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2.2 O Ensino e a EMRC

2.2.5 Finalidade e natureza da EMRC na escola pública

O Programa da disciplina de EMRC, publicado em 2014, na linha dos argumentos que justificam a sua presença na Escola Pública, acrescenta as seguintes:

não há educação integral sem a consideração da dimensão religiosa, porque ela é constitutiva da pessoa humana; a componente religiosa é um fator insubstituível para o crescimento humano em liberdade e responsabilidade; o Evangelho ajuda a amadurecer as interrogações sobre o sentido da vida; o Evangelho inspira valores de fé e de humanidade que tecem a história e a cultura da Europa; a compreensão da realidade social, que a escola deve promover, requer, para ser verdadeira, o conhecimento do fenómeno religioso e das suas expressões e influências sociais.115

Na ótica dos Bispos portugueses, a EMRC tem como grande finalidade "formação global do aluno, que permita o reconhecimento da sua identidade e, progressivamente, a construção de um projeto pessoal de vida. Promove-a a partir do diálogo da cultura e dos saberes adquiridos nas outras disciplinas com a mensagem e os valores cristãos enraizados na tradição cultural portuguesa".

São finalidades da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica: apreender a dimensão cultural do fenómeno religioso e do cristianismo, em particular; conhecer o conteúdo da mensagem cristã e identificar os valores evangélicos; estabelecer o diálogo entre a cultura e a fé; adquirir uma visão cristã da vida; entender e protagonizar o diálogo ecuménico e inter-religioso; adquirir um vasto conhecimento sobre Jesus Cristo, a História da Igreja e a Doutrina Católica, nomeadamente nos campos moral e social; apreender o fundamento religioso da moral cristã; conhecer e descobrir o significado do

114 CONFERENCIA EPISCOPAL PORTUGUESA, Carta Pastoral Sobre a Educação: «Direito e Dever

- Missão Nobre ao Serviço de Todos», nº 28.

115 SECRETARIADO NACIONAL DA EDUCAÇÃO CRISTÃ, Programa de Educação Moral e

53 património artístico-religioso e da simbólica cristã; formular uma chave de leitura que clarifique as opções de fé; estruturar as perguntas e encontrar respostas para as dúvidas sobre o sentido da realidade116; apreender a posicionar-se, pessoalmente, frente ao

fenómeno religioso e agir com responsabilidade e coerência.117

“O que confere ao ensino religioso escolar a sua característica peculiar é o facto de ser chamado a penetrar no âmbito da cultura e de se relacionar com os outros saberes.” A EMRC tem em vista a formação global dos alunos, que permita o reconhecimento da sua identidade e, progressivamente, a construção de um projeto pessoal de vida. Promove-a a partir do diálogo da cultura e dos saberes adquiridos nas outras disciplinas com a mensagem e os valores cristãos enraizados na tradição cultural portuguesa.118

Estas afirmações da CEP, presentes no Programa de EMRC confunde, em alguns momentos, a natureza da disciplina de EMRC com a catequese paroquial. É uma tentação permanente, mesmo na prática docente. O docente é chamado a fazer esta distinção na sua prática letiva. O aluno, por sua vez, não é chamado a fazer de seu o património cultural e a visão cristã da vida assim como a aderir a eles mediante uma opção de fé pessoal. O aluno de EMRC é convidado a conhecer a visão cristã da vida e através de exemplos movidos pela fé, reconhecer as influências quotidianas nas vidas dos crentes. Depois, se escolhe uma adesão de fé ou não, faz parte da sua liberdade esclarecida. A disciplina de EMRC assume um papel importante na construção e no aprofundamento desta liberdade esclarecida.

A natureza do ERE define-se, em primeiro lugar, pelas finalidades deste ensino. Neste campo, é claro que a EMRC é uma disciplina confessional. A confessionalidade da disciplina significa que interpreta a realidade circundante através da perspetiva cristã, em geral, católica, em particular, proposta como uma visão coerente e articulada com as demais áreas do saber e da cultura. Assim, como disciplina confessional na Escola, de oferta obrigatória e frequência facultativa, desponta e reorganiza as interrogações sobre Deus, sobre a interpretação do mundo, sobre o significado e o valor da vida e sobre as

116 O Papa Francisco, na LF, no nº 34, aponta a fé, com a luz do amor, como farol para iluminar as questões do nosso tempo que assaltam a razão humana e conduzir o Homem a uma mesma família, onde todos procuram o bem comum. A luz do amor, própria da fé, pode iluminar as perguntas do nosso tempo

acerca da verdade. […] Sendo a verdade de um amor, não é verdade que se impõe pela violência, não é verdade que esmaga o indivíduo; nascendo do amor pode chegar ao coração, ao centro pessoal de cada homem; daqui resulta claramente que a fé não é intransigente, mas cresce na convivência que respeita o outro. […] A fé desperta o sentido crítico, enquanto impede a pesquisa de se deter, satisfeita, nas suas fórmulas e ajuda-a a compreender que a natureza sempre as ultrapassa.

117 SECRETARIADO NACIONAL DA EDUCAÇÃO CRISTÃ, Programa de Educação Moral e

Religiosa Católica, pág. 5.

118 CONFERENCIA EPISCOPAL PORTUGUESA, Educação Moral e Religiosa Católica. Um valioso

54 normas do agir humano e torna possível uma resposta que nasce da Revelação e da fé da Igreja; familiariza com a realidade da fé e do anúncio em que se baseia e ajuda aceitar, de maneira responsável, na reflexão, no exemplo da fé; capacita para tomar uma decisão pessoal em matéria religiosa precisamente na confrontação com as outras confissões e religiões, com as diversas conceções do mundo e do homem e com as diversas ideologias, favorecendo a compreensão e a tolerância perante a diferença; favorece as motivações para uma vida religiosa e para uma ação responsável na Igreja e na sociedade.119

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