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ORGANOGRAMA 2 - DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.6 AGENTES CONSUMIDORES

2.6.2 Fontes alternativas

As fontes alternativas podem contribuir como um importante componente na

conservação de água nas edificações. Considerando o sistema público como

principal fonte de abastecimento de água nas edificações, parte desta oferta poderá

ser substituída ou complementada por outras fontes alternativas que supra a

demanda parcial ou total. Como fontes alternativas podem ser consideradas:

utilização de água subterrânea; aproveitamento de água de chuva; reciclagem e

reuso de água cinza e utilização de água envasada (SANTOS, 2002). O uso de

fontes alternativas é questionável se de fato há conservação de água ou substituição

de fontes, o propósito conservação significa diminuição de consumo.

2.6.2.1 Água subterrânea

Água subterrânea são depósitos naturais no subsolo e que podem ser

originária de lençóis freáticos ou lençóis artesianos e que possam ser explorado

através da abertura de poços artesianos (SANTOS, 2004).

Em virtude ainda da falta de tecnologia para indicar os locais exatos com

existência de água com qualidade e quantidade para atender a demanda específica

tem sido uma das condicionantes limitadora deste tipo de atividade. Desta forma, o

abastecimento de água oriunda de fontes subterrâneas se cerca de cuidados

especiais. Tem de ser verificado por profissionais experientes e capazes

tecnicamente para avaliar, mesmo empiricamente, a viabilidade de perfuração de

poços com o objetivo de abastecimento.

Tem de ser verificado inicialmente se há espaço físico para perfuração de

poço. Verificar também se a água encontrada é de boa qualidade, e se atende os

requisitos mínimos da Portaria 518/204 do MS para ser classificada como potável.

Verificar se a fonte oferta o suficiente que justifique o investimento. Atendendo os

requisitos mínimos, a fonte pode ser considerada como uma boa opção para

conservação de água, desde que seja reduzido o consumo da água ofertada pelo

fornecimento público.

2.6.2.2 Águas Pluviais

Outra fonte alternativa a ser explorada, para determinadas situações, são as

águas pluviais que têm se tornado uma boa opção para conservação de água. A

água de chuva coletada pode ser utilizada para fins não potáveis, como descargas

das bacias de toaletes, irrigação de jardins, lavagem de calçadas e carro

(VILLAREAL; DIXON, 2005).

Na Suécia, apesar da grande abundância de água como recurso natural,

somente 0,5% dessa disponibilidade é usada por ano (VILLAREAL; DIXON, 2005).

escala de sistemas centralizados, tem deixado vulnerável o suprimento de água

potável. Naquele país, 20% do consumo de água são para descargas sanitárias,

15% para lavagem de roupa e 10% para lavagem de carro e limpeza. (VILLAREAL;

DIXON, 2005).

Ainda na Suécia, está sendo estudado um projeto para coleta e

aproveitamento de água de chuva em um complexo residencial de dois blocos

circulares construído no período compreendido entre os anos de 1970 e 1972. Está

sendo estudado através de modelo matemático para dimensionamento de

reservatórios em função da variação de precipitação e demanda nas descargas de

sanitários, lavanderia e lavagem de áreas e de carro (VILLAREAL; DIXON, 2005). A

captação de água de chuva para uso em edifícios antigos também é valida, mas

necessita de estudos mais aprofundados para avaliação de benefícios.

A água de chuva tem se mostrado como uma solução adequada para suprir a

demanda de consumo de água não potável parcial ou totalmente, trazendo

benefícios econômicos e ambientais.

No Japão, o aproveitamento de água de chuva tem ocorrido em larga escala e

com bastante sucesso. Um exemplo é no Sumida City Office onde a água de chuva

é coletada em uma área de telhado de 5.000 m2. Em seguida é armazenada em um

depósito de 1.000 m3 que fica na base do edifício. Em 1998, o total de água de

chuva usado nas toaletes foi de 4.658 m3, que representou 36% do total de consumo

nas toaletes (VILLAREAL; DIXON, 2005).

Desde a década de 80, as residências na Alemanha vêm utilizando

largamente água de chuva, como fonte alternativa, apesar da Alemanha ser

considerado um país que não tem dificuldade com oferta de água. Atualmente,

naquele país mais de 50.000 projetos para coleta de água de chuva dos telhados

estão sendo instalados, em grande parte das novas casas, para uso não potável.

Para uso de água de chuva é necessário verificar se a água coletada dos telhados

pode ser facilmente tratada e se o uso dessa água realmente traz benefícios

financeiros (NOLDE, 2007).

Nolde (2007) informa como novidade o aproveitamento de água de chuva

oriunda de coleta em áreas mais poluídas, como quintais, estacionamentos e ruas.

Através de estudo mostra que essas águas com um tratamento simples e barato

das residências, sem risco sanitário.

O Brasil, apesar de deter 12% da água doce do mundo, a distribuição é de

forma desigual por regiões geográficas (TUNDISI, 2003). Portanto, o aproveitamento

de água de chuva nas regiões mais carentes pode ser merecedor de atenção.

Mesmo com a abundância de água doce no Brasil, a disponibilidade em m3 por

hab.ano diminuiu bastante nos últimos 100 anos. (GHISI, 2006).

A água de chuva está bastante difundida e recomendada para uso não

potável, no entanto tecnicamente é necessário se fazer verificações. Conforme

Fendrich (2004), essas verificações são em relação à dimensão da área de coleta de

água, do coeficiente superficial regional e da pluviosidade da região. Com estes

dados, é possível ter o volume útil a ser acumulado mensalmente, desconsiderando

o volume de descarte, necessário nas primeiras chuvas, utilizado para limpeza de

impurezas na área de coleta e tubulações.

A partir das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT –

se dimensiona as instalações hidráulicas pluviais, para coleta de água de chuva.

Com dados de Tomaz (1998) citado por Fendrich (2004) se dimensiona os

reservatórios de autolimpeza e de reserva de água pluvial. Com o volume de

reservatório definido se compara o volume usado de água potável que poderia ser

substituído por água não potável. Faz-se a comparação mensal em função da

pluviosidade, e valoriza com dados tarifários da concessionária pública.

Com o orçamento para implantação da coleta e uso de água de chuva e com

o valor economizado pela substituição, identifica-se o retorno do investimento

(FENDRICH, 2004).

2.6.2.3 Água Cinza

Outra fonte bastante promissora em edificações é uso de água cinza, que é

classificada como a água proveniente do uso primário em chuveiros, lavatório e

máquina e tanque de lavar. Essas águas após serem usadas pela primeira vez como

água potável para asseio e higiene pode em seguida ser coletada separadamente,

tratada e reaproveitada para fins não potáveis (LOBATO, 2005).

Na Austrália, um complexo residencial denominado D´LUX está

O projeto de conservação de água inclui reuso de água e água de chuva coletada na

área de cobertura e áreas impermeabilizadas do próprio complexo. A significância do

projeto D´LUX é alentadora, pois o governo da Austrália anunciou duas medidas

como meta para conservação de água na indústria: Reduzir o consumo de água

potável em Melbourne na ordem de 10% até 2010 e reciclar em torno de 20% da

água residuárias. O projeto D´LUX caracteriza-se como o primeiro que vai utilizar

água de chuva e cinza simultaneamente para fins não potáveis. É também a primeira

vez que os serviços de operação e manutenção, incluindo análise de risco sanitário,

manuseio e qualidade da água, serão executados por terceirizados com a

supervisão das autoridades sanitárias locais (GODDARD, 2006).

No Brasil, também tem sido pesquisado o reuso de água em edificações,

tendo se revelado viável em algumas aplicações, tanto técnica como econômica

(SILVA, L. et al., 2004). O reuso não deve ser considerado somente como fonte

alternativa, mas como um componente de redução de consumo e melhorias do

ponto de vista ambiental. A sua aplicação é para substituir a utilização de demandas

que não necessitam de água essencialmente potável, tais como rega de jardins e

descargas sanitárias (CRISTOVA-BOAL, et al., 1996).

Do ponto de vista econômico, o agente consumidor é beneficiado com a

redução da taxa de uso de água. Quando se deixa de gastar um litro de água, o

agente consumidor economiza, deixando de pagar a tarifa correspondente a esse

litro de água como também a taxa correspondente pelo uso de esgoto sanitário. No

Brasil, a taxa de uso para esgoto sanitário varia de acordo com cada concessionária

de água (MIELI, 2001). Na cidade de Curitiba, a taxa de uso de esgoto corresponde

a 0,85 litros de água consumida (SANEPAR, 2006).

Focando o lado natural, em virtude do fenômeno ciclo hidrológico, a água é

considerada um recurso renovável. A água proveniente do ciclo hidrológico é um

recurso limpo e seguro, no entanto é deteriorado em diferentes níveis de poluição

que depende de como e em qual extensão está sendo usada. A água ao ser usada

pode ser recuperada e utilizada novamente em diferentes usos. A qualidade da água

uma vez usada deverá receber o tratamento específico que requer o novo uso

associado ao custo de tratamento. Hespanhol (1997) apresenta as atividades mais

indicadas para reuso:

a) Agricultura e aqüicultura que podem se utilizar de água que não seja

necessariamente de boa qualidade;

b) Indústria com uso em torres de resfriamento e em processos que utilize

água que não necessite de água de boa qualidade;

c) Meio Urbano, onde o reuso de água pode ser usado principalmente em

aplicações que não necessite de água potável (CROOK et al., 1992

citado por ESPANHOL, 1997).

No meio urbano, o reuso de água pode ser utilizado na irrigação de campos

de golfe, em canteiros de ruas e gramados, irrigação de coberturas vegetais, em

áreas no entorno de complexos residenciais e de fábricas. Pode ser usada também

em áreas decorativas que utilize água tais como fontes e reservatórios com

cachoeiras. Usada também como reserva para combate a incêndio e finalmente para

uso em descargas sanitárias em edifícios residenciais e comerciais (HESPANHOL,

1997).

A desvantagem no uso urbano de reuso de água não potável é a inviabilidade

da construção de dutos e de redes de distribuição que envolve altos custos, além

dos riscos potencial de conexão cruzadas. Custos, entretanto, devem ser avaliados

na comparação com os benefícios pela eliminação da necessidade de fontes

adicionais para suprimento de água potável (HESPANHOL, 1997).

2.6.2.4 Água Mineral Envasada.

Uma alternativa que tem sido utilizada com grande freqüência no Brasil, que

apesar do baixo consumo per capita também contribui para conservação é a água

envasada ou água mineral engarrafada. Esta água é originária de fontes

subterrâneas e são embaladas geralmente em garrafões para consumo direto e

também para cocção. Essas águas precisam ser de fontes com procedência e que

tenham autorização das agências reguladoras de exploração. Em termos de

qualidade devem atender àsrecomendações das normas vigentes para classificação

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