5. DISCUSSÃO
5.3 FORMAÇÃO DE PROFESSORES E SUAS DIFICULDADES
“Quando iniciei a carreira de professora era inexperiente, mas procurava fazer o melhor. E tinha uma visão de que professora trabalhava por amor. Afinal o salário era tão pequeno. Se bem que nunca foi grande, mas hoje, em relação ao passado é bem melhor.
Mas este pensamento já tomou outra direção. Hoje vejo que professor tem que trabalhar porque é um profissional. E que ele tem que se capacitar para melhor ensinar, para ter um salário maior, para ser visto e reconhecido pelo seu talento e capacidade. Professor tem que ser livre para falar de liberdade a seus educandos” - CE, Módulo II, unidade 7( ANDRÉ, 2008, p. 149 - 168).
Esse capítulo se inicia com esse depoimento que desmembrado pode ser argumentado em diversos aspectos se tratando da formação de um professor.
Inicialmente, nos cursos de licenciatura atualmente estão sobrando vagas pela falta de interesse dos jovens que querem saber de profissões com status no mercado de trabalho ou que estão em busca de uma grande carreira financeira.
Quando a cursista diz “... que professor trabalhava por amor...”, não é uma mentira, pois ainda hoje se encontram licenciados com essa idéia, com esse sentimento, pois nas condições atuais do ensino, professor tem que ter dom e amor. A carreira de um licenciado já se inicia na jornada dos anos iniciais da graduação com muito estudo e
dedicação, porém com poucas práticas, pois como afirma Lopes (2010), a formação inicial não dá conta de formar o professor para atuar no ambiente marcado pela imprevisibilidade e mudanças. Em sua pesquisa com estudantes de licenciatura as experiências vividas pelos próprios estudantes mostravam quem seguiria a carreira ou não e por diversas dificuldades encontradas os estudantes acabavam desistindo da idéia de ser professor, pois professor hoje tem a responsabilidade delegada dos pais para com eles, ou seja, professor não é apenas professor.
De acordo com Libâneo (2004, p 75 citado por LOPES, 2010), “o professor é um profissional cuja atividade principal é o ensino”, um conceito bem diferente da realidade atual, pois hoje o professor além de cumprir o conteúdo programático, tem que tornar os seus alunos cultos, preocupados com questões do nosso dia e dominadores do saber.
E se é para valorizar tanto a questão de realmente formar professores, em qualquer escola que se for você irá encontrar engenheiros dando aula de física, matemática, licenciado em educação física dando aula de ciências, ou seja, há uma falta de consideração entre os próprios profissionais que acham que dar aula é fácil ou que qualquer um possa dar aula, tendo em vista que é só pegar o conteúdo do material didático e pronto, será que é só isso mesmo? E a parte pedagógica trabalhada nas graduações dos cursos de licenciatura, o modo de como se comportar em sala de aula, tratar o aluno, resolver as dificuldades dos alunos, propiciar uma boa relação do profissional com o aluno, onde se encontram nessas outras formações? Se fosse realmente tão fácil, não existiriam cursos divididos em licenciatura e bacharel. Há muito que pesquisar neste aspecto.
O aspecto ambiental que é o objetivo desta pesquisa, um campo importante, sobretudo no século em que estamos, infelizmente existem profissionais que acabam se envolvendo em projetos ambientais escolares às vezes por modismo ou até mesmo sem saber o porquê.
A pesquisa de Valentin e Santana (2010), feita em uma escola pública com professores de diversas disciplinas envolvidas no projeto ambiental diz em relatos desses próprios professores que eles não acreditavam no seu potencial e que nem tinham feito por livre espontânea vontade, mas sim porque tinham sido escolhidos.
Segundo Gouvêa (2006), muitas vezes os professores estão tão estafados que acabam desenvolvendo estes projetos para preencher o tempo de aula. Isso
questiona outra parte do discurso da cursista, pois será que o professor é reconhecido pelo talento, será que é visto como tal na profissão? É de se pensar.
E quando a cursista diz “... ele tem que se capacitar para melhor ensinar...”
Exatamente, o estudo não termina no final de uma graduação, existem especializações, mestrados, doutorados, capacitações, atualizações enfim uma seqüência de estudos a serem realizados, mas e o tempo, o incentivo, a vontade e a coragem desse profissional de ensino para concretizar seus direitos e sonhos?
Segundo a Lei n° 9795/99 incentivo para capacitações há:
§ 2° deixa claro quanto a capacitação de recursos humanos voltar-se-á para:
I – incorporação da dimensão ambiental na formação, especialização e atualização de educadores de todos os níveis e modalidades de ensino;
II – a incorporação da dimensão ambiental na formação, especialização e atualização dos profissionais de todas as áreas;
III – a preparação de profissionais orientados para atividades de gestão ambiental;
IV – a formação, especialização e atualização de profissionais na área de meio ambiente.
Porém, vale lembrar: e a carga horária de um professor?
Muitos têm quarenta horas semanais, sem contar aqueles que ainda possam aumentar dando aula manhã, tarde e noite. Em relação às escolas públicas existem as licenças que nem sempre são fáceis de conseguir para poder diminuir sua carga horária ou até mesmo ficar um tempo sem dar aula para assim poder estudar. Outra a alternativa é o Plano de Desenvolvimento de Educação (PDE), um mestrado ofertado pelo próprio Estado em que a pessoa desenvolve sua pesquisa com as turmas que tem ou na escola em que trabalha independente de envolver alunos, mas este processo também é complicado, pois exige um processo seletivo e burocrático.
E os profissionais da rede privada? Não existem essas oportunidades, ou eles trabalham e estudam ou deixam de trabalhar para se aperfeiçoar, porém a vaga do trabalho não fica á espera disso e algumas vezes o professor de ciências, biologia ou de qualquer outra disciplina, com a função de dominar o conhecimento do conteúdo especifico, planejar o desenvolvimento das aulas e conduzi-las de maneira eficaz, acaba se deparando com certos obstáculos e não conseguem concluir o
curso em andamento (VILLANI E PACCA, 1997). Isso é desanimador e constrangedor para muitos profissionais.
Envolvendo isto ainda se ressalta a baixa auto-estima de um professor, pois na mídia são apresentados vários acontecimentos que acabam desvalorizando o professor e fazendo com que ele se sinta sem coragem e vontade para sua própria capacitação.
“Outro dizer da cursista em que”... “Professor tem que ser livre para falar de liberdade...”. Será mesmo que existe esta liberdade do professor?
Atualmente é muito desgastante, tem que ter muitos cuidados com seus atos, palavras em sala de aula, formas de trabalhos e como aplicar determinados temas, pois o que antigamente servia como punição ao aluno, hoje pode ser visto como bullyng, preconceito, racismo. Além do convívio professor-estudo, professor-aluno, há o convívio com a escola e com os demais professores.
A importância desse conjunto professores e escola tem inicio no PPP (Projeto Político Pedagógico), onde todos colocam suas idéias e criam os objetivos e regras que irão ser trabalhadas na escola para que haja harmonia e que não fique naquela em que um manda e todos obedecem, o PPP também serve para que os profissionais tenham uma linha de seguimento para trabalhar no ambiente escolar em relação a formas de apresentação de conteúdos, avaliações entre outras coisas.
Em Maciel e Raposo (2005) relata um estudo sobre as relações entre professores – professores e a escola. Eles ressaltam que “as trocas entre parceiros não são só valorizadas, como também incentivadas na medida em que resultam, na experiência humana, em conhecimentos co-construido com o outro”.
No grupo de estudo da pesquisa Maciel e Raposo (2005) tem como objetivo comum de construir uma escola melhor a cada dia e em cima disso eles tem formas de resolver as coisas da escola em grupo para que todos se respeitem sem imposição de um com o outro, que tenham a percepção de contribuir com a escola, que trabalhando juntos eles conseguem alcançar este objetivo.
É a formação do professor está complicado, antes de questionar somente o grau de formação, vale lembrar de todo o contexto deste profissional tão importante da vida de cada um, pois o que ou quem você seria sem a ajuda de um professor?