1. E ASSIM
2.1 Formação Continuada e Desenvolvimento Profissional Docente
2.1 Formação Continuada e Desenvolvimento Profissional Docente
Nas palavras de Verdinelli (2007) a formação continuada deve-se ao reconhecimento que aprender implica um processo contínuo, sem estágio final, uma vez que nunca se está pronto, pois o mundo se transforma cotidianamente, na valorização de ações que contribuam para a formação de seres verdadeiramente humanos e no desenvolvimento profissional do professor para que se aumente sua competência teórico-prática e sua sensibilidade social.
Essas ações têm dois focos: um individual, ou seja, o próprio professor ao buscar a sua formação por meio de cursos de pós-graduação, mestrado, doutorado; e outro coletivo, que tem como locus a escola e os problemas vivenciados nesse espaço (VERDINELLI, 2007, p. 19).
Um dos desafios da Educação Básica na atualidade é a formação continuada de professores, dado o contexto social, político, econômico e cultural que a escola está inserida. O profissional da educação precisa fazer uma reflexão crítica de sua função nesse contexto e da necessidade de formação contínua durante a sua carreira profissional. Porto (2000, p. 14) afirma que:
[...] a formação não se conclui, cada momento abre possibilidades para novos momentos de formação, assumindo um caráter de recomeço / renovação / inovação da realidade pessoal e profissional, tornando-se a prática, então, a mediadora da produção do conhecimento ancorado / mobilizado na experiência de vida do professor e em sua identidade, construindo-se, a partir desse entendimento, uma prática interativa e dialógica entre o individual e o coletivo.
Para a formação continuada de professores se faz necessário uma reflexão contínua individual e coletiva, uma vez que a prática docente não se estabelece isoladamente.
Pimenta (1997, p. 49) afirma que a identidade do professor se constrói
a partir da significação social da profissão; da revisão constante dos significados sociais da profissão; da revisão das tradições. Mas também da reafirmação de práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas. Práticas que resistem a inovações porque prenhes de saberes válidos às necessidades da realidade. Do confronto entre as teorias e as práticas, da análise sistemática das práticas à luz das teorias existentes, da construção de novas teorias. Constrói-se, também pelo significado que cada professor, enquanto ator e autor, confere à atividade docente no seu cotidiano, a partir de seus valores, de seu modo de se situar no mundo, de sua história de vida, de suas representações, de seus saberes, de suas angústias e anseios, do sentido que tem em sua vida o ser professor.
O educador tem a sua identidade construída através de uma autorreflexão a cerca de si mesmo como pessoa e como profissional em meio às múltiplas relações com os múltiplos saberes e relações que estabelece com seus colegas de caminhada, sem ignorar as múltiplas contradições da sociedade onde desenvolve sua prática. Nesse sentido a formação de professores compreende um processo de re-humanização com reflexão sistemática, levando a ações conscientes e coletivas no interior da escola, construindo assim a identidade pessoal e profissional.
Dessa maneira, a formação de professores entendida como um conjunto de ações e atitudes que possibilitam o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores faz parte de um sistema escolar em que se encontra uma concepção de escola, currículo e ensino determinado por e para uma sociedade.
De fato, a profissão docente é uma das profissões que mais tem recebido solicitações para manter-se atualizada, qualificada, em face da realidade social. Por isso, o investimento na continuidade dos estudos dos professores, na perspectiva do desenvolvimento profissional, tem sido inquestionável e inevitável. Entende-se que a formação continuada de professores fomenta o trabalho coletivo, contemplando a construção de um saber que alicerça a base conceitual do professor, ao mesmo tempo em que enriquece o aprendizado, contribuindo para o desenvolvimento profissional que nas palavras de Verdinelli, “são todas as ações de formação continuada realizada pelos professores para que aumentem sua competência teórico-prática e sua sensibilidade social” (2007, p. 19).
Baptista (2010, p. 35) complementa:
O desenvolvimento profissional é um processo reflexivo e contínuo que se preocupa com as necessidades pessoais do professor. Pressupõe uma aprendizagem ao longo de toda a carreira em contextos diversificados, em que o professor assume um papel fundamental, sendo as suas potencialidades valorizadas.
A mesma autora argumenta que muitos autores defendem que não há equivalência nos conceitos de desenvolvimento profissional e de formação, isto porque a formação pressupõe a aplicabilidade dos conceitos teóricos na prática profissional, ocorrendo de forma estruturada. “No entanto a formação pode contribuir para o desenvolvimento profissional dos professores, desde que represente uma oportunidade para as suas necessidades individuais de aprendizagem.” (BAPTISTA, 2010, p. 35). A autora destaca ainda que:
A formação é compartimentada por assuntos ou por disciplinas, parte invariavelmente da teoria e, frequentemente, não chega a sair desta. Pelo contrário, o desenvolvimento profissional tem uma natureza contínua, dá especial atenção às potencialidades do professor, processa-se através de atividades, como reflexões sobre a prática e projectos... pressupõe uma aprendizagem ao longo de toda a carreira, com a finalidade dos professores irem ao encontro das necessidades e interesses de cada aluno, contribuindo para uma melhoria das instituições educativas (BAPTISTA, 2010, p. 50).
Para Nóvoa (1992, p. 17) a formação estimula o desenvolvimento profissional dos professores que “tem que estar articulado com as escolas e os seus projectos.” O que se dá com práticas e mudanças de paradigmas, proporcionadas pela formação continuada ao longo da trajetória docente. Nesse sentido o PDE enquanto formação continuada está em consonância com as concepções de Baptista e Nóvoa, proporcionando aos professores subsídios teórico-metodológicos no desenvolvimento de ações educacionais, redimensionando a prática docente, contribuindo para o seu desenvolvimento profissional. A concepção da prática docente no aprimoramento profissional está atrelada as atividades que o docente desenvolve ao longo de sua formação, o que será explanado na sequência com uma breve compreensão e conhecimento da Teoria da Atividade.