• Nenhum resultado encontrado

Roosevelt Vicente Ferreira

A pesquisa apresenta uma investigação acurada em obras consideradas alicerces dos estudos linguísticos, publicadas no final do século XIX, em busca da posição de alguns autores em relação às ideias fraseológicas. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica diacrônica focada nas principais obras de cunho linguístico da época. Investigou-se os aspectos linguísticos propostos por Whitney (1875), Hermann Paul (1880), Henry Sweet (1891), Michel Bréal (1897) e Saussure (1916). No pequeno acervo pesquisado, buscou- se por preceitos, teorias, sugestões, analogias e comentários, posicionados pelos diversos estudiosos que, de uma forma ou de outra, podem estar relacionados às características linguísticas inerentes aos preceitos das Unidades Fraseológicas que, como se sabe, tem o seu embrião nos estudos de Charles Bally apresentados na obra Traité de Stylistique Française, no inicio do século XX. Em termos gerais, analisou-se o entendimento dos fenômenos de restrição combinatória léxica ou sintática, suas possibilidades e impossibilidades e o motivo de se apresentarem muitas vezes desejáveis. Focou-se, também, nas posições teóricas que contemplam as unidades léxicas complexas que constituem atos de fala por si mesmas e funcionam como enunciados com características de texto (provérbios, ditos populares, etc). Como resultado, observou-se que os linguistas daquela época já apresentavam inúmeras ideias e preocupações com as combinações léxicas, apesar de tratá-las de forma incipiente e descontextualizada, carentes de uma metodologia específica. Dentre elas, destacam-se as teorizações acerca dos aspectos que buscam explicar o fenômeno da consolidação dos significados das partes constitutivas de uma combinação léxica em um conceito único. Abre-se, dessa forma, a oportunidade futura de uma comparação das características linguísticas postuladas ao final do século estudado, com as que atualmente são defendidas nos estudos fraseológicos mais contemporâneos.

Palavras-chave: linguagem; Fraseologia; combinação léxica.

Referências

BALLY, Charles. El lenguaje y la vida. Traducción de Amado Alonso. 3ed. Buenos Aires: Editorial Losada, 1957.

BRÉAL, Michel. Ensaio de Semântica: ciência das significações. Tradução sob coordenação de Eduardo Guimarães. 2. ed. Campinas: Editora RG, 2008.

PAUL, Hermann. Princípios fundamentais da história da língua. Tradução de Maria Luisa Schemann. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966.

67 SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. São Paulo: Editora Cultrix, 2012.

WHITNEY, William Dwight. A vida da linguagem. Tradução de Marcio Alexandre Cruz. Petrópolis: Editora Vozes, 2010.

68 AFETIVIDADE NO ATO DE AVALIAR: UMA MODALIDADE ESQUECIDA

Poliana Sabina Quintiliano Silvesso Sueli Ramos

Ao concebermos a ideia de avaliação em âmbito escolar, nos desvinculamos totalmente de sua concepção mais simples, ou seja: avaliação como ato de ponderar sobre as coisas do mundo e sobre as experiências que vivenciamos. De forma geral, pensamos em como iremos aferir quantitativamente o saber que o aluno adquiri ao longo de um bimestre, semestre, ano, especialmente no que se refere ao aspecto cognitivo. Essa prática evidencia um paradigma tradicional predominante na escola, pois não contempla domínios outros, como o afetivo e o psicomotor. Por parecerem de responsabilidade de outras instituições ou, talvez, pelo pressuposto de que o aluno adquiri tais competências por esforço próprio, esse esquecimento pedagógico contribui para práticas menos éticas e humanas no ambiente escolar. Assim, tendo em vista contemplar saberes que vão além do cognitivo, o objetivo deste trabalho é apresentar algumas atividades norteadas por objetivos afetivos. Desenvolvidas em uma escola particular em Campo Grande, MS, com alunos de 9ª ano, durante as aulas de Língua Inglesa, a experiência constitui uma tentativa de lidar com competências como a atenção, organização, participação ativa, respeito. Para estabelecer o que seria avaliado, foi utilizado o segundo livro da Taxionomia de objetivos educacionais, domínio afetivo, em que são categorizadas essas competências. Buscou-se também, dialogar com os teóricos Anderson e Bourke, que tem pensado hoje os valores afetivos na educação. A fim de inserir as atividades no contexto de uma avaliação formativa, foram utilizados também, como aporte teórico, a concepção de texto desenvolvidos no âmbito da Semiótica greimasiana, o socioconstrutivismo de Vygotsky, bem como as reflexões trazidas por Luckesi sobre a avaliação.

Palavras-chave: domínio afetivo, avaliação da aprendizagem, letramento semiótico Referências

ANDERSON, L.W.; BOURKE, S. F. Assessing Affective Characteristics in the

Schools. 2ª Ed. New Jersey: Lawrence Erlbaum London, 2000.

BLOOM, Benjamin S. Taxionomia de objetivos Educacionais; domínio afetivo. 1ª ed. RS: Globo, 1972.

FIORIN, J. L. A noção de texto na semiótica. Organon, Rio Grande do Sul, v.9, n. 23,

p. 165-176, jan./jul. 1995. Disponível em:

http://seer.ufrgs.br/index.php/organon/article/view/29370 Acesso em: 12 de agosto de 2017, 10h30min.

LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 10.ed., São Paulo: Cortez, 2000.

69 O JOGO: DO SUEITO DE ESTADO AO SUJEITO DE FAZER

Adda Sofía Barco Velásquez Sueli Maria Ramos da Silva

Este trabalho encontra-se vinculado à pesquisa de mestrado “O jogo como mediador da construção de sentidos no letramento semiótico” que visa analisar o ensino da perspectiva do letramento por meio da aplicação de diferentes textos-jogos como mediadores das práticas de ensino para avaliar as variações na construção de sentidos geradas no processo de letramento no ensino fundamental II, norteada pelo quadro teórico-metodológico da semiótica greimasiana de linha francesa. Entendendo o jogo como espaço de interação próprio da criança, podemos estabelecer que ele é um elemento da linguagem infanto- juvenil que, segundo Criado (1999), permite relacionar a realidade com a imaginação e as dinâmicas sociais do seu contexto, e mediante ele, estimular a livre ação. Vinculamos o ensino, desde a perspectiva de Cordazzo e Vieira (2007), que defende o jogo como elemento que promove a aprendizagem, assim como a criação de hábitos da vida diária, desperta o interesse e estimula a percepção. Aliado a essa finalidade, este trabalho tem por objetivo abordar as questões do jogo como evento semiótico, assim, partindo da concepção histórica, abordando teorias a respeito de sua função, utilidade e importância no desenvolvimento da criança e suas características, tomando como base da reflexão, a perspectiva de Kishimoto (1994), Criado (1999) e Huizinga (2000) em diálogo com a semiótica francesa, especificamente, através dos desenvolvimentos encontrados no texto “Acerca do jogo”, de A. J.Greimas na tradução de Eduardo Peilucla Cailizal (2007). Desse modo, realizamos uma análise semiótica do jogo como texto sincrético, partindo do nível fundamental até o nível discursivo, ancorando a construção do sentido gerado no jogo e as relações entre enunciador e enunciatário. Por fim, a título de hipótese, compreendemos o jogo como uma atividade de prazer e liberdade que envolve regras e habilidades, que tem a capacidade de alterar um sujeito de estado (passivo) e convertê-lo em um sujeito de fazer (ativo), assim, transportando-o ao ambiente educativo, exploram- se todas as capacidades em prol do desenvolvimento cognitivo, a obtenção e apropriação de conhecimento. (Apoio: CAPES)

Palavras-chave: Jogos, Letramento, Semiótica francesa Referências

CORDAZZO, Sheila Tatiana; VIEIRA, Mauro Luis. A brincadeira e suas implicações nos processos de aprendizagem e de desenvolvimento. Rio de Janeiro: Estudos e Pesquisas em Psicologia. 2007.

CRIADO, G.M. El juego y el desarrollo infantil. Barcelona: OCTAEDRO, 1999. GREIMAS, J. A. Acerca do Jogo. São Paulo: Significação, Revista Brasileira de Semiótica. 2007.

HUIZINGA, Johan. Homo Ludens. São Paulo: Perspectiva. 2000.

KISHIMOTO, Tizuko. O jogo e a educação infantil. Florianópolis: Perspectiva n. 22. 1994. p. 105-128.

70 A MESA DA DISCÓRDIA – REFEIÇÃO, MEMÓRIA E NIILISMO EM VILELA

E TREVISAN

Ronaldo Vinagre Franjotti Rauer Ribeiro Rodrigues

Este artigo analisa e compara dois contos: “A sopa”, de Dalton Trevisan, e “Nosso dia”, de Luiz Vilela. Essas narrativas possuem um enredo semelhante, pois ambas desenrolam em torno da consoada, o jantar noturno. O intento é refletir sobre como o momento da refeição, não apenas a condoada em específico, mas o ato social de alimentar-se, sempre tido como uma oportunidade de união e fortalecimento dos laços afetivos, acaba se tornando, nas narrativas escolhidas, palco para a discussão e o questionamento dos valores morais que até o início do século XX constituíam a base da sociedade ocidental. Em ambos os contos, os personagens discutem seus papéis enquanto cônjuges e familiares presos a modelos sociais e a uma estrutura arcaica e sufocante. Nesse embate, fica evidente que há um niilismo resultante dos conflitos que atravessam a dita “família tradicional”; em suma, dela, nada resta. A incursão na filosofia e na história do século passado mostram que essa crise tem suas raízes no esvaziamento dos valores sociais resultantes da moderna sociedade capitalista de consumo e na derrocada das religiões. Afinal, não por acaso, ambos os contos pertencem a obras publicadas nos anos 60 do século XX no Brasil, uma época em que o país estava mergulhando num regime de exceção e de tolhimento de liberdades individuais que durariam até meados dos anos 80. Nesse sentido, é importante também resgatá-los para recompor essa memória e a lembrança de um passado que corre hoje o risco de se tornar remoto. Para embasar teoricamente as reflexões sobre os contos, no que tange ao aspecto filosófico dos textos, a análise se vale dos textos de Nietzsche e de Schopenhauer, o primeiro no que tange aos tipos de niilismo e o segundo no que concerne à incomunicabilidade das representações.

Palavras-chave: Refeição, Niilismo, Memória, Luiz Vilela, Dalton Trevisan.

Referências

Carlos Ceia: s.v. "Niilismo", E-Dicionário de Termos Literários (EDTL). Coord. Carlos Ceia. ISBN: 989-20-0088-9. Disponível em: <http://www.edtl.com.pt>, Consultado em 10 dez. 2016.

DELEUZE, Gilles. Nietzsche e a Filosofia. Trad. Edmundo Fernandes Dias e Ruth Jofly Dias. Rio de Janeiro: Ed. Rio, 1976.

DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Os Irmãos Karamazov. São Paulo: Ed. 34, 2008.

HOHLFELDT, Antônio. A fermentação cultural da década brasileira de 60. Revista FAMECOS, Porto Alegre, n. 11, p. 38-56, 1999.

LIMA, Romilda de Souza. Práticas alimentares e sociabilidades em famílias rurais da Zona da Mata mineira: mudanças e permanências. Viçosa, 2015. Tese

71 NIETZSCHE, Friedrich. Obras Incompletas. Trad. Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Abril Cultural, 1987. (Os Pensadores).

___________________. O Nascimento da Tragédia ou Helenismo e Pessimismo. Trad. J. Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e representação. Trad. M. F. Sá Correia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.

TREVISAN, Dalton. Novelas nada exemplares. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.

VILELA, Luiz. Tremor de Terra. 8. ed. São Paulo: Publifolha, 2003.

VILLA, Marco Antonio. Ditadura à brasileira: a democracia golpeada à esquerda e à direita. São Paulo: Leya, 2014.

72 EMERGÊNCIAS DO PENSAMENTO LIMINAR E DOS LOCAIS