3.3 Layout inicial
3.3.5 Fluxos de material e informação
Atualmente, o layout da secção de fabrico de cintas divide-a nos dois fluxos produtivos possíveis, separados pela linha a tracejado laranja: o de cintas estreitas e o de cintas largas.
Para ambas, o fluxo de material é desencadeado no sentido das setas horizontais a amarelo – sendo o fluxo de produção de cintas largas desenvolvido em U, enquanto que o de estreitas é desenvolvido em S –, que partem desde a zona dos buffers até ao portão a partir do qual é feito o transporte dos produtos para o edifício principal.
O posicionamento de recursos estáticos, como equipamentos, buffers e entradas, influencia fortemente os fluxos de recursos dinâmicos, como materiais, operadores e ferramentas, conforme rapidamente se deduz a partir da figura.
Por esse motivo, da atual disposição da secção, depreende-se que, muito provavelmente, o fator crítico, a partir do qual foi desenvolvido o restante layout, terá sido o portão de acesso ao edifício (representado no canto superior direito). O facto de a sua localização ser uma condição imutável, conduz a que, numa tentativa de potencializar o espaço disponível e as restrições impostas pelo mesmo, a alocação dos restantes recursos seja feita com consideração à mesma.
Numa tentativa de perceber quais os desperdícios, ao nível do transporte de materiais e deslocações de operadores, que a vigente configuração porta, foi concebido o diagrama de spaghetti representado na Figura 3.7.
Figura 3.7 – Diagrama de spaghetti da secção
Para clarificação do tipo de movimentos retratados na figura, listam-se abaixo os significados das cores das linhas e setas representadas:
• Setas a preto: percurso típico descrito pelo material envolvido no fabrico de uma cinta estreita.
• Setas a roxo: percurso típico descrito pelo material envolvido no fabrico de uma cinta larga.
• Linhas vermelhas: traduzem os movimentos descritos pelos operadores até aos buffers.
• Linhas azuis: representam as movimentações efetuadas pelo 1º operador até ao computador para registo de informações no sistema (tais como quantidades consumidas por produto, ordens de fabrico iniciadas, operador responsável, entre outras).
• Linhas verdes: ações de transporte de refugo desde as estações de trabalho até aos contentores de resíduos, dispostos pela secção.
• Linhas amarelas: traduzem movimentações dos contentores de resíduos para descarga.
A partir da leitura do diagrama destaca-se não só a elevada frequência com que acontecem as deslocações dos operadores até aos buffers (sobretudo o de semiacabado estreito), mas também o afastamento que existe entre a máquina de corte e o semiacabado armazenado, principalmente no caso de semiacabado largo. Note-se que, ainda que a produção de cintas largas ocorra com bastante menor periodicidade do que a produção de cintas estreitas – 1 vez por semana as largas e 4 vezes por semana as estreitas –, no momento, estão a ser percorridos, em média, quase 40 metros de cada vez que é necessário um semiacabado largo diferente, assinalando claro desperdício nestas deslocações.
Além disso, dada a frequência de deslocações ao buffer de semiacabado estreito, um operador pode chegar a percorrer centenas de metros por dia – já que, em média, em cada deslocação andará entre 2 a 22 metros.
Desta forma, uma das preocupações a ter em conta para o futuro layout será a aproximação das zonas de armazenamento às respetivas máquinas de corte, objetivando minimizar o muda de transporte que se faz notar.
No caso da presente dissertação, o espaço destinado a receber o novo layout não é o mesmo no qual atualmente se encontra a secção, pelo que se fará uma análise às potencialidades e restrições separadamente, na secção 3.5, procurando compreender os fatores críticos, a partir dos quais deve ser desenhado o restante layout.
3.3.6 Gestão Visual
Um dos objetivos intrínsecos da criação de um novo layout passa também por conseguir que a secção seja o mais adaptável e flexível possível. A gestão visual, desempenha, neste sentido, um importante papel na definição de um espaço de trabalho lógico e de fácil entendimento.
Ainda que dentro da secção de cintas já exista alguma flexibilidade relativamente à capacidade que os operadores têm de desempenhar diferentes tarefas, quando mudam de posto é notada uma natural dificuldade em manter presentes algumas normas, sem que para tal tenham de recorrer a uma pasta onde se encontra reunida toda a informação relevante ao processo produtivo – principalmente em operações como o corte de rolos em bandas, consoante o perímetro da cinta, ou da colagem da fita adesiva para juntas topo-a-topo.
Embora útil, a constante consulta desta pasta, por parte de diferentes operadores a desempenhar tarefas em equipamentos diversos e distanciados um do outro, traduz-se num desperdício de tempo e esforço que poderia ser evitado com a disposição de placas com toda a informação útil em cada estação de trabalho.
No corte em comprimento da banda, que dará origem à cinta, o operador deve saber, em conheçam o processo de fabrico de cintas.
Tabela 3.3 – Ângulos de corte para cintas estreitas
Tipo de junta Perímetro da cinta (mm) Ângulo de corte
Sobreposta
Tabela 3.4 – Ângulos de corte para cintas largas
Largura da cinta (mm) Perímetro da cinta (mm) e Ângulo de corte
[400;499] [0;1250] [1251;1700] [1701; Máx]
[1100;1400] [0;2000] [2001;2500] [2501; Máx]
- 15º - 20º - 20º
O mesmo sucede na colagem de fita adesiva para juntas zig-zag. A seleção da fita é feita com base no tipo de lixa utilizada – a flexibilidade da lixa influencia a maleabilidade da fita a aplicar – e no ângulo de corte dado à junta – que deve ser compensado pelo ângulo das fibras da fita adesiva (Tabela 3.5). Uma vez que, atualmente, não se dispõe de nenhuma ferramenta visual que auxilie o processo de seleção deste material, torna-se mais complexa a adaptação de diferentes operadores a esta estação de trabalho e a probabilidade de ocorrência de erros é também maior.
Tabela 3.5 – Seleção do tipo e ângulo de fita em função do tipo de lixa e das características da junta Tipo de lixa Tipo de junta Ângulo da junta Ângulo da fita Tipo de fita tomada de decisão durante a execução destas operações.