Trata-se do tema mais discutido em relação à vislumbrada Reforma Política,
sendo inclusive uma das mudanças mais inquietantes da pequena reforma que
ocorreu no ano de 2015.
A cada novo processo eleitoral, os custos de campanha aumentam
vertiginosamente. Isso pode ser notado desde as primeiras eleições ocorridas após o
processo de redemocratização. Os custos envolvem, entre outros valores, gastos com
propaganda (televisiva, radiofônica ou escrita), comícios, passeatas, dentre outros
tantos. Tal aumento de custos, combinado à competição entre colegas de um mesmo
partido e também do domínio destes por figuras notáveis, acaba por aumentar a
margem de manobra de empresas e pessoas físicas que prestem apoio financeiro a
candidaturas bem-sucedidas.
Não é difícil de verificar que, em muitos casos, o financiamento de campanhas
vem em troca de favores concedidos pelo candidato eleito, uma vez empossado.
Resta salientar que a então regulamentação do financiamento das campanhas
aumentava descomedidamente a possibilidade de corrupção de candidatos e partidos
inteiros. Os detentores do poder econômico têm enormes vantagens nos processos
eleitorais, com abuso de poder e muitas distorções eleitorais, atentando contra o artigo
14, § 9º da Constituição Federal.
78Cumpre salientar que conforme previsão expressa do artigo 17, § 3º da
Constituição Federal, parte do financiamento já é público, com o repasse de verbas
públicas para os partidos na forma prevista na LPP. No entanto, referidos valores, são
apenas e tão somente suficientes para cobrir os gastos com a atividade dos partidos
em períodos não eleitorais. A maior parte do financiamento, portanto, vem dos
próprios candidatos ou da iniciativa privada.
Além do fundo partidário, também são formas de financiamento público o
Horário Eleitoral Gratuito e o Horário Partidário
79, além da imunidade tributária de
partidos políticos, prevista no artigo 150, inciso VI, alínea “c” da Constituição Federal.
80A Reforma Eleitoral de que falamos a pouco também promoveu algumas
mudanças no que tange à aplicação do Fundo Partidário e sua destinação como forma
de incentivo à participação feminina na política. Dentre as principais alterações, estão
a do artigo 44, inciso V, da Lei 9.096, que dispõe expressamente o fundo partidário
deverá se destinar também:
[...] na criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres, criados e mantidos pela secretaria da mulher do respectivo partido político ou, inexistindo a secretaria, pelo instituto ou fundação de pesquisa e de doutrinação e educação política de que trata o inciso IV, conforme percentual que será fixado pelo órgão nacional de direção partidária, observado o mínimo de 5% do total.
Observe-se, ainda, que o parágrafo 7º do dispositivo acima descrito, passou a
prever que os recursos do Fundo Partidário poderão, a partir de agora, a critério da
secretaria da mulher ou da fundação de pesquisa e de doutrinação e educação
política, ser acumulados em diferentes exercícios financeiros, desde que mantidos em
79 A Reforma Eleitoral ocorrida em 2015 reduziu o tempo de propaganda partidária gratuita, tanto no
que se refere aos programas, quanto às inserções. Como dispõe o novo artigo 49 da Lei 9.096, as legendas com pelo menos um representante em qualquer das casas do Congresso Nacional têm assegurada a realização de um programa a cada semestre, em cadeia nacional, com duração de cinco minutos cada para os partidos que tenham elegido até quatro deputados federais, e com duração de dez minutos cada, para aqueles com cinco ou mais deputados. O texto anterior previa apenas e tão somente a realização de um programa, em cadeia nacional, e de um programa, em cadeia estadual, em cada semestre, com a duração de 20 minutos cada. Agora, as agremiações que tiverem pelo menos um representante em qualquer das casas do Congresso também têm garantida a utilização, por semestre, para inserções de 30 segundos ou um minuto nas redes nacionais, e de igual tempo nas emissoras estaduais, do tempo total de: dez minutos, para os partidos que tenham elegido até nove deputados federais; e 20 minutos para aqueles que tenham elegido dez ou mais deputados. Antes, a legislação reservava o tempo total de 40 minutos, por semestre, para inserções de 30 segundos ou um minuto nas redes nacionais, e de igual tempo nas emissoras estaduais.
contas bancárias específicas, para utilização futura em campanhas eleitorais de
candidatas do partido.
Ainda passou a haver a previsão de que nas próximas três eleições - 2016,
2018 e 2020 -, as legendas deverão reservar, em contas bancárias específicas, no
mínimo 5% e no máximo 15% dos recursos do Fundo Partidário destinados ao:
[...] financiamento das campanhas eleitorais para aplicação nas campanhas de suas candidatas, incluídos nesse valor os recursos a que se refere o inciso V do art. 44 da Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995.