1.1 REVISÃO DE LITERATURA 16
2.1.3 Formas de entrada nos mercados externos 41
de influência interna da empresa, como as características próprias da empresa, da gerência, cultura organizacional, o comportamento adotado pela gerência, recursos financeiros ou não. Além disso, estão as questões do empreendedorismo, formadas pela rede de contato da gerência, que vão desde a influência de amigos e familiares aos contatos comerciais que essa possui ou que poderão ser aproveitados por antigos contatos.
A conclusão do estudo de Dalmoro (2008) é que o grau de existência de cada fator na empresa vai determinar a velocidade e o seu nível de internacionalização. Como resultante da junção desses fatores está a performance obtida pela empresa, em que essa pode ser medida tanto por resultados financeiros, como não- financeiros.
Os resultados encontrados na pesquisa Silva, Chauvel e Bertrand (2010) mostram que a rede de relacionamento e a existência de um perfil empreendedor voltado para o processo de internacionalização têm papel importante na ida da empresa para o mercado externo. Tais fatores são desencadeadores e contribuem decisivamente para a continuidade e o sucesso do processo de internacionalização das empresas de pequeno porte.
Sommer (2010) também evidencia que o papel do principal executivo das pequenas e médias empresas tem grande impacto no processo de internacionalização. Para ele os aspectos cognitivos são ponto de partida para aumentar o conhecimento sobre a tomada de decisão no contexto de internacionalização de pequenas empresas, considerando que constructos cognitivos afetam o comportamento da empresa e que elementos atitudinais desempenham papel crucial na internacionalização.
2.1.3 Formas de entrada nos mercados externos
Após a empresa decidir atuar em mercados internacionais ela precisa decidir a forma mais adequada para inserir-se nesses mercados. As organizações dispõem de um conjunto de estratégias de ingresso em mercados internacionais à sua disposição. A decisão por uma ou outra forma de inserção deve levar em conta algumas dimensões estratégicas (PIPKIN, 2000). De acordo com esse autor, as
principais dimensões são: recursos e capacidades da firma, em termos administrativos, tecnológicos e de pessoal; as necessidades de investimento por parte da organização; os riscos que a administração está preparada a assumir; o grau de controle desejado sobre o processo; o potencial de lucro desejado advindo de uma ou outra alternativa de ingresso.
Dimensões estratégicas
Estratégia de baixo envolvimento
Estratégia de alto envolvimento 1) Recursos e Capacidade da firma Moderados Elevados 2) Necessidades de investimentos Menor Maior
3) Riscos assumidos Menor Maior
4) Grau de controle sobre o processo Menor Maior
5) Potencial de lucro Menor Maior
Quadro 2: Dimensões Estratégicas Relevantes Fonte: PIPKIN (2000, p. 55).
O Quadro 2 apresenta as dimensões estratégicas e o grau de envolvimento que uma empresa pode ter com o mercado externo. De acordo com Pipkin (2000) os recursos e capacidade da firma estão relacionados com sua capacidade de produção, qualidade do produto, nível de dependência tecnológica, flexibilidade para adaptação, profissionais habilitados para atuar com atividades internacionais e outros. Necessidade de investimentos envolve destinar recursos nas diversas áreas da empresa como planta, equipamentos e pessoal como forma de viabilizar as atividades internacionais. Com a atuação em mercados externos as empresas estão sujeitas a maiores riscos que o mercado doméstico, inclusive risco político. Além disso, verifica-se o grau de controle sobre o processo que diz respeito ao controle gerencial sobre a operação internacional e o potencial de lucro advindo da estratégia escolhida. Assim, a partir da análise das dimensões estratégicas, é possível observar um contínuo que leva em consideração o nível de envolvimento com a operação internacional, conforme mostra a Figura 5:
Figura 5: Contínuo Estratégico Fonte: Pipkin (2000)
No lado esquerdo da Figura 5 estão as estratégias de menor envolvimento com o mercado externo notadamente representadas pela exportação, tanto direta quanto indireta. Na parte central estão estratégias que compartilham parcerias entre empresas nacionais e internacionais, como o licenciamento, joint ventures,
franchising e alianças estratégicas. No extremo direito está o investimento externo
direto que se caracteriza pelo grande interesse estratégico da empresa pelo mercado externo e, consequentemente, exige um envolvimento maior.
As dimensões estratégicas possibilitam uma análise sobre o grau de envolvimento que a empresa está disposta a manter com o mercado externo, e com isso, ela estará pronta para definir qual a forma mais adequada para a sua inserção. Cabe ressaltar que cada estratégia tem suas vantagens e desvantagens, levando em conta a situação da empresa, ou seja, suas forças e fraquezas e características do mercado onde ela irá atuar.
Considerando a abordagem de Minervini (2001), existem diversas estratégias para uma empresa se envolver no mercado externo, são elas: vendedor direto; filial de venda; consórcio de exportação; agente no exterior; rock jobbing (administração de venda com um sistema de distribuição); distribuidor; empresas de gestão de exportação (EGE) e consultores de exportação; buyer agent (agente de compras);
brocker; piggy back (utilização de distribuição de outros produtores); jobber
(grossistas); agente de vendas; trading company (grandes empresas comercializadoras); empresas comerciais; vendas com compensação (counter
trade); marketing subsidiaries (escritórios regionais de marketing); transferência de
tecnologia; montagem; contrato de manufatura; filial de produção; joint venture (associação); licitações internacionais; operações através de zonas francas (free-
zone) e internet.
Outros autores agrupam tais estratégias e conseguem fazer uma abordagem mais enxuta. Segundo os autores Nickels e Wood (1999) existem quatro métodos básicos para uma empresa se inserir nos mercados externos: exportação e importação; licenciamento e franquias; joint ventures e investimento direto. Para Kotler (1998) as principais formas de uma empresa ingressar no mercado internacional são: exportação indireta, exportação direta, licenciamento, joint venture e investimento direto. Conforme esse autor, cada estratégia envolve, sucessivamente, maior compromisso, risco, controle e potencial de lucro.
Ao apresentar as diversas possibilidades de uma empresa se envolver como o mercado externo, é possível compreender a internacionalização como um processo amplo, que vai muito além de apenas fomento às exportações, mas que abrange diversas outras estratégias que concedem às organizações uma presença global.
2.2 CONHECIMENTO
Nas últimas décadas, a velocidade das transformações cresceu num ritmo intenso e em escala global alterando o cenário político, social e econômico. A era da informação, o movimento da globalização, o estabelecimento de alianças econômicas entre países, a abertura de novos mercados, o fortalecimento dos países asiáticos na produção de itens de consumo, são alguns dos fatores que aceleraram esse processo. Nesse novo mundo, onde o foco está no negócio e não mais na organização, o centro do poder não está mais na cúpula, mas diluído na organização e os ativos intangíveis são mais importantes, novas competências são exigidas das organizações e dos trabalhadores. As práticas gerenciais precisam ser reinventadas. É preciso descobrir novos alicerces, princípios e ferramentas para tornar sustentável e bem sucedida a nova economia (ALLE, 2003).
Com isso, construir uma sociedade na qual todos possam criar, acessar, utilizar e compartilhar informação e conhecimento é o desafio que se impõe a todas as nações e corporações no mundo atual, intensamente baseado em tecnologias da informação e do conhecimento, no qual os ativos intangíveis adquirem importância crescente (TARAPANOFF, 2006).
A nova economia é marcada pela revolução das tecnologias da informação e comunicação que fizeram do conhecimento um novo recurso. Esse conhecimento, que é necessário para inovação e sustentabilidade do negócio, reside nas pessoas que compõem uma organização e é necessário o auxílio de recursos tecnológicos para ser armazenado e disponibilizado (WEBBER, 1993).
Na visão de Butler (2006) o conhecimento é a união das informações registradas nos bancos de dados, notas, marcações em livros, manuais, guias de consulta e, principalmente, aquilo que está na cabeça das pessoas, caracterizado pela experiência vivida e pelas relações sociais, incluindo os relacionamentos e o