2 REVISÃO DE LITERATURA
2.2 Manejo de florestas naturais
2.2.4 Forma do fuste
Os fustes das árvores apresentam formas variáveis, modificam- se de acordo com a espécie e até mesmo dentro da espécie. A forma do fuste varia de indivíduo para indivíduo, conforme as condições edafoclimáticas, os tratamentos silviculturais e a posição sociológica em que cada árvore se desenvolve. A forma também varia com a idade, devido a seu ciclo evolutivo e devido à concorrência causada pelas árvores vizinhas no seu período de vida (Larson, 1963; Finger et
al. 1995).
Para Borges (1981), a forma do fuste das árvores, genericamente, é a sua expressão exterior, que, a rigor, não se identifica com a forma de um sólido geométrico específico, mas com várias formas, segundo a posição considerada no fuste. A forma do fuste pode ser associada ao termo “afilamento”, que representa a redução do diâmetro com o aumento da altura. Essa tendência natural, que ocorre na maioria das espécies, pode ser expressa por uma função matemática que descreva essa variação. O afilamento do tronco tem sido definido como o decréscimo em diâmetro a partir da base do fuste para a sua extremidade superior.
formulação matemático/estatística das funções de afilamento. Somente uma pequena parte das publicações atentava para os aspectos relacionados às possíveis aplicações das curvas de forma, que eram comumente apontadas como assunto para futuras pesquisas.
O autor comenta que alguns trabalhos examinaram as diferenças nas formas dos troncos devido às diferenças nos sítios, bem como as relações entre a forma da curva de afilamento e a posição sociológica dos fustes e das copas no povoamento e também as relações entre as curvas de afilamento e os tratamentos silviculturais (fertilização, desbaste e desrama).
De acordo com Schneider (1993), independentemente da irregularidade das seções transversais dos troncos, as árvores possuem determinado tipo de forma, que varia em função de fatores, como o sítio, a densidade do povoamento, a intensidade do vento que age sobre as copas e as intervenções silviculturais aplicadas aos povoamentos, como desbastes e desrama.
Para Finger (1992), o desenvolvimento de modelos dendrométricos tem por objetivo utilizar recursos matemáticos para analisar cubagens de árvores, de modo que estas tenham suas formas naturais comparadas a sólidos geométricos de revolução, para que seus volumes sejam determinados. No estudo matemático dos volumes das árvores considera-se suas seções circulares, embora elas não sejam perfeitamente circulares.
Segundo o mesmo autor, parte-se do pressuposto de que as figuras geométricas relacionadas aos troncos originam sólidos de revolução correspondentes quando estes são rotacionados em torno do
seu próprio eixo. Assim, o volume desses sólidos de revolução é obtido através da integração da área transversal sobre o comprimento do tronco.
Husch et al. (1982) mencionam o fator de forma como uma das
alternativas usadas para identificar a forma do fuste das árvores, sendo definido como uma relação entre volumes, ou seja, o volume real da árvore, determinado por uma das fórmulas de cubagem disponíveis e o volume de um sólido geométrico, normalmente determinado como o volume do cilindro.
O fator de forma médio é calculado sobre um número de árvores representativo da população para aproximações rápidas do volume das árvores. Segundo o processo de cálculo, os fatores de forma podem ser artificiais ou naturais (Finger, 1992).
O fator de forma artificial pode ser obtido pela razão entre o volume rigoroso da árvore, com a tomada dos diâmetros ao longo do tronco, pelo volume do cilindro, onde o diâmetro é tomado a 1,30 metros da base da árvore. Sendo a forma das árvores variável, obtêm- se maior precisão no cálculo do volume, usando-se um fator de forma por classe de diâmetro. Já o fator de forma natural é definido como a razão entre o volume rigoroso da árvore e o volume de um cilindro com diâmetro e altura igual ao da árvore, sendo o diâmetro tomado a 90 % da altura total medida, do ápice do fuste para a base. O fator de forma natural também pode ser determinado através dos quocientes de Hohenald (Finger, 1992; Schneider, 1993).
2.2.4.1 Fator de forma para espécies florestais nativas
Em estudos realizados com 4 espécies da Mata Atlântica em Linhares, estado do Espírito Santo, Souza & Jesus (1991) revelaram que os menores resíduos percentuais foram obtidos pelo emprego dos fatores de forma médios por classe diamétrica e pela adoção da equação de volume selecionada. O emprego do fator de forma médio geral não foi recomendado para a classe de DAP maior ou igual a 75 centímetros, visto que superestimou os volumes em até 20,79 %. Para algumas espécies (Cariniana legalis, Bowdichia virgilioides e
Joannesia princeps), as melhores estimativas volumétricas foram
obtidas pelo uso de equações específicas para a espécie.
Schneider et al. (2001), estudando o crescimento do açoita-
cavalo (Luehea divaricata Mart.), na Depressão Central do Rio Grande do Sul, identificou a equação matemática de Mitscherlich e Sonntag (1982) como a que melhor descreve o fator de forma comercial desta espécie. Os autores descrevem a tendência crescente do fator de forma com a idade, iniciando com 0,48 aos 5 anos de idade até 0,91 aos 60 anos, respectivamente, possuindo ao final deste período, 40 centímetros de diâmetro.
Schneider et al. (2000) também realizaram alguns estudos de
crescimento com a canela-de-veado (Helietta apiculata Benth.) na Depressão Central do Rio Grande do Sul. O fator de forma comercial
apresentou uma tendência que variou de 0,64 a 0,78, dos 14 aos 26 anos, respectivamente.
Outros estudos de fator de forma comercial foram realizados com caixeta (Shefflera morototoni Aublet.) por Borsoi et al. (2002), na Depressão Central do Rio Grande do Sul. A espécie apresentou um comportamento diferenciado, comparado ao das espécies anteriormente comentadas. Iniciou seu fator de forma com um valor de 0,3899 aos 4 anos de idade, o qual ascendeu até aos 41 anos (0,99966) e descendeu levemente até aos 51 anos (0,94335), idade esta em que foi realizado o estudo.