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3. CAMINHOS DA INVESTIGAÇÃO

3.1 Procedimentos Metodológicos

3.1.2 Fontes de Coleta/ Informação

Com base nos objetivos, foram delimitados os sujeitos da pesquisa a partir de uma amostra intencional. Considerou-se sujeito de estudo o secretário municipal de saúde, dos municípios participantes das pesquisas “Fronteira Mercosul: um estudo sobre o direito à saúde”53 e “ Saúde nas fronteiras: um estudo do acesso aos serviços de saúde nas cidades de

fronteira com os países do Mercosul54”.

Utilizou-se como base empírica, os dados secundários constantes em dois bancos disponíveis. O primeiro, foi construído a partir das informações sistematizadas no projeto “Fronteira Mercosul: um estudo sobre o direito à saúde”, e os dados foram coletados por meio de: 1) formulários (212), em 28 municípios da linha de fronteira com mais de 10.000 habitantes; 2) entrevistas (18) com gestores e profissionais de saúde das cidades pólos de demanda; 3) relatório sobre o perfil dos municípios; 4) relatos de observação dos pesquisadores sobre os sistemas de saúde das cidades visitadas55.

Para o estudo aqui proposto, deste banco de dados foram utilizadas apenas as entrevistas com gestores ou Secretários Municipais de Saúde (SMS). Foram utilizadas, neste primeiro banco de dados, seis (06) entrevistas com SMS, bem como, a análise dos diários de campo, elaborados por pesquisadores, e relatórios do perfil dos municípios. Assim,

53 Coordenado pela Professora Dra. Vera Maria Ribeiro Nogueira, da Universidade Federal de Santa Catarina,

concluído em 2005.

54 Coordenado pela Professora Dra. Ligia Giovanella, da Escola Nacional de Saúde Pública, concluído em 2006. 55 ANEXO A, roteiro de entrevista com os SMS’s do projeto “Fronteira Mercosul: um estudo sobre o direito à

totalizaram três (03) entrevistas com Secretários Municipais de Saúde no Rio Grande do Sul, uma (01) em Santa Catarina e duas (02) no Paraná.

No Rio Grande do Sul, com o Projeto “Fronteira Mercosul: um estudo sobre o direito à saúde” foram entrevistados os Secretários Municipais de Saúde (SMS) das cidades de São Borja, Santana do Livramento e Jaguarão, nos meses de janeiro e fevereiro de 2005. A entrevista em Santa Catarina, se deu com o secretário municipal de saúde de Dionísio Cerqueira, em fevereiro de 2005. No Paraná, foram realizadas entrevistas em Foz do Iguaçu e Guairá, com os respectivos Secretários Municipais de Saúde, realizadas no mês de abril de 2005.

Esse projeto foi desenvolvido de agosto de 2003 à julho de 2005, com apoio financeiro do CNPq. As entrevistas foram realizadas com gestores de saúde e profissionais (assistentes sociais e enfermeiras) dos municípios. Contudo, de acordo com os objetivos propostos, ressalta-se que foram utilizadas apenas as entrevistas com Secretários Municipais de Saúde. A escolha por esses sujeitos se justifica, pois são eles os responsáveis diretos, em âmbito municipal, pela gestão das ações e serviços de saúde.

O segundo banco de dados, Projeto “Saúde nas fronteiras: estudo do acesso aos serviços de saúde nas cidades de fronteira com países do Mercosul”, as entrevistas foram realizadas também nos três Estados da Região Sul, todas no mês de novembro de 2005. logo, as entrevistas analisadas no estudo foram: a) no Rio Grande do Sul, com o secretário de saúde da cidade de Santana do Livramento; b) em Santa Catarina, com o secretário municipal de saúde no município de Dionísio Cerqueira; e no Paraná, com o secretário de saúde da cidade de Foz do Iguaçu e Barracão. Contemplando entrevistas com quatro (04) gestores municipais de saúde.

O projeto foi desenvolvido de 2005 à 2007 com apoio do CNPq56. As fontes de infor­

mação foram, além das entrevistas com secretários municipais de saúde, por meio de estudos de caso em quatro cidades brasileiras gêmeas, correspondentes aos municípios localizados na fronteira com o Uruguai, Argentina e Paraguai, mediante visitas e entrevistas com autoridades locais e gerentes de unidades de saúde brasileiras e estrangeiras. Também foram realizadas entrevistas com Secretários Estaduais de Saúde dos quatros Estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul) e entrevistas, semi-estruturadas, com coordenadores nacionais do SGT 11 da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (GIOVANEL­

56 Esse estudo se fundamentou nas experiências e percepções de atores políticos locais, estaduais e nacionais

quanto aos aspectos: a) implicações da integração regional de acordo com as políticas nacionais, regionais e locais no acesso às ações e serviços de saúde; b) às demandas nos serviços de saúde de localidades de fronteira e c) às estratégias de cooperação e acordos locais (GIOVANELLA et al, 2007).

LA et al, 2007). Novamente ressalta-se que, para atender aos objetivos propostos para este es­ tudo utilizou-se apenas as entrevistas com secretários municipais de saúde dos municípios en­ volvidos na pesquisa.

Dos 58 municípios brasileiros pesquisados, 29 localizam-se no Estado do Rio Grande do Sul, sendo 18 municípios de fronteira com a Argentina e 11 de fronteira com o Uruguai; 10 municípios do Estado de Santa Catarina, fazendo fronteira com a Argentina; 19 municípios do Estado do Paraná, sendo 08 de fronteira com Argentina e 11 com Paraguai.

Os dois bancos de dados aportaram grande parte das informações para essa proposta de estudo. Contudo, alguns indicadores propostos não foram mencionados, sinalizando a necessidade de realização de entrevistas com SMS, afim de acrescentar os dados não observados. Logo, foram realizadas entrevistas com SMS em duas cidades - gêmeas: 1) na cidade de Foz do Iguaçu no Paraná, que faz fronteira com a cidade paraguaia Puerto Iguazu -

Ciudad del Leste; e 2) em Dionísio Cerqueira, Santa Catarina, que faz fronteira com Bernardo de Irigoyen – Argentina57. A escolha dos municípios se deu por apresentarem

elevado grau de assimetrias e um potencial de integração, tanto econômico quanto cultural, distintos das demais cidades, fazendo fronteira com os países do Mercosul: Argentina e Paraguai.

Para a coleta de informações complementares aos bancos de dados, utilizou-se a entre­ vista semi-estruturada, gravada, com questões abertas58. As entrevistas foram norteadas por

um roteiro relacionado aos três blocos, correspondendo aos eixos de análise da pesquisa: or­ ganização dos serviços, gestão dos serviços e financiamento.

Para detalhar a caracterização dos municípios e a construção do perfil dos secretários municipais de saúde foram utilizados, além dos bancos de dados citados, os trabalhos de conclusão de cursos, dissertações de mestrado e tese concluídos, e produzidos no âmbito do “Projeto Fronteira Mercosul: um estudo sobre o direito à saúde” e “Saúde nas fronteiras: um estudo do acesso aos serviços de saúde nas cidades de fronteira com os países do Mercosul”, mencionados anteriormente.

Na apresentação dos resultados, as informações obtidas nas entrevistas com os Secretários Municipais de Saúde, quando citadas na íntegra são caracterizadas pela inicial, referida ao porte populacional do município, seguida de letras e números que se referem ao

57 A entrevista na cidade de Santana do Livramento não pode ser realizada, como prevista no projeto de

Dissertação.

SMS entrevistado. Assim, utilizou-se a seguinte referência para caracterizar o porte populacional dos municípios pesquisados:

População Referência Até 10.000 P 10.001 – 20.000 PA 20.001 – 50.000 PB 50.001 – 100.000 M Mais de 100.001 G

CAPÍTULO - IV

4. A INCORPORAÇÃO DAS INSTITUCIONALIDADES DA POLÍTICA DE SAÚDE