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Fonte de luz e comprimento de onda

No documento Anais. (páginas 148-150)

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2. Fonte de luz e comprimento de onda

O estímulo luminoso afeta a atividade, a reprodução e o crescimento das aves (PHILLIPS, 1992). O comprimento de onda e a intensidade afetam a atividade. Fontes de luz com diferentes comprimentos de onda podem ser percebidas como tendo diferentes intensidades, mesmo que o registro fotométrico de intensidade seja o mesmo para ambas as fontes. Isto porque é improvável que a sensibilidade do espectro do fotômetro tenha exatamente a mesma sensibilidade nas aves (NUBOER et al., 1992; PRAYITNO e PHILLIPS, 1997). As luzes verde e azul são classificadas de onda curta. Expostas a estas condições, as aves tem dificuldade de visualização. Esta característica permite que em determinados locais, a luz azul seja recomendada quando da apanha dos frangos para abate (NORTTH & BELL, 1990; CLASSEN, 1996). Experimentos tem indicado que frangos submetidos a ambientes onde as luzes são de coloração verde e azul apresentam maior velocidade de crescimento (CLASSEN, 1996), mas uma alta incidência de anormalidade de patas em frangos criados em

luz azul foi observada (PRAYITNO et al., 1997). Já as luzes laranja e avermelhada, consideradas de amplo comprimento de onda, propiciam uma aceleração da maturidade sexual. Além disso, a luz vermelha reduz o canibalismo, devido a dificuldade da ave enxergar o sangue em outros animais lesionados (SCHUMAIER et al., 1968). Em perus, a luz azul propicia a redução na atividade comparativamente à luz branca, verde, ou vermelha (LEVENICK & LEIGHTON, 1988). PRAYITNO et al., (1997) conduziram experimentos para investigar se a manipulação do comprimento de onda e da intensidade de luz poderia ser usado para aumentar a atividade e reduzir problemas locomotores em frangos de corte. Os autores observaram que o ato de caminhar, permanecer parado, beber, a agressão e o ato de esticar as asas aumentava com a intensidade da luz vermelha, mas não com a luz azul. Estas características observadas com a luz vermelha são consistentes com os trabalhos de NEWBERRY et al. (1988), que usaram luz branca. A luz branca contém uma alta proporção de comprimentos de onda longos. A falha do aumento da intensidade de luz azul em aumentar o período parado ou caminhando sugere que a percepção do comprimento de onda longo pela pineal é fundamental para afetar a atividade. Comprimentos de onda longos penetram na cavidade craniana mais do que comprimentos de onda curtos e estimulam o desenvolvimento reprodutivo (BENOIT, 1964; HARTWIG & van VEEN, 1979). Este aumento na penetração pode explicar os efeitos na atividade, porque em muitos animais o aumento na atividade para o acasalamento é parte essencial para o desenvolvimento reprodutivo (PRAYITNO et al., 1997). Além disso, o uso de luz vermelha brilhante aumentava consideravelmente o período em que as aves permaneciam caminhando e se alimentando, particularmente quando aplicado durante o período inicial de crescimento. Os autores concluíram que criar aves de corte em luz vermelha brilhante aumentava a atividade, o que reduzia problemas locomotores no período final de crescimento. Além disso, é preferível fornecer estímulo de luz no início do período de crescimento dos frangos.

As fontes luminosas usadas na avicultura, quer seja luz fluorescente ou incandescente, são eficientes desde que adequadamente utilizadas, uma vez que apresentam amplo espectro. A eficiência de lâmpadas fluorescentes pode ser mantida somente quando a temperatura do ar encontrar-se entre 21 e 27oC. A

eficiência é reduzida com temperaturas abaixo ou acima deste intervalo ótimo. Em temperaturas entre -1,1 e 4,4o C, por exemplo, ocorre somente em torno de

60% da produção máxima (NORTH & BELL, 1990). Ainda assim aqueles autores indicam que, na maior parte dos casos, a luz fluorescente é satisfatória para aviários. Quando utilizadas, a intensidade de luz deveria ser semelhante a recomendada para lâmpadas incandescentes. CLASSEN (1996) recomenda intensidade de 20 lux durante os primeiros 7 dias de vida e 5 lux posteriormente para frangos de corte. As lâmpadas devem ser colocadas a uma altura o mais próximo possível das aves, sem contudo interferir na atividade do tratador. Esta altura deve ficar entre 2,1 a 2,4 m do piso. NORTH & BELL (1990) ainda recomendam que cada watt da lâmpada deveria cobrir 0,37 metros quadrados de piso para propiciar 10 lux de luz. Isto é obtido com a utilização de refletores a uma altura de 2,1 a 2,4 metros acima do piso. A altura e a distribuição das lâmpadas deve ser de tal forma a usar lâmpadas preferencialmente não

superiores a 60 watts. Quando lâmpadas com intensidade acima de 60 watts são utilizadas, a distribuição da luz é menos uniforme e requer mais eletricidade para iluminar o aviário.

Comparando diferentes fontes de luz, ZIMMERMANN (1988) não detectou alteração no ganho de peso dos frangos recebendo ambiente com luz fluorescente, comparado com incandescente. Já SCHEIDELER (1990) observou que o tipo de lâmpada não apresentou efeito sobre o desempenho produtivo dos frangos, mas afetou a intensidade e o consumo de energia elétrica. A luz fluorescente baixou o custo da energia elétrica consumida, sem qualquer efeito prejudicial no desempenho dos frangos, comparativamente a luz incandescente de baixa voltagem. BOSHOUWERS e NICAISE (1992) submeteram frangos de corte a ambientes contendo luz fluorescente com capacidade de 100 Hz a 2600 Hz e luz incandescente. Os autores concluíram que a fonte de luz afetou a atividade física e o gasto energético. Interessante salientar que o gasto energético não acompanhou fielmente a atividade. Maiores gastos foram observados em aves submetidas a luz incandescente, comparativamente a luz com alta fluorescência, estando de acordo com os dados de atividade física. Entretanto, a baixa atividade em aves expostas a baixa luz fluorescente foi acompanhada por maiores gastos de energia. Apesar da baixa atividade, o maior gasto energético pode ser explicado pelo incremento do estado de medo e alerta, com concomitante maior gasto de energia, resultante de uma alta atividade tônica muscular. Tendo em vista que em condições de climas quentes, é desejável reduzir a atividade das aves, a luz fluorescente pode apresentar uma vantagem sobre a luz incandescente. O peso corporal foi superior nas aves expostas a luz incandescente, possivelmente por estimular o consumo alimentar.

No documento Anais. (páginas 148-150)