ACERVODOADJUNTOAJUVANO.
Fonte: (OLIVEIRA 2011 p. 18)
O referido templo de Bayeux, está nos dias atuais sob a presidência de José Vieira Rolin, segundo dados colhidos no mesmo endereço eletrônico descrito acima, o templo funciona nas segundas, quartas, sábados e domingos. Caracteriza-se por ser um templo iniciático, característica que atrai parte dos seguidores do estado para os rituais de iniciação, visto que poucos templos exibem condições para os rituais de iniciação a que se submetem os integrantes. Como podemos perceber no depoimento de José Rolin, fica claro a sua intenção de demonstrar
que com o templo passar do tempo o templo teve seu crescimento acentuado e que hoje, ele tem uma quantidade relativa de mestres disponíveis e ativos para a realização dos rituais. Quando o mesmo enfatiza em sua fala “nós formamos assim até hoje um mestrado muito maior, muito preparado, mais preparado, a doutrina cresceu muito.” (Rolin apud Santos, 2017)
Em visitas ao templo de Bayeux pudemos observar mais claramente aquilo que José Rolin descreve em sua fala, o templo além de concentrar um grande número de mestres/integrantes, também possui uma grande visitação por parte dos pacientes. Em grande medida, aqueles que procuram o movimento para visitação buscam a caridade ofertada pelo movimento, como também acontece no caso do espiritismo de Kardec visto que o Vale do Amanhecer, é baseado na “Lei do Auxílio e da Caridade” como os integrantes costumam afirmar.
É bem comum que esses “pacientes” cheguem no movimento para alivio das dores físicas ou a cura espiritual de doenças, por problemas familiares, problemas financeiros, problemas relativos à mediunidade. Conforme nos deparando-se em depoimento dado a Morais(2016), que ele menciona ser de uma jovem de vinte e cinco anos, com escolaridade média e com renda mensal de um salário mínimo, sem identificação nominal da mesma:
“Eu vim pra o Vale do Amanhecer mais pela dor, cheguei aqui pela dor, eu via coisas dentro de casa, meio que incorporava dentro de casa, e era meia perturbada, então eu conheci uma amiga que me trouxe até aqui, e aí eu fiquei participando como paciente e vi que era onde eu precisava ficar e tô até hoje, faz quatro anos. Graças a Deus tudo mudou na minha vida depois que eu vim pra cá, tipo... minha estabilidade familiar mudou porque minha mãe era meia... não sei... acho que ela tinha era medo, raiva, não sei, então tipo assim, eles tão vendo a minha melhora, então graças a Deus tudo tá mudando, eu tô conquistando as coisas que eu quero, antes era meio uma viravolta na minha vida e agora tá meio que estabilizando... Eu me sinto totalmente realizada exercendo a minha religião, bem fisicamente e espiritualmente, graças a Deus me sinto ótima. (Apud MORAIS 2016 p. 43)
Esse aspecto relacionado à chegada dos membros e dos pacientes em grande medida a partir dos problemas citados acima, principalmente ao que se refere aos problemas de mediunidade, também pode ser observado no trabalho de Santos (2017) no depoimento do Mestre Chagas, conforme trecho transcrito abaixo:
“Bem o motivo foi(...) é (...)problema meu mesmo, né. Eu a partir dos 12 anos passei a ter muitos problemas e de um certo tempo pra cá, passou a me prejudicar bastante, até que um dia surgiu a namorada o meu filho, que faz parte da igreja do Vale do Amanhecer, me chamou, me convidou e eu fui até lá no primeiro domingo, terminando os trabalhos eu falei com a direção, e no outro domingo eu retornei e já comecei a fazer os testes indicados. (CHAGAS, 2017)
Segundo ele, a sua mediunidade se manifestava desde a infância e ele só conseguira de fato lidar com ela, após a sua chegada ao movimento, onde segundo o que consta no trabalho de Santos (2017), o mesmo passou a entendê-la e praticá-la.
Esta é uma situação que se repete em muitos casos no Movimento. Tia Neiva estaria certa ao afirmar que as pessoas estavam ligadas a uma vida anterior, ou a um passado transcendental ou a um Carma? O fato é que, são muitos os relatos que nos induzem a esse tipo de discurso coletivo, há sempre um doente sem cura, um desacreditado da medicina que encontra no Vale do Amanhecer alivio para a sua dor física, há sempre uma pessoa que manifesta a sua mediunidade mas não sabe lidar com ela, e que ao chegar ao Vale do Amanhecer passa a desenvolvê-la. Esse nos revela ser um dos motivos relevantes também para que a popularização do movimento ao entorno dos templos se dê em grande medida, apesar do caráter não proselitista, ou seja, apesar dos integrantes não tentarem converter de fato os visitantes ao movimento, o que se observa é os templos são sempre movimentados, e que parte dos visitantes se tornam membros ativos posteriormente.
Outro aspecto que para a pesquisa aqui empreendida é de importância salientar é o fato da estrutura templária do Vale do Amanhecer de Bayeux se aproximar da estrutura dos outros templos e mais precisamente ao Templo Mãe, de Planaltina. Como já mencionado acima os templos tentam da forma mais aproximada possível representar os mesmos elementos contidos no templo implantado por Tia Neiva.
Logo após ao portão de entrada, podemos verificar a existência dos espaços utilizados para rituais fora do templo, mas que fazem parte do complexo simbólico do Movimento, a presença de um placa de aviso aos mestres sobre as indicações feitas por Tia Neiva para o visitante cumpra ao se frequentar o templo, o templo é composto pela fachada de pedra, com as “duas patas do Jaguar” que se assemelham ao Templo Mãe.
Dentro do espaço templário, podemos observar o uso das insígnias, a disposição dos objetos, as representações das entidades em formas de quadros, os “radares” que são espécies de altares, onde estão dispostos a representação das hierarquias espirituais do movimento, a própria foto de Tia Neiva, que é uma das primeiras imagens que o visitante/integrante se depara ao entrar no Templo. Todas essas representações, são apesar das adaptações recorrentes feitas ao espaço, ligadas intimamente ao que Neiva constituiu no primeiro templo do Vale do Amanhecer.