5.1 PERFIL GERAL DAS VÍTIMAS
5.1.5 Foi realizada oitiva pelo procedimento do depoimento sem dano
A Lei n. 13.431/2017 foi um projeto desenvolvido pela organização Childood 20 Brasil em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância no Brasil, Associação Brasileira de Psicologia Jurídica e Frente Parlamentar Mista de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente, o projeto foi criado com intuito de “[...]garantir o respeitos aos direitos fundamentais das crianças e adolescentes e evitar a revitimização, bem como, suprir a falta de legislação quanto a esses infanto-juvenil quando submetidos ao Sistema de Justiça, como vítima ou testemunhas de algum dos tipos de violência[...]”, sejam elas sexual, física, psicológica ou institucional .(LEAL; SABINO; SOUZA, 2018, p.27-28).
Essa técnica possui rito próprio previsto no artigo 12, da Lei supra acima mencionado, que estabelece uma série de medidas e procedimentos a serem seguidos durante a tomado do depoimento tanto na esfera policial e judicial, como segue:
Art. 12. O depoimento especial será colhido conforme o seguinte procedimento: I - os profissionais especializados esclarecerão a criança ou o adolescente sobre a tomada do depoimento especial, informando-lhe os seus direitos e os procedimentos a serem adotados e planejando sua participação, sendo vedada a leitura da denúncia ou de outras peças processuais;
II - é assegurada à criança ou ao adolescente a livre narrativa sobre a situação de violência, podendo o profissional especializado intervir quando necessário, utilizando técnicas que permitam a elucidação dos fatos;
III - no curso do processo judicial, o depoimento especial será transmitido em tempo real para a sala de audiência, preservado o sigilo;
IV - findo o procedimento previsto no inciso II deste artigo, o juiz, após consultar o Ministério Público, o defensor e os assistentes técnicos, avaliará a pertinência de perguntas complementares, organizadas em bloco;
V - o profissional especializado poderá adaptar as perguntas à linguagem de melhor compreensão da criança ou do adolescente;
VI - o depoimento especial será gravado em áudio e vídeo.
§ 1º À vítima ou testemunha de violência é garantido o direito de prestar depoimento diretamente ao juiz, se assim o entender.
§ 2º O juiz tomará todas as medidas apropriadas para a preservação da intimidade e da privacidade da vítima ou testemunha.
§ 3º O profissional especializado comunicará ao juiz se verificar que a presença, na sala de audiência, do autor da violência pode prejudicar o depoimento especial ou colocar o depoente em situação de risco, caso em que, fazendo constar em termo, será autorizado o afastamento do imputado.
20 A Childhood Brasil é uma organização que tem como objetivo a proteção à infância e à adolescência, com
foco de no enfrentar atuando diretamente contra o abuso e da exploração sexual contra crianças e adolescentes. Através de programas e projetos para que a proteção da infância e da adolescência seja pauta de políticas públicas e privadas, com parcerias de empresas, sociedade civil e governos. (BRASIL, Childhood)
§ 4º Nas hipóteses em que houver risco à vida ou à integridade física da vítima ou testemunha, o juiz tomará as medidas de proteção cabíveis, inclusive a restrição do disposto nos incisos III e VI deste artigo.
§ 5º As condições de preservação e de segurança da mídia relativa ao depoimento da criança ou do adolescente serão objeto de regulamentação, de forma a garantir o direito à intimidade e à privacidade da vítima ou testemunha.
§ 6º O depoimento especial tramitará em segredo de justiça.(BRASIL, 2017). Nesse sentido, é importante salientar que “A principal vantagem às crianças e adolescentes vítimas e testemunhas de violência é o fato de não serem mais interrogadas numa sala de audiência tradicional, cercada de vários adultos estranhos, figuras de autoridade, muitas vezes em sua maioria homens, enquanto as vítimas em sua maioria são meninas, o que por si só torna a situação bastante ansiogênica e possivelmente constrangedora. Além disso, o fato da criança/adolescente poder ser ouvido em produção antecipada de prova facilita seu acesso à memória porque seu depoimento será prestado em época mais próxima dos fatos ocorridos. O DE também possibilita que ela seja ouvida uma única vez e este depoimento valerá tanto para a fase de inquérito, quanto para a fase processual, o que também é uma grande vantagem, pois evita a revitimização por meio de repetidas entrevistas ao longo de vários anos”.(Psicóloga Forense e Servidora capacitada para aplicação do Depoimento Especial na Comarca de Tubarão/SC).
Segundo dados do Tribunal de Justiça de Santa Catarina atualmente o depoimento sem dano é disponibilizado em 81% das 111 comarcas do Estado, isso em setembro de 2019, o que demonstra que a técnica prevista em lei está praticamente presente em todas as regiões e comarcas. (SANTA CATARINA, 2019).
Em Tubarão a pesquisa demonstrou os seguintes resultados, como pode-se observar: Gráfico 3: Demonstrativo da oitiva pelo procedimento do depoimento sem dano
Fonte: Elaboração da autora, 2020.
54% 15%
31%
Foi realizado oitiva pelo procedimento do depoimento
sem dano
O que demonstra que em nossa Comarca segundo análise dos dados dos autos pesquisados que o procedimento do depoimento sem dano, também conhecido por depoimento especial, vem sendo respeitado uma vez que mais da metades dos processos, 7 (54%) deles a inquirição ocorreu nos parâmetros da Lei n. 13.431/2017, 2 (15%) estão aguardando a respectiva data para a realização do depoimento e em 4 (31%) dos casos não foi necessária a submissão dessas crianças ao depoimento, provavelmente pela tenra idade da vítima e demais provas do caderno indiciário.
Desse modo, restou evidenciado que em Tubarão/SC o procedimento vem sendo realizado conforme os procedimento estabelecidos com a Lei da Escuta Protegida, atingindo seu objetivo principal no qual é garantir a proteção dos direitos dos infanto-juvenil, isso se confirma com o relato da profissional responsável pela tomada da oitiva na esfera judicial que relatou que “Com o DE o foco principal é o respeito pela criança/adolescente, é oferecer um ambiente protetivo e acolhedor para que ela, querendo, possa dar o seu relato acerca dos fatos por ela vivenciados. Nesse sentido entendo que o DE vem cumprindo seu papel”. (Psicóloga Forense e Servidora capacitada para aplicação do Depoimento Especial na Comarca de Tubarão/SC).