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3.2 ENSINO DE FLAUTA DOCE

3.2.1 A flauta doce no ensino superior

Em relação à flauta doce nos meios universitários, atualmente há três possibilidades diferentes para a sua inclusão nos currículos: os cursos de Licenciatura em Música, os de Bacharelado em Flauta Doce e mais recentemente os de Licenciatura em Instrumento (BARROS, 2010).

Segundo Barros (2010), a disciplina Flauta Doce, como instrumento complementar, passou a existir nos currículos brasileiros a partir do ano de 1976. Nesta época, o curso se chamava Educação Artística – habilitação em música. A Flauta Doce foi inserida no currículo em virtude da necessidade do ensino de educação artística, música, na escola regular. A pesquisadora salienta que havia uma grande dificuldade do ensino desse instrumento, visto que os alunos escolhiam a especialização em artes plásticas, cênicas ou música no final do curso, o que tornava a Flauta Doce apenas como uma complementação do estudo.

Já nos cursos de Licenciatura em Música, segundo Barros (2010), que existem no Brasil, desde a década de 70, o ensino de flauta doce já se mostrava promissor, uma vez que os alunos escolhiam entre violão, flauta doce, teclado, piano ou outro instrumento oferecido pela universidade e dispunham de um tempo maior de estudo o que proporcionava um melhor desenvolvimento do aluno, deixando-os com mais possibilidades de desenvolver um trabalho de mais qualidade musical. Barros (2010, p. 57) aponta como dificuldades encontradas nestes cursos em algumas universidades: “classes repletas de alunos, as estruturas nem sempre favoráveis a este tipo de trabalho e a heterogeneidade de nível dos alunos”, além do professor ter que valorizar o instrumento, muitas vezes visto com preconceito.

Porém, nos últimos anos, com as novas Diretrizes Curriculares para a Formação de Professores de Educação Básica e as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação – Música, ambas de 2002, surge um horizonte com mais possibilidades para a prática da flauta doce nos cursos de Licenciatura em Música, pois segundo Barros (2010, p. 57), está previsto que “o aluno deve apresentar um considerável conhecimento prévio do mesmo” (do instrumento) (...) além de que “nesses novos currículos as aulas de instrumento normalmente são individuais ou com número de alunos bastante reduzido, o que viabiliza a realização de um trabalho qualitativamente superior”.

De acordo com Barros (2010, p. 57), os cursos de Bacharelado em Flauta Doce no Brasil datam da década de 1980, tendo como “objetivo a formação técnica e musical dos futuros instrumentistas. Esses cursos, cuja duração varia entre três e cinco anos, oferecem uma formação musical com disciplinas teóricas e práticas”. A pesquisadora ainda relata que os outros bacharelados, como piano, violino, canto “são mais antigos que o bacharelado em flauta doce”.(BARROS, id)

A partir de dados obtidos na participação do IV Enflama9 foi possível verificar que esses cursos são em número muito menor do que os outros bacharelados, tendo inclusive um número menor de alunos, sendo que a média é terem de um a dois alunos ingressando no curso por ano. Existem ainda cursos que no momento não se encontram em funcionamento devido à falta de alunos. Esta seria uma temática interessante para futuros estudos.

Assim, encontram-se no contexto brasileiro cursos de Bacharelado em Flauta Doce nas seguintes universidades e faculdades:

• Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS;

• Escola de Música e Belas Artes do Paraná – EMBAP (Curitiba);

• Universidade Estadual Paulista – Instituto de Artes – UNESP

• Universidade Estadual de Minas Gerais – UEMG;

• Universidade Federal de Uberlândia – UFU;

• Universidade Federal de Pernambuco – UFPE;

• Universidade de Passo Fundo;

• Faculdade de Artes Alcântara Machado - FAAM10 (São Paulo);

• Universidade Federal de Goiás (EMAC – UFG);

9 Fórum Nacional de Flauta Doce realizado em Recife nos dias 8 a 12 de outubro de 2010.

10 A FAAM - Faculdade de Artes Alcântara Machado é integrante da FIAM – Faculdades Integradas Alcântara Machado.

• Conservatório Brasileiro de Música – CBM (Rio de Janeiro);

A partir da pesquisa realizada por Barros (2010) foi possível obter mais informações a respeito dos cursos de Bacharelado em Flauta Doce, e que encontram-se descritas a seguir.

• UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul11: graças ao trabalho e dedicação da professora Isolde Mohr Frank havia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul um trabalho bastante consolidado com a flauta doce. O curso de Bacharelado neste instrumento iniciou em 1995. Hoje a professora responsável por este curso é a Professora Lúcia Carpena.

• UFPE - Universidade Federal de Pernambuco: o curso Bacharelado em Flauta Doce iniciou no ano de 1988, com a professora Ilma Lira. Hoje, este curso tem como professora responsável Daniele Cruz Barros.

• UNESP – Instituto de Artes da Universidade Estadual de São Paulo: o curso Bacharelado em Flauta Doce faz parte dos cursos de Bacharelado em Instrumento – Habilitação em Instrumento Antigo e existe desde o ano de 1993 sob a responsabilidade do professor Bernardo Piza.

• FAAM – Faculdade de Artes Alcântara Machado: esse curso, existente há mais de 15 anos, tem como professora a flautista Terezinha Saghaard.

• EMBAP - Escola de Música e Belas Artes do Paraná: oferece o curso de bacharelado em Flauta Doce desde o ano de 1993, tendo como professora fundadora Elizabeth Prosser. Atualmente os professores deste curso são:

Plínio Silva, Lea Lígia Soares e Ângela Sasse.

• UFU - Universidade Federal de Uberlândia: o bacharelado em Flauta Doce data de 1992, tendo como professor fundador Calimério Soares. Desde março de 2009, esta função é ocupada pela professora Paula Callegari.

• UEMG - Universidade Estadual de Minas Gerais: os professores responsáveis pelo bacharelado em Flauta Doce são aos professores Lissandra Sampaio, Domingos Sávio e Miguel Queiroz.

11 Todas as informações a respeito dos cursos de Bacharelado em Flauta Doce no Brasil foram extraídas de: BARROS, DC. A flauta doce no século XX: o exemplo do Brasil. Recife: Ed. UFPE, 2010. Os contatos e a relação das Universidades foram gentilmente cedidos pela flautista Renata Pereira. A listagem dos cursos de bacharelado em Flauta Doce no Brasil está divulgada no site www.quintaessentia.com.br. Nesta lista, há alguns cursos a mais, que aqui foram omitidos por não estarem mais previstos na relação de cursos da universidade ou então não havia mais o professor responsável pelo Bacharelado em Flauta Doce na instituição.

• CBM - Conservatório Brasileiro de Música: este curso é oferecido pela instituição há mais de uma década, tendo como professor Ruy Wanderley.

• UFG – Universidade Federal de Goiás: o professor responsável é David Castello. Segundo Barros (2010), este curso estará em funcionamento a partir de 2011.