SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 CONSTRUÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.2.1 Food Intake Recording Software System – FIRSSt
Baranowski et al. (2002) foram os precursores no uso de novas tecnologias para avaliação do consumo alimentar, com desenvolvimento do Sistema de Registro do Consumo Alimentar do inglês, Food Intake Recording Software System (FIRSSt). A primeira versão do instrumento consistiu em um software desenvolvido para crianças americanas de nove a 11 anos, para obter o autorrelato do consumo alimentar do dia anterior (BARANOWSKI et al., 2002).
O FIRSSt possui o método do R24h de múltiplos passos, com questões sobre as refeições realizadas no dia anterior, alimentos e quantidades consumidas. Os alimentos estão distribuídos em grupos. Para o desenvolvimento do FIRSSt foram realizadas pesquisa formativa e de validação (BARANOWSKI et al., 2002).
O estudo de validação da primeira versão do FIRSSt, com 138 crianças de nove a 11 anos (média de idade 9,6 anos), utilizou como métodos de comparação a observação direta das refeições escolares e um R24h conduzido por um entrevistador treinado. Verificou-se o percentual de 59% de concordância entre o relato no R24h conduzido por um entrevistador a observação direta e 46% de concordância entre o relato no FIRSSt e a observação direta (p<0,01). Os resultados demonstraram que o relato de consumo de frutas e legumes no FIRSSt foram menos precisos quando comparados a um R24h conduzido por um nutricionista treinado (BARANOWSKI et al., 2002).
Posteriormente, foram realizados estudos para verificar as formas de classificação dos alimentos (grãos, frutas, verduras, legumes, preparações alimentares e alimentos diversos) em grupos e as nomenclaturas dadas aos grupos por crianças de oito a 13 anos, tendo como base os alimentos e grupos do FIRSSt. Os resultados demonstraram que as crianças nesta faixa etária pensam e classificam os alimentos de forma similar. No entanto, os nomes dados a cada grupo de alimentos teve alta variabilidade. Os agrupamentos encontrados nestes estudos foram inseridos no FIRSSt, para facilitar a busca dos alimentos (BELTRAN et al., 2008b; BELTRAN et al., 2008c; SEPULVEDA et al., 2008).
Com intuito de aprimorar a acurácia do relato do tamanho da porção no FIRSSt, Baranowski et al. (2010b) testaram o efeito da observação do tamanho do alimento real e da presença de indicativos do tamanho da porção e o relato do tamanho da porção no questionário. Participaram 120 crianças de oito a 13 anos, que foram convidadas a observar em sequência aleatória 16 modelos de alimentos
separadamente, de diferentes tamanhos com ou sem sugestões de tamanho de alimentos (colher, garfo, faca, copo e toalha de mesa marcada). Os 16 modelos de alimentos foram selecionados a partir dos mais comumente consumidos por crianças. Após a visualização de cada modelo de alimento, as crianças eram convidadas a estimar o tamanho da porção, selecionando uma imagem de alimento digital. O percentual médio de classificação correta do tamanho da porção com ou sem indicativos de tamanho de porção foi 60,3% (±12,6). O uso de pequenas imagens do alimento na mesma tela diminuiu o tempo necessário para estimar o tamanho da porção. Não houve diferenças na acurácia por quaisquer características demográficas.
Pesquisas sobre a versão dois e três do FIRSSt não foram publicadas. Posteriormente Baranowski et al. (2012b) desenvolveram a versão 4 do FIRSSt, para crianças de dez a 13 anos de idade. O processo de adaptação teve como base o Automated self-administered 24-hour diet recall (ASA24) (SUBAR et al., 2012) e os resultados dos estudos de classificação dos alimentos em grupos (BELTRAN et al., 2008b; BELTRAN et al., 2008c; SEPULVEDA et al., 2008). O processo de adaptação incluiu alimentos que refletissem o consumo alimentar habitual de crianças. As questões sobre o consumo alimentar foram estruturadas nas três refeições principais (café da manhã, almoço e jantar) e lanches consumidos entre as principais refeições (BARANOWSKI et al., 2012b).
Baranowski et al. (2010a) compararam a velocidade de busca de alimentos no FIRSSt, utilizando duas formas de classificação: a classificação dos itens alimentares por crianças e a classificação dos itens alimentares por adultos. Participaram do estudo 120 crianças de oito a 13 anos de idade. Os participantes foram convidados a responder ao R24h computorizado, usando duas interfaces gráficas de apresentação atrativas dos grupos alimentares (capa de álbum e exibição de árvore), contendo 26 imagens de alimentos cada. A interface gráfica em “capas de álbuns”, chamada em inglês de coverflow, utiliza imagens de alimentos representam um determinado grupo de alimentos. Nesta forma de apresentação, a criança pode colocar o cursor em cima e ver as imagens dos alimentos que fazem parte de cada grupo de alimentos. A interface gráfica de “exibição de árvores”, chamada em inglês de tree view, apresenta os grupos de alimentos em uma lista, os quais estão divididos em outros sub-grupos (outras formas de classificação). Quando um grupo de alimento é selecionado na “exibição de árvore”, outras listas de sub-grupos aparecem. Os resultados mostraram que crianças de oito e nove anos tendem a levar mais tempo para responder e
possuem relato com menor acurácia (0,59 ± 0,27) em relação as crianças com idade entre dez a 13 anos. A estrutura de “exibição de árvore” foi concluída de forma mais rápida pelos participantes. Foi encontrada uma maior acurácia significativa do relato quando os participantes utilizaram a categorização de alimentos realizadas pelas crianças (0,73 ± 0,22) em relação as categorias profissionais (0,68 ± 0,22 p<0,001) e pela utilização da estrutura “exibição de árvore”. Os autores sugerem que crianças menores de dez anos podem ter mais dificuldade em classificar os alimentos em grupos em relação às crianças maiores.
A versão 4 do instrumento inclui também questões simples para sondar os detalhes dos alimentos e excluiu questões em que as crianças não têm capacidade para responder (por exemplo, perguntas sobre o modo de preparo dos alimentos e tipo de gorduras adicionadas). No total, o FIRSSt4 contém 10.000 imagens de alimentos, com até oito tamanhos por alimento para auxiliar na estimativa do tamanho da porção (BARANOWSKI et al., 2012b).
No processo de aprimoramento do FIRSSt4, foi realizada a revisão da pesquisa formativa (BELTRAN et al., 2008a; BARANOWSKI et al., 2010a) para explorar as abordagens de busca pelos alimentos, tamanho de porções e possíveis desafios da avaliação do consumo alimentar on-line. Os resultados apontaram a necessidade de alterar a interface e incluir um novo avatar mais atrativo. Destaca-se que crianças de oito a nove anos apresentaram dificuldades para responder ao FIRSSt4. Os autores recomendam a aplicação do FIRSSt4 em crianças com idade maior ou igual a dez anos. Pesquisas de validação e usabilidade do FIRSSt4 ainda não foram publicadas (BARANOWSKI et al., 2012b).
2.2.2 Young adolescents’ nutrition assessment on computer -