Capex e RAB Médio
3.5.1 Financiamento e dívida
2013 ficou marcado por um regresso consistente dos emitentes portugueses ao mercado internacional de capitais, em claro contraste com o período de abril de 2011 a setembro de 2012, em que os mercado obrigacionistas se encontravam fechados. Esta disponibilidade crescente dos investidores internacionais foi, em 2013, naturalmente acompanhada por uma redução dos spreads exigidos aos emitentes nacionais.
Conjugada esta realidade com um enquadramento de taxas de juro base historicamente muito baixas, criaram-se as condições para o sucesso de um conjunto alargado de emissões obrigacionistas internacionais realizadas por emitentes portugueses.
A REN aproveitou esta conjuntura para prosseguir a reorganização da sua dívida, assim como o reforço do seu perfil de liquidez e solidez financeira.
A reorganização da dívida da REN orientou-se por três princípios fundamentais: • Diversificação das fontes de financiamento e da base de financiadores • Redução do risco de refinanciamento
• Criação de condições para uma redução sustentada do custo médio da dívida Em 2013 colocaram-se importantes desafios no âmbito da gestão financeira da REN, destacando-se o refinanciamento da emissão obrigacionista de 800 milhões de euros realizada em 2008, com vencimento em 10 de dezembro.
As obrigações emitidas no mercado internacional em janeiro e outubro, com montantes de 300 milhões e 400 milhões de euros, respetivamente, e a utilização de 100 milhões de euros ao abrigo da primeira tranche (400 milhões de euros) da linha de crédito do China Development Bank (CDB), asseguraram o refinanciamento da referida obrigação de 800 milhões de euros. fruto das condições de mercado vigentes, este refinanciamento foi assegurado com taxas de juro bastante mais baixas.
Durante 2013 foram realizadas as seguintes operações de financiamento: • Em janeiro, realizou-se uma emissão obrigacionista de 150 milhões de euros
com um prazo de sete anos.
• Ainda em janeiro, efetuou-se a emissão obrigacionista internacional de 300 milhões de euros com um prazo de cinco anos.
• Em março, realizou-se um empréstimo bancário internacional de 75 milhões de euros com um prazo de três anos.
• Em abril, contratou-se uma linha de crédito de 400 milhões de euros com o CDB, com o prazo de oito anos. Tratou-se da primeira tranche do financiamento de 1000 milhões de euros, dando sequência ao compromisso assumido nesta matéria pela State Grid International Development no âmbito da segunda fase de reprivatização da REN.
• Em outubro, realizou-se a segunda emissão obrigacionista internacional com um montante de 400 milhões de euros e um prazo de sete anos.
• Em novembro, foi celebrada uma linha de crédito de 160 milhões de euros com o ICBC – Industrial and Commercial Bank of China com o prazo de cinco anos. • Durante o ano foram ainda renegociados cinco programas de papel
comercial, num valor global de 675 milhões de euros, visando sobretudo a extensão da sua maturidade e também a melhoria das condições financeiras. O montante de operações de financiamento contratadas e renegociadas em 2013 atingiu aproximadamente 2.200 milhões de euros. A estrutura da dívida da REN foi, portanto, profundamente remodelada, visando criar as condições para dar cumprimento aos princípios definidos pela REN no âmbito da gestão da sua dívida e riscos financeiros. Nesse sentido, representaram ações decisivas: (i) o alargamento e diversificação da base de financiadores (a atual estrutura acionista veio permitir abrir opções de financiamento em geografias fora da Europa); (ii) a extensão do prazo médio da dívida; (iii) o alisamento temporal dos refinanciamentos, e (iv) a flexibilização de determinados instrumentos de financiamento.
evolUção da dívida líQUida
2.512 -472 +163 +149 +83 -24 -9 2.402 +110M€ (-4,4%)
DEZ 2012 CAPEX DEZ 2013
(PAGAMENTOS) (LÍQUIDOS)JUROS DIVIDENDOS(RECEBIDOS -PAGOS) DESVIOS TARIFÁRIOS OUTROS M€ Divida líquida CASH FLOW OPERACIONAL
1. EBITDA – Non cash items
2. Inclui acréscimos e diferimentos (-6,1 M€)
QUADRO 1 – DÍvIDA fINANCEIRA (€ mIlhÕES)
vaRiação
(IfRS)
‘13
‘12
ABSOl.
%
díVida bRUta 2.680,4 2.705,9 -25,4 -0,9% MeNos swaps de CobeRtURa -12,0 15,1 -27,1 -179,1% MeNos CaiXa e dePósitos baNCÁRios 181,8 61,2 120,7 197,1% MeNos PeNHoR fiNaNCeiRo 108,3 117,2 -8,9 -7,6% díVida líQUida 2.402,3 2.512,4 -110,1 -4,4%
Os empréstimos obrigacionistas foram a principal fonte de financiamento durante 2013, representando cerca de 60% do total da dívida bruta, logo seguidos dos empréstimos bancários, com um peso de cerca de 32%.
QUADRO 3 – fONTES DE fINANCIAmENTO (€ mIlhÕES)
vaRiação Peso
(CAPITAl Em DÍvIDA)
‘13 ‘12 ABSOl.
%
‘13 ‘12
eMPRéstiMos obRigaCioNistas 1.606,4 1.606,4 0,0 0,0% 59,6% 59,8% eMPRéstiMos baNCÁRios 855,2 736,2 119,0 16,2% 31,7% 27,4% PaPel CoMeRCial 230,0 343,0 -113,0 -32,9% 8,5% 12,8% oUtRos 2,4 1,4 1,0 72,2% 0,1% 0,1%
total 2.694,0 2.687,0 7,0 0,3% 100,0% 100,0%
Os custos do financiamento líquido aumentaram 5,1 milhões de euros em relação a 2012, de 143,0 milhões de euros para 148,1 milhões de euros. Este aumento explica-se pelo significativo reforço da posição de liquidez levado a cabo pela REN, consubstanciado, em grande medida, pela constituição de uma reserva em depósitos bancários naturalmente remunerada a taxas inferiores às dos financiamentos realizados para o efeito.
O custo médio da dívida bruta em 2013 foi de 5,54%, menos 16 pontos-base do que em 2012.
A política de gestão do risco de taxa de juro manteve-se orientada para a redução da volatilidade dos encargos financeiros. A dívida da REN a taxa fixa representava 52,2% da dívida total.
No que respeita à posição de liquidez, as necessidades de financiamento da empresa encontravam-se plenamente cobertas até ao final de 2016.
No final de 2013, as notações de risco da REN nas agências, fitch, S&P e moody’s eram, respetivamente, BBB, BB+ e Ba1.
Durante o ano de 2014, a ERSE irá definir o modelo regulatório para a
transmissão de eletricidade a vigorar no próximo ciclo plurianual. A REN já iniciou o habitual diálogo com a ERSE no sentido de assegurar que a nova regulação se mantém estável, equilibrada e contendo os adequados incentivos à eficiência. A situação económica portuguesa tem dado sinais de alguma recuperação, acompanhando um movimento comum ao conjunto da zona euro. Sinal dessa recuperação é a evolução do consumo nacional de eletricidade, que a partir de maio de 2013 começou a dar ténues sinais de crescimento, que têm vindo a acentuar-se de mês para mês.
Em paralelo com os sinais de que o ponto mais baixo da recessão económica tinha ficado para trás, os mercados financeiros começaram a recuperar confiança em Portugal, assistindo-se a uma pronunciada descida dos prémios de risco da República e das nossas principais empresas. A REN irá beneficiar fortemente da redução do custo médio da sua dívida em 2014, tanto mais quanto os empréstimos obrigacionistas mais caros foram já reembolsados em 2013. Bastante desafiante será a minimização do eventual impacto da contribuição extraordinária sobre o setor da energia prevista no Orçamento de Estado de 2014, que será feita através de esforços adicionais de aumento da eficiência operacional.
Em 2014 a empresa irá manter sem abrandamento o seu esforço contínuo de aumento da eficiência operacional, completando o aligeiramento da sua organização interna, que deu frutos visíveis nos dois últimos anos. Naturalmente que esse esforço irá coexistir com a manutenção dos padrões de excelência na qualidade do serviço que os consumidores esperam e merecem. Exemplo dessa qualidade é a forma impecável como as redes da REN se comportaram durante o temporal de 9 de fevereiro deste ano.
Para lá da otimização das concessões em Portugal, prossegue o esforço de internacionalização e desenvolvimento de novos negócios iniciado em 2012, o qual já contribuiu, ainda que de uma forma modesta, para o resultado de 2013 através do dividendo recebido da hCB em moçambique.
A equipa da REN está motivada para os novos desafios que o futuro apresenta, e a gestão continuará a investir fortemente no treino e formação das pessoas, que se mantem como aposta prioritária.
O resultado líquido consolidado da REN SGPS, S.A. no exercício de 2013 ascendeu a 121.303.275,23 euros (cento e vinte e um milhões, trezentos e três mil, duzentos e setenta e cinco euros e vinte e três cêntimos). Considerando o exposto, e nos termos e para os efeitos do disposto no n.º1 do artigo 28.º dos Estatutos da REN SGPS, e dos artigos 31.º a 33.º, na alínea f) do n.º 5 do artigo 66.º, nos artigos 294.º e 295.º e nos n.ºs 1, alínea b) e 2 do artigo 376.º, todos do Código das Sociedades Comerciais, o Conselho de Administração propõe que o resultado líquido do exercício de 2013, apurado nas demonstrações financeiras individuais, no aludido valor de 116.071.056,58 euros (cento e dezasseis milhões, setenta e um mil e cinquenta e seis euros e oito cêntimos), tenha a seguinte aplicação:
• Para reserva legal – 5.803.552,83 euros (cinco milhões oitocentos e três mil, quinhentos e cinquenta e dois euros e oitenta e três cêntimos); • Para dividendos – 91.314.000,00 euros (noventa e um milhões trezentos
e catorze mil euros), correspondente a uma distribuição de 75,277% do resultado consolidado da REN SGPS, S.A. no exercício de 2013, que ascende a 121.303.275,23 euros (cento e vinte e um milhões, trezentos e três mil, duzentos e setenta e cinco euros e vinte e três cêntimos), o que equivale à distribuição de um valor de dividendo bruto por ação de 0,171 euros; • Para resultados transitados o montante de 18.953.503,75 euros (dezoito
milhões novecentos e cinquenta e três mil, quinhentos e três euros e setenta e cinco cêntimos).