A técnica de ensilagem é muito utilizada por produtores por todo o Brasil, para a alimentação do rebanho com alimento de boa qualidade no período seco. O capim-elefante fornece ao produtor aproximadamente 150 toneladas de matéria natural por hectare e mais de quatro cortes por anos (NEGRÃO; DANTAS, 2010).
Quando chega o período de seca, o produtor tem a possibilidade de estocar a forrageira para alimentação do rebanho leiteiro. Devido à escassez de alimento em períodos de estiagem, a ensilagem se torna uma solução para problemas encontrados por produtores durante esse período de dificuldade. A ensilagem consiste na fermentação natural do alimento, realizada por microrganismos na ausência de ar, acidificando o meio e conservando o material ensilado (FIGUEIREDO; TEIXEIRA; SOUZA, 2019).
A fermentação ocorre quando o silo está sem oxigênio. O que vai determinar a duração desse processo de fermentação são fatores como as características do material que está sendo ensilado, as condições em que eles foram colhidos e armazenados, a forma como o material foi triturado e como a compactação foi feita.
Dessa maneira, esse processo pode se prolongar por dias e semanas. Vale ressaltar que, durante a ação da fermentação, o silo aumentará o número de algumas bactérias específicas (lácticas), responsáveis pela qualidade final do silo (CÂNDIDO;
FURTADO, 2020).
Consonante às pesquisas de Figueiredo, Teixeira e Souza (2019), dentre a gama de espécies de plantas forrageiras, o capim-elefante tem grande potencial para a ensilagem, devido a sua grande potencialidade de adaptação, por sua alta produtividade, seu valor nutritivo, sua facilidade na aquisição de mudas, seu elevado número de variedades, sua praticidade de cultivo e boa aceitabilidade pelos bovinos.
Diferente do milho, por exemplo, que é muito utilizado na dieta convencional dos animais, algumas espécies de capim apresentam alguns problemas que interferem no processo de ensilagem no momento da fermentação. O baixo teor de carboidratos solúveis e o alto teor de umidade da capineira parecem ser um desafio, porém o uso da ensilagem tem várias vantagens que sobrepõem as limitações, já que muitas vezes essas limitações podem ser contornadas. As vantagens de usar o capim como matéria para silo se dá pela elevada produção, que, comparado ao milho, produz um montante de matéria três vezes maior; a perenidade; o menor custo de matéria; o baixo risco de perda se comparado a outros elementos utilizados em silagem e uma maior flexibilidade no momento da colheita (CORRÊA; POTT, 2001).
Muito usada na alimentação convencional, a ensilagem de milho possui um teor de Proteína Bruta (PB) superior a 8,0 e de Nutrientes Digestíveis Totais (NDT) superiores aos 60% e produz de Matéria Verde (MV) um máximo de 45 toneladas por hectare. Comparada à ensilagem de milho, o capim-elefante produz por hectares valores superiores ao do milho. Em contrapartida, possui valores um pouco abaixo em relação ao teor de Proteínas Brutas e de Nutriente Digestíveis Totais, sendo recomendado ao produtor, o uso de suprimentos para preencher essas lacunas nutricionais (NEGRÃO; DANTAS, 2010).
Diante disso, se pode dizer que o capim-elefante é uma das forrageiras tropicais que mais produz rendimentos de biomassa por unidade de área plantada, e a maioria dessa produção ocorre em períodos chuvosos. Podendo ser utilizada em forma de pastagem, ou em períodos secos optar pela conservação da forragem de capim elefante sob a forma de feno ou, silagem, constituindo assim uma alternativa razoável e eficiente para o produtor (CÓSER; MARTINS; DERESZ, 2000).
A utilização do capim na ensilagem ocorre após todo o preparo do solo, depois da etapa de corte da forrageira, ocorrida, aproximadamente, 90 dias de idade da planta e quando a forrageira atingir 1,80m de altura ou 3,5 a 4m de altura, a depender da espécie escolhida for cortada. Depois disso, o capim é picado em
partículas menores (em torno de 2 cm) para facilitar a compactação nos silos e a digestão dos animais (FIGUEIREDO; TEIXEIRA; SOUZA, 2019).
A importância de picar bem o material a ser ensilado é a diminuição da quantidade de oxigênio disponível quando o silo é compactado. Normalmente, o restante desse oxigênio que ainda se encontra após o fechamento do silo é consumido de forma rápida pela respiração que o capim ainda possui (CÂNDIDO;
FURTADO, 2020).
Figura 4: Capim picado para o processo de ensilagem.
Fonte: Pereira, A. V., LEDO, F. J. da S., MORENZ, M. J. F., LEITE, J. L. B., SANTOS, A. M. B. dos, MARTINS, C. E., MACHADO, J. C., BRS Capiaçu: cultivar de capim-elefante de alto rendimento para produção de silagem. Embrapa Gado de Leite-Comunicado Técnico, 2016.
Para evitar alguns problemas, é recomendado que, para a ensilagem, a planta seja colhida mais madura, com o objetivo de obter um benefício na relação da produção da biomassa e o teor de matéria seca e, consequentemente, em seu valor nutritivo. O corte e armazenamento nesse estágio da planta oferece uma boa produção de silagem e composição química em função da perda de valor nutritivo comparada a outras idades da planta (PEREIRA et al., 2016).
No entanto, quando a capineira tem boa qualidade para ser ensilada, o teor de umidade é muito elevado, podendo chegar a mais de 85% de teor de água, o que favorece a fermentação butírica e a elevada produção de efluentes, sendo necessárias algumas precauções (CORRÊA; POTT, 2001).
Segundo Cóser, Martins e Deresz (2000), é necessário saber que altos conteúdos de água, no momento da ensilagem, ocasionam problemas em relação à estocagem. Levando em consideração que o material tem baixo teor de proteína e de difícil digestão, caso seja mal armazenado, ele apresentará baixa qualidade.
Como medida para reduzir o teor de água no momento da ensilagem, Cosér, Martins e Deresz (2000) apresentam o emurchecimento das plantas forrageiras no processo de ensilagem, indicando que esse procedimento é eficiente na elevação do teor de matéria seca. Contudo, apresenta problemas, pois dificulta o corte. No processo, o capim-elefante é cortado e exposto ao sol por 6 horas ou 12 horas, havendo uma desidratação dessa forrageira, aumentando o teor de matéria seca, o que pode ocasionar melhores silagens para o produtor.
Ainda no processo de silagem, o produtor pode utilizar de artifícios para melhorar a qualidade do silo. Conforme Corrêa e Pott (2001), os objetivos do uso de aditivos no processo da ensilagem é a melhora na qualidade da fermentação, para a redução de perdas de nutrientes, além de aumentar a ingestão do rebanho.
Corrêa e Pott (2001) dividem os aditivos em estimulantes da fermentação, a exemplos de enzimas e inoculantes bacterianos; em inibidores da fermentação, a exemplos dos ácidos orgânicos e inorgânicos; e os substratos ou fontes de nutrientes, como o melaço e a polpa cítrica. Além disso, alguns substratos podem estar agregados a mais de um efeito, como os que estimulam a fermentação na ensilagem, também sendo fontes de adição de nutrientes.
Após a introdução de aditivos para diminuir o teor de umidade na forrageira, o produtor deve atentar para a forma de compactação da forrageira no momento da estocagem, usando o peso para eliminar todo o ar e favorecer uma melhor fermentação. Quando o silo tem grandes extensões, esse processo pode ser feito com a ajuda de maquinário. Caso seja de pequena extensão, pode-se optar pela utilização dos pés para compactar ao máximo, já que esse processo pode ser considerado um dos mais importantes no processo (FIGUEIREDO; TEIXEIRA;
SOUZA, 2019).
A opção adequada para cada produtor do tipo de silo empregada na sua propriedade gera importantes retornos e diminuição de gastos na exploração do leite. A geração de lucratividade dos silos se dá pelo conjunto de elementos na realização da ensilagem. O primeiro elemento é a disponibilidade de mão-de-obra e a busca pela facilidade em manejar o material até os cochos para diminuir longas distancias e assim, evitar o uso de maquinário. O outro elemento é a forma correta de armazenagem do capim-elefante para preservar a eficiência do seu valor nutritivo. Por fim, levar em conta todo custo inicial dos investimentos e o custo anual dessa operação (VILELA, 1985).
Saber as dimensões dos silos e as quantidades de matéria a ser ensilada é de extrema importância para o produtor. Além disso, as dimensões corretas fará com que seja gasto somente o necessário na construção, utilizando a quantidade correta de material, e assim, acarretando em menos perdas e assim menos custos na fabricação, bem como ajuda no momento da vedação, e, consequentemente, a perda de alimento será menor. O cálculo correto do tamanho do silo leva em conta a densidade apropriada de alimento a ser armazenada para aquele período.
Normalmente, são utilizados três tipos de silo: o silo do tipo trincheira, que é usado em muitos casos apenas na primeira colheita; o silo do tipo superfície, que pode ser usado na primeira colheita e pode ser usado na colheita do capim de rebrota (CÂNDIDO; FURTADO, 2020).
Após a escolha da forma de armazenagem dessa forrageira já picada, o pecuarista pode adequar a sua propriedade os tipos de silos. O tipo cincho e rapadura possuem capacidade de armazenamento de até 10 toneladas e é uma opção viável para pequenos produtores. Para propriedade e produções maiores, a opção de armazenagem do capim pode ser feitas em silos dos tipos superfície e trincheira (FIGUEIREDO; TEIXEIRA; SOUZA, 2019).
Conforme Cândido e Furtado (2020) o silo cincho permite a armazenagem de pequenas produções, bom para o uso de sobras de culturas. Formado em bolos revestidos de lonas, devem ser colocados em locais planos e protegidos de animais para que não fure a cobertura. As bases desses silos são constituídas por formas metálicas e desmontáveis.
Já o silo tipo trincheira é uma boa alternativa, pois é considerado de fácil construção. É recomendado ser instalado contra um barranco, em uma vala ou até mesmo em um buraco no chão, onde sua base e lateral são feitas de alvenaria ou lona. O silo trincheira é considerado de boa compactação e de custos baixos. O silo de superfície é semelhante ao silo de trincheira, porém não possuem laterais, são silos instalados somente sobre a superfície e são cobertos por lonas. Vale ressaltar que devido à falta de laterais eles possuem desvantagens de maiores perdas em relação aos demais. O solo deve está forrado para evitar o contato da silagem com o chão, além de vedar bem para que não entre ar no interior e evitar perdas com a má fermentação. Deve-se proteger bem do sol e da chuva fazendo uma cobertura com o uso terra ou o uso de capim seco (CÂNDIDO; FURTADO, 2020)
Figura 5: Silo Cincho.
Fonte: FIGUEIREDO, M.R.P. de, TEIXEIRA, A.C.B. SOUZA, J.B. de, Silagem de capim-elefante na alimentação animal. Vitória, ES : Incaper, 2019.
Figura 6: Compactação e vedação do silo tipo superfície.
Fonte: CÂNDIDO, M. J. D., FURTADO, R. N. Estoque de forragem para a seca : produção e utilização de silagem. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2020. 1.982 kb : il. color. ; PDF (Estudos da Pós-Graduação)
Ainda seguindo as pesquisas de Figueiredo, Teixeira e Souza (2019), o silo pode ser aberto após o mínimo de 30 dias e pode ser tirado por porções diárias para ser oferecido ao rebanho sem perder sua qualidade já que possui a vantagem de ser estocado por um período longo quando bem fechado. A ensilagem de capim-elefante apresenta boa qualidade , quando apresenta coloração verde-clara, com tons amarelados (silagens de cor marrom, preta ou cinza tem a qualidade comprometida e não devem ser fornecidas aos animais); possui odor fraco, adocicado, agradável, decorrente da formação de substancias desejáveis (silagens de má qualidade possuem cheiro de azedo, tabaco ou podre) e não apresenta temperatura elevada, consistência pegajosa ao toque das mãos e nem fungos.
Para Pereira et al. (2008), além da fermentação lática, o que garante êxito de uma boa ensilagem é a ausência de microorganismos capazes de afetar a qualidade
e apodrecer o silo, tornando o material não indicado ao consumo da vaca. Entre eles, podemos citar a presença de enterobactérias, micro-organismos como o clostridium, além de leveduras e fungos.
No momento da abertura, inicia a fase de perdas de nutrientes na extremidade aberta do silo. Para evitar que essa fase de degradação ocorra, é necessário que seja feita uma melhor compactação no momento da ensilagem para que a entrada de ar seja limitada quando a estocagem seja aberta. Uma maneira também de reduzir esse efeito é controlar a distância desse gradil de proteção até a silagem (VILELA, 1985).
Dessa forma, é na abertura que o silo possui a desvantagem de perder a qualidade desse alimento devido à falta de atenção no momento do fechamento.
Isso acarreta no aumento do custo das ensilagens, além de, se o volume dessa perda for alto, o produtor terá que adquirir outros tipos de volumosos e implementar a alimentação do rebanho com outros suprimentos ou adquirir outros volumosos para preencher o que foi perdido (CÂNDIDO; FURTADO, 2020).
Diante do que foi exposto, é coerente dizer que as forragens conservadas podem ter seu valor nutricional modificado quando não ocorre a utilização das recomendações, o manejo adequado e quando há falha na produção e conservação do material colhido. Além disso, o valor final é influenciado, também, pelos fenômenos bioquímicos e microbiológicos que ocorrem no processo da ensilagem devido à fermentação. Assim, o êxito da silagem e a quantidade das perdas acontecem pela variação dessas etapas e desses elementos químicos, ao lado do tipo de forragem escolhida pelo produtor, o ponto do corte da capineira, a compactação, a vedação no momento da armazenagem, o manejo na abertura e, posterior, o fechamento do silo (JOBIM et al., 2007).