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Cerca da metade dos participantes deste estudo já realizaram algum curso referente à educação especial, no entanto, apenas um professor afirmou que seu conhecimento auxilia totalmente em sua prática pedagógica. Os cursos que esses professores realizaram foram efetivados somente após o término do curso de graduação, pois a educação especial não era considerada uma disciplina obrigatória nos currículos durante o período em que estavam na faculdade. Essa realidade é

73 confirmada por Soares (2006) quando diz que “os cursos de graduação parecem não contemplar a formação para tal prática.” (p. 03).

Outros participantes disseram que não realizaram nenhum curso, porém, sentem necessidade em fazê-lo. O trabalho de Soares (2006) também aponta que muitos profissionais da educação julgam não estarem preparados para atuarem em contexto inclusivo. Finck (2009) acrescenta que estes professores “sentem-se despreparados para o trabalho, necessitando, certamente, de ajuda e apoio para darem as respostas educacionais necessárias à aprendizagem dos alunos com deficiência.” (p. 31-32).

A maioria dos professores desta pesquisa falou da importância em haver informações ou até mesmo uma disciplina sobre a educação especial dentro dos cursos de graduação. Os mesmos acrescentaram alguns conhecimentos a serem abordados nos cursos, como: compreender os tipos de deficiências, desenvolver práticas docentes no contexto inclusivo, estudar as leis que tangem a inclusão e educação especial, e também, aprender a utilizar softwares para o ensino da música aos alunos deficientes. Segundo Louro (2006), “os educadores da área musical estão cada vez mais sentindo a necessidade de ampliar suas metodologias em prol da diversidade.” (p. 31). A autora acrescenta que,

o professor deve tomar conhecimento do processo de desenvolvimento e aprendizagem, ser capaz de criar adaptações, compreender aspectos da psicomotricidade, informar-se sobre as características básicas das deficiências, entre outros assuntos, para que possa lidar com os novos desafios e superar as dificuldades. (LOURO, 2006, p. 32).

A necessidade para tais aspectos demonstram a importância em haver no currículo do curso de música um embasamento sobre a educação especial. No entanto, é preciso considerar que “uma titulação não indica estar pronto para a atuação, já que há a necessidade de rever a prática.” (SOARES, 2006, p. 85). Deste modo, a prática com alunos com deficiência também poderá ser realizada nos cursos de graduação em música através do estágio supervisionado. De acordo com Finck (2009),

74 a Portaria 1.793/94 do MEC recomenda além de estágios com alunos, a inclusão nos cursos de formação de professores e de outros profissionais, de disciplina ou de itens em disciplinas do currículo referentes, ao atendimento especializado à alunos com deficiência. (FINCK, 2009, p. 32).

Segundo Soares e Cortegoso (2004), a capacitação dos professores de música para atuarem com alunos com necessidades educacionais especiais é importante devido à presença desses indivíduos nas escolas de educação básica. Além disso, Soares (2006) afirma que “é importante, também, que estes cursos favoreçam a reflexão sobre a inclusão, tendência segundo a qual a sociedade deve reorganizar-se para atender todas as pessoas sem discriminações ou rotulações, valorizando as diferenças, sejam elas quais forem.” (p. 05). Contudo, foi constatado que os professores de música necessitam de informações sobre as características dos alunos que apresentam alguma deficiência, assim como, de conhecimentos no que diz respeito à prática musical inclusiva.

75 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A realização desta pesquisa permitiu responder à minha questão inicial, pois a presença de alunos com necessidades educacionais especiais nas aulas de música é concreta e a maioria dos professores de música, participantes deste estudo, inclui os alunos com deficiência nas atividades da turma. Porém, ainda há casos de aulas de música onde o aluno deficiente está apenas presente na sala e não incluído. Esse fato foi identificado entre os participantes, onde foi constatado que alguns professores de música não realizam as atividades com determinados alunos.

Várias são as razões que podem justificar essa exclusão ou dificuldade de incluir o aluno com deficiência nas atividades. Entre elas, comento as encontradas neste estudo: o professor não acreditar na possibilidade do indivíduo com deficiência realizar uma atividade musical, a falta de conhecimentos específicos na área de educação especial e o grande número de alunos em sala de aula versus recursos materiais e humanos disponíveis.

A crença de que o aluno deficiente não é capaz é uma concepção que limita tanto o professor de música quanto o aluno deficiente. O professor que não busca os meios para incluir todos os alunos nas atividades musicais, considerando as diversas propostas possíveis, estará restringindo seus conhecimentos referentes à prática musical pedagógica. Já os alunos excluídos das atividades não poderão usufruir dos prazeres e benefícios que a música é capaz de proporcionar.

A exclusão dos alunos com deficiência das atividades das aulas de música também é constatada devido à falta de preparo dos professores de música para a inclusão. Os participantes da pesquisa, por mais que atuem com alunos deficientes, ainda se sentem despreparados para ensiná-los. A falta de informação ocorre, por um lado, devido à pouca quantidade de cursos que abordem sobre a educação especial no contexto da educação musical e, por outro, pelo fato da maioria dos professores terem sido formados no curso de Licenciatura em Educação Artística, curso que atualmente está em extinção, e que naquele momento não oferecia algum contato com a área de educação especial. Com isso, os recursos para a prática musical docente no contexto inclusivo não fazem parte do conhecimento do professor de música.

76 Constatou-se que as informações acerca da educação especial são relevantes para a formação do professor de música. A maioria dos participantes falou da importância em ter uma disciplina ou item que aborde a educação especial nos cursos de graduação em música. Os conhecimentos sugeridos para a graduação em música pelos professores da pesquisa foram: informações sobre os tipos de deficiência, prática musical docente para o contexto inclusivo, utilização dos softwares para os alunos com deficiência, elaboração de planejamentos de aula para o contexto inclusivo, ler artigos e estudar as legislações acerca da educação especial e inclusão.

A maioria dos professores que participaram desta pesquisa informou que trabalha 40 horas semanais em duas escolas e tem em média 25 a 30 alunos em sala de aula. Frente a esta realidade é fácil entender as dificuldades de planejar e dar aulas incluindo alunos deficientes, pois ainda que os professores de música contem com um professor auxiliar são muitas as variáveis a serem controladas para o sucesso da aula. Penso que o número de alunos é muito grande para as aulas de música, mesmo sem contar com a presença de alunos deficientes que de alguma forma exigem uma abordagem diferenciada.

Contudo, foi possível identificar que os professores de música se importam com a inclusão, no entanto, ainda não estão preparados para tal. Nota-se também, a importância dos cursos de graduação em música oferecerem disciplinas que preparem o professor que terá alunos com necessidades educacionais especiais. O curso de Música-Licenciatura da UDESC, onde a maioria dos participantes estudou, já tem em sua grade curricular as disciplinas de Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS – e Introdução à Educação Musical Especial. Observa-se que esta é uma tendência atual na formação de professores de qualquer área.

Este trabalho trouxe informações a respeito da educação especial que poderão auxiliar o professor de música em sua prática pedagógica como: informações a respeito das deficiências, considerações acerca dos benefícios que a música pode proporcionar ao aluno deficiente, e também, esclarecimentos sobre as terminologias utilizadas e sobre a diferença entre a educação especial e a educação inclusiva. A partir disso posso vislumbrar outros trabalhos complementares a este

77 como, por exemplo, conhecer a prática pedagógica dos professores in loco, já que nesta investigação os dados foram coletados apenas por meio de um questionário.

78 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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82 ANEXOS

Anexo 1 – Carta direcionada

Carta Direcionada aos Professores de Música Atuantes nas Escolas Básicas de Florianópolis

Prezado(a) professor(a),

Venho por meio desta mensagem convidá-lo a responder um questionário que tem como tema a relação do professor de música com a educação especial. Esta pesquisa refere-se ao meu trabalho de conclusão de curso em Licenciatura em Música. Sua colaboração é muito importante.

O questionário encontra-se no link abaixo:

https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?fromEmail=true&formkey=dFg5dndY eUtsWEpycUhzVW1ndkYxd1E6MQ

Desde já agradeço imenso a sua atenção. Atenciosamente,

Dulcinéia Machado

Acadêmica do curso de Licenciatura em Música Universidade do Estado de Santa Catarina

83 Anexo 2 – Questionário

QUESTIONÁRIO PARA PROFESSORES DE MÚSICA Tema: Educação Especial

Agradeço sua colaboração no preenchimento deste questionário que tem como objetivo coletar dados para a elaboração do meu trabalho de conclusão de curso sobre a formação de professores de música e educação especial. Ressalto que sua identidade será preservada para efeitos de publicação. Estão dispostas abaixo 30 questões. Assinale ou preencha os espaços com as informações solicitadas.

1. Sexo: [ ] Feminino [ ] Masculino 2. Qual a sua idade: [ ] Entre 20 a 25 [ ] Entre 26 a 35 [ ] Entre 36 a 45 [ ] Acima de 46

3. Você tem algum curso superior? [ ] Sim

[ ] Não

4. Qual o curso de graduação que você cursou? [ ] Licenciatura em Música

[ ] Bacharelado em Instrumento (violão, violino, piano, canto ou outros) [ ] Licenciatura em Educação Artística – Habilitação Música

[ ] Licenciatura em Artes – Música [ ] Outro.

Se outro, qual? __________

5. Em qual instituição você estudou? [ ] FURB [ ] UDESC [ ] UERGS [ ] UNIPLAC [ ] UNIVALI [ ] UFSC [ ] EMPAP [ ] UFPR [ ] FAP [ ] UEM

84 [ ] UEL

[ ] UFRGS

[ ] Outra

Se outra, qual? __________ 6. Você tem pós-graduação? [ ] Sim

[ ] Não

Se sim, assinale qual o curso. [ ] Especialização

[ ] Mestrado [ ] Doutorado

7. Você está cursando alguma pós-graduação? [ ] Sim

[ ] Não

Se sim, assinale qual o curso. [ ] Especialização

[ ] Mestrado [ ] Doutorado

8. Há quanto tempo você atua como professor de música na escola básica da rede pública? [ ] Menos de 1 ano [ ] 1 a 3 anos [ ] 3 a 5 anos [ ] 5 a 10 anos [ ] Mais de 10 anos

9. Em quantas escolas da rede pública você trabalha? [ ] Uma

[ ] Duas

[ ] Mais de duas

10. Em qual escola você trabalha? Cabe resposta múltipla. [ ] Federal

[ ] Estadual [ ] Municipal [ ] Particular

85 11. Quantas horas semanais você dá aula de música na escola básica da rede pública? [ ] Menos de 10 horas [ ] 10 horas [ ] 20 horas [ ] Mais de 20 horas [ ] 40 horas

12. Para quantas turmas você dá aula de música na escola básica da rede pública? [ ] Até cinco

[ ] Até dez [ ] Mais de dez

13. Qual é a média de alunos que você tem por turma? [ ] De 10 a 15 [ ] De 15 a 20 [ ] De 20 a 25 [ ] De 25 a 30 [ ] De 30 a 40 [ ] Mais de 40

14. Com que frequência você planeja suas aulas? [ ] Diariamente [ ] Semanalmente [ ] Mensalmente [ ] Semestralmente [ ] Anualmente [ ] Nunca

15. Que tipos de atividades musicais você trabalha com os alunos? Cabe resposta múltipla.

[ ] Teoria musical [ ] Canto [ ] Prática instrumental [ ] Apreciação musical [ ] Percussão corporal [ ] Outras Se outras, quais? __________

16. O que você entende por educação especial? __________

86 17. Você já teve ou têm alunos com deficiência em suas aulas?

[ ] Sim

[ ] Não (Pule para questão 27) Se sim, descreva quantos. __________

18. Que tipos de deficiência esses alunos tinham ou têm? Cabe resposta múltipla. [ ] Síndrome de Down [ ] Autismo [ ] Surdez [ ] Cegueira [ ] Paraplegia [ ] Paralisia cerebral

[ ] Deficiência múltipla (quando há duas ou mais deficiências associadas) [ ] Outras

Se outras, quais? __________

19. Qual a sua reação ao descobrir que teria alunos com deficiência? __________

20. Há professor auxiliar para esses alunos durante as suas aulas? [ ] Sim

[ ] Não

21. Você inclui o aluno com deficiência nas atividades da turma? [ ] Sempre

[ ] Às vezes [ ] Raramente [ ] Nunca

22. Você adapta as atividades musicais para o alunos deficiente? [ ] Sim

[ ] Não

Se sim, descreva como. __________

23. Você utiliza material pedagógico adaptado para realizar as atividades com os alunos deficientes?

[ ] Sim [ ] Não

87 Se sim, descreva quais.

__________

24. Você acha necessária a utilização do material pedagógico adaptado? [ ] Sim

[ ] Não

25. Os alunos deficientes participam das atividades? [ ] Sempre

[ ] Às vezes [ ] Raramente [ ] Nunca

26. Descreva em poucas palavras como você se sente dando aulas para alunos deficientes.

__________

27. Você já realizou algum curso referente à Educação Especial? [ ] Sim

[ ] Não

[ ] Não, mas sinto necessidade em fazer

28. O conhecimento que você tem referente ao atendimento educacional especializado auxilia na sua prática docente?

[ ] Sim, absolutamente [ ] Sim, em sua maioria [ ] Não realmente [ ] Definitivamente não

[ ] Não tenho conhecimento na área

29. Em sua opinião, de que modo o ensino musical interfere no desenvolvimento dos alunos com deficiência?

__________

30. Considerando a possibilidade de haver alunos deficientes em sala de aula, que tipo de conhecimento você sugeriria a ser incluído nos cursos de Licenciatura em Música?

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