1. INTRODUÇÃO
3.5. FORMA DE APRESENTAÇÃO E TRATAMENTO DOS DADOS
Anotações de campo foram feitas em caderneta e posteriormente registradas e compiladas em planilha eletrônica Microsoft® Office Excel. O registro fotográfico foi feito
com câmeras de qualidade profissional (Canon EOS 5 Rebel) para facilitar a ilustração e estudo das geometrias externa e interna dos depósitos sedimentares, bem como seus respectivos contextos geomorfológicos.
Para normalizar a largura da praia em relação ao zero da tábua de marés de Cabo Frio, utilizou-se a relação trigonométrica da Figura 6, da qual o valor resultante (ΔD) foi somado ou subtraído à largura medida (D), considerada como a distância entre a linha de maré zero da zona de espraiamento e o pé da duna frontal incipiente.
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Figura 6: Esquema utilizado para efetuar a normalização da altura (H) e da largura (D) da praia medidas em campo. ΔH corresponde à diferença de altura entre a maré zero (usada para normalizar as medidas) e a maré na hora da medida, e ΔD corresponde à diferença entre a largura normalizada e a medida.
3.5.2. Resultados laboratoriais
Os resultados de distribuição granulométrica em dados agrupados em intervalo de 0,125 phi foram convertidos em estatísticas descritivas (diâmetro médio, desvio padrão, assimetria e curtose), calculadas pelo método analítico dos momentos de Pearson. Para amostras com finos pedogênicos, foram obtidas estatísticas com e sem cômputo da fração pelítica, mas apenas os resultados sem pelíticos são apresentados nesta dissertação.
As três primeiras estatísticas tiveram seu padrão combinado de variação espacial testado, em conjuntos de amostras de mesma idade e fácies deposicional, de acordo com o método de McLaren & Bowles (1985), no qual se admite a existência de dois padrões indicadores do rumo de transporte ou de retrabalhamento sedimentar: “mais fino, mais selecionado, mais negativo” (diâmetro médio maior na escala phi, menor desvio padrão e assimetria mais negativa) e “mais grosso, mais selecionado, mais positivo” (diâmetro médio menor na escala phi, menor desvio padrão e assimetria mais positiva). Assim, a observação de um desses dois padrões de variação em dado rumo espacial foi considerada evidência de transporte sedimentar nesse rumo. Os padrões de variação tiveram sua consistência estatística verificada através de testes simples, como médias, desvios e correlações lineares (com a distância ao longo do sistema de oeste para leste) que foram aplicados aos resultados granulométricos e de medidas morfométricas por sensoriamento remoto, procurando estabelecer características de cada agrupamento de amostras. Resultados das medidas estatísticas foram lançados em diagramas de dispersão, em função da distância ao longo da praia, em diagramas de caixa (boxplots) e em diagramas de barras. Nos diagramas de dispersão, retas de regressão e valores de coeficiente de correlação (r) e de determinação (R²) entre variáveis granulométricas e
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distância foram obtidos com os softwares Microsoft® Excel 2013. O critério estatístico utilizado para avaliar os resultados de r foi o nível de significância (α) ou erro I, para a rejeição de hipótese nula (aceitação da correlação), de acordo com o teste unicaudal de
t de Student. O valor de α expressa a probabilidade de aceitar-se uma correlação não
existente. Nos boxplots, obtidos no Minitab 17 Statistical Software, a caixa representa o intervalo interquartis e a linha horizontal no seu interior, a mediana. As linhas verticais (bigodes) unem os valores máximo e mínimo observados, dentro de 1,5 vez o intervalo interquartis. Os dados anômalos (outliers), em asterisco, representam valores observados fora dos bigodes (Figura 7)
Figura 7: Esquema de um diagrama em caixa (boxplot), ferramenta de estatística descritiva utilizado neste trabalho (extraído de Menezes 2009)
Para inferir o rumo de transporte sedimentar e/ou o retrabalhamento, é recomendável, porém, combinar a análise de variação granulométrica com o estudo de outros indicadores, por exemplo, mineralógicos ou morfométricos. O uso do método de McLaren & Bowles (1985) combinado com a análise de variação espacial de minerais pesados de diferentes estabilidades e equivalentes hidráulicos tem possibilitado a inferência do rumo de transporte predominante e de crescimento progradacional para areias quaternárias (Giannini et al. 2003, 2004, Tanaka 2007, Tanaka et al. 2009a, 2009b, Guedes 2009, Guedes et al. 2011).
O estudo de minerais pesados foi feito, portanto, em vista da identificação do padrão de dispersão e/ou transporte de sedimentos, com base na distância à fonte e na
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seleção hidráulica. Mas visou também a algumas das várias outras aplicações potenciais destacadas por Mange & Maurer (1992) e Morton & Hallsworth (1999), com destaque para: 1) determinação da proveniência (rochas e áreas fontes); 2) indicação da ação de regimes hidráulicos particulares e respectivos processos de concentração, vinculados a diferentes fácies deposicionais; e 3) correlação entre gerações de dunas ou barreiras costeiras com base na inferência de contrastes de processos diagenéticos (e.g. grau de dissolução), correlacionáveis com suas idades.
Desse modo, os fatores controladores da distribuição de minerais pesados cuja influência se procurou inferir foram: proveniência, seleção hidráulica por forma e densidade, processo (fácies) deposicional e dissolução pós-deposicional. Para amostras de mesma fácies, testou-se a influência de cada um dos fatores, mantendo-se constantes os outros dois, através de índices de pares de minerais pesados ABi, nos moldes dos propostos por Morton & Hallsworth (1994). O cálculo do índice é feito conforme a equação 2, onde A e B são as concentrações de contagem de dois minerais pesados de comportamento similar quanto a dois dos três fatores controladores, mas contrastantes quanto ao terceiro.
ABi = A x 100 (A+B)
Após a contagem dedicada ao cálculo de índices ABi, os valores, convertidos em porcentagem (%), foram comparados em diagramas de dispersão, de caixa e de barras. Neste estudo, testou-se o uso de vários pares de minerais, obtendo-se bons resultados com três deles: zircão/turmalina (ZTi), minerais de mesma estabilidade, mas equivalentes hidráulicos muito diferentes que, então, indicariam controle hidráulico; turmalina/hornblenda (THi), minerais de equivalentes hidráulicos semelhantes, porém de estabilidades químicas contrastantes (turmalina muito mais estável que hornblenda), e que seriam assim indicadores potenciais do controle por dissolução química; e turmalina/rutilo (TRi) indicador de transporte sedimentar, uma vez que se trata de minerais com suposta mesma estabilidade e fonte, mas que diferem na densidade.
Os índices mencionados e seus respectivos diagramas de variação por grupo de amostras foram obtidos por meio do software Microsoft Office Excel 2013. A exemplo das medidas de granulometria, a variação espacial destes índices foi estatisticamente avaliada pelo coeficiente de correlação linear (r) e respectivo nível de significância (α) obtido pelo teste t de Student.
Os resultados da datação por 14C AMS foram convertidos em anos calibrados antes do presente (cal AP), utilizando-se o programa Calib702 (disponível em calib.org),
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com margem de erro de 2 σ (sigma). Os resultados da datação devem ser calibrados, para a correção de erros embutidos nas premissas do próprio método 14C, conforme segue:
Premissa 1: a relação 14C/12C (δ 14C) é constante no tempo. Na verdade, este delta não é exatamente uma constante, o que torna necessário realizar correção por uma curva gerada pela medida da variação desta relação ao longo do tempo, em um mesmo organismo (anéis de árvores e organismos marinhos, como corais);
Premissa 2: a relação isotópica do organismo é a mesma da atmosfera do seu tempo de vida. Esta premissa é válida para os vegetais, mas não para as carapaças de organismos marinhos, estuarinos e lagunares. As águas superficiais (zona fótica) têm menos 14C que a atmosfera e, portanto, fornecem idades maiores. Este efeito recebe o nome de efeito – reservatório, cujo valor quantificado é conhecido como R, o qual se baseia na concentração média mundial do 14C das águas marinhas superficiais. O efeito reservatório está ligado a dois fatores: atraso das águas do mar em dissolver CO2, e diluição pelas águas frias e profundas, muito pobres em CO2 da atmosfera, via ressurgência.