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FINALIDADE: INTIMAR AS PARTES DA SENTENÇA.

No documento DIÁRIO DA JUSTIÇA ELETRÔNICO (páginas 75-77)

“S E N T E N Ç A

Vistos.

Cuida-se de Representação Eleitoral promovida pelo Ministério Público em face de Francisco Pessoa da Silva e Carlos Alberto Barbosa Pinheiro, em que se imputa conduta vedada dos Representados. Diz a exordial (fls. 02/12), que o ilícito fica materializado pela manutenção, em período eleitoral, de placa referente à construção de UPA, no bairro Vila Nova, na qual se visualizava logotipo símbolo da gestão do primeiro Representado, que lograva reeleição. Pleiteia-se, liminarmente, pela determinação de retirada da aludida placa, e, no mérito, pela aplicação de multa prevista no Art. 73, § 4º, da Lei nº. 9.504/1997.

Liminar concedida inaudita altera pars (fls. 14/14-v), determinando a retirada de tal placa, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, sob pena de multa de R$ 1.000,00 (hum mil reais) por hora de descumprimento.

Em defesa (fls. 17/29), os Representados aludem, preliminarmente, ausência de litisconsortes passivos necessários (partidos dos Representados e a coligação pela qual concorrem), por isso pedem extinção do feito sem exame do mérito; na questão de fundo argumentam que a retirada do slogan que fazia referência à gestão municipal, deu-se no prazo estabelecido em mandamento liminar; bem como ausência de potencialidade da conduta capaz de gerar resultados eleitorais. Ademais pugnam por proporcionalidade e razoabilidade, em eventual aplicação de multa.

Quanto à preliminar levantada pela Defesa, urge dizer que inexiste litisconsorte passivo necessário entre os Representados e os partidos ou a coligação majoritária. Da inteligência do Art. 114, do Novo Código de Processo Civil, depura-se que o litisconsórcio necessário se forma por expressa imposição de lei ou em casos de relação jurídica incidível, na qual eficácia da sentença dependa da citação dos litisconsortes. Verifico que não há dispositivo legal que determine a citação dos partidos e coligações em feitos cujo objeto seja análise de conduta vedada, tampouco a eficácia da sentença depende da participação daqueles no feito.

É por tal motivo que resta assentado na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral que, em Representações nas quais se apure conduta vedada, tão somente existe litisconsórcio necessário entre os candidatos beneficiados e o agente responsável pelas práticas ilícitas (Ac. no Ag- RO nº. 488846, de relatoria do Min. Dias Toffoli, publicado em 20.03.2014; RO nº. 169.677/RR, de relatoria do Min. Arnaldo Versiani, publicado em 06.02.2012). In casu, o agente responsável pela conduta ilícita coincide com um dos candidatos beneficiados, a saber, Francisco Pessoa da Silva, o qual, à época, lograva reeleição ao cargo de prefeito do município de monsenhor Gil.

É cediço que a legislação eleitoral, em homenagem aos princípios da administração pública insculpidos no Art. 37, da Constituição Federal, quais sejam, Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência, veda determinadas condutas, as quais, se praticadas, podem representar uso indevido da máquina pública para desequilíbrio da corrida eleitoral. Entre as mencionadas proibições há uma relacionada a publicidade institucional. Por oportuno, transcreve-se o Art. 73, VI,

b”, da Lei nº. 9.504/1997:

Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:

(…)

VI - nos três meses que antecedem o pleito: (…)

b) com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado, autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral;

No caso em tela, vislumbro a ocorrência de conduta vedada. O comportamento proibido pela lei eleitoral se manifesta no fato de ter sido mantida placa, em obra de construção de Unidade Básica de Saúde, a qual detinha inscrição da logomarca da administração municipal, à época liderada pelo primeiro Representado, além dos dizeres “Monsenhor Gil A Vez do Povo”. É evidente que, a manutenção da aludida placa, com tais símbolos e expressões, faz remissão ao então administrador-candidato, o que colide frontalmente com o dispositivo legal acima transcrito (Art. 73, VI, “b” , da Lei das Eleições).

Nem se argumente que o instrumento publicitário fora afixado antes do prazo vedado (três meses anteriores ao pleito eleitoral), pois o escopo da proibição legal é impedir que a publicidade institucional relativa a atos, programas, obras, serviços e campanhas públicas seja usada para desnivelar o certame eleitoral em prol de candidatos. Assim, a interpretação teleológica do dispositivo supracitado é no sentido de que qualquer anúncio publicitário que não informe sobre circunstância grave e de urgente necessidade pública seja cessado/retirado.

Outro não é o entendimento sedimentado na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral:

ELEIÇÕES 2014. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CONDUTA VEDADA. PUBLICIDADE INSTITUCIONAL. OUTDOORS. PERÍODO PROIBIDO. APLICAÇÃO DE MULTA.

1 - Se o Tribunal de origem concluiu que houve veiculação de propaganda institucional no período vedado, mediante afixação de outdoors contendo informações sobre obras e serviços da administração pública estadual, e que o chefe do Executivo estadual - candidato à reeleição - tinha ciência da publicidade, diante das peculiaridades do caso específico, a reforma do julgado demandaria o reexame de fatos e provas, providência vedada em sede extraordinária.(SúmuIas 7 do STJ e 279 do STF).

2- A permanência de publicidade institucional durante o período vedado é suficiente para que se aplique a multa prevista no art. 73, § 4º, da Lei n° 9.504/97, sendo irrelevante que a peça publicitária tenha sido autorizada e afixada em momento anterior. Precedentes.

3- Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior e do art. 73, VI, b, da Lei das Eleições, o caráter eleitoreiro da publicidade institucional é irrelevante para a incidência da vedação legal.

4- Considerando-se o juízo acerca da gravidade da conduta, realizado pelo Tribunal de origem com base nas circunstâncias fáticas, não é possível afastar a aplicação da sanção pecuniária nem reduzi-Ia ao patamar mínimo legal. "A multa fixada dentro dos limites legais não ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade" (AgR-Al n° 314-54, reI. Mm. Luciana Lóssio, DJE de 14.8.2014).

Agravo regimental ao qual se nega provimento.

(TSE. AgR-REspe, nº. 164177, rel. Min. Henrique Neves, in 16.04.2016)

Irrefutável que a conduta vedada teve potencialidade lesiva à igualdade de oportunidades entre os candidatos, mormente porque, a partir das mudanças trazidas pela Lei nº. 13.165, de 29.09.2015, a campanha eleitoral foi reduzida de 90 (noventa) para 45 (quarenta e cinco) dias. Dessa sorte, tendo sidos notificados da ordem liminar para retirada da aludida placa publicitária em 16 (dezesseis) de setembro de 2016, os Representados puderam auferir benefícios eleitorais da mencionada publicidade desde que foram escolhidos em convenção até quase 15 (quinze) dias antes do pleito, ocorrido em 02.10.2016. Em uma cidade de porte médio como Monsenhor Gil, a conduta ilícita culminou em considerável vantagem para os Representados, impossível fixação de penalidade no mínimo legal.

Pelo exposto, julgo PROCEDENTE a presente Representação Eleitoral, ante cometimento de conduta vedada que consta no Art. 73, VI, “b”, da Lei 9.504/1997, pelos Representados Francisco Pessoa da Silva e Carlos Alberto Barbosa Pinheiro, em razão do que, consoante Art. 73, § 4º do mencionado Diploma Legal, condeno-lhes solidariamente ao pagamento de multa no valor de 10 (dez) mil UFIR.

P.R.I.

Não havendo Recurso no prazo legal, cumpra-se as providências e arquive-se o presente feito.

Monsenhor Gil(PI), 18 de abril de 2018.

Denis Deangelis Brito Varela Juiz Eleitoral da 58ª Zona"

Monsenhor Gil, 03/05/18

Reinério Dantas

Chefe do Cartório da 58ª Zona

58ª ZONA – AVISO DE INTIMAÇÃO

PROCESSO Nº 94-02.2016.6.18.0058

No documento DIÁRIO DA JUSTIÇA ELETRÔNICO (páginas 75-77)