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Muitos são os métodos e formas a se evitar a contaminação pelas aflatoxinas nos alimentos, porém a única forma de tornar o alimento ausente a presença de aflatoxinas, é combatendo o crescimento fúngico ainda na colheita e armazenamento.

Segundo Rosmaninho; Oliveira; Bittencort (2001), para isto acontecer são necessárias algumas medidas básicas, dentre elas diminuir a presença de insetos nas plantações, cuidados apropriados durante a colheita e transporte, controle de umidade durante a armazenagem dos alimentos dentre outros.

Em considerar que o fungo se prolifera em ambiente úmido e quente, o qual extremamente favorável a sua proliferação, uma secagem correta dos grãos no processo de colheita e antes do armazenamento, seria fundamental para inibir o crescimento e desenvolvimento dos fungos e conseqüente produção das toxinas tão indesejáveis ao organismo humano e animal (MORAES, ABRANTES, ROSANA, 2003).

O que significa dizer, que o controle deve ser iniciado desde o plantio, para garantir a qualidade do produto livre dos fungos produtores de toxinas, vez que

depois de contaminados, sua desintoxicação é tarefa muito mais complexa, haja visto que os métodos de desentoxificação dos alimentos, exige processos como por exemplo expô-lo a temperaturas elevadas de até 300°C para poder eliminar a toxina e o fungo, porém, tal situação pode acabar por destruir o alimento (ROSMANINHO,OLIVEIRA, BITTENCOURT, 2001).

Outra forma de desentoxificação utilizada foi a radiação, mas nesse processo apenas o fungo produtor foi eliminado, permanecendo ativa a toxina, o que demonstra, que em ambos os casos, os resultados não são favoráveis, demonstrando que a prevenção desta contaminação das micotoxinas nos alimentos ainda na fase de cultivo e colheita, é a forma mais inteligente de controle além da mais favorável economicamente, diante do fato de que a maioria das micotoxinas são quimicamente estáveis, e não apresentam resultados positivos ao uso de desentoxificantes para eliminação da toxina, e os processos utilizados como exposição a temperaturas elevadas, destroem suas propriedades nutritivas, além de não serem economicamente viáveis (ROITMAM, 1988 apud KWIATKOWSKI, 2007).

Por tais motivos, as indústrias alimentícias acabam não aderindo por estes métodos de desentoxificação, e se assim o fosse, certamente o prejuízo novamente acabaria no bolso do consumidor, pois seus custos seriam repassados ao produto na hora da venda ao consumidor final.

4 METODOLOGIA

A pesquisa bibliográfica foi realizada através das bases de dados:

Biblioteca Regional de Medicina/Centro Latino Americano e do Caribe de Informações em Ciências da Saúde. BVS – Biblioteca Virtual de saúde.

PUBMED: www.ncbi.nih.gov/entrez

Publicações Médicas da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. Acesso a Medline, Lilacs que conta com mais de 16 milhões de citações, a maioria em inglês porem importantes revistas brasileiras estão indexadas.

SCIELO: www.scielo.br

Biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros.

PORTAL DA UNIFESP: www.unifesp.br

Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. Este site disponibiliza de periódicos na área medica com textos completos, abrange varias especialidades.

Esses sites foram escolhidos por serem referências na busca de informações técnicas e atuais em diversas áreas, entre elas a área da saúde, alimentos e microbiologia.

Também foi feito o pedido na base de dados de forma indireta, ou seja, via

comut (Comutação bibliográfica), onde após a consulta, foram solicitados os artigos

e bibliografias relacionadas ao estudo através da biblioteca da universidade da UNOCHAPECÓ, que dispõe do serviço de solicitação de fotocópias de documentos existentes nas principais bibliotecas nacionais e internacionais.

Alguns artigos também já se encontravam a disposição na biblioteca da universidade que possui em seu acervo revistas da área da saúde.

Também foram acessados sites de órgãos governamentais e não governamentais por suas legislações e estatísticas.

Esta pesquisa bibliográfica voltou-se no período compreendido à última década, onde em determinadas ocasiões, foram referenciados trabalhos e publicações de outras datas, vez que faziam relação e acresciam informações importantes aos resultados encontrados naquele período.

Todo o material bibliográfico utilizado para a pesquisa foi selecionado durante o período de junho de 2009 a maio de 2010. A busca foi realizada com a utilização de palavras chaves como: aflatoxinas, micotoxinas, aflatoxina B1,

carcinoma hepatocelular, assim como, alimentos contaminados por toxinas.

Depois da busca de informações, estas foram organizadas no trabalho em subtítulos com os principais assuntos a serem abordados, confrontando e analisando tais informações.

5 DISCUSSÃO

Pelo estudo realizado, foi possível constatar pelos relatos unânimes dos diversos autores aqui colacionados, que as toxinas produzidas pelos fungos em determinados alimentos, em destaque o amendoim, milho, arroz, trigo e outros cereais, possuem em sua maioria alto grau de toxicidade, e, portanto, são extremamente maléficas ao organismo humano e animal.

Em se referir quanto à maioria, temos a exceção a regra, quando demonstrado que nem todos os fungos são maléficos ao organismo humano, pois algumas das toxinas produzidas, são utilizadas para produção de queijos, cervejas e outras bebidas, onde neste caso, liberam substâncias desejáveis que melhoram o sabor do alimento, e inclusive lhe agregam valor econômico.

Quanto às toxinas indesejáveis, por sua vez, podem causar sérios problemas a saúde e prejuízos na agricultura, o que ficou amplamente demonstrado pelas incansáveis pesquisas realizadas por estudiosos que voltaram sua atenção em apurar os resultados pela exposição da população a estas toxinas, e entender seu mecanismo de toxicidade e efeitos no homem e animais, onde tais informações revelam-se fundamentais para encontrar mecanismos de forma a diminuir a incidência dos fungos toxigênicos presentes nos alimentos.

Caldas, (2002) em um de seus trabalhos, destacou a importância da ação dos programas de monitoramento quanto aos níveis de contaminação dos alimentos, vez que assim se poderá ter uma avaliação da exposição da população aos alimentos contaminados pelas aflatoxinas bem como por outras toxinas. Ele diz que, ações devem ser tomadas e estabelecidas pelos órgãos públicos para evitar futuros prejuízos não só na saúde como também na agricultura.

No mesmo sentido, Moraes (2003), em pesquisa realizada em parceria com a FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz) e a Vigilância Sanitária do município de Manguinho no Rio de Janeiro, constataram uma grande incidência de toxinas em amendoins e derivados, destacando a importância de se evitar a contaminação do alimento pelos fungos para se evitar a presença das aflatoxinas. Ressalta também a importância de práticas preventivas para se evitar a contaminação ainda na fase de plantio, e não menos importante manter-se estes cuidados em toda a cadeia produtiva do alimento.

Neste entendimento, Batatinha et al. (2003) e Gonçalez et. al. (2008), afirmam a importância em se monitorar constantemente a presença das aflatoxinas nos alimentos, principalmente quando se referir ao amendoim, alimento este que tem apresentado os maiores índices de incidência de contaminação, pois pode causar sérios problemas de saúde a população. Diz ainda, que este alimento merece destaque diante do elevado consumo pela população brasileira, em consonância com os demais autores, destaca a necessidade de monitoramento ainda no período de plantio.

Também Eizendeher (2005), em mais uma de suas pesquisas, descreveu que apesar da legislação vigente limitar a quantidade de aflatoxina nos alimentos, ainda assim os percentuais encontrados são superiores aos determinados, e ressalta que isso ocorre devido à falta de monitoramento, e que somente uma maior rigidez pelos organismos competentes e fiscalizadores, é que se poderá reduzir os níveis de contaminação.

Entendimento este que converge como os demais autores, e não se opõe a Rossetto (2005), que por sua vez, explora a questão quanto às condições inadequadas de colheita e armazenamento que também favorecem o crescimento

de fungos nos alimentos e conseqüente produção de toxinas. Seus estudos revelam que a falta de cuidados neste período facilita a infestação do alimento pelos fungos, pois neste momento além do alimento estar mais suscetível a contaminação pelo próprio grau de maturidade, o fungo encontra no momento da colheita e armazenamento condições mais favoráveis (umidade e calor) a seu desenvolvimento e produção de toxinas, destacando a importância de uma melhor fiscalização pelos órgãos competentes.

Não obstante, Puzzi (2000), acrescenta que os estudos realizados em alimentos contaminados por fungos produtores de toxinas é de suma importância para a saúde pública, pois só assim se tem conhecimento das condições dos alimentos que estão sendo ingeridos pela população, e a partir daí, criar-se métodos e formas de prevenção.

Magrine et al. (2007), efetuou estudos em alimentos já processados, e em estudo feito com amostras de doces de amendoim que estavam sendo comercializados, constatou níveis de aflatoxina acima dos permitidos, situação que por certo desperta ainda maior preocupação, pois uma vez que o alimento foi contaminado, por óbvio deveria ser retirado do mercado de consumo, o que de fato não acontece pois é processado e vai parar na mesa do consumidor. Destaca que somente uma fiscalização mais rigorosa poderá evitar que uma vez contaminado o alimento, não venha a ser comercializado.

No mesmo entendimento Shundo L. et al. , Silva A., e Sabino M. (2003), descrevem que as técnicas de colheita, armazenamento, e transporte são as principais causas de contaminação nos alimentos pelos fungos toxigênicos.

Em estudo sobre as aflatoxinas Rodrigues (2009), descreve a importância da prevenção da contaminação nos alimentos por estas toxinas, vez que são altamente

tóxicas, destacando ainda que são potentes substâncias carcinogênicas, não discordando com os demais autores, que somente com medidas de prevenção mais eficazes, se poderia diminuir os níveis de contaminação nos alimentos pelas aflatoxinas.

Pelos resultados apresentados pelos diversos autores aqui descritos, facilmente se pode observar por unanimidade o problema que representa a contaminação dos alimentos por fungos toxigênicos, e que esta contaminação acontece principalmente no período de colheita e armazenamento, e que somente um maior rigorismo pelos organismos fiscalizadores revela-se um meio eficaz de reduzir os níveis de contaminação, vez que demonstrado pelos resultados de pesquisas apresentados, pela impossibilidade ou inviabilidade de eliminação desta toxina, uma vez que contaminado o alimento.

Ficou demonstrado também, sobre a origem e os níveis de contaminação dos alimentos pelos fungos, referindo-se principalmente quanto aos efeitos que estas toxinas causam, onde Ferreira (2006), e Caldas (2002), estimam que cerca de 35% dos casos de neoplasias em humanos estejam diretamente relacionados à dieta e a presença de aflatoxinas em alimentos, e que a principal aflatoxina envolvida no processo de indução ao câncer hepático é a AFB1, o que acontece

devido a seu alto poder de toxicidade. Que países de clima tropical revelam-se mais favoráveis ao crescimentos dos fungos, vez que encontram ali clima mais favorável a sua proliferação (umidade e calor).

Silva (2007), em uma pesquisa realizada com cobaias - espécie de ratos de laboratório da raça “Wistar” revelou que quanto expostos a AFB1 tiveram alterações

morfológicas no fígado. Experimento feito também por Oliveira (2007), em aves “codornas” que foram submetidas à alimentação contaminada por AFB1, que

também apresentaram alterações nas células hepáticas, revelando a capacidade desta toxina em provocar alterações no fígado destes animais, e que devido a carcinogenicidade destas toxinas, findaram por causar o câncer hepático.

Quanto aos resultados de estudos feitos no homem, devido a impossibilidade utilizá-lo como cobaias, foi melhor apurada por evidências experimentais e epidemiológicas, onde aquelas resultam da extrapolação para o homem de resultados obtidos em estudos de biotransformação, mutagênicidade e carcinogênicidade de animais de laboratório, enquanto que as epidemiológicas, os resultados foram levantados por estudos realizados em determinadas regiões, em que foram constatadas intoxicações mais frequentes, embora os dados epidemiológicos acabam por não ser totalmente confiáveis, já que também outras doenças, inclusive infecção pelo vírus HBV, são também relacionadas ao carcinoma hepatocelular, e não se fazer possível determinar uma população exposta somente a aflatoxinas.

Neste entendimento, Bando et al. (2007), relatou que “As exposições podem

ser monitoradas através do uso de biomarcadores, que elucidam a relação causa /efeito e dose/efeito na avaliação de riscos à saúde para fins de diagnóstico clínico e laboratorial.” o que certamente demonstra que, com a utilização de biomarcadores,

se poderá prevenir ou minimizar a incidência de doenças causadas pelas aflatoxinas.

Por assim dizer, resta evidente por unanimidade a uniformidade de entendimento entre os autores aqui destacados, quanto a gravidade desta contaminação nos alimentos pelos fungos produtores de aflatoxina, e que esta contaminação ocorre principalmente nas fases de cultivo, colheita e armazenamento dos alimentos, e que devido a impossibilidade de descontaminação, como bem

demonstrado por Kwiatkowski; Alves (2007), vez que os métodos utilizados acabam por deteriorar o alimento, tornando-o inadequado ao consumo, o que revela que somente uma fiscalização mais rigorosa pelos organismos fiscalizadores (ANVISA, Ministério da Agricultura e Ministério da Saúde) ainda nesta fase em que o alimento se encontra mais suscetível de contaminação é que se poderá evitar ou reduzir os níveis de contaminação, e se evitar que venham a parar na mesa do consumidor, ou ser utilizados em processamentos, como bem demonstrado por Magrine et al. (2007), que comprovou ter encontrado amostras contaminadas de alimentos já processados em plena comercialização.

Pelos estudos aqui apresentados, nota-se que uma grande quantidade de alimentos ainda apresentam contaminação por aflatoxina, apesar desta toxina ser uma das únicas a ter níveis de contaminação limitados pela legislação, e que esta contaminação ocorre principalmente pela falta de cuidados que devem ser tomados ainda na fase de cultivo, e que devido a inviabilidade de descontaminação, somente medidas de prevenção podem reduzir a presença destas toxinas nos alimentos.

6 CONCLUSÃO

Neste trabalho foram relacionados resultados de pesquisas e estudos de diversos autores, onde se foi possível constatar que os alimentos, de maneira geral, estão sujeitos à contaminação por fungos, e que os fungos por sua vez produzem toxinas conhecidas como micotoxinas.

Estas toxinas produzidas pelos fungos, em sua maioria são maléficas ao organismo humano e animal, embora também possam produzir toxinas desejáveis, como é o caso da fabricação de queijos e derivados.

Algumas das toxinas produzidas se destacam pelo grau de nocividade a saúde, são as aflatoxinas, que são toxinas fúngicas e de alto poder carcinogênico quando ingeridas de forma crônica.

Ficou evidente que os maiores índices de contaminação pelos fungos sobre os alimentos, ocorre ainda na fase de cultivo, colheita e armazenamento, haja visto, o alto grau de suscetibilidade vez que o alimento está bastante vulnerável devido as constantes variações de temperatura e umidade, principalmente em países tropicais que apresentam clima extremamente favorável a proliferação do fungo.

Uma vez contaminado o alimento por estas toxinas, se ingerido pelo homem de forma crônica, devido a seu alto poder carcinogênico poderá causar o câncer hepático.

Também foi possível constatar a dificuldade de descontaminação do alimento, pois devido à estabilidade destas toxinas, são necessário processos extremos de descontaminação (altas temperaturas, radiação) mecanismos que acabam afetando as propriedades nutritivas do alimento, tornando-o impróprio para o consumo, ou seja, uma vez contaminado o alimento por estas toxinas, o alimento

torna-se prejuízo de qualquer forma, seja pela inviabilidade econômica comercial, ou pelos prejuízos que podem causar a saúde se ingeridos, destacando ainda que sua contaminação inviabiliza inclusive seu processamento, pois nem desta forma este alimento se tornará próprio ao consumo já que a toxina permanece ativa.

Destacou-se também o alto grau de dificuldade em realizar estudos com seres humanos, onde os resultados que forma apresentados somente tomaram por base as evidências experimentais e epidemiológicas, haja visto, a impossibilidade de cobaias humanas neste tipo de experimento, pois em utilizar-se como base os resultados de experimentos em animais, ou por uma população contaminada de determinada região, certamente revela uma proximidade de resultado, e não sua exatidão.

A presença de aflatoxinas nos alimentos destinados a consumo humano supõe um risco óbvio potencial para a saúde pública. Porém, desconhece-se até que ponto se manifesta esse potencial. No entanto, só o fato de existirem constitui uma forte e suficiente motivação para se deixar mão a todos os meios disponíveis para detectá-las e minimizar os seus efeitos.

Assim, somente com a diminuição de exposição da população a aflatoxinas e a conseqüente diminuição dos riscos à saúde, somente será possível com um trabalho intenso ainda na cadeia produtiva bem como ações eficientes dos organismos de fiscalização como Ministério da Agricultura, Ministério da Saúde e ANVISA, vez que a mensuração dos níveis de exposição da população as aflatoxinas, através da utilização de técnicas atuais de biomonitoramento dos derivados metabólicos das aflatoxinas (biomarcadores), assim como, a avaliação dos níveis de exposição através de alimentos contaminados, particularmente em

relação à atividade biológica e efeitos neoplásicos desencadeados pela AFB1 em

células humanas.

Somente técnicas adequadas de cultivo, colheita, armazenamento, transporte, manufatura e processamento, podem reduzir os riscos de contaminação por fungos toxigênicos.

De outra banda, um maior rigorismo pelos organismos fiscalizadores, estabelecendo limites máximos de níveis de aflatoxinas nos alimentos, ao que se vê também representaria uma forma de controle e redução, porém, embora servisse como forma de se evitar maiores riscos a saúde, representaria ainda sim considerável impacto negativo na economia, pois uma vez que o alimento foi contaminado, diante da impossibilidade de descontaminação, restaria unicamente sua destruição.

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