4 RESULTADOS
4.3 PROPOSTA CURRICULAR PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA NO
4.3.3 Fontes Utilizadas para a Escolha dos Conteúdos
Mas, que a gente consiga construir a nossa proposta, que realmente vai atender as nossas necessidades.”
Se conseguirmos consolidar o HTPC para os professores de Educação Física, visualizamos a tentativa de uma prática democrática de gestão, que tem no planejamento participativo a forma de integrar interesses individuais e garantir a representação de aspirações coletivas (PINHEIRO, 2005).
4.3.3 Fontes Utilizadas para a Escolha dos Conteúdos
Quando atentamos para o fato de compreender se os sujeitos da pesquisa utilizam um documento ou referencial para definir o que é ensinado em cada série (questão 14), em se tratando de documentos oficiais, seis entrevistados (S2, S3, S4, S6, S7 e S8) alegaram recorrer a documentos elaborados por órgãos vinculados à Educação, a saber: documento da SME (S6, S7, S8), documento da rede estadual (S2 e S3) e o PCN (S4). E um docente (S1) diz recorrer ao projeto político pedagógico da escola (Gráfico 3).
No parágrafo anterior ao identificarmos nos depoimentos dos sujeitos 7 e
8 documentos da SME como balizador para definir o que ensinarem em cada
série: S7 “Esse conteúdo programático que eu me apeguei nele, e, veio dividido por série, para o 3º, 4º, 5º e 6º ano.” e S8 “Esse documento, essa referência curricular que em entregou [...].”, percebemos uma contradição com o depoimentos dos mesmos sujeitos quando relataram, na questão de nº 13, desconhecerem o fato da SME possuir uma proposta curricular para a EF: S7 “Não, não conheço. Só o conteúdo programático.” e S8 “Não. Eu desconheço. Me entregaram esse documento [...]”.
Entendemos que os termos citados no parágrafo anterior “esse conteúdo programático”, “esse documento”, “essa referência curricular”, podem ser entendidos como uma concepção de currículo, podem se caracterizar como uma proposta curricular. No entendimento de Sacristán (2000), o currículo assume diferentes significados e formatos como um manual, um guia do professor, um plano ou proposta curricular, um programa escolar, dentre outros.
Acreditamos, que pelos dizeres dos sujeitos 7 e 8, estes se referiam à proposta curricular adotada pela SME advinda da rede estadual de Educação, o que nos leva a pensar, o porquê de alguns professores (S6, S7 e S8) de Educação Física da rede municipal terem acesso ao documento (ANEXO C) e os demais não serem contemplados com a aquisição de tal proposta.
Somente o sujeito 5 relatou não utilizar nenhum material como auxílio para a elaboração do que deve ser ensinado em cada ano/série (Gráfico 3), o que nos faz pensar em que este sujeito da pesquisa se apoia para selecionar os conteúdos a serem desenvolvidos durante as aulas.
Outras fontes apareceram nos depoimentos de quatro integrantes da pesquisa (S1, S3, S4 e S8) como apoio no momento de definirem o que é ensinado em cada série: consulta a livros (S1, S3, S4, S8), pesquisa na internet (S3 e S8) e auxílio de material escrito da rede particular de ensino (S3), conforme representado no Gráfico 3.
Gráfico 3 – Distribuição das Fontes Utilizadas para a Escolha dos Conteúdos.
Fonte: Coleta de Dados, 2014.
Um fato que nos chamou atenção dos sete sujeitos (S1, S2, S3, S4, S6, S7 e S8) é o fato deles serem superficiais quantos aos recursos utilizados como auxílio para a escolha dos conteúdos, sendo somente o sujeito 4 mais contundente quanto a este aspecto: “Eu uso mais o PCN e também gosto do trabalho do Pablo Juan Greco. Eu tenho os livros dele, então, ele coloca que a
Educação Física não deve queimar etapas, sendo atividades específicas para cada idade. Então, eu gosto muito de estar utilizando ele.”
Outro fato que despertou nosso interesse, diz respeito ao aspecto de somente um sujeito da pesquisa (S4) fazer menção aos PCNs, o que a nosso ver, causa certa estranheza. Por se tratar de um documento nacional que foi distribuído em todo o território brasileiro, por encontrar-se disponibilizado na íntegra no site do Ministério da Educação e por se caracterizar como um referencial para a organização curricular da Educação Física escolar, acreditávamos que o referido documento fosse lembrado por uma maior quantidade dos docentes sujeitos deste estudo, uma vez que
Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física trazem uma proposta que procura democratizar, humanizar e diversificar a prática pedagógica da área, buscando ampliar, de uma visão apenas biológica, para um trabalho que incorpore as dimensões afetivas, cognitivas e socioculturais dos alunos. Incorpora, de forma organizada, as principais questões que o professor deve considerar no desenvolvimento de seu trabalho, subsidiando as discussões, os planejamentos e as avaliações da prática de Educação Física nas escolas. (BRASIL, 1997, p15)
Para Gaio et al (2010), a Educação Física de acordo com o PCN, aponta para a necessidade do aluno ter acesso a conhecimentos práticos e conceituais, superando a ênfase na aptidão física e no rendimento, para uma concepção mais abrangente em cada prática corporal.
Os PCNs para a Educação Física sinalizam para a não seletividade nas aulas, pautam-se por constituírem de princípios democráticos para o exercício da cidadania, apresentam a preocupação com aspectos teóricos que anteriormente não faziam parte da disciplina de Educação Física, propõem discussões sobre saúde e bem-estar coletivo, organizam os conteúdos em três blocos articulados entre si. (GAIO et al, 2010).
Entendemos, portanto, ser os PCNs, e em especial o destinado a Educação Física, um referencial que pode auxiliar a prática pedagógica do professor e fornecer elementos a partir do seu estudo, para elaboração de outras propostas curriculares inerentes à Educação Física escolar.
Frente aos dados apresentados nesta subseção, constatamos que a
sobre proposta curricular, embora, três destes sujeitos não souberam especificar o nome ou as características dos documentos citados por eles.
Em relação ao local da pesquisa, constatamos que sete sujeitos dos nove participantes, desconhecem a proposta curricular implantada pela SME, menos ainda, oito sujeitos souberam explicar como se deu o processo de elaboração do mesmo. Caracterizando, portanto, um processo não autônomo e não democrático na relação SME, professores de Educação Física e escola.
A maioria (sete) dos sujeitos pesquisados relataram buscar apoio em documentos curriculares de órgãos vinculados à Educação, no projeto político- pedagógico, em livros e consultas na internet, no momento de selecionarem os conteúdos a serem ensinados nas séries do Ensino Fundamental.
4.4 PANORAMA DA ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL DA SME NA PERSPECTIVA DOS PROFESSORES
O Bloco C (APÊNDICE B) do roteiro de entrevista incluiu dez perguntas abordando sobre: os conteúdos do Ensino Fundamental organizados e ensinados pelos professores de Educação Física, a seleção dos conteúdos, as dificuldades para o ensino, o planejamento, a proposta curricular do município e sugestões.
De acordo com a proposta de Minayo (2002), após a análise de conteúdo, chegamos a três categorias a serem analisadas nesta etapa do estudo, a saber: seleção dos conteúdos (perguntas de número 15 e 16), ensino e organização curricular (questionamentos de número 17, 18, 19, 20 e 21) e aspirações (inquirições de número 22, 23 e 24).