2. Internet e Sociedade
2.6 O site da escola
2.6.2 Focus do site: a quem se destina?
A construção de um site não pode ser feita sem levar em consideração os potenciais utilizadores e nessa medida a produção do site da escola deve levar em linha de conta todos os agentes envolvidos no processo educativo: alunos, docentes, auxiliares de acção educativa, comunidade e outros potenciais interessados.
E a possibilidade de considerar previamente esta questão vai influenciar o produto final a vários níveis: usabilidade, estrutura, serviços disponíveis, conteúdos, por exemplo.
2.6.2.1 Um site em função dos alunos
Se o site for feito em função de e para os alunos, então, deverá haver uma aposta forte nos conteúdos específicos e nos instrumentos pedagógicos complementares ao trabalho mais “tradicional”.
As tecnologias podem catalizar as motivações dos alunos em torno das aprendizagens. Um site com áreas para discussão e partilha de ideias, com ferramentas interactivas que complementem as aprendizagens em contextos mais formais, com simulações, com ligações a conteúdos realmente significativos e, eventualmente, mais próximos dos interesses de cada um dos alunos, poderá ser um fantástico instrumento na acção pedagógica de uma escola.
A imensa quantidade de informação disponível na Web torna muitas vezes algo complicada a selecção em função da qualidade – o site da escola pode, por exemplo, ser também um espaço de informação sobre conteúdos mais adequados. Poderá ser um espaço onde um trabalho em torno das competências poderá contribuir para que cada um dos alunos possa tornar mais eficaz a relação com a Web, nomeadamente ao nível da pesquisa, interpretação e tratamento da informação disponível.
A aprendizagem e a exploração serão potenciadas junto dos alunos com o recurso a ligações que aproximem o mundo real das necessidades individuais de cada um dos alunos.
“The multimedia nature of internet allows educators to create or link to a variety of resources aimed at students’ individual learning styles and needs.” (Logan, 2002: 4)
No site da Escola podem ainda existir ferramentas de comunicação entre professores e alunos que, de alguma forma, possam complementar o trabalho em contexto de sala de aula. A disponibilidade de um fórum para cada turma ou disciplina, com acesso reservado, poderá permitir um acompanhamento mais atento de todo o
trabalho. Poderá também ser um espaço de afirmação dos alunos que têm mais dificuldades ao nível das relações interpessoais. Uma sala de conversação poderá também ser usada neste contexto.
Mas este enfoque de carácter mais disciplinar não é a única forma de perspectivar um site de uma escola em função dos alunos – o site da escola poderá ser usado como ferramenta de comunicação. Se pensarmos nas escolas do interior do país, onde muitas vezes a palavra turma se conjuga no singular da palavra aluno, o site da escola poderá ser usado para estabelecer pontes com outras realidades.
A disponibilidade que hoje existe de usar ferramentas de edição livre (Blogs, por exemplo) permite de forma bastante célere e simples publicar informação na Web. O site pode, também por isso, ser uma montra das actividades que os alunos vão efectuando – é o cartaz de cartolina com recortes na parede da sala de aula que se muda para uma outra dimensão: a dimensão do ciberespaço.
Mas esta visão optimista – o site como instrumento complementar do trabalho curricular, como fonte de informação pedagógica e científica, como ferramenta de comunicação ou como espaço de divulgação – choca com a realidade, onde muitos alunos não têm acesso frequente à Web, nomeadamente em casa.
No entanto, isso não significa que se abandone a ideia. O site da escola ganha ainda mais relevância, na medida em que pode contribuir para formar tecnologicamente, quer professores, quer alunos. Pode e deve ser um espaço onde os alunos sejam mais do que simples consumidores de informação – têm de ser eles os produtores de conteúdos.
2.6.2.2 Um site em função dos docentes
Quando é feito em função dos profissionais docentes que nela labutam, então a centralidade do site deriva para algo mais institucional, porventura mais fechado.
No site da escola poderão estar disponíveis as informações e hiperligações, por exemplo, para os programas nacionais, que ajudem cada docente a planificar o seu trabalho.
Pode ainda haver um conjunto de ligações relativas aos conteúdos de cada disciplina, ajudando, assim, a programar um ensino, possivelmente, mais
individualizado e mais significativo de cada aluno. A sugestão de sites a visitar, ligações para locais a conhecer numa visita de estudo futura, ou a existência de um conjunto diversificado de endereços de correio electrónico poderá tornar mais atractivo o site da escola para os docentes das escolas.
Também a profissão docente, tradicionalmente solitária, poderá fazer uso de alguns dos serviços da Internet para fomentar discussões e partilhas. Abrir a sala de aula é, assim, uma possibilidade mais próxima com o site da escola, até porque esta abertura pode ser feita a profissionais de outras escolas, a formadores ou investigadores e eventualmente à própria comunidade.
Ou, então, ainda em torno dos profissionais, poderemos pensar um site da escola como uma ponte para outras realidades escolares – isto é, podemos ter o site da escola como instrumento de comunicação ao serviço dos docentes. Deste modo, poderá contribuir para espaços de reflexão com docentes de outras escolas. Podem essas ferramentas contribuir – através de um fórum, por exemplo – para a discussão e a reflexão entre os docentes da mesma escola, mas que por desencontro de horários têm dificuldade em se encontrar.
No site da escola podem ainda estar disponíveis um conjunto de documentos para download. Formulários relacionados com as questões mais administrativas ou documentos de apoio ao trabalho do director de turma podem e devem estar acessíveis no site da escola.
O conjunto de ideias referenciado nos parágrafos anteriores será tanto mais eficaz, quanto cada um dos professores sentir utilidade no seu uso. A Web é ainda uma realidade distante para boa parte dos educadores e está ainda mais das práticas lectivas de cada um dos docentes. Ao site da escola acresce, pois, uma outra responsabilidade: motivar a utilização da Web. Contribuir para que cada docente perceba de forma verdadeiramente significativa as potencialidades que se abrem às suas práticas se nestas envolver a Web. O site da escola é, por isso, neste momento, um instrumento formativo ao serviço dos professores.
“Once educators have determined how the Web can meet the needs of the particular situation, they are ready to form a vision for the Web site.” (Logan, 2002: 6)
2.6.2.3 Um site em função dos encarregados de educação
Os encarregados de educação são um elemento-chave em todo o processo educativo. A escola, os professores e, em especial, o Director de Turma precisam de comunicar com a família, necessidade igualmente sentida pelos encarregados de educação em relação à escola: o fórum, o correio electrónico e, porque não, as salas de conversação ou serviços de mensagens instantâneas, são ferramentas hoje disponíveis que poderão ajudar a melhorar essa comunicação.
A comunicação pode também ser feita através de espaços de acesso reservado – boa parte das informações sobre cada um dos educandos é apenas do interesse do respectivo encarregado de educação e por isso as escolas devem providenciar que no site da escola a informação seja acedida com total respeito pela privacidade de todos.
A importância da participação efectiva dos encarregados de educação na vida escolar é hoje defendida por vários autores.
Pois bem, será que o site da escola poderá facilitar esta relação e potenciar dessa forma a criação de sinergias tendentes a melhorar os resultados da prática lectiva ou, por outro lado, pode afastar ainda mais os encarregados de educação da escola?
A escola, ao potenciar a existência de dispositivos informativos no seu site, pode estar a contribuir para que os encarregados de educação se desloquem ainda menos à escola: “se está tudo no site, o que irá o encarregado de educação fazer à escola?”, perguntarão os mais pessimistas.
Uma visão mais optimista pode prever que com uma maior abertura da escola e com uma maior envolvência dos pais, a participação destes pode ser tão crescente, que vai gerar a necessidade de estar mais perto da vida da escola.
A rapidez no acesso à informação pode permitir uma participação diária dos pais nas actividades escolares dos educandos (por exemplo, através da existência de uma secção reservada do site onde os encarregados de educação podem ter acesso aos trabalhos de casa, ao mapa de faltas ou às notas inscritas pelos professores sobre o trabalho diário).
A existência, no site, de espaços disponíveis para a colaboração directa dos Pais, ainda que à distância, pode possibilitar à escola o alargar dos seus recursos, até pelas diferentes profissões, interesses e ocupações que os encarregados de educação têm.
Parece-nos que o site da escola pode, muito mais, ser um instrumento de aproximação entre os encarregados de educação e a escola do que um pretexto para os afastar ainda mais.
2.6.2.4 Um site em função da comunidade
Se a ideia é construir um site em função da comunidade envolvente, então estamos na presença da constatação da necessidade de a escola estabelecer pontes com a sua comunidade, abrindo-se e tornando-se por isso mais interactiva e, seguramente, mais inclusiva. É um serviço público a tornar-se mais eficaz, na medida em que se aproxima do cidadão. É o serviço público que se transforma em espaço público.
E esta possibilidade deverá acontecer, num primeiro momento, através da explicitação, tão alargada e transparente quanto possível, do conjunto de actividades da escola. A prevenção de conflitos passa também por aqui. Quando a comunidade acompanha de facto a vida da escola, os problemas que surgem são sempre em menor número. É que a escola é vista e acompanhada pela positiva. A comunidade deixa de conhecer a sua escola apenas pelo que de errado lá se passa.
A escola é frequentemente um espaço de investigação em torno do património local, seja histórico, cultural, social ou de outro tipo. O site da escola pode ser o espaço de divulgação desse conjunto de materiais, que dessa forma fica acessível à contribuição de toda a comunidade.