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FAMÍLIA ESPÉCIE QUANTID

3.1 FLORÍSTICA DAS PLANTAS PROVENIENTES DO TOPSOIL

No mês de maio, após a introdução de mudas na área de plantio experimental na mina de Fazendão, foi realizado levantamento florístico de todos os indivíduos germinados a partir do banco de sementes do topsoil depositado, utilizado como substrato. Segue na Tabela 4 a lista das espécies identificadas.

Tabela 4: Lista das espécies nascidas a partir do banco de sementes do topsoil depositado na área experimental para plantio na mina de Fazendão, Complexo de Mariana, em maio de 2011.

Fonte: Bioma Meio Ambiente (2011)

Família Espécie Classe

sucessional

Amaranthaceae Alternanthera brasiliana Kuntze pioneira Aquifoliaceae Ilex subcordata Reissek pioneira Asteraceae Achyrocline saturejoides (Lam.) DC. pioneira

Asteraceae Acritopappus sp pioneira

Asteraceae Bidens pilosa L. pioneira

Asteraceae Conyza sp pioneira

Asteraceae Emilia sp pioneira

Asteraceae Eremanthus crotonoides Sch.Bip. climácica Asteraceae Vernonanthura phosphorica Vell. climácica

Convolvulaceae Jacquemontia sp pioneira

Cyperaceae Bulbostylis fimbriata C.B.Clarke secundária Euphorbiaceae Croton comosus Müll.Arg. secundária Euphorbiaceae Croton erythroxyloides (Klotzsch) Müll.Arg. secundária Euphorbiaceae Phyllanthus rosellus (Müll.Arg.) Müll.Arg. secundária Euphorbiaceae Sebastiania glandulosa (Mart.) Pax pioneira

Fabaceae Centrosema coriaceum Benth. pioneira

Fabaceae Crotalaria sp** pioneira

Fabaceae Mimosa aurivillus Mart. climácica

Fabaceae

Senna reniformis (G. Don) H.S. Irwin &

Barneby secundária

Lamiaceae Hyptis sp pioneira

Lythraceae Cuphea sp pioneira

Malvaceae Pavonia viscosa A. St.-Hil. secundária

Malvaceae Sida glaziovii K.Schum. climácica

Onagraceae Ludwigia sp pioneira

Phyllanthaceae Phyllanthus niruri Wall. climácica Phytolaccaceae Microtea paniculata Moq. secundária Phytolaccaceae Phytolacca thyrsiflora Fenzl ex J.A.Schmidt secundária

Poaceae Andropogon bicornis L. pioneira

Poaceae Axonopus pressus (Nees) Parodi secundária

Poaceae Axonopus siccus Kuhlm secundária

Poaceae Panicum wettsteinii Hack. secundária

Polygalaceae Polygala paniculata L. pioneira

Portulacaceae Portulaca mucronata Link secundária Rubiaceae Borreria capitata (Ruiz & Pav.) DC. pioneira Rubiaceae Psyllocarpus laricoides Mart. & Zucc. secundária

Scrophulariaceae Scoparia dulcis L. secundária

Solanaceae Schwenckia americana L. secundária

Solanaceae Solanum americanum Mill. pioneira

Verbenaceae Stachytarpheta glabra Cham. climácica

De todas as espécies identificadas no topsoil depositado em Fazendão, 47% foram classificadas como pioneiras, 37% como climácicas e 15% como secundárias (Figura 19). Nenhuma delas consta em listas de flora ameaçada de extinção.

climácicas 15%

pioneiras 47%

secundárias 38%

Figura 19 - Percentual de espécies por classe sucessional: pioneiras, secundárias e climácicas, nascidas do topsoil depositado na área de plantio experimental da mina de Fazendão, Complexo de Mariana, em maio de 2011.

Fonte: Bioma Meio Ambiente (2011)

4 CONCLUSÃO

O resgate de flora é a única forma de conservação de espécies de ecossistemas raros que precisam ser suprimidos. É uma alternativa para a conservação da biodiversidade, principalmente de espécies raras, endêmicas e ameaçadas de extinção presentes nas áreas onde ocorrem atividades minerárias, reconhecidas como de Utilidade Pública e, portanto, com permissão – sob condições – de intervir em vegetação nativa.

No Complexo de Mariana as mudas coletadas e resgatadas em Fazendão, são levadas para o viveiro da Mina de Alegria, que foi melhorado em 2010 para receber, cultivar e estocar adequadamente as mudas produzidas.

Essas são cultivadas no viveiro até o momento de introdução nas áreas de recuperação. O produto do resgate de flora pode, também, ser introduzido nessas áreas preparadas para recuperação imediatamente após sua remoção do ambiente natural. experimental, são formadas parcelas com topsoil proveniente de áreas de ampliação de unidades da mineração, adequadas para plantio de mudas das espécies nativas.

Além da introdução de mudas nessas áreas, o plantio de mudas de Campo Rupestre Ferruginoso pode ser realizado em áreas de canga antropizadas, para enriquecimento com as populações das espécies vegetais resgatadas.

Quanto ao plantio de mudas de espécies florestais, ele se dará no final do ano 2010, início do período chuvoso, quando as mudas resgatadas e cultivadas no viveiro da mina de Alegria serão introduzidas em áreas de restauração de Floresta Estacional Semidecidual do Complexo de Mariana.

A fragmentação dos remanescentes de Mata Atlântica e vegetação associada promovida pela atividade minerária não pode comprometer a diversidade desses ambientes ricos e raros. Na área da Mina de Fazendão, o resgate de flora não só atende as condicionantes exigidas como cria uma grande expectativa pelo sucesso da introdução de indivíduos de extrema sensibilidade - como as canela-de-ema (Vellozia sp) – e da formação de núcleos de plantio, que procuram “imitar” a realidade dos Campos Ferruginosos sobre canga encontrados na região do Complexo Mariana. Espera-se também que essas áreas de recuperação sirvam futuramente de abrigo para a fauna local que encontrará nesses fragmentos alimento e proteção.

O uso do topsoil como substrato para plantio das mudas resgatadas tem sido vantajoso, porque além de disponibilizar nutrientes para as plantas introduzidas, há resultados positivos com relação aos indivíduos nascidos do seu banco de sementes, sendo pioneiras em sua maioria.

A introdução de um grande número de plantas pertencentes a espécies climácicas e secundárias têm funcionado bem para a construção de um modelo ótimo de restauração ecológica, de modo que o plantio experimental se assemelhe ao meio natural em termos da composição da vegetação e riqueza das espécies do Campo Ferruginoso encontrado nas áreas de supressão.

Além disso, um ambiente propício foi criado pelo plantio das “veloziais” e pela introdução de espécies mais resistentes priorizadas na ocupação inicial da área de plantio, como bromélias e orquídeas, de forma que a permanência e desenvolvimento de espécies difíceis de serem cultivadas foram facilitados através do sombreamento e consequente manutenção da umidade. (07/2011)

Experimentos de introdução devem continuar sendo feitos em conjunto com as

dificuldades de adaptação dessas espécies e que gerem informações de caráter científico, importantes para trabalhos futuros, mas principalmente para a manutenção e conservação dessas espécies e desses ambientes.

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