7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
7.3 Finalizando o texto sem finalizar as reflexões
[...] sem sequer poder negar a desesperança como algo concreto e sem desconhecer as razões históricas, econômicas e sociais que a explicam, não entendo a existência humana e a necessária luta para fazê-la melhor, sem esperança e sem sonho. A esperança é necessidade ontológica [...] (FREIRE, 1992, p. 10).
É preciso falar de esperança. Muitos aspectos evidenciados neste trabalho nos trazem a dimensão das dificuldades vivenciadas por coordenadores(as) e professores(as) nas escolas investigadas. Importante frisar que quem as aponta são os (as) próprios (as) professores (as), portanto, trazemos a coordenação vista por outro ângulo; o ângulo de visão de pessoas a quem, a princípio, o trabalho da coordenação pedagógica se destina. Afinal, de acordo com as
professoras entrevistadas, apoiar os professores é a função primeira da CP, embora no artigo 21 da Resolução 01/2005, “Prestar assistência pedagógica aos professores” seja a atribuição de nº IV, que parece estar sendo negligenciada.
A percepção de algumas professoras durante as entrevistas sobre alguns aspectos da atuação da CP pode nos levar ao imobilismo e à desesperança, mas Paulo Freire nos lembra de que “a esperança é necessidade ontológica”. Então, admitamos, sim, permitamos, sim, momentos alternados de esperança e desesperança, ao mesmo tempo em que nos permitamos fazer “aquilo que ainda não foi ensaiado e é inédito, mas que pode, pela ação articulada de sujeitos históricos, vir a ser ridente realidade” – a isto Paulo Freire chama de “Inédito viável” (1992, p. 8).
Identificamos algumas diferenças e distanciamentos entre as visões apresentadas pelos participantes do estudo e entre as referências bibliográficas em que este trabalho se pautou. Podemos dizer que desse distanciamento entre o desejado e o vivido poderá surgir atitudes e tomadas de decisões inéditas e, ao mesmo tempo, viáveis; conscientes de que nossa esperança sozinha “não ganha a luta, mas sem ela a luta fraqueja e titubeia” (FREIRE, 1992, p. 10). Por isso, é preciso continuar tentando, porque a maioria das professoras entrevistadas percebe as tentativas da CP e sabe que essa função é fundamental para a melhoria da educação oferecida nas escolas. E isso é bom.
Para que a coordenação pedagógica possa atuar, é essencial que se modifiquem as condições de trabalho, dentro das possibilidades atuais. A sólida, ampliada e específica formação dos educadores que atuam na coordenação pedagógica, em cursos de pós- graduação, é uma medida possível, que depende não só da vontade política de investir recursos, mas também do investimento dos próprios coordenadores na formação continuada. Assim, talvez possam contribuir para a melhoria das condições do trabalho realizado nas escolas, como que numa medida mais imediata ao abrir possibilidades de aproximação entre o que apontam os teóricos dessa área, como função da coordenação pedagógica, e o que efetivamente tem sido possível realizar.
Algumas formulações do questionário, após serem problematizadas durante as entrevistas, apontam aspectos que poderiam ser verificados em maior escala, quiçá, abrangendo todas as escolas da rede municipal de Juiz de Fora, em projetos de grupos de pesquisadores interessados nessa temática. Ressaltamos que não temos elementos suficientes para fazermos generalizações dos aspectos evidenciados no presente trabalho, devido ao
número reduzido de sujeitos, tanto que responderam os questionários quanto àquelas que nos concederam entrevistas. Também devemos considerar a singularidade de cada escola assim como a percepção de cada professor ou professora.
Apontar as demandas pedagógicas dos professores, mapear a partir da visão dos professores a quais atividades a CP dedica a maior parte do seu tempo no cotidiano escolar e indicar os entraves, por meio do que dizem vivenciar os professores, pode favorecer momentos de reflexão e aprendizado. Contudo, desejamos que este trabalho possa contribuir para, além de reflexões, ações.
É preciso agir, tão logo seja possível, para além do campo das reflexões, seguindo rumo ao campo das ações políticas que conduzam, efetivamente, às transformações necessárias. A sociedade tem reivindicado a urgência de a escola (re)aprender a ensinar, pois, independente do perfil dos alunos e dos professores que estamos recebendo, aos primeiros é exigido o direito de aprender e aos últimos, o dever de ensinar. Os indicadores educacionais, tanto em nível nacional, como em nível municipal, apontam a direção de que nós, educadores do século XXI, sejamos, efetivamente os agentes da história, desconcertando as determinações fatalísticas de que as coisas devem permanecer como estão.
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