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PA Corta Corda

FINALIDADE DE CADA TIPO DE RECURSO

1 Suprir as necessidades básicas para instalação da família no PA (ferramentas – 100%

subsidiado, a ser pago em 20 anos, com 3 meses de carência; se pagar corretamente, tem 50% de desconto).

2 Auxiliar na construção da unidade habitacional nos lotes identificados conforme o projeto

de parcelamento ou com a localização definida em caso de projetos coletivos (casas com 42m² com 2 quartos, sala, cozinha e banheiro).

3 Fortalecer as atividades produtivas e o desenvolvimento da parcela nos Projetos de

Assentamento da Reforma Agrária.

4 Atender às necessidades de segurança hídrica das famílias com morada habitual em

Projetos de Assentamento, localizados nas áreas circunscritas pelo Semi-árido, reconhecidas pelo IBGE.

5 Recuperar unidades habitacionais nos PA que, após constatação por meio de laudo

técnico, apresentem a necessidade de reforma e/ou ampliação em razão de deterioração, de caso fortuito e/ou força maior ou de risco aos seus moradores.

6 Recuperar a capacidade de acesso a novos créditos, possibilitando a quitação de

financiamento contraído no âmbito do PROCERA (Programa Especial de Crédito para Reforma Agrária).

Nas localidades em estudo, as providências mencionadas foram parcialmente realizadas e outras feitas de forma precária. Os acompanhamentos periódicos que devem ser realizados pelos órgãos responsáveis, são esparsos.

Algumas das lacunas verificadas nas Comunidades foram:

a) Assentados que não produzem na terra e que o INCRA desconhece ou ignora as razões que os levaram a essa situação;

b) Assentados que possuem mais de um lote de terra, localizados em distintas comunidades;

c) Posseiros que desconhecem a situação da terra que estão ocupando e por isso não conseguem pleitear os recursos a que tem direito para moradia, ferramentas de trabalho, entre outros.

d) As vias de acesso (estradas e ramais) são precárias, não possibilitando o escoamento da produção, especialmente no pesado inverno amazônico (fortes chuvas); escolas que funcionam sem mínima estrutura, entre outras lacunas.

e) As informações sobre o número de assentados - clientes ou não da reforma agrária - são desencontradas, seja com relação aos dados do INCRA, seja com relação às do Sindicato dos Trabalhadores Rurais ou das Comunidades. Essa

situação decorre de vários fatores: não acompanhamento assíduo e eficaz das famílias assentadas por parte dessas instituições; jogo de interesse que faz com os números aumentem ou diminuam conforme a demanda do momento, e também pelo contínuo deslocamento de famílias entre comunidades e chegada de novos trabalhadores rurais em busca de terra. O Sindicato e as Associações das Comunidades são as que possuem dados mais confiáveis, por estarem mais próximos dos “clientes”.

De acordo com o depoimento de dois líderes de Comunidades do citado PA, cujos nomes fictícios são Sr. Corta e Sr. Corda (estes pediram para não serem identificados, considerando a delicada situação vivida naquele lugar no momento da pesquisa), o Projeto de Assentamento em questão não pode ser qualificado como tal, como expressado na fala de um deles: “O PA Corta Corda não tem características de assentamento porque tem que ter 50% de infra-estrutura, conforme a lei. O que tem lá foi feito com parceria do setor privado”. De acordo com suas explicações, o que eles chamam de setor privado são os madeireiros, empresários da cidade, comerciantes e sojeiros.

Disseram também que em 2002, havia proposta para o PA de 468 parceleiros e que após o cadastro, surgiu a “fofoca” do sojeiro, da grilagem e de que o INCRA teria vendido parte da terra para eles. Então, só fecharam 107 parceleiros, que depois foi ampliado para 200, chegando a 331 aproximadamente, mas não chegou a 468. Entretanto, aparece nos controles do INCRA 468 parceleiros para o citado PA. De acordo com esses mesmos entrevistados, aproximadamente 70% dos que lá estão, são clientes da reforma agrária; os outros 30% não o são. Do total dos clientes, 50%, aproximadamente, não estão na RB (Relação de Beneficiários) documento de controle oficial. E um deles concluiu dizendo que “o que estimula o ser humano a ser fiel é o retorno”.

Porém, de acordo com outro líder de Comunidade (Sr. José Ribamar), para o PA Corta-Corda estava previsto 468 parceleiros. Está completo no INCRA que já estão com RB. Porém, dentro do PA, existem 168 que tem RB e não tem terra e 40 pessoas que tem RB, tem casa, mas estão fora do Assentamento, pois estão na Gleba Curuá-Una (esta gleba é contínua à gleba Pacoval). O anseio é que o INCRA regularize os 2 Km do outro lado do Igarapé Corta-Corda, daqueles que tem direito reconhecido e passar da Gleba Curuá-Una para a Gleba Pacoval.

Ainda de acordo com o Sr. José Ribamar, o exército realizou o GEO de toda a Gleba Curuá-Una, e da Pacoval está sendo realizado pelo INCRA; a Gleba Curuá- Una refere-se a uma área de Regularização Fundiária que vai até 500 hectares.

Em conversas informais entre alguns moradores das Comunidades pesquisadas, vinha à tona em determinados diálogos, com um indisfarçável pesar, fatos que estavam acontecendo, por exemplo, na Comunidade Lagoa Azul, que já possuía escola, estrada, ponte e barracão da comunidade, e que issosó foi possível de acontecer porque eles tinham madeira boa para negociar em troca das benfeitorias recebidas (cada morador teria disponibilizado madeira de seu lote para o madeireiro). Segundo esses mesmos interlocutores: “se cada um pudesse vender cinco maçarandubas daria para construir muita coisa na comunidade”. Porém, não havia em suas Comunidades madeira desse quilate que valesse a pena e/ou justificasse o interesse de algum madeireiro.

Em meados de agosto de 2007, todas as ações inerentes aos projetos de assentamento sob a jurisdição da SR-30 haviam sido paralisadas por determinação da Justiça Federal, que havia acolhido os argumentos do Ministério Público Federal do Pará concedendo liminar para suspensão dos projetos apontados na investigação como irregulares, englobando 99 (noventa e nove) assentamentos, que estavam localizados em várias Glebas daquela região, incluindo aqueles da Gleba Pacoval (ver o sub-capítulo 3.1.1).

Diversas Instituições públicas e civis, incluindo a Igreja e órgãos federais (Polícia Federal e IBAMA), à época, mobilizaram-se junto ao INCRA nacional e Justiça Federal para que as atividades de regularização fundiária e de implantação dos assentamentos daquela região não ficassem paralisadas enquanto durassem as apurações das falhas detectadas. Solicitaram, também, que fossem estudadas alternativas para viabilizar a retomada dos projetos, à medida que os órgãos públicos fossem sanando as pendências.

Nesse período, acentuou-se a inquietação e a angústia dos clientes (de fato) da reforma agrária naquela região, que estavam dependendo das ações de regularização de seus lotes para proceder outras demandas. Também houve aumento de tensão entre as partes envolvidas, em razão dos termos das denúncias formuladas pelo Ministério Público.

3.2.1 Limites e opções de acesso à Gleba Pacoval:

A Gleba Pacoval limita-se ao norte pelo Rio Curuá-Una; ao sul pela linha seca do polígono desapropriado de Altamira; a leste pelas terras dos municípios de Prainha e Uruará e a oeste pelo Igarapé Corta-Corda e Gleba Curuá-Una (Autos do Processo SR-30/54501.000590/2006-52 – Criação do PDS Santa Clara, 2006). (Mapa 01).

O acesso à Gleba Pacoval pode ser realizado por três alternativas:

a) via fluvial: descer o Rio Amazonas, entrar pelo Rio Curuá-Una e depois seguir

pelo afluente do Rio Curuatinga.

b) via terrestre: seguir pela PA-370 (Rodovia do Curuá-Una), passando pela

hidrelétrica do mesmo nome, seguindo de lá pelo ramal Corta Corda que adentra boa parte da gleba.

c) ramais criados: existem diversos ramais secundários abertos pelas madeireiras,

além de igarapés estreitos e cheios de obstáculos que são navegáveis, mas em condições precárias (AUTOS DO PROCESSO SR-30/54501.000590/2006-52, CRIAÇÃO DO PDS SANTA CLARA, 2006).

Para realizar a pesquisa de campo nas Comunidades União Corta Corda e Cícero Mendes, realizamos o percurso por via terrestre, partindo de Santarém e seguindo pela PA-370 (Rodovia do Curuá-Una), passando pela Hidroelétrica do Curuá-Una. Porém, antes e depois da citada hidrelétrica, passamos por inúmeras Comunidades rurais: Jacamim, Santa Rosa, Curupira, Boa Esperança, Perema, Estrada Nova, Tipizal, Poço das Antas, São Jorge, Secretaria, Volta Grande, Paxiúba, Ramal Boa Sorte, Planalto, Guaraná, Lagoa e Coração de Jesus. No Km 8, a partir da Hidroelétrica do Curuá-Una, virou-se à direita para seguir na direção da Comunidade União Corta Corda. A partir desse local (o chamado Km 8), percorreu- se a pé parte dos quatro quilômetros restantes, uma vez que o ônibus que transportava as pessoas ficou impossibilitado de prosseguir viagem devido a problemas na travessia em um dos igarapés, por conta de escavações e acidente de trator em obras. No percurso do Km 8 em diante passou-se pelas Comunidades de Betel (não incluída no assentamento), Muriá, Cícero Mendes, até chegar a de União Corta Corda. Esse é o percurso (de ida e volta) que é feito, normalmente, pelos assentados quando necessitam ir à cidade de Santarém para vender seus produtos, comprar mantimentos ou tratar de outros interesses (Fotos 15 e 16).

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