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III. AREA DE ESTU D O

3 Aspectos bióticos

3.1. Flora

A flora do DF tem sido estudada e descrita desde os trabalhos dos naturalistas Pierre Augusto de Saint-Hilaire e John Emanuel Pohl. na primeira metade do século XIX, mas desde este período até praticamente a criação da Universidade de Brasília (UnB) em 1961, tais estudos foram esporádicos e fragmentados, podendo-se ressaltar neste período os trabalhos de Ernesto Ule. através da Missão Cruls (Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil), assim como trabalhos desenvolvidos pela NOVACAP e Ministério da Agricultura sobre levantamento das potencialidades do cerrado para produção agncola Com a UnB. passam a ser realizados vários estudos floristicos. cria-se o herbário e difunde-se a botânica em vános cursos de graduação e pós- graduação baseados na flora do cerrado

Em 1968, a Fundação Botância do DF. cnada para ordenar o uso da terra e proteger os recursos naturais através do controle e licenciamento das atividades antropicas e acrescente-se a este penodo a criação de outros órgãos relacionados com a questão ambiental, como o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e a SEMA e mais recentenente o IB AMA. EEMA e SEMATEC Através destes cnaram-se as UC Parque Nacional de Brasília. Estação Ecológica Aguas Emendadas. .APAs Bacia do São Bartolomeu. Bacia do Rio Descoberto, Caíunnga. Gama e Cabeça de Veado. Paranoa. ARIE Riacho Fundo. Reserva Ecológica do IBGE, Jardim Botânico e os Parques da Cidade. Guará e outros

Em tais UCs vem sendo desenvolvidos estudos sistemáticos, enriquecendo o conhecimento sobre a flora do cerrado de Brasília, assim como de outras áreas do conhecimento cientifico

Filgueira e Pereira (1990) baseado em Cesar e Gyfford (1981), Ferreira (1971, 1972. 1976); Hennger e Ferreira (1975). Kirkbnde (1984), Monteiro e Gibbs (1986), Pabst (1971). Pabst e Dumgs (1975). Ferreira (1982). Ratter (1980) e outros citam, entre especies nativas e introduzidas, um total de 3.452 especies. distribuídas entre Cnptógamos, Gimnospermas e Fanerogamos. Dentre estas ultimas, aproximadamente 1.600 espécies ocorrem na APA (SEM A

1988)

Muitas destas especies apresentam potencial econômico como alimento, remedios. madeira, ornamental, peças de artesanato, forragem para pastoreio de gado, abelhas e outras raras ou ameaçadas de extinção.

Por situar-se no domínio do cerrado, verifica-se na área a ocorrência das várias tipologias fitofionômicas típicas do cerrado, sendo o campo limpo, campo sujo. campo cerrado, cerrado e cerradão. acompanhados de matas de galeria (ciliares), veredas e matas secas (mesofiticas) variando tais tipologias de acordo com a interação que ocorre entre o tipo de solo, condição topográfica e climática, disponibilidade de água e drenagem, fauna e ações antropicas. considerando-se neste conjunto a vegetação formada pela ação do homem, como pastos, monoculturas e culturas temporárias

As principais características de cada formação fitofisionômica são:

- Campo limpo tambem chamado campo graminoso, tem composição flonstica quase idêntica a da camada rasteira dos campos sujos e campos cerrados da mesma região

Raramente ocorre em áreas planas com solos profundos, sendo comum nas escarpas íngremes das chapadas e nas colinas íngremes erodidas destas chapadas, quando o solo é raso. com poucos

Na APA ocorrem nos cambissolos das partes central e sul desta, podendo ser visto junto a algumas cabeceiras e bordas de matas (SEMA 1988)

As gramineas, as ciperáceas e as ervas verdadeiras secam durante a estação seca. enquanto que os demais elementos permanecem verdes (semi-arbustos e arbustos de caule fino).

- Campo sujo são areas de vegetação herbácea e arbustiva, comcobertura arbórea ausente ou insignificante, relacionados a solos litólicos, cambissolos e areias quartzosas (EMBRAPA, 1978) e raramente latossolos (SEMA. 1988)

A cobertura de árvores e arbustos varia de 0 a 15 % do total da area. proporção da área intrapenmetral das copas em relação ao chão. o que significa a presença ce até 5 árvores por hectare ou até 20 árvores pequenas por hectare Os arbustos e subarbustos têir caules relativamente finos, geralmente morrem a cada ano, sendo continuamente renovados a partir dos brotões da base lenhosa.

E comum o agrupamento esparsos de formas lenhosas dando ao ambiente um aspecto de ilhas de vegetação, entremeados por graminea que atingem 1 metro de altura (Mapa Ambiental do DF, 1991).

Eiten (1990) denomina o campo sujo como a forma savâmca mais rala do cerrado e descreve como locais de ocorrência os "terrenos planos ser levemente inclinado e com solos profundos e muito estereis. ou sobre solos muito raros ou ausentes em encostas íngremes onde os arbustos e árvores baixas enraízam-se nas frestas da rocha-mãe."

- Campo cerrado: vegetação caracterizada por possuir, alem dos estratos herbáceo e arbustivo, um estrato arbóreo constituído por arvores isoladas e baixas E uma

forma intermediaria de vegetação entre o cerrado típico e o campo sujo. Difere do cerrado típico por ser mais aberto e pelo aspecto que o compõem ("Mapa .Ambiental do DF. 1991)

Segundo Eiten (1990) as formas savânicas mais densas, bem como as formas mais abertas de "escrube aberto" são chamadas "campos cerrado" na terminologia brasileira."

- Cerrado vegetação arbórea, de árvores tortas, entremeada de quantidade variável de arbustos e ervas ÍSEMA. 1988). Tambem chamado de cerrado típico ou cerrado "stnctu sensu" Cobertura arbórea podendo chegar à 70 % (EM BRAPA 1978)

Eiten chama de arvoredo de escrube e árvores. Ocorre geralmente em latossolos. Na APA podem ser vistos também algumas vezes sobre pequenos trechos de cambiossolos e areais quartzosas. Mais comum na região norte da APA.

- Cerradão: vegetação arbórea avantajada e densa, considerada como formação florestal. O estrato arbóreo forma um dossel (cobertura) continua. (SEMA. 1988)

E a forma mais alta de cerrado (7 m ou mais) Apresenta um sub- bosque de escrube constituido de arvoretas menos de 3 m de altura, arbustos, as vezes taquara ou taboca, palmeiras acaules ou com troncos curtos e bromélias grandes terrestres, podendo o sub- bosque estar ausente, mas raramente. (EITEN, 1990)

Ocorre predominantemente sobre latossolos vermelhos, em áreas de relevo plano. Atualmente está representado na .APA do rio São Bartolomeu apenas por alguns remanescentes. (SEMA, 1988)

- Matas mesofiticas: tambem chamadas de florestas mesofíticas de interfluvio, são formações florestais que ocorrem em certos tipos especiais de solos de interfluvios e às vezes se confundem com as matas ciliares Podem ser subdivididas em mata mesofitica sempre-

verde: mata mesofitica subcaducifolia e mata mesofitica caducifolia. dependendo das características fenologicas de seus componentes, (idem)

Segundo Eiten, "quando crescem sobre solos profundos, geralmente são sempre verdes Aquelas sobre solos rasos, somente de alguns metros de profundidade, são semideciduas, enquanto florestas mesofíticas completamente decíduas ocorrem sobre solos ainda mais rasos Crescem sobrem solos relativamente ricos em nutrientes, sejam latossolos ou solos derivados de calcários incluindo afloramento de calcarias "

Na APA ocorrem manchas testemunhas de matas mesofíticas caducifólias extensas nas areas de ocorrência de solos podzólicos no vale do rio Paranoá e na bacia do ribeirão Papuda, nas regiões oeste e sudoeste da APA.

- Veredas: formação florestal encontrada nos vales de lençol freático alto, onde os solos, geralmente gleizados, permanecem saturados de água o ano inteiro, só

permitindo o desenvolvimento de espécies paludícolas. Também chamadas de brejo, vá'zea ou buritizal A espécie arbórea predominante é a palmeira buriti (Mauritia vinifera), acompanhada de vegetação rasteira com fisionomia uniforme, constituída por monocotiledôneas e pteridófitas, mas podendo não ocorrer (EITEN, 1990)

As veredas ainda podem ocorrer em encostas de morros e afloramentos rochosos. Na .APA são encontradas principalmente nas regiões norte (Colégio Agncola e córrego Rajadinho) e sul.

Apresenta-se pobre em especies. mas rica em termos de fornecimento de água e locais de nidificação para muitas especies animais. (DIAS. 1984. SEMA. 1988, Mapa .Ambiental do DF. 1991)

- Mata ciliar ou de galena a mata ciliar o co n e ao longo dos nos. cónegos e outros cursos dágua Pode ser subdividida em duas mata ciliar umida e mata ciliar seca

(Mapa .Ambiental do DF, 1991)

São sempre verdes devido ao baixo índice de espécies caducifólias Apresentam elevada diversidade flonstica O dossel supenor e constituído de arvores atingem 30 m de altura, eretas, apresentando inúmeras lianas e epífitas Geralmente, em solos mais ricos, com grande percentual de matéria orgânica, apresentando coloração escura, dossel fechado entre 80 e

100%. O cone em locais com boa disponibilidade de água

Na AP A oconem acompanhando os rios e cónegos, assim com algumas encostas íngremes de solo profundo

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