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2. Planejamento preliminar

2.2 Fluxo de caixa para a produção de edificações

O setor da construção civil se diferencia dos outros setores devido à diferença de contabilização dos custos e das receitas incorridos durante o período de construção, que mesmo considerando componentes, elemen- tos e sistemas industrializados, pode durar mais de um ano. Por esse moti- vo, o controle do fluxo de caixa se torna de extrema importância, para que a obra necessária ao preparo do produto edificação consiga balancear seus gastos, e o caixa da empresa fique o menor tempo possível no negativo.

É necessário salientar também que a contratação dos serviços de en- genharia no âmbito privado e público são diferentes. A medição pode ser feita tendo em vista os serviços cumpridos considerando-se o progresso físico da obra ou pela medição do avanço físico da obra, cuja porcenta- gem deve ser aplicada ao valor contratado.

Em obras de curta duração, o pagamento do serviço pode acontecer levando em consideração unidades de medidas finalizadas.

Para Nascimento (2007), em caso de empreitada para pessoas jurí- dicas de direito público, ou empresas sob seu controle, empresas públi- cas, sociedades de economia mista ou suas subsidiárias, as empresas de engenharia e construção poderão diferir a tributação do lucro apurado, relativamente à parcela da receita ainda não realizada financeiramente,

no livro de apuração do lucro real. Os procedimentos básicos de contabi- lidade a serem utilizados são:

• empreitada com faturamento por medição do progresso físico; • empreitada com cobrança por cronograma financeiro;

• empreitadas de obras com duração menor que um ano; • obras em consórcio de empresas.

O fluxo de caixa pode proporcionar ao empreendedor um me- lhor planejamento financeiro, sabendo, assim, quais são os mo- mentos ideais para a aplicação de recursos. Na indústria da cons- trução, geralmente, existe um grande investimento financeiro no início da obra, devido à compra de terrenos, gastos de incorporação e escavação, entre outros serviços iniciais que podem desequilibrar o fluxo de caixa da empresa. As receitas acontecem na venda parcial ou total de unidades ou na medição do primeiro mês, no caso de obras públicas.

A forma de contratação influencia diretamente no fluxo de cai- xa da empresa. O contratante deve ficar atento às formas de paga- mentos dos serviços contratados. No caso de obras industrializadas, a forma de pagamento pode acontecer levando em consideração a porcentagem de serviço executado, quantidade de elementos exe- cutados e a quantidade de componentes e elementos entregues, entre outros.

A fim de atenuar os gastos iniciais da empresa, pode-se recorrer a técnicas de balanceamento de fluxo de caixa. As técnicas mostradas a seguir baseiam-se na tentativa de diminuição dos egressos e aumento dos ingressos na fase inicial do empreendimento (PINI, 2014):

• Obter um adiantamento. Essa é a maneira mais simples de re- solver a situação de caixa negativo. Mediante o recebimento de um si- nal ou adiantamento, o construtor já começa a obra com dinheiro sufi- ciente para lhe dar capital de giro. Essa opção tem a vantagem óbvia do conforto que dá ao construtor. Por outro lado, o adiantamento que o contratante se dispõe a fornecer ao construtor não é capaz de eliminar totalmente os momentos de caixa negativo. É importante lembrar que esse tipo de técnica não é permitido em obras públicas.

• Parcelamento das compras. Essa técnica é bastante utilizada com o intuito de amortizar e postergar o pagamento dos insumos em períodos nos quais não há ingressos. A compra à vista de materiais no período inicial da obra pode levar a grande montante investido, devido à falta de ingressos, seja por forma de medição ou por compra de unidades.

• Mudança do cronograma financeiro. Essa solução consiste em dispor os serviços de forma diferente no tempo. Ao fazer isso, o orçamen- tista obviamente altera o fluxo de caixa. O perigo dessa solução é que não se pode mudar o planejamento aleatoriamente. É preciso levar em conta que a posição das barras reflete o planejamento da obra, a sequência das etapas e o plano de ataque das diversas frentes de serviço. 

A forma mais conveniente de prever os gastos e receitas de um servi- ço é planejando e controlando o fluxo de caixa, quando são previstas as necessidades de numerários para o atendimento dos compromissos que a empresa costuma assumir, considerando os prazos para serem saldados. Particularmente no que se refere a obras que utilizam sistemas industria- lizados, o investimento inicial requer um maior planejamento e aporte. Para melhor controle do fluxo de caixa, é possível aplicar as informações apresentadas no Quadro 10.

Quadro 10 (checklist): Informações referentes ao controle do fluxo de caixa

M A N U A L D E C O N S T R U Ç Ã O I N D U S T R I A L I Z A D A

Tipo de sistema construtivo: Edificações

habitacionais Outras Edificações Infraestrutura FICHA DE COLETA DE INFORMA-

ÇÕES: Aspectos de desempenho ambiental

Item: fluxo de caixa

Responsável pelas informações: E-mail: Telefone:

I N F O R M A Ç Õ E S

No contrato está especificada a forma de pagamento do serviço SIM NÃO O valor a receber está detalhado, levando em consideração as entra-

das e os parcelamentos SIM NÃO

O valor a receber é controlado SIM NÃO

É possível aplicar a técnica de adiantamento SIM NÃO

A movimentação bancária é controlada SIM NÃO

Existe a integração do sistema de qualidade com o controle do fluxo

de caixa SIM NÃO

Existe o planejamento das despesas SIM NÃO

As despesas são controladas (pagamento de funcionário, compra de

materiais e equipamentos, aluguéis de equipamentos...) SIM NÃO

Há controle de montante vencido ou a ser pago SIM NÃO

Há vantagem em parcelar as compras SIM NÃO

O estoque é controlado SIM NÃO NA

Existe planejamento de entrada e saída do estoque SIM NÃO NA