2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.6 PAPEL DOS CONTROLES INTERNOS NO PROCESSO DE GESTÃO
2.6.2 Finalidade Dos Controles Internos
Uma vez definido controle interno, há necessidade de se conhecer suas finalidades. De
acordo com Crepaldi e Crepaldi (2014, p.64) a adoção de controles internos tem por fim:
• salvaguardar os ativos;
• verificar a exatidão e fidelidade dos dados e relatórios contábeis e de outros dados operacionais;
• desenvolver a eficiência nas operações;
• comunicar e estimular o cumprimento das políticas, normas e procedimentos administrativos adotados.
Lunkes (2010, p.4) complementa, com uma visão mais abrangente e prática, quando
defende que através dos controles internos é possível a identificação de problemas, falhas e
erros nas políticas adotadas pela organização, vejamos:
[...] as finalidades estão relacionadas à identificação de problemas, falhas e erros constatados por meio dos desvios, fazer com que os resultados obtidos estejam mais próximos do esperado, verificar se as estratégias e políticas estão gerando os resultados esperados e proporcionar informações periódicas.
Percebe-se daí que a partir dos controles internos adotados pela organização será
possível extrair um modelo de Práticas de Conformidade compatível com a realidade
experienciada pela mesma. É possível extrair dos controles internos importantes observações
sob todos os aspectos da conformidade.
Ponto relevante dos controles internos também ressaltado por Schmidt e Santos (2009,
p. 76) é a eficiência operacional, defendem os autores que dentre outras atribuições, os
controles devem buscar:
[...] Promoção da eficiência operacional: os controles deverão criar mecanismos de estímulo à eficiência operacional, não permitindo o consumo de recursos sem que se busque efetivamente a geração de resultado, visando ao atingimento da missão da entidade.
E dentro da realidade vivenciada pelas organizações do TS, mecanismos que as
auxiliem na promoção de eficiência operacional são bem-vindos, pois é sabido que as mesmas
operam sempre com poucos recursos, devendo otimizá-los ao máximo.
Nas entidades do terceiro setor, o controle tem uma função estratégica, uma vez que os recursos, de diversas naturezas, são escassos e precisam ser bem geridos. Uma forma de controle interno – e também externo – pode ser traduzida pelas demonstrações contábeis e pelas informações que podem ser obtidas por meio dessas. LIMA E FREITAG (2014, p.184)
Ainda no âmbito do TS, de acordo com CFC (2015, p.97):
[...] o controle interno tem como objetivo a potencialização do êxito no processo decisório, o que possibilita maior geração de benefícios socioeconômicos, e também interfere em retornos sociais e ambientais. Assim sendo, o controle interno busca ultrapassar as barreiras do retorno financeiro.
Segundo o COSO: “o controle interno auxilia as entidades a alcançar objetivos
importantes e a sustentar e melhorar o seu desempenho”. A dinâmica de como isso ocorre
dentro da organização é exteriorizada pelo cubo abaixo, no qual é possível visualizar a ideia
defendida pelo COSO, de que há uma relação entre objetivos e componentes, vejamos:
Existe uma relação direta entre os objetivos, que são o que a entidade busca alcançar, os componentes, que representam o que é necessário para atingir os objetivos, e a estrutura organizacional da entidade (as unidades operacionais e entidades legais, entre outras). Essa relação pode ser ilustrada na forma de um cubo.
• As três categorias de objetivos – operacional, divulgação e conformidade – são representadas pelas colunas.
• Os cinco componentes são representados pelas linhas.
• A estrutura organizacional da entidade é representada pela terceira dimensão.
Figura 6 – Relação entre objetivos e componentes Fonte: COSO, 2013, p.9
A manutenção de controles internos é tão relevante para a organização, que no setor
público, possui previsão constitucional a ser observada, vejamos:
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de:
I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União;
II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União;
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. § 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.
§ 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.