4. Material e Métodos
4.4. Forma de coleta de dados
Os dados do estudo foram coletados utilizando-se a Lei n° 12.527 (chamada de Lei de Acesso à Informação, LAI), de 18 de novembro de 2011, dispositivo legal que permite consultas de informações diretamente de órgãos públicos. Na primeira consulta à Receita Federal, realizada na data de 14/01/2014, os inputs e outputs mencionados anteriormente foram solicitados, porém, por falta de uma formatação correta no pedido, somente dois deles foram obtidos, tendo sua resposta em 10/02/2014:
- Número de funcionários da Receita atuantes (auditores fiscais e analistas tributários)
- Número de recintos aduaneiros em funcionamento (armazéns, locais de inspeção, etc.)
Entretanto, vale mencionar que algumas das variáveis levantadas inicialmente não foram fornecidas por falta de sistematização dos dados pela RFB. As variáveis "Número de detecções de infrações às leis" e "Volume de materiais ilícitos apreendidos" não foram fornecidas, pois, de acordo com a resposta ao requerimento:
Não detemos essa informação de forma sistematizada, o que exigiria, para atendimento desta solicitação, trabalhos adicionais de análise e consolidação de dados e informações, nos termos do Art. 13, III do Decreto no 7.724/2012,
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devendo, desse modo, ser realizada consulta diretamente a cada unidade descentralizada da Receita Federal.
Considerando que a realização de consultas às unidades descentralizadas da Receita Federal tomaria uma quantidade de tempo incompatível com o cronograma do projeto, bem como teria sua exequibilidade contestada, não foram feitas consultas de forma descentralizada. A Lei de Acesso à Informação não prevê este tipo de consulta individualizada. Em seguida, a segunda consulta realizada na data de 12/02/2014 corrigiu os primeiros erros de formatação cometidos, obtendo como resposta na data de 08/04/2014 as seguintes variáveis:
- Número de declarações de importação/exportação recebidas no posto aduaneiro; - Impostos coletados;
- Quantidade bruta (em toneladas) e valor de cargas transitadas pelo posto.
Levando em consideração os diferentes indicadores de desempenho da Receita identificados a partir de uma consulta secundária pela LAI, respondida em 01/04/2014, analisou-se todos os disponíveis atualmente nos Relatórios anuais de Gestão das Regiões Fiscais (RFB 2012-2013), e, apesar de não se descartar o uso futuro de outros indicadores, o seguinte foi escolhido como principal representante dos resultados aduaneiros na importação:
- Grau de fluidez do despacho de importação
Um detalhe relevante de se mencionar em relação a Lei de Acesso à Informação é o tempo de resposta dos órgãos públicos aos requerimentos. A consulta feita pelo cidadão deve ter uma resposta em até 20 dias corridos, podendo ter seu prazo prorrogado em até 10 dias, totalizando 30 dias para a resposta no máximo, de acordo com o texto da Lei. O segundo requerimento foi processado com sucesso no dia 12 de Fevereiro de 2014, sob o número de protocolo 16853.000251/2014-05, tendo sua prorrogação no dia 6 de Março de 2014. Entretanto, a resposta final com os dados requeridos só foi realizada no dia 8 de Abril de 2014, mais de 50 dias após sua solicitação.
A demora na obtenção de resposta para essas consultas é determinante para o curso da pesquisa, pois uma das maiores limitações da ferramenta DEA reside na obtenção dos dados para construção dos inputs e outputs. Assim, quanto mais rápido e menos burocrático o processo de coleta, melhor o processo de avaliação de eficiência.
Outro fator importante abordado no estudo realizado foi a condução das avaliações voltadas em sua totalidade às atividades aduaneiras de importação, pois estas estão ligadas aos principais problemas, gargalos ou fatores relacionados à tomada de decisão dos gestores da Receita Federal do Brasil. A entrada de mercadorias pelas fronteiras terrestres,
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marítimas e aéreas, conforme descrito anteriormente, deve ser realizada de maneira rápida e eficiente, sem comprometer o controle, resguardando a sociedade de possíveis ameaças.
As avaliações foram conduzidas levando em consideração os anos de 2012 e 2013, dessa forma, os dados coletados nos relatórios de gestão referentes ao primeiro ano avaliado, juntamente com os adquiridos mediante a LAI, para os parâmetros já pré- determinados são apresentados nas Tabelas 5 e 6 a seguir:
Tabela 5: Dados dos inputs das Regiões Fiscais em 2012
Fonte: Elaborado pelo autor
Tabela 6: Dados dos outputs das Regiões Fiscais em 2012
Fonte: Elaborado pelo autor
Utilizando o Microsoft Excel como ferramenta, foram calculados os valores para o coeficiente de correlação entre as variáveis utilizadas para inputs e outputs no ano de 2012. Conforme pode ser visto na Tabela 7, considerando os três primeiros parâmetros que servirão de input, observa-se relações fracas entre os mesmos, por outro lado, dentre os
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outros três que comporão os outputs, "Fluidez na Importação" e "Valor FOB" apresentam forte correlação em níveis maiores que 97%, não sendo recomendado a utilização de ambos em uma mesma avaliação pela possível ocorrência de resultados com viés. Assim, os cenários foram construídos sem utilizar ambos parâmetros mencionados ao mesmo tempo.
Tabela 7: Correlação entre os dados do ano de 2012.
Fonte: Elaborado pelo autor
Os dados coletados nos relatórios de gestão e mediante a LAI para o segundo ano de avaliações (2013), são apresentados nas Tabelas 8 e 9 a seguir:
Tabela 8: Dados dos inputs das Regiões Fiscais em 2013
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Tabela 9: Dados dos outputs das Regiões Fiscais em 2013
Fonte: Elaborado pelo autor
Novamente, foram calculados os valores para o coeficiente de correlação entre as variáveis utilizadas para inputs e outputs no ano de 2013. Como pode ser notada na Tabela 10, uma relação extremamente fraca entre "Funcionários" e "Investimentos" de menos de 2%, enquanto entre os outputs "Fluidez na Importação" e "Valor FOB" novamente existe uma relação forte em níveis maiores que 98%. Assim, os cenários construídos não utilizaram simultaneamente os dois primeiros ou os dois últimos mencionados como parte de um mesmo grupo de inputs ou outputs.
Tabela 10: Grau de correlação entre os dados de 2013.
Fonte: Elaborado pelo autor
Utilizou-se o procedimento indicado por Jahanshahloo e Khodabakhshi (2004) para mensurar o intervalo de confiança para a constante infinitesimal não arquimediana do nosso modelo, evitando ocorrência de possíveis soluções ilimitadas. Esse valor é obtido ao considerarmos o arredondamento para cima da soma dos outputs de maiores valores, evidenciados para ambos os anos na Região Fiscal 8.