PARTE II – ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO
CAPÍTULO 4 – PROPOSTA DE ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO PARA COMBATER A
4.7. FLOWCHART
Apresentamos, a seguir, o cronograma da estratégia de comunicação para o ano de 2016. Escolhemos como meses de ação, abril, por ser o mês que antecede o dia 17 de maio e maio, obviamente, por ser o mês em que se celebra o Dia Internacional contra a Homofobia.
Achamos, no entanto, que não pode ser uma campanha muito duradoura, pois poderá provocar cansaço na população e que, por isso, dois meses seria o período de atuação ideal. Quase todas as ações se prolongariam ao longo de todo o tempo, exceto a ação de rua, o spot de TV e o vídeo online.
A “Caixa da Vergonha” espera-se que pudesse vir a ser algo inesperado, criativo e inovador e, por isso, não podemos correr o risco de banalização. Pensamos que quatro semanas seriam suficientes para que a ideia se espalhe pela cidade e para que seja utilizada por milhares de pessoas.
Os vídeos apareceriam uma semana depois do início da campanha, para que os cartazes possam criar algum suspense e curiosidade e possam funcionar como teaser para o que virá a seguir.
86 2016
SUPORTES ABRIL MAIO
Spot TV Cartazes Vídeo online Cartazes online Formações Escolas Caixa da Vergonha
87
CONCLUSÃO: SÍNTESE, LIMITAÇÕES E INVESTIGAÇÃO FUTURA SÍNTESE
Tal como prevíamos, mesmo antes de iniciar esta investigação, constatamos que vivemos num mundo que ainda muito tem para evoluir no que toca ao respeito pelos Direitos Humanos. Se há países em que isso não é tão evidente e se encontra uma situação mais assumida e mais consciente, existem outros, como Portugal, onde, apesar de as pessoas se assumirem como socialmente responsáveis, ainda se verificam muitas lacunas.
Portugal está posicionado estatisticamente entre os países mais respeitadores dos Direitos Humanos, contudo, o assunto homossexualidade aparece como que uma exceção à regra. A aceitação deste tipo de escolha de relação amorosa e sexual tem vindo a ser gradual e tem feito as suas conquistas, mas muito lentamente. Vivemos, pois, numa sociedade evoluída e livre, onde os homossexuais são, frequentemente, discriminados e não possuem os mesmos direitos que os heterossexuais, como, por exemplo, na questão da adoção22.
Através da investigação feita no âmbito deste projeto, foi-nos possível perceber que existe muito preconceito, embora camuflado, ou seja, quem é preconceituoso, geralmente, não se assume publicamente como tal. Há, ainda, quem diga que não é preconceituoso, mas que se assume, na prática, como homofóbico. Tal só evidencia mais o descrédito com que o preconceito homofóbico é tratado no nosso País.
Sabemos que é de mau tom dizer que não gostamos de negros, ou que determinada religião é desacreditada. No entanto, é comum ouvirmos desconsiderar (fazer humor com) homossexuais e com as suas escolhas sem que ninguém se sinta mal, ou, mesmo, sem que, quem ouve, se sinta incomodado nem chocado, nem quem diz, se sinta inibido ou envergonhado.
22 Neste momento, uma pessoa pode adotar uma criança sendo homossexual, se o fizer de forma individual,
88
É, por isso, urgente uma rápida mudança de mentalidades. Precisamos de procurar esclarecer a população e fazê-la compreender o quão desumana e injusta é a discriminação homofóbica.
Para muitos o amor é tudo na vida, o mais importante. Os homofóbicos, sem nunca porem em questão o seu egoísmo, provocam nos homossexuais um sentimento de mal-estar, ao tentarem amar os seus pares e quando estão com quem gostam. Escudados pela sociedade, atacam quem é diferente, sem nunca tentarem colocar-se no seu lugar e pensarem “e se fosse comigo”.
Segundo a APAV e a Rede Ex Aequo, para que a homossexualidade deixe de ser vista como algo errado e descabido, é necessário dar a conhecer e fazer compreender que se trata de um amor igual ao amor heterossexual, que não prejudica ninguém.
Visibilidade e abertura são imprescindíveis para a tentativa de extinção da homofobia. Tal como foi evidenciado ao longo deste projeto, a publicidade tem aparecido algumas vezes ao serviço desta e de outras causas. Dadas as suas características únicas, como a originalidade, a comunicação apelativa e criativa, a sua capacidade de persuasão e massificação, a publicidade apresenta-se como uma das possíveis ferramentas eficazes para combater a homofobia e fazer pensar sobre a homossexualidade.
Contudo, a publicidade, por si só, não pode ser a chave deste problema social. Seria imprescindível que o Estado se mostrasse mais disponível para esta causa e que se começasse a banalizar este assunto, tanto na educação escolar como na familiar.
LIMITAÇÕES
Ao longo da elaboração deste trabalho de projeto sentimos vários tipos de limitações, tanto a nível de pesquisa bibliográfica como a nível da pesquisa quantitativa e qualitativa. A revisão da literatura relativa à homossexualidade e homofobia não foi muito simples, visto que se trata de um assunto que, só agora, começou a ganhar voz. Por outro lado, fomos encontrando diversas fontes que se apresentavam como sérias e
89
científicas, mas que depois de alguma leitura se revelavam inconsistentes e até contraditórias.
No que toca à pesquisa quantitativa, as dificuldades apareceram aquando da análise de dados, quando nos apercebemos de que muitas das respostas dos inquiridos eram contraditórias. Se, por um lado, este fator tornou o tratamento de dados mais complexo, por outro, também nos ajudou a provar outros factos como pudemos ver no Capítulo 3.
Por fim, a obtenção de dados quantitativos foi a tarefa que mais problemas levantou. A ideia inicial seria fazer um apanhado geral das instituições que ajudam a combater a homofobia, falando com um membro operante em cada uma delas.
As primeiras tentativas começaram por ser efetuadas através de mail, para marcar reuniões, depois passaram a ser feitas através do telefone e, por fim, no caso da APAV Porto e da ILGA, dirigimo-nos, mesmo, ao local. Após várias desculpas, contratempos e impossibilidades da parte das instituições, foi-nos aconselhado que fosse enviado um mail tipo para todas as instituições possíveis e credíveis relacionadas com a homofobia. Nesse mail seguiu uma pequena entrevista à qual, finalmente, obtivemos algumas respostas, ainda que muito tardias.
Pensamos, pois, que teria sido conseguida uma melhor análise qualitativa se tivéssemos tido a possibilidade de reunir com mais instituições, contudo, a ajuda da ILGA e as respostas da APAV e da Rede Ex Aequo já permitiram a observação, ainda que limitada, da situação atual dos pedidos de ajuda em Portugal.
INVESTIGAÇÃO FUTURA
Após a conclusão deste trabalho ficámos com a convicção de que este estudo poderia vir a tornar-se numa útil base de dados sobre a homossexualidade e a homofobia, caso fosse elaborado numa escala maior. Uma amostra mais abrangente e variada poderia vir a fazer com que com que os indícios aqui atingidos se transformassem em afirmações verídicas e confirmadas.
90
Seria, também, interessante testar a eficácia dos vários tipos de abordagens publicitárias a este assunto. Pensamos, ainda, que seria útil e pertinente elaborar algumas campanhas publicitárias que defendessem este tema com diferentes abordagens e fazer testes, junto do público, a fim de se compreender qual a abordagem que, no âmbito das causas sociais, faria mais sentido.
Por último, não descartando todos os outros problemas sociais referidos ao longo do trabalho, seria sempre muito interessante e proveitoso desenvolver, como aqui tentámos fazer, estudos relacionados com outros temas, como por exemplo, o racismo, o preconceito com pessoas de idade, e muitos outros de incontornável importância e grande atualidade.Por último, não descartando todos os outros problemas sociais referidos ao longo do trabalho, seria sempre proveitoso fazer o mesmo que aqui foi feito em relação a outro tema como por exemplo o racismo, o preconceito com pessoas de idade, etc.
91 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Aaker, D. & Norris, D. (1982). Characteristics of TV commercials perceived as informative. Journal of Advertising Research, Vol. 22.
Ad Council (2015). Love Has No Labels. Acedido a 22/03/2015, em:
[https://www.youtube.com/watch?v=PnDgZuGIhHs]
Andrade, M. A. (2012). Parcerias entre marcas comerciais e marcas sociais. Lisboa: Edições IADE
Anúncio Coca-Cola (2015). Famílias. Acedido a 22/03/2015, em:
[https://www.youtube.com/watch?v=hLgQF8lZHjk]
Anúncio contra a Homofobia (2007). Já viste aquilo?. Acedido a 22/03/2015, em: [https://www.youtube.com/watch?v=fjlOeJa75S0]
Anúncio IKEA (2012). Festa. Acedido a 22/03/2015, em: [https://www.youtube.com/watch?v=MtYcbyI- cFA]
Anúncio McDonald’s França (2010). Homossexualidade. Acedido a 22/03/2015, em: [https://www.youtube.com/watch?v=hUW1ALSHlhA]
APAV (2013). Dislike Bullying Homofóbico. Acedido a 22/03/2015, em:
[https://www.youtube.com/watch?v=ucBS3tbBAss]
Belch & Belch. (2003). Advertising and promotion. The McGraw - Hill Companies
Borrillo, D. (2009). Homofobia e educação. Acedido a 26/11/2014, em: [https://ab410ee4-a-62cb3a1a-s- sites.googlegroups.com/site/concursonigs/referencia-da- semana/ahomofobiaumtextodedanielborrillo/homofobia_borrillo_pt.pdf?attachauth=ANoY7crfu zazPfYSMDRyrqVKZdFX83u7TBYI7DGxvcFapIyBqIfS1V4HSyYHPahimImvRxajnYnlMwNj2B82F3L3H uNe3H9OSDtaT0dFhnQZU0EniJX8IOYGUVdRCu4_Udi- 0RWJtjw_xXMIt1sX2FxMmQHbDQqqZhlKz26OkEEA0fqaCWHUnR8DrN6iInLDK3RaKwo6-rJ- RpMLnvpNewZrkfipVhJSgEOezghQDZEPWpJ39peuaIIZKUEVsj7HTFeLDkiY6d_M2CDxo765wyB7yF YxZSIdNGqAyKdMBsHEihx12B0ax1E%3D&attredirects=0]
Boswell J. (1985). Tolérance sociale et homosexualité. Paris: Gallimard Brito, C. M. & Lencastre, P. (2000). Os horizontes do marketing. Lisboa: Verbo
Brown, J. (2011). Likert items and scales of measurement?. In Testing & Evaluation SIG Newsletter. Março 2011. pág. 10-14. Acedido a 29/04/2014, em: [http://jalt.org/test/PDF/Brown34.pdf],
Business Insider (2013). 13 Countries That Are More Gay Friendly Than America. 23 de Março. Acedido a 25/4/2015, em: [http://www.businessinsider.com/worlds-most-gay-friendly-countries-2013- 3?op=1]
92
Campos, M. (2008). Pré-conceito, pós-conceito. Projeto de Publicidade. Lisboa: Edições IADE.
Canedo, Elisa M. L. (2010). Atitude dos consumidores face aos apelos emocionais e racionais da publicidade: estudo do sector alimentar. Acedido a 07/04/2015, em [http://repositorio- aberto.up.pt/handle/10216/56125]
Cardoso, P. R. (2000). Estratégia criativa publicitária – Fundamentos e métodos. Porto, Edições Universidade Fernando Pessoa
Cardoso, P. R., (2005). Os apelos racionais e emocionais na publicidade – Uma análise conceptual. Actas do III SOPCOM, VI LUSOCOM e II IBÉRICO Volume II.
Carvalho, L. M. (2008). Responsabilidade social empresarial e publicidade. Lisboa: Edições IADE Clegg, F. (1995). Estatística para todos. Lisboa: Gradiva
Cobra, M. (1986). Marketing essencial. São Paulo: Atlas.
COM, Comissão das Comunidades Europeias (2001). Livro Verde - Promover um quadro europeu para a responsabilidade social das empresas (366). Pág. 1-35. Bruxelas: Comissão Europeia. Acedido a
09/04/2015, em: [http://molar.crb.ucp.pt/cursos/2%C2%BA%20Ciclo%20-
%20Mestrados/Gest%C3%A3o/2011-
13/EERS_1113/Terceira%20e%20Quarta%20Sess%C3%B5es/Livro%20verde- promover%20um%20quadro%20europeu%20de%20RSE.pdf]
Constituição da República Portuguesa (2005). VII Revisão constitucional. Acedido a 20/04/2015, em: [http://www.parlamento.pt/Legislacao/Documents/constpt2005.pdf]
Correia de Almeida (2013). O marketing social e os benefícios fiscais. 6 de março In Imagens de Marca. Acedido a 18/03/2015, em: [http://imagensdemarca.sapo.pt/entrevistas-e-opiniao/opiniao-1/o- marketing-social-e-os-beneficios-legais/]
Credidio, F. (n/d). Outra face do bem. Brasil: Sebrae. Acedido a 13/04/2015, em: [http://www.sebraepb.com.br:8080/bte/download/Responsabilidade%20Social/424_1_Arquivos _facedobem.pdf]
Farinha, I. M. B. P. (2013). Media escola: Espaço de consumo de uma cultura “mcdonaldizada”?. Lisboa: ISCTE. Acedido a 14/01/2015, em: [https://repositorio.iscte-iul.pt/handle/10071/6580]
Flick, Uwe (2005). Métodos qualitativos na investigação científica. Lisboa: Monitor - Projectos e Edições, Lda.
Giddens, A. (2000). As consequências da modernidade. Oeiras: Celta Editora
Glautier, M. & Underdown, B.(2001). Accounting theory and practice. (Ed. 7)., Essex: Prentice Hall Goffman, E. (1891). Estigma – Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Acedido a
06/01/2015, em:
93
Gonçalves, G. (n.d.). Publicidade a causas sociais - Um olhar sobre a sua (in)eficácia. Covilhã: Universidade da Beira Interior. Acedido a 25/02/2015, em: [http://www.bocc.ubi.pt/pag/goncalves-gisela- publicidade-social.html]
Homossexual. (n.d.). Dicionário completo de língua portuguesa (tomo II). pág. 834, Vol. II. Lisboa: Texto Editores.
Homossexualidade. (n.d.). Dicionário completo de língua portuguesa (tomo II). pág. 834, Vol. II. Lisboa: Texto Editores.
ILGA EUROPE (2014). Rainbow Europe Country Index. Acedido a 26/4/2015, em: [http://www.ilga- europe.org/home/publications/reports_and_other_materials/rainbow_europe/score_sheets_20 14]
ILGA PORTUGAL (2014). Observatório da discriminação em função da orientação sexual e identidade de género - Números da Violência contra as Pessoas LGBT 2013. Maio de 2014. Acedido a 16/05/2015, em: [http://ilga-portugal.pt/noticias/Noticias/relatorioOBSERVATORIOlgbt.pdf],
Kelle, U. (2001). Sociological explanations between micro and macro and the integration of qualitative and quantitative methods. Art.5, Fevereiro. Forum: Qualitative Social Research. Acedido a 23/04/2015, em: [http://www.qualitative-research.net/index.php/fqs/article/view/966]
Kotler P. (1998). Marketing management. New Jersey: Prentice-Hall
Kotler, P. & Andreasan, A. R. (2007). Strategic marketing for non-profit organizations. Pearson Education Kotler, P. & Roberto, E. L. (1992). Marketing social: Estratégias para alterar o comportamento público. Rio
de Janeiro: Campus
Kotler, P. (1978). Marketing para organizações que não visam lucro. São Paulo: Atlas Kotler, P. (2000). Administração de marketing. (Ed. 10). São Paulo: Prentice Hall Landau, E. (1987). El vivir creative. Barcelona:Editorial Herder
Lendrevie, J., Baynast, A., Dionísio, P., Rodrigues, J. & Emprin, C. (2010). Publicitor. Lisboa: Publicações D.Quixote
Levek, A, Benazzi, A, Arnone, J, Seguin, J & Gerhardt, T. (2002). A responsabilidade social e a sua interface com o marketing social. V.5, Nº2, p. 15-25. Curitiba: Revista FAE. Acedido a 10/04/2015, em: [http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v5_n2/a_responsabilidade_social.pdf] LGBT Foundation (2010 – 2015). Coletânea de vídeos anti-homofobia. Acedido a 22/03/2015, em:
[http://lgbt.foundation/Take-Action/enough-is-enough-/]
Martínez, C. H. (1999). Manual de creatividad publicitaria. Editorial Sintesis
Mercadé, J. M. (2000). Comunicación persuasiva – para la sociedad de la información. Editorial Universitas, S.A.
Neves, J. A. D. & Pessoa, R. W. A. (2011). Responsabilidade social da empresa, estratégia e vantagem competitiva: Estudo de caso. Revista Portuguesa de Marketing, nº26, p.38-50
94
Nomura, J. M., Souza, M. T. S. (2004). Uma revisão crítica do conceito de marketing social. Revista Gerenciais. V.3, p.45-52. São Paulo: UNINOVE. Acedido a 18/03/2015, em: [http://revist/aiberoamericana.org/ojs/index.php/ibero/article/view/50/1337]
Pereira, A. (2011). Análise de conteúdo de uma entrevista semi-estruturada. Acedido a 14/05/2015, em: [http://mpelearning.pbworks.com/f/MICO.pdf]
Pereira, M., Ferreira, F., Martins, A. & Cupertino, C. (2002). Imagens e significado e o processamento dos estereótipos. In Estudos de Psicologia, nº7, p. 389-397. Acedido a 28/04/2015, em: [http://www.scielo.br/pdf/epsic/v7n2/a20v07n2.pdf]
Pinto, A. G. (1997). Publicidade: Um discurso de sedução. Porto: Porto Editora
Pôrto, A. (2007). Representações sociais da tuberculose: estigma e preconceito. Revista Saúde Pública,
nº41 (Supl. 1), p. 43-49. Acedido a 16/04/2015, em:
[http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v41s1/6493.pdf]
Primolan, L. V. (2004). A responsabilidade social corporativa como um fator de diferenciação na competitividade das organizações. Revista Ibero - Americana De Estratégia, Nº3, pág. 125-134.
Acedido a 09/04/15, em:
[http://revistaiberoamericana.org/ojs/index.php/ibero/article/view/57/1349]
Rede Ex Aquo (2012/2013). Observatório De Educação LGBT. Acedido a 11/05/2015, em: [https://www.rea.pt/imgs/uploads/doc-observatorio-educacao-2012.pdf]
Rego, A. et al (2006). Gestão ética e socialmente responsável. Lisboa: Editora RH.
Rodrigues, W. (2007). Metodologia científica. Brasil: Paracambi. Acedido a 29/04/2015, em: [http://pesquisaemeducacaoufrgs.pbworks.com/w/file/fetch/64878127/Willian%20Costa%20Ro drigues_metodologia_cientifica.pdf]
Ronzani, T. & Furtado, E. (2010). Estigma social sobre o uso de álcool. Acedido a 15/04/2015, em: [http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v59n4/10.pdf]
Salamon, L., Anheier, H. (1997). Defining the nonprofit sector – Across-national analysis. Manchester: Manchester University Press
Thompson, A. (1997). Do compromisso à eficiencia? Os caminos do terceiro sector na América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra
Thompson, M. & Pringle, H. (2000). Marketing social: Marketing para causas sociais e a construção das marcas. São Paulo: Makron Books
Wells,W., Burnett, J. & Moriarty, S. (1995). Advertising: Principles and practice. Englewood Cliffs – USA, Prentice-Hall, Inc
95
96
97 ANEXO B – Questionário Online
106
ANEXO C – ENTREVISTAS A MEMBROS DE CASAIS HOMOSSEXUAIS ENTREVISTA A – Membro de casal gay
1. “Sempre teve relações com pessoas do mesmo sexo?
Não, já tive namoradas. Mas desde pequeno que tinha algumas experiências secretas com rapazes, que nunca contava a ninguém mas que mexiam comigo.
2. Considera-se bissexual ou homossexual?
Hoje, que já sou adulto e depois de passar por uma longa fase de negação sei que sou homossexual. No meu caso a bissexualidade foi uma fase, enquanto eu me tentava compreender a mim mesmo.
3. Já teve mais do que uma relação homossexual? Já tive três relações sérias.
4. Já alguma vez se sentiu alvo de discriminação por ser homossexual? Sem dúvida. Nem as consigo enumerar.
5. De que forma foi alvo de discriminação?
As pessoas na rua comentam, olham e os mais descarados até apontam. É verdade que tenho uma sensibilidade que a maioria dos homens não têm e por isso, mesmo que eu esteja sozinho posso ouvir comentários infelizes.
6. E quando está com o seu namorado, a situação agrava-se?
Penso que se podem contar pelos dedos as vezes que fizemos um programa público tipo ir ao cinema, à praia, ao shopping, a um restaurante, etc.. sem que fossemos olhados ou comentados. É sempre mais notório quando estamos juntos.
7. Como se sente com isso?
Agora já estou habituado e o meu namorado também. Com o tempo aprendemos a ignorar o que nos rodeia, porque se não o fizermos há uma grande probabilidade de continuarmos infelizes, mal com nós próprios e com vergonha de sair à rua. Aprendi que é natural que as pessoas ainda estranhem que haja casais homossexuais, só não compreendo o facto de sermos condenados e criticados por isso.
107
8. Quem acha que sofre mais com a homofobia: os gays ou as lésbicas?
Não sei se é por eu ser gay e sentir na pele mas acho que os gays são os mais prejudicados. O homem é sempre visto como um macho, como um ser intocável e inabalável e por isso as pessoas consideram que dois homens não se devem envolver de forma intima. Mesmo se repararmos, as amizades de homens nunca são tão chegadas e “amorosas” como as das mulheres. Se eu der um abraço apertado e um beijo a um amigo as pessoas comentam, se o mesmo se passar com duas mulheres isso pode passar despercebido.
9. Se pudesse dar um conselho a um homofóbico sobre a homofobia o que diria? Tentaria fazê-lo perceber que só temos uma vida e que a devemos viver o melhor possível, cada um à sua maneira. Tentaria fazer-lhe ver o número imenso de pessoas que já morrem infelizes por terem medo de se assumir como são. Durante séculos houve vitimas muito sérias de homofobia que levaram a muitas mortes.”
ENTREVISTA B – Membro de casal lésbico
1. “Sempre teve relações com pessoas do mesmo sexo?
Em pequena tive alguns namoradinhos mas nada sério. Aos treze anos percebi que gostava de mulheres e desde então já tive algumas namoradas. (Questão 3 já foi respondida aqui).
2. Considera-se bissexual ou homossexual?
Não. Sou homossexual e as minhas experiências com rapazes foram parte do meu crescimento. Quem é que não teve aqueles namoricos de miúdos?!
3. Já teve mais do que uma relação homossexual? ---
4. Já alguma vez se sentiu alvo de discriminação por ser homossexual? Já e muitas vezes.
108
Normalmente reparo em olhares direcionados para mim e para a minha mulher, as pessoas olham e às vezes comentam: “Olha duas fufas”, “Olha aquelas estão a dar um beijo?”, “Duas mulheres de mão dada que ridículo”, “Que nojo”, ”Quem será o homem da relação”, etc. Isto obviamente é muito desagradável mas não deixamos de ir a nenhum lado com medo de criticas. Estamos juntas e felizes e isso vale por todas as críticas e olhares.
6. Como se sente com isso?
Fico triste por haver pessoas jovens que criticam as escolhas individuais de cada um. Entendo e respeito as pessoas de idade, que não cresceram num mundo aberto, e por isso evito por exemplo dar beijos em frente a velhinhos. Mas trata-se de respeito pela geração deles, assim como não me ponho aos beijos (não falo de beijinhos) com a minha mulher num café nem num banco de jardim. Mas quero que entenda que não faço isso porque fui educada assim, não porque tenho medo de ser julgada. Essa fase para mim já passou. Sou como sou e se não vivesse da maneira que me sinto bem seria infeliz.
7. Quando está sozinha nota algum tipo de discriminação?
As pessoas olham-me pela minha aparência mais masculina e pela minha maneira de vestir. Acho que muitas vezes depreendem que sou lésbica, mas não me posso queixar muito em relação a críticas direcionadas só a mim quando vou na rua. Claro que quando as pessoas começaram a saber que sou homossexual comentaram, fizeram perguntas e algumas até criticaram. Mas posso dizer que fui muito bem aceite pela minha família e pelos meus amigos, nisso tive muita sorte.
8. Quem acha que sofre mais com a homofobia: os gays ou as lésbicas?
Penso que são os gays. A homossexualidade é, no meu ponto de vista, igualmente odiada sendo com homens ou com mulheres. A questão prende-se no facto de as mulheres poderem ser confundidas com amigas. A nossa sociedade é muito dura com os homens. Se eles quiserem abraçar-se porque são amigos e gostam um do outro, as pessoas brincam e chamam-nos de gays. Com as mulheres isso não acontece.
109
Perguntava-lhe como é seria se ele tivesse um filho gay ou uma filha lésbica, se gostaria que ele ou ela vivessem uma mentira só para agradar os outros.”
ANEXO D – MAIL ENVIADO PARA AS ASSOCIAÇÕES COM A ENTREVISTA
“Boa tarde,
Sou estudante do Mestrado de Publicidade no IADE (Lisboa) e estou a realizar a minha tese sobre como combater a Homofobia através da publicidade. Neste contexto, gostaria de deixar aqui uma pequena entrevista sobre o tema e acerca do vosso trabalho neste campo enquanto Instituição.
QUESTÕES:
1. A vossa Instituição ajuda vítimas de homofobia?
2. Se sim, com que frequência recebem pedidos de ajuda/ queixas relacionadas com a homofobia?
3. Os pedidos de ajuda ou queixas provêm mais de gays ou lésbicas? Dada a sua experiência na área, qual destes dois pensa ser o maior alvo dos homofóbicos?