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No contexto de desenvolvimento das bases institucionais de suporte à CT&I, além de órgãos de apoio à pesquisa e desenvolvimento como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal e Ensino Superior (CAPES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foram criados instrumentos de fomento, como o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNTEC) e o Fundo de Financiamento de Estudos de Projetos e Programas (FINEP) no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). (GOMES, 2013).

Dois anos após sua criação, o Decreto de Lei 61.056, de 24 de Julho de 1967, transforma o FINEP em empresa pública vinculada ao Ministério do Planejamento e, apesar de continuar utilizando a mesma sigla, passa, a partir de então, a ser denominada de Financiadora de Estudos e Projetos. (FINEP, 2016). A FINEP foi criada com o objetivo de financiar a elaboração de estudos para projetos e programas de desenvolvimento econômico e aperfeiçoamento da tecnologia nacional. (MCT, 2016).

A gestão e execução das atividades da FINEP são orientadas a partir do conjunto de diretrizes das políticas públicas federais. Desse modo, apesar de sua atuação inicial ter sido

essencialmente voltada à pesquisa científica e ao financiamento de implantação de programas de pós-graduação nas universidades brasileiras (DE NEGRI, 2013), os recentes avanços nas políticas públicas em CT&I no Brasil têm ocasionado uma ampliação da carteira de programas de financiamento à inovação tecnológica pela FINEP. Suas modalidades de apoio11 abrangem subvenção econômica, operações de investimento, financiamento reembolsável e não reembolsável.

As ações da FINEP são operadas com recursos originados do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT)12, do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (FUNTTEL)13, e de convênios de cooperação com Ministérios, Órgãos e Instituições setoriais.

Essa última modalidade financia projetos de desenvolvimento científico e tecnológico, de infraestrutura de pesquisa, bem como de capacitação de recursos humanos de Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT) nacionais, públicas ou privadas, sem fins lucrativos. Sua seleção é realizada a partir de chamamento público, podendo ser realizada pelas instituições proponentes de forma isolada, em grupo ou em cooperação com empresas. (FINEP, 2016).

Dado que o interesse desta pesquisa é restrito aos projetos de desenvolvimento científico e tecnológico realizados pelas ICT nacionais em cooperação com empresas no período de 2000 a 2010, as escolhas metodológicas realizadas para a seleção dos projetos estudados foram fundamentadas na política operacional da FINEP naquele período.

A partir de 1999, as ações voltadas para o apoio a projetos ICTs e de cooperação entre ICTs e empresas passaram a ser apoiadas fundamentalmente pelos Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia14. Do total de dezesseis Fundos Setoriais em operação vinculados ao FNDCT, quatorze são destinados a setores específicos: saúde, biotecnologia, agronegócio, petróleo,

11 Mais detalhes dessas modalidades de apoio podem ser encontrados na Política Operacional da FINEP, disponível em:<http://www.finep.gov.br/images/a-finep/politica-operacional/20_10-

2016_POLITICA_OPERACIONAL_2016.pdf>.

12 De acordo com a FINEP (2016), esse fundo foi criado em 31 de julho de 1969, através do Decreto de Lei nº 719, com a finalidade de dar apoio financeiro aos programas e projetos prioritários de desenvolvimento científico e tecnológico, notadamente para a implantação do Plano Básico de Desenvolvimento Científico Tecnológico (PBDCT). Ao longo dos anos, a origem orçamentária, as linhas de atuação e a aplicação de recursos desse fundo passaram por diversas mudanças. (COSTA, 2013).

13 É gerido pelo Ministério das Comunicações, assim não é alocado para o FNDCT e, portanto, não integra os fundos gerenciados pela FINEP (MCTI, 2016).

14 As receitas dos Fundos são oriundas de contribuições incidentes sobre o resultado da exploração de recursos naturais pertencentes à União, parcelas do Imposto sobre Produtos Industrializados de certos setores e de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre os valores que remuneram o uso ou aquisição de conhecimentos tecnológicos/transferência de tecnologia do exterior. (MCTI, 2016).

energia, mineral, aeronáutico, espacial, transporte, mineral, hidro, informática, automotivo e um tem por foco a Amazônia Legal. Os demais são de natureza transversal, o que significa que os recursos podem ser aplicados em projetos de qualquer setor da economia. Destes, um é voltado à interação universidade-empresa (FVA – Fundo Verde-Amarelo), enquanto o outro (Fundo Infraestrutura) é destinado a apoiar a melhoria da infraestrutura das ICTs. (FINEP, 2016).

As diretrizes, ações e planos de investimento dos fundos são definidos pelo comitê gestor de cada fundo. Esse comitê, presidido por representante do MCTI, é composto por representantes dos ministérios afins, agências reguladoras, setores acadêmicos e empresariais, além das agências do MCTI, a FINEP e o CNPq. (MCTI, 2016). Dentre as atividades do comitê gestor, ainda segundo o MCTI (2016), está a convocação de propostas de apoio financeiro, que pode ser feita por três maneiras distintas:

i) Editais Públicos: esta modalidade é utilizada quando o comitê gestor define uma ou mais áreas temáticas ou setores estratégicos de interesse dos programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e setor produtivo. A convocação das propostas será pública e serão selecionadas para apoio àquelas que melhor respondam às características especificadas;

ii) Carta Convite: nesta modalidade, os Fundos convidam instituições a apresentarem propostas de projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento experimental e/ou engenharia não rotineira, com vistas à geração de produtos ou processos produtivos inovadores ou que contribuam para a superação de obstáculos ou acarretem inovações estratégicas para o setor considerado. Neste caso, a demanda não é induzida por editais públicos. As propostas apresentadas serão julgadas obrigatoriamente em duas etapas. A primeira etapa é a de pré-qualificação e a segunda, a de avaliação.

iii) Encomendas: são utilizadas em situações com características de urgência ou especificidade, o Comitê Gestor poderá encomendar o desenvolvimento de um projeto diretamente a uma instituição específica, de reconhecida competência, ou, ainda, poderá também encomendar a realização de estudos ou eventos estratégicos. Desse modo, as propostas de projetos de desenvolvimento submetidas pelas ICTs para financiamento devem ser preparadas de forma a atender tanto as premissas básicas de cada fundo quanto as características específicas do tipo de convocação para a qual está se candidatando.

As propostas são colocadas em formulários eletrônicos, que possuem campos específicos para identificação do conteúdo da proposta, como: identificação das instituições envolvidas, descrição da capacitação da equipe, elaboração de plano de atividades consolidação do orçamento, descrição dos resultados. Desse modo, os parceiros definem os objetivos da proposta e negociam os termos de participação e uma estrutura organizacional em período anterior à submissão. (FINEP, 2016).

Quanto ao processo seletivo, de acordo com a FINEP (2016), inicialmente faz-se uma avaliação de enquadramento da proposta a fim de verificar o atendimento aos termos de convocação e se as proponentes têm impedimentos para receber recursos públicos do Governo através de contrato, conforme legislação pertinente. Na sequência, as propostas originárias de editais e carta-convite são avaliadas segundo o princípio da competição aberta e universal, desde que considerados os critérios e prioridades estabelecidos pelo Fundo Setorial em questão.

Além da universidade (que no convênio15 é denominada “co-executor”) e da empresa (denominada de “interveniente co-financiador”), integra a proposta de submissão uma instituição16 responsável pela celebração do convênio e pela execução gerencial e financeira do projeto (proponente), esta é geralmente uma fundação ligada à universidade. Os projetos também podem contar com instituições parceiras que participem diretamente da execução técnica das propostas. (a referência ao edital da FINEP depende de como você fez a entrada nas referências)

A transferência, utilização e prestação de contas de recursos são realizadas por meio de convênios e termos de cooperação, celebrados pela FINEP e disciplinados por regulamentação17 pertinente à aplicação de recursos públicos federais não reembolsáveis para Órgãos ou entidades da Administração Pública, direta ou indireta, de qualquer esfera de governo, Instituições de Pesquisa Científica e Tecnológica e entidades privadas sem fins lucrativos, através da formalização de Convênios e Termos de Cooperação. (FINEP, 2016).

Os documentos contratuais18 analisados neste estudo são provenientes dos projetos de desenvolvimento científico tecnológico, realizados pelas universidades em cooperação com

15 Mais detalhes sobre a operacionalização desses convênios podem ser encontrados na legislação pertinente e, neste trabalho, no Manual de Convênios e Termos de Cooperação da FINEP.

16 Dados os objetivos propostos e opção pelo foco na IUE, a atuação dessa instituição nos projetos não integra o escopo de análise deste estudo.

17 Os convênios e termos de cooperação estabelecem, em cláusula específica, os diplomas legais e normativos de referência, aplicáveis ao instrumento. (FINEP, 2016).

18 A base legal e normativa para transferência tem sido alterada ao logo do tempo, entretanto, todos os projetos analisados estão regulamentados sob orientação da Instrução Normativa da Secretaria do Tesouro Nacional (IN

empresas no período de 2000 a 2010, selecionados19 por carta-convite e editais para financiamento pela FINEP, com recursos dos fundos de ciência e tecnologia (CT), ações transversais (AT) e verde-amarelo (VA). O detalhamento sobre o processo de seleção dos projetos analisados está descrito mais adiante, na seção 3.3.