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A formação no sector de águas e resíduos

CAPÍTULO 4. W-learning: um modelo de e-learning para o sector de águas e resíduos

4.3 A formação no sector de águas e resíduos

O sector de águas e resíduos é, como se pode constatar, um sector com muitas especificidades e uma área que requer conhecimentos técnicos significativos sobre as melhores práticas e sobre a tecnologia disponível.

Apesar de este sector ser sobretudo capital-intensivo (ERSAR, 2010), na medida em que a principal fatia dos custos se refere a investimento nas infra-estruturas e em tecnologia e maquinaria específica de operação dos serviços, a vertente humana tem um impacto significativo na produtividade e na gestão adequada das infra-estruturas. Por exemplo, a manutenção adequada das infra-estruturas permite prolongar significativamente a sua duração, a gestão correcta de uma frota de recolha de resíduos permite poupanças significativas de custos e a reutilização de água residual tratada permite uma melhor gestão dos recursos hídricos. No entanto, muitos dos técnicos do sector não detêm os conhecimentos suficientes que lhes permitam actuar nestas vertentes da forma mais correcta e produtiva.

A formação especificamente destinada à área dos serviços de águas e resíduos centra-se sobretudo ao nível de conferências e/ou eventos temáticos onde são abordadas novas metodologias e tecnologias, alguns cursos do ensino superior ligados à vertente de engenharia e de gestão operacional, havendo alguns centros de formação também associados ao ensino técnico. No entanto, a formação existente ao nível do ensino técnico e mesmo do ensino superior não é, em muitos casos, direccionada para a utilização prática

dos conhecimentos na gestão das infra-estruturas e na gestão operacional destes serviços. Por outro lado, as acções de formação concentram-se sobretudo nas regiões mais populosas, facto que limita a frequência destas acções pelos técnicos das regiões do interior. A grande diversidade de tipologias de entidades e as assimetrias em termos de dimensão criam diferenças acentuadas em termos de competências técnicas, na medida em que apenas as entidades de maior dimensão têm capacidade para contratar técnicos mais qualificados.

Se até ao final da década de 90 o grande problema no âmbito destes serviços era a falta de acesso pelos consumidores ao serviço, especialmente nas zonas mais remotas, o problema neste momento respeita à desigualdade na produtividade e eficiência da prestação dos serviços. O acesso a formação tem permitido atenuar essas desigualdades, garantindo a adopção das melhores práticas na gestão dos serviços. Neste momento, ao nível da formação, as lacunas prendem-se mais com o acesso a formação adaptada às necessidades dos técnicos e das entidades do sector. No caso das entidades de maior dimensão verifica-se já um esforço significativo para estabelecer planos de formação22 para os seus técnicos que permitam melhorar as suas competências, com o objectivo de incrementar a produtividade. No entanto, no caso das entidades de menor dimensão, estas lacunas são mais evidentes, sem que as entidades consigam suportar os custos da formação dos seus técnicos.

A ERSAR tem vindo a disponibilizar uma série de guias técnicos, relatórios e recomendações, de modo a sistematizar as melhores práticas e para promover o contacto destes técnicos com as tecnologias e metodologias mais adequadas a cada função, de modo a tentar colmatar as assimetrias existentes ao nível da formação. Apesar de muito úteis, estes instrumentos têm a desvantagem de ser demasiado teóricos e de muitas vezes promoverem uma aprendizagem auto-didacta, nas quais os técnicos não têm a possibilidade de interacção com um formador, ou com outros alunos, para o esclarecimento de dúvidas23.

4.3.1 O papel do e-learning

As ferramentas de e-learning poderão permitir, no sector de águas e resíduos, uma democratização dos conhecimentos técnicos, sobretudo ao nível das entidades gestoras, assegurando que a distância aos centros de conhecimento não seja um entrave à melhoria contínua da produtividade no sector.

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Por exemplo, a Águas do Douro e Paiva tem já em funcionamento um modelo de formação em e-learning para os seus colaboradores.

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Ainda assim, estes conteúdos continuarão a ser usados no modelo de e-learning ou de blended learning.

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Em diversos outros sectores (ensino universitário, empresas multinacionais de consultadoria, serviços de suporte informático, entre outros) estão já comprovadas as mais- valias do uso do e-learning, por possibilitar a realização de formação generalizada, de forma geograficamente dispersa, com a possibilidade de utilização de materiais de ensino inovadores, a custos significativamente mais baixos quando comparada com a formação presencial. As características específicas do sector de águas e resíduos levam a considerar que estes mecanismos de ensino poderão trazer grandes vantagens na melhoria dos serviços prestados e na produtividade dos operadores.

Os custos envolvidos numa solução de e-learning com uma ferramenta open-source são aparentemente bastante inferiores quando comparados com o recurso a formação presencial ou com a aquisição de soluções proprietárias. No caso de a entidade promotora do e-learning dispor de uma infra-estrutura tecnológica que suporte a instalação de um sistema deste género, os custos com a instalação, personalização, integração com outras ferramentas já existentes (por exemplo, de credenciação e gestão de utilizadores) e de suporte, representam um valor que não ultrapassa os cinco mil euros. Esse sistema, uma vez que disponibiliza o código-fonte respectivo não requer custos adicionais de licenciamento, sendo possível a sua utilização substituindo, pelo menos em parte, a formação presencial cujos custos podem representar, em alguns casos, um valor superior em mais de cinco vezes face à formação em e-learning. Mas as vantagens não se resumem aos custos, uma vez que uma análise custo-benefício demonstra claros benefícios qualitativos no uso do e-learning, tais como a maior comodidade, a flexibilidade ou a possibilidade de replicação das sessões.

Nesse sentido, o papel do e-learning poderá vir a ser muito positivo para o sector, na gradual capacitação dos técnicos e para colmatar algumas das actuais falhas na formação disponível no âmbito do sector.