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Finitude Gen ´erica das Configurac¸ ˜ oes de Dziobek

A Mecˆanica Celeste ´e o estudo do comportamento de part´ıculas pontuais em R3movendo- se sob influˆencia de atrac¸˜ao gravitacional. O movimento destas part´ıculas ´e descrito por um sistema de equac¸˜oes diferenciais que n˜ao ´e integr´avel em geral e, por isso, s˜ao considerados casos particulares. Em 1998, inspirado na lista de problemas de Hilbert, S. Smale elaborou 18 perguntas para os matem´aticos deste s´eculo. Uma delas ´e a seguinte:

“No problema de n corpos da Mecˆanica Celeste, ´e finito o n´umero de classes de configurac¸˜oes centrais, para uma escolha de n´umeros reais positivos m1, ..., mn para as massas dos corpos?”

Nesta sec¸˜ao, obteremos uma resposta para o problema de Smale num caso particular.

Consideremos n corpos e sejam m1, ..., mn∈ R suas massas e x1, ..., xn∈ Rd suas posic¸˜oes. Denotemos por ri j = ||xi− xj|| a distˆancia entre o i-´esimo e o j-´esimo corpo. O vetor x= (x1, ..., xn) ∈ Rdn ´e chamado configurac¸˜ao.

As equac¸˜oes que estudaremos prov´em das seguintes leis da f´ısica cl´assica:

1. Segunda Lei de Newton: Forc¸a resultante ´e igual ao produto da massa pela acelerac¸˜ao. 2. Lei da Gravitac¸˜ao Universal: O m´odulo da Forc¸a Gravitacional ´e diretamente proporcio-

nal ao produto das massas e inversamente proporcional ao quadrado da distˆancia.

Supondo que as ´unicas forc¸as atuando sobre cada corpo s˜ao as forc¸as gravitacionais pro- venientes dos demais corpos, temos a seguinte Equac¸˜ao Diferencial de Segunda Ordem para o movimento do i-´esimo corpo:

mii=

i, j

mimj(xj− xi)

r3i j , i = 1, ..., n.

Para que as equac¸˜oes acima estejam bem definidas, assumimos que ri j, 0, para i , j.

Sejam M = m1+ ... + mn, 0, c =

m1x1+ ... + mnxn

M a massa total e o centro de massa dos corpos. A configurac¸˜ao x = (x1, ..., xn) ´e chamada configurac¸˜ao central quando os vetores acelerac¸˜ao dos corpos satisfazem

¨ xi+ λ (xi− c) = 0, i = 1, ..., n ∴

i, j mj(xj− xi) r3i j + λ (xi− c) = 0, i = 1, ..., n, para alguma constante λ ∈ R n˜ao nula.

A dimens˜ao da configurac¸˜ao x = (x1, ..., xn), denotada por δ (x), ´e a dimens˜ao do menor subespac¸o afim de Rd que cont´em os pontos xi. Uma configurac¸˜ao central ´e chamada configurac¸˜ao de Dziobek quando δ (x) = n − 2.

1. Se E(n) ´e grupo euclidiano n-dimensional (grupo das isometrias em Rn) e A ∈ E(n) ent˜ao Ax ´e uma configurac¸˜ao central.

2. Se k ∈ R \ {0} ent˜ao kx ´e uma configurac¸˜ao central.

e, portanto, podemos contar as classes de configurac¸˜oes centrais m´odulo rotac¸˜oes em torno do centro de massa c, translac¸˜oes e homotetias.

• Equac¸˜oes Polinomiais para Configurac¸˜oes Centrais de Dziobek

Seja x = (x1, ..., xn), com xi∈ Rd uma configurac¸˜ao. Uma vez que a dimens˜ao δ (x) satisfaz 0 ≤ δ (x) ≤ n − 1, podemos supor sem perda de generalidade que d = n − 1. Associaremos a configurac¸˜ao x a matriz n × n

X= 1 ... 1

x1 ... xn !

e denotaremos ω(x) = det(X ).

Temos que δ (x) = n − 2 se, e somente se, a dimens˜ao do n´ucleo da transformac¸˜ao linear definida por X ´e igual a 1. Neste caso, podemos assumir sem perda de generalidade que cada xi∈ Rn−2e agora X torna-se uma matriz (n − 1) × n. Consideremos ainda a matriz n × n

e X =    1 ... 1 x1 ... xn 0 ... 0   

Sejabxka configurac¸˜ao de n − 1 corpos obtida desconsiderando-se o k-´esimo corpo da confi- gurac¸˜ao x e seja bXka matriz (n − 1) × (n − 1) associada `a configurac¸˜aobxkque ´e obtida retirando- se a k-´esima coluna de X .

b

Xk= 1 ... 1 1 ... 1

x1 ... xk−1 xk+1 ... xn !

Segue que, a menos de sinal, as quantidades ∆k = (−1)k+1det( bXk) = (−1)k+1ω (xbk) s˜ao os cofatores das entradas na ´ultima linha de eX. Considerando propriedades do determinante, verifica-se que ∆ = (∆1, ..., ∆n) est´a no n´ucleo da transformac¸˜ao linear definida por X .

Lema 6.9. Denotemos por ∧ o produto exterior em Rn−2 e seja τ ( j, k) =

(

(−1)j, se k< j, (−1)j+1, se k> j.

Se j, k ∈ {1, ..., n} s˜ao ´ındices arbitr´arios com j , k e {e1, ..., en−2} ´e a base canˆonica de Rn−2, ent˜ao

τ ( j, k)(x1− xj) ∧ ... ∧ (xn− xj) = ω(bxk)e1∧ ... ∧ en−2, onde os fatores(xk− xj) e (xj− xj) foram omitidos no primeiro membro.

Demonstrac¸˜ao. Veja Lema 2.1 na p. 7 de (16). 

Consideremos as p = n(n−1)2 distˆancias m´utuas ri j = ||xi− xj||, com 1 ≤ i < j ≤ n entre os ncorpos da configurac¸˜ao x. Denotemos si j = ||xi− xj||2e seja s ∈ Rpo vetor de coordenadas si j, com 1 ≤ i < j ≤ n. A matriz de Cayley-Menger associada a s ´e dada por

A(s) =          0 1 1 ... 1 1 0 s12 ... s1n 1 s13 0 ... s2n .. . ... ... ... 1 s1n s2n ... 0         

Denotamos por F(s) = det A(s), o determinante de Cayley-Menger, e por Fi j o cofator do ele- mento na i-´esima linha e na j-´esima coluna de A.

Proposic¸˜ao 6.2. Sejam x = (x1, ..., xn) uma configurac¸˜ao de Dziobek e s ∈ Rp o vetor cujas coordenadas s˜ao os quadrados das distˆancias m´utuas entre os corpos da configurac¸˜ao (como acima). Ent˜ao

1. F(s) = 0;

2. Pelo menos dois cofatores principais Fii s˜ao n˜ao nulos; 3. FikFjl = FjkFil para todos i, j, k, l ∈ {1, ..., n + 1}

4. Fi j = k∆i−1∆j−1, para1 ≤ i, j ≤ n, onde ∆ = (∆0, ..., ∆n) ´e uma soluc¸˜ao n˜ao trivial de A(s)∆ = 0. Al´em disso, pelo menos dois dos ∆i’s s˜ao n˜ao nulos, para1 ≤ i ≤ n;

5. Se Si j= ri j−3− r0−3e r30= M

λ ent˜ao existem n´umeros reais z1, ..., zne k , 0 tais que Si j = kzizj.

6. mkSik∆l= mlSil∆k, onde Si j e ∆ks˜ao como nos itens acima.

Demonstrac¸˜ao. Veja Proposic¸˜oes 1 a 3 nas p. 5 a 7 em (17) ou Proposic¸˜oes 2.1 a 2.4 nas p. 9

a 13 em (16). 

Lema 6.10. Seja f : V → W um morfismo entre variedades quase-projetivas. Tem-se que 1. Se f ´e dominante ent˜aodimV ≥ dimW ;

2. Sedim f−1(w) ≥ d, para todo w ∈ W ent˜ao dimV ≤ dimW + d;

3. Se W ´e irredut´ıvel edimV ≤ dimW ent˜ao existe subconjunto aberto n˜ao vazio U ⊂ W tal que se y∈ U ent˜ao a fibra f−1(y) ´e finita.

Demonstrac¸˜ao.

1. Escolha uma componente irredut´ıvel Wj de W cuja dimens˜ao ´e a maior poss´ıvel. Desde que f ´e dominante existe alguma componente irredut´ıvel Vi de V e subconjuntos abertos Vi0⊂ Vie Wj0⊂ Wj, tal que tem a mesma dimens˜ao de Vie Wjrespectivamente e f : Vi0→

Wj0 ´e aplicac¸˜ao sobrejetiva. Portanto temos

dim(V )> dim(Vi)> dim(Wj) = dim(W ).

2. Tome qualquer componente Vi de V . A aplicac¸˜ao f : V → f (V ) ´e dominante, portanto existem subvariedades Vi⊂ V e Wj ⊂ W tais que f : Vi→ Wj ´e dominante. Podemos restringir a aplicac¸˜ao f se necess´ario, a subconjuntos Vi0 ⊂ Vi e Wj0 ⊂ Wj tais que f ´e

sobrejetiva. Pelo Teorema da Dimens˜ao das Fibras, conclu´ımos que dim(Vi) − dim(Wj)6 d.

3. ´E suficiente considerarmos a restric¸˜ao de f `as componentes irredut´ıveis Vi. Se f : Vi→ W n˜ao ´e dominante ent˜ao o resultado ´e trivial por que quase toda fibra ´e finita. Se f : Vi→ W ´e dominante ent˜ao pelo item 1 temos que dim(Vi)> dim(W ). Desde que dim(Vi)6 dim(W ) temos dim(Vi) = dim(W ). Restringindo f a uma aplicac¸˜ao sobrejetiva entre subconjuntos abertos de Zariski, segue do Teorema da Dimens˜ao das Fibras que quase toda fibra tem dimens˜ao zero e, em particular, ´e um conjunto finito.



• Finitude Gen´erica para Configurac¸˜oes de Dziobek

Consideremos x = (x1, ..., xn) uma configurac¸˜ao de Dziobek (isto ´e, a dimens˜ao δ (x) = n − 2) e sejam ri j = ||xi− xj||, para 1 ≤ i < j ≤ n, as p = n(n−1)2 distˆancias m´utuas entre os corpos da configurac¸˜ao. Temos que se Si j = r−3i j − r0−3, onde r30= M/λ , ent˜ao existem k , 0, z1, ..., zn∈ R tais que Si j= kzizj.

Seja r ∈ Pp o ponto com coordenadas r0, ri j, para 1 ≤ i < j ≤ n. Assumiremos que as vari´aveis z1, ..., zn, definidas na proposic¸˜ao6.2, s˜ao complexas. Introduzindo uma vari´avel adi- cional z0, denotamos z = [z0 : ... : zn] ∈ Pn. Se x ´e uma configurac¸˜ao de Dziobek ent˜ao a igualdade r−3i j − r−30 = kzizjimplica que o sistema de equac¸˜oes

r−3i j − r−30 = zizj, para 1 ≤ i < j ≤ n, r0−3= z20 (6.1) tem uma soluc¸˜ao n˜ao nula z = (z0, ..., zn) ∈ Cn+1.

No complementar do conjunto singular (correspondente `as configurac¸˜oes nas quais xi= xj, com i , j, ou M = 0) dado por

Σ = {(r, z) ∈ Pp× Pn| z0r0

i< j

ri j= 0},

os zeros das equac¸˜oes (6.1) est˜ao contidos nos zeros das equac¸˜oes

z20(r03− ri j3) = r3i jzizj, para 1 ≤ i < j ≤ n, (6.2) que s˜ao separadamente homogˆeneas em r e z.

Consideremos a subvariedade

V = {(r, z) ∈ Pp× Pn\ Σ| F(r2i j) = 0 e z20(r30− r3i j) = r3i jzizj, para 1 ≤ i < j ≤ n} que cont´em todas as configurac¸˜oes de Dziobek e tamb´em as subvariedades

Vk= {(r, z) ∈ V | zk+1= ... = zn= 0}.

Lema 6.11. Sejam ωi j∈ C, 0 6 i < j 6 n, ra´ızes c´ubicas da unidade. Ent˜ao 0 1 1 1 . . . 1 1 0 2ω12 ω13 . . . ω1n 1 2ω12 0 ω23 . . . ω2n 1 ω13 ω23 0 . . . ω3n .. . ... ... ... ... 1 ω1n ω2n ω3n . . . 0 , 0.

Demonstrac¸˜ao. Veja Lema 5.1 na p. 30 de (16). 

Teorema 6.4. dimV = n − 1. Mais geralmente, dim(Vk) = k − 1 se k ≥ 2.

Demonstrac¸˜ao. Considere a projec¸˜ao π2: Pp× Pn→ Pn e note que z ∈ π2(V ) se, e somente se, as equac¸˜oes (6.2)

z20(r03− ri j3) = r3i jzizj, para 1 ≤ i < j ≤ n,

tem soluc¸˜ao r ∈ Cp+1, com todas as entradas n˜ao nulas e F(r2i j) = 0. Desse modo, gi j= (zizj+ z20)r3i j− 1 = 0, 1 ≤ i < j ≤ n.

Usaremos estas equac¸˜oes para eliminar as vari´aveis ri j do determinante de Cayley-Menger. Considere F e g12 como polinˆomios na vari´avel r12, com todas as outras vari´aveis vistas como parˆametros. Seja G a resultante desses dois polinˆomios com respeito a r12. A resultante G ´e um polinˆomio nas vari´aveis (zizj+ z20) e ri j, diferente de r12. Se para determinados valores dos

parˆametros existe r12anulando F e g12 ent˜ao para esses valores tem-se G = 0. Reciprocamente, se G = 0, com z1z2+ z20, 0, ent˜ao existe um conjunto finito n˜ao vazio de valores para r12 tais que F = 0 e g12= 0.

As demais vari´aveis ri j podem ser eliminadas de maneira an´aloga. Ap´os um n´umero finito de passos obtemos um polinˆomio H(z) com a seguinte propriedade: Dado um valor de z, se existe ri j satisfazendo F = 0 e g12 = 0, ent˜ao H(z) = 0. Reciprocamente, se z ´e uma soluc¸˜ao de H(z) = 0, tal que todas as quantidades zizj+ z20, 0, ent˜ao existe um conjunto n˜ao-vazio de valores de ri j tais que F = 0 e todas as equac¸˜oes gi j= 0.

Consideremos a seguinte variedade projetiva determinada por H(z): W0= {z ∈ Pn: H(z) = 0}.

As propriedades da resultante implicam que π2(V ) ⊂ W0. Para caracterizar a imagem, de- vemos observar que para determinarmos ri j dado z ´e necess´ario que zizj+ z20 , 0 e z0 , 0. Definindo o polinˆomio homogˆeneo

K(z) = z0

i< j (zizj+ z20) e a variedade projetiva B= {[z] ∈ Pn: K(z) = 0} temos que π2(V ) = W 0

\ B. Note que algumas das componentes irredut´ıveis de W0podem estar inteiramente contidas em B. Ignoraremos estas componentes e denotaremos por W a uni˜ao de todas as outras componentes de W0. Seja W = Z(I), para algum ideal I e consideremos W = Z(I1) ∪ ... ∪ Z(In) uma decomposic¸˜ao em irredut´ıveis para W . Note que Z(Ij) ∩ B ´e uma subvariedade pr´opria de Z(Ij) para todo j e, portanto, a aplicac¸˜ao f : V → W ´e dominante. Desde que toda fibra π2−1([z]) ´e finita temos que dim(V ) ≤ dim(W ). Por outro lado, como π2: V → W ent˜ao dim(V ) ≥ dim(W ) e, portanto, dim(V ) = dim(W ).

O resultado segue se mostrarmos que W0 ´e definida por uma ´unica equac¸˜ao polinomial n˜ao-trivial H(z) = 0, em Pn. Portanto, toda componente irredut´ıvel de W0tem dimens˜ao n − 1. Logo, n − 1 = dim(W ) = dim(V ). Para mostrar isso precisamos mostrar que, existe um z tal que as quantidades zizj+ z20s˜ao todas n˜ao nulas, mas as equac¸˜oes F = 0 e gi j = 0 n˜ao tˆem soluc¸˜ao. Visto que H(z) ´e a resultante destas equac¸˜oes, teremos H(z) , 0. Tome zi = 0, 3 ≤ i < n. Ent˜ao para 3 ≤ i, j ≤ n temos que zizj+ z20= 1 e as equac¸˜oes gi j = 0 reduzem-se a r3i j = 1. Portanto si j = r2i j s˜ao ra´ızes c´ubicas da unidade. Por outro lado se escolhermos z1, z2 tal que z1z2+ z20= 1/√8 ent˜ao r312 = √8 e s12 = 2, que ´e duas vezes uma raiz c´ubica da unidade. Desse modo, o determinante de Cayley-Menger ´e exatamente como no lema 6.11e, portanto, F(r2i j) , 0, 1 ≤ i < j ≤ n.

As equac¸˜oes mkSikl= mlSilk obtidas no item6da Proposic¸˜ao6.2relacionam as massas com as vari´aveis Si j, ∆i. Multiplicando essas equac¸˜oes por ∆je considerando os itens4e5da Proposic¸˜ao6.2e tamb´em as igualdades em (6.1) obtemos

mkzizkFjl = mlzizlFjk, onde i, k, l, j ∈ {1, ..., n} (6.3) e os ´ındices i, k, l s˜ao dois a dois distintos. Calculando os cofatores Fi j do determinante de Cayley-Menger, verifica-se que eles s˜ao polinˆomios homogˆeneos em r e, portanto, as equac¸˜oes obtidas acima s˜ao separadamente homogˆeneas nas vari´aveis r, z e m. Podemos ent˜ao definir a seguinte subvariedade

Γ = {(r, z, m) ∈ V × Pn−1| mkzizkFjl= mlzizlFjk}.

Denotaremos por Γα as componentes irredut´ıveis de Γ e escreveremos f ≡ 0 em Γα se a func¸˜ao f se anula em todos os pontos de Γα, ou f . 0 caso contr´ario.

Chamaremos Γα de componente de Dziobek quando as seguintes duas condic¸˜oes forem satis- feitas:

1. pelo menos dois dos zi. 0 em Γα;

2. pelo menos dois dos cofatores principais Fii. 0 em Γα.

Segue-se que se Γα n˜ao ´e uma componente de Dziobek ent˜ao Γα ´e irrelevante pois n˜ao cont´em uma configurac¸˜ao de dimens˜ao n − 2.

Proposic¸˜ao 6.3. Se Γα ´e uma componente de Dziobek tal que Fil ≡ 0 em Γα, para alguma escolha dos ´ındices com1 ≤ i, l ≤ n, ent˜ao mimlzizl≡ 0 em Γα.

Demonstrac¸˜ao. Seja Fil ≡ 0 em Γα. Segue do item3da proposic¸˜ao6.2que FikFjl ≡ 0, para todos i, j. Como Γα ´e irredut´ıvel, se Fik. 0, para algum k, ent˜ao, Fjl≡ 0, para todo j. Desse modo, ou todos os Fik≡ 0, ou todos os Fjl ≡ 0. Suponhamos, sem perda de generalidade, que Fjl≡ 0, para todo j. Como Γα ´e uma componente de Dziobek, existem dois ´ındices k tais que Fkk. 0. Fazendo j = k na equac¸ ˜ao (6.3), obtemos mlzizlFkk≡ 0 e, portanto, mimlzizl ≡ 0 em

Γα. 

Uma componente Γα ´e chamada massa-dominante quando a projec¸˜ao canˆonica π3: Γα → Pn−1 ´e uma aplicac¸˜ao dominante. Diremos que Γα ´e n˜ao-degenerada quando zi. 0 e Fi j . 0 em Γα, para todos i, j ∈ {1, ..., n}.

Teorema 6.5. Se Γα ´e uma componente de Dziobek massa-dominante ent˜aodim Γα = n − 1. Demonstrac¸˜ao. Como Γα ´e massa dominante, temos que dim(Γα) ≥ n − 1. Para provar a desigualdade contr´aria, consideraremos dois casos: Γα degenerada ou n˜ao-degenerada.

Suponhamos Γα n˜ao-degenerada e consideremos o morfismo regular π12 : Γα → V . Cada uma das fibras π12−1(r, z) ´e um conjunto unit´ario pois as equac¸˜oes (6.3) determinam as massas a menos de multiplicac¸˜ao por constante. Segue do teorema6.4que dim(V ) = n − 1 e, portanto, pelo item 2 do lema6.10, dim Γα ≥ n − 1.

Seja agora Γα degenerada. A proposic¸˜ao6.3mostra que toda componente degenerada tem zi ≡ 0 algum ´ındice 1 ≤ i ≤ n. Podemos supor sem perda de generalidade que existe algum ´ındice 2 ≤ k ≤ n tal que zi. 0 para 1 ≤ i ≤ k e zi≡ 0 para k + 1 ≤ i ≤ n. Temos ent˜ao que mimlzizl . 0 para 1 ≤ i, j ≤ k e, portanto, para estes i, j, Fi j . 0. Em um subconjunto aberto de Zariski Uα, onde, zi, 0 e Fi j , 0, 1 ≤ i, j ≤ k podemos resolver a equac¸ ˜ao (6.3), a menos de multiplicac¸˜ao por constante, unicamente para mi, 1 ≤ i ≤ k. Temos ainda que todas as equac¸˜oes envolvendo as massas mk+1, ..., mn s˜ao identicamente nulas, logo estas massas s˜ao arbitr´arias. Considere a projec¸˜ao π12 : Uα → Vk. Temos que os subespac¸os lineares de dimens˜ao k − 2 Li = {(m) ∈ Pn−1 : mi= mk+1, ..., = mn= 0} com i ≤ k tem intersecc¸˜ao vazia com as fibras π12−1(z, r), (z, r) ∈ V e s˜ao espac¸os com a maior dimens˜ao poss´ıvel com esta propriedade. Disto segue que todo espac¸o linear de dimens˜ao k − 2 que n˜ao est´a contido em alguma componente de π12−1(z, r), (z, r) ∈ V tem intersecc¸˜ao vazia com π12−1(z, r), (z, r) ∈ V . Portanto a dimens˜ao das fibras ´e menor ou igual a n − k. Segue do teorema 6.4 que dim(Vk) = k − 1 e, portanto, disto segue que dim(Γα) ≤ k − 1 + n − k = n − 1, como quer´ıamos mostrar.



Seja ΓD⊂ Γ a uni˜ao de todas as componentes de Dziobek. Se m ∈ Pn−1, definimos ΓD(m) = {(r, z) ∈ V | (r, z, m) ∈ ΓD}.

Proposic¸˜ao 6.4. Existe uma subvariedade pr´opria B ⊂ Pn−1 tal que se m∈ Pn−1\ B ent˜ao ΓD(m) ´e um conjunto finito.

Demonstrac¸˜ao. ´E suficiente considerar cada componente irredut´ıvel Γα de ΓD. Temos que Γα pode ser massa-dominante ou n˜ao.

Se Γα n˜ao ´e massa dominante, para m ∈ Pn−1\ π3(Γα) ent˜ao ΓD(m) ∩ Γα = /0. Seja B a uni˜ao de π3(Γα), onde Γα n˜ao ´e massa dominante. Se m ∈ Pn−1\ B ent˜ao ΓD(m) ∩ Γα = /0.

Se Γα ´e massa-dominante, ent˜ao pelo teorema anterior, temos que dim(Γα) = n − 1. Desde que a projec¸˜ao ´e um morfismo regular, o teorema segue pela parte 3 da proposic¸˜ao6.10.



Observac¸˜ao 6.1. Se uma componente Γα n˜ao ´e massa-dominante ent˜ao π3(Γα) ∩ Pn−1R est´a contida em alguma subvariedade pr´opria de Pn−1R .

Teorema 6.6. Existe uma subvariedade pr´opria B ⊂ Pn−1 tal que se m ∈ Pn−1\ B ent˜ao m admite, a menos de simetrias, somente um n´umero finito de configurac¸˜oes centrais de Diobek (com dimens˜ao δ (x) = n − 2).

Demonstrac¸˜ao. Se B ⊂ Pn−1 ´e a variedade da proposic¸˜ao6.4 ent˜ao, pela observac¸˜ao 6.1, B∩ Pn−1

R ⊂ P n−1

R ´e uma subvariedade pr´opria de P n−1

R e, desse modo, temos o resultado para massas reais. Isto implica que para uma massa gen´erica m dada, temos um n´umero finito de pos- sibilidades para as distˆancias m´utuas ri j de uma configurac¸˜ao de Dziobek, a menos de reescala. Desde que as distˆancias m´utuas determinam as configurac¸˜oes a menos de rotac¸˜ao e reflex˜ao, o teorema est´a provado.

REFER ˆENCIAS

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