracíclico”, porque a economia está no ciclo de recessão e o governo vai “ao contrário do ciclo”, contracíclico, expandindo os gastos públicos). O aumento dos gastos públicos vai levar ao aumento do déficit público (que vai elevar a dívida do governo).

Pois bem, uma das consequências do aumento do gasto do governo é o aumento da taxa de juros. E isso leva ao efeito crowding out (efeito expulsão). Ao aumentar o gasto do governo, o governo estimula a economia ao crescimento. Mas, ao mesmo tempo, há elevação da taxa de juros, o que faz com que o investimento na produção caia e a economia se retraia.

O efeito crowding out é justamente esse efeito “ambíguo” sobre a economia: ao mesmo tempo em que o aumento dos gastos incentiva a economia, o aumento da taxa de juros causado pelos novos gastos a retrai.

Ou seja, faz a economia crescer por um lado e diminuir por outro.

Vale mencionar que a LRF não proíbe o efeito crowding out (até porque leis jurídicas não revogam leis econômicas), ela apenas estabelece requisitos e limites para os gastos governamentais.

d) Incorreta. De fato, quando a população vota em um candidato específico, ela está expressando suas preferências pelas políticas públicas que aquele candidato defende. No caso desta alternativa, se o candidato argumenta a favor da taxação de grandes fortunas, é porque ele está priorizando a função DISTRIBUTIVA (de taxar os mais riscos) e não a função reguladora.

e) Incorreta. Bom, falou em “credibilidade da política monetária, “taxa de juros”, “combater pressões inflacionárias” e “estimular o crescimento econômico”, só pode ser função estabilizadora (e não distributiva).

Resposta: A

4.

FGV– Pref. Salvador – 2019)

Assinale a opção que indica exemplos de bem público e de bem privado, respectivamente.

A Transporte coletivo e alimentação.

B Oxigênio e petróleo.

C Rodovia e TV por assinatura.

D Defesa nacional e parque de diversão.

E Lago para pescar e clube de lazer.

RESOLUÇÃO:

Os bens privados são bens exclusivos e rivais. Bem exclusivo é o bem que só quem paga por ele pode consumi-lo. Já o bem rival é aquele cujo consumo de um indivíduo impede o outro de consumir este mesmo bem.

Pense por exemplo em um Hambúrguer Artesanal. Apenas quem pagou por este burgão pode consumi-lo. Quem não pagou, não consumirá. Por isto, este bem é um bem exclusivo. Bens exclusivos tem esta característica: apenas quem pagou por ele pode consumi-lo (mesmo que você coma o Burger de graça, alguém está pagando por ele).

Além disso, se você comer o seu hambúrguer, ninguém mais poderá comê-lo. Mesmo se você dividir o hambúrguer com alguém, a parte que você comeu foi consumida e nào poderá ser usufruída por mais ninguém.

Ou seja, o Burger é um rival.

Podemos concluir, então, que o Hambúrguer Artesanal é um bem privado: excludente e rival.

Vamos pensar em um outro bem. Vamos pensar na segurança jurídica de um país.

Este já é um bem diferente, pois é não excludente e não rival. Isto é, a segurança jurídica de um país é proporcionada por uma série de instituições governamentais financiadas pelos tributos pagos pela sociedade.

No entanto, mesmo aqueles que não pagam seus tributos (seja porque são isentos, imunes e até os sonegadores) ainda desfrutam da segurança jurídica, embora não arquem com o custo dela. Assim, a segurança jurídica é um bem não excludente.

De forma semelhante, o fato de eu usufruir da segurança jurídica não impede que você desfruta dela também. Ou seja, o meu consumo da segurança jurídica não prejudica o seu. Desta forma, a segurança jurídica é um bem não exclusivo e não rival. Podemos concluir, então, que a segurança jurídica é um bem público.

Com isso em mente (bem privado: rival e exclusivo. Bem público: não rival e não exclusivo), vamos responder a questão que quer um exemplo de bem público e de bem privado, nesta ordem.

a) Incorreta. O Transporte Coletivo é um bem privado (apenas quem paga a passagem consome o bem e uma vez atingida a lotação, quem está dentro do ônibus, por exemplo, impede que quem está de fora entre). Alimentação também é um bem privado.

b) Incorreta. Oxigênio é um bem público (não precisamos pagar por ele e o fato de eu respirar não impede que você respire). Petróleo também é um bem público, mas vale lembrar que aqui a questão está se referindo ao Petróleo bruto (aquele subterrâneo). Este tipo de petróleo está incorporado à natureza, razão pela qual é um bem público.

c) Incorreta. A rodovia apresenta rivalidade (o engarrafamento é um exemplo: um carro impede o outro de “consumir” a rodovia). Já a TV por assinatura é um bem privado.

d) Correta. Defesa Nacional é um bem público. Já um parque de diversão é um bem privado (apenas quem paga por ele pode entrar – bem exclusivo – e atingida a lotação, há impedimento para entrada de outras pessoas – bem rival).

e) Incorreta. Ambos são bens privados. O lago para pescar a que a questão se refere são aqueles “pesque e pague”, que você paga uma taxa para entrar e pescar o peixe. . Já um clube de lazer também é um bem privado (apenas quem paga por ele pode entrar – bem exclusivo – e atingida a lotação, há impedimento para entrada de outras pessoas – bem rival).

Resposta: D

5.

FGV– Pref. Salvador – 2019)

Em relação às justificativas da intervenção do Estado na economia, analise as afirmativas a seguir e assinale V para a verdadeira e F para a falsa.

( ) Existência de um setor privado pequeno que impossibilite o aumento desse mercado.

( ) A existência de externalidades positivas, como ocorre no setor de educação.

( ) Controlar a participação do capital estrangeiro em setores de serviços de utilidade pública e de recursos naturais.

As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente, A V – V – V.

B V – V – F.

C V – F – V.

D F – F – V.

E F – F – F.

RESOLUÇÃO:

As falhas de mercado representam situações nas quais o mercado privado não consegue atingir a eficiência econômica sozinho. Por isso, elas compõem justificativa para intervenção do Estado na economia.

Assim, se as afirmativas da questão compuserem uma falha de mercado, teremos uma justificativa para intervenção do Estado na economia.

1 – Verdadeiro. Se o setor privado é pequeno, estamos diante de um mercado incompleto, que não tem as condições de se desenvolver. Isto pode acontecer em países que não tenham um sistema financeiro desenvolvido. Aqui no Brasil, por exemplo, empresários e empreendedores podem pegar um empréstimo/financiamento para abrir uma loja ou uma filial, por exemplo. Mas imagine um país que não tenha um sistema bancário desenvolvido e nas restrições que isso causaria ao comércio. Neste caso, estamos diante de um mercado incompleto. Uma falha de mercado, que justifica a intervenção do Estado.

2 – Verdadeiro. Externalidades, sejam positivas ou negativas, são uma falha de mercado e, portanto, compõem uma justificativa para a intervenção do Estado na economia.

3 – Verdadeiro. Serviços de Utilidade Pública e de Recursos Naturais são essenciais para a população de um país. Por isso, devem estar na mão do país em questão, evitando-se que o capital estrangeiro tome posse destes setores. Imagine se os serviços de água encanada ou energia elétrica do Brasil ficassem na mão de empresas estrangeiras. Será que tais empresas atuariam no interesse dos clientes brasileiros ou de seus países de origem? Por estas razões, tais serviços e recursos naturais possuem externalidades negativas que devem ser evitadas, justificando a intervenção do Estado.

Portanto: V-V-V.

Resposta: A

6.

FGV– CGM/Niterói – 2018)

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