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2.2 Blended learning

2.2.2 Formas de implantação do blended learning no ensino superior

A literatura apresenta que cursos que se utilizam de uma abordagem blended bem estruturada e planejada podem envolver mais os estudantes em seu processo de aprendizagem (Demirer & Sahin, 2013). Além disso, considerando as diferenças pessoais e culturais entre os indivíduos (González-Gómez et al., 2012), é necessário levar em consideração as preferências, necessidades (Deschacht & Goeman, 2015) e estilos de aprendizagem (Bonk et al., 2007) dos estudantes. Auster (2016) recomenda que o tipo de blended learning utilizado e a forma como foi pensado para o curso é visto como importante para percepção dos estudantes sobre os benefícios adquiridos com a inclusão da aprendizagem on-line.

Graham (2006) buscou propor uma categorização para a forma com que o blended

learning pode ser implementado nas organizações. Segundo o autor, há a possibilidade de

ocorrência nos diferentes níveis organizacionais: (i) atividade, (ii) curso, (iii) programa e (iv) institucional.

O blended no nível da atividade ocorre quando alguma determinada atividade pedagógica integra elementos da educação tradicional e a distância, como exemplo, ao trazer um especialista a distância na sala de aula (Moura, 2017). A forma mais popular de se combinar as modalidades a distância e face a face ocorre a nível de curso, que é composto de várias atividades, que podem se sobrepor no tempo, ou que são separadas em blocos cronologicamente sequenciados, mas que não se sobrepõem. No terceiro nível, programa, geralmente existem duas opções, uma em que o programa já determina que os cursos serão feitos em quais modalidades e em outra, que os estudantes podem escolher. Já a nível institucional, vários programas são oferecidos utilizando da abordagem blended. Para que a IES esteja engajada no

blended learning, deve haver um esforço que permita que os estudantes tenham vantagens tanto

do ensino presencial quanto o a distância (Graham, 2006).

Moura (2017) entende que essa divisão proposta por Graham (2006), para as organizações de maneira geral, pode ser utilizada para representar a forma como o blended

Como o blended learning interage com quase todos os aspectos do ensino superior (Y. Wang et al., 2015) pode envolver a utilização de qualquer tecnologia educacional com o contato presencial (Dziuban et al., 2018; Waha & Davis, 2014). Como há uma variedade de ambientes, abordagens e modelos blended, as IES o implementam em diferentes formatos, personalizados, pelas necessidades e exigências dos indivíduos, disciplina ou organização (Khodabandelou, Jalil, Ali, & Daud, 2015). A partir disso, e do papel que a tecnologia desempenha para a modalidade blended, a Figura 7 apresenta, de maneira sistematizada, alguns exemplos da forma como o blended learning tem sido implementado em IES.

Figura 7: Exemplos de como o blended learning tem sido implantado no ensino superior Como o blended learning está sendo implementado? Referências Aulas presenciais e screencasts gravados pelo professor para servir de revisão do

conteúdo, oferecidos durante três seções ao longo do semestre por meio da plataforma de armazenamento em nuvem Google Drive.

Auster (2016) O curso de MBA analisado no artigo é ministrado pela UK University para vários

países, utilizando como e-learning a plataforma LMS BlackBoard, e do contato presencial das turmas, por meio de convênios entre universidades parceiras. Além disso, o curso também é blended ao se considerar os conteúdos ofertados.

Bentley et al., (2012) Aulas expositivas semanais presenciais, com a utilização do LMS BlackBoard

para o compartilhamento de slides, gravações da aula e discussão entre os alunos.

Broadbent, (2017) Redução de 50% do tempo de aula presencial (de 16 para 8 horas),

complementadas com aplicações on-line que permitem a visualização de screencasts, contato com colegas, testes de conhecimento e suporte virtual para a realização das atividades

Deschacht & Goeman (2015) Curso 50% presencial e 50% online por meio do LMS Moodle. O conteúdo foi

postado no LMS por meio de módulos, e cada modulo continha: texto, vídeos, conteúdo interativo, slides sobre um assunto específico e um quis no término.

Dos (2014) Aulas presenciais (aulas expositivas e em laboratório) semanais; a parte online era

composta por discussões antes e depois das aulas sobre os conceitos chave da disciplina, leituras complementares e gravações de vídeos sobre os conteúdos

Ellis, Pardo, & Han (2016) 40% das aulas presenciais e 60% online (LMS e páginas da internet). Os

estudantes tinham 6 diferentes tipos de materiais para estudar toda a semana (screencasts, vídeo no Youtube, slides das aulas, leitura de páginas do livro, discussões e estudo em grupo. Deveriam trazer o conteúdo estudado de casa (flipped classrom).

Harjoto (2017)

Redução do tempo das aulas presenciais semanais e utilização do LMS Moodle para postar atividades on-line para completar as horas reduzidas. No Moodle havia Fórum de discussão entre os estudantes e os professores e vídeos sobre as aulas anteriores.

Owston & York, (2018) Cerca de 60% das aulas via e-learning por meio de um curso MOOC disponível

na plataforma Veduca e 40% presenciais, com os conteúdos do curso online correspondendo a matriz curricular da disciplina em que foi implementado.

Utilização de tecnologia educacional e aulas presenciais, com experiências de aprendizado síncronas e assíncronas. Os conteúdos disponibilizados no LMS Blackboard estavam no formato de: pequenos vídeos, gravações de áudio das aulas presenciais, apresentações de slides, discussão síncrona on-line, leituras recomendadas e avisos de cada unidade de estudo.

Waha & Davis, (2014)

O curso foi dividido em aproximadamente 50% da carga presencial e 50% em uma plataforma de e-learning. Na parte presencial, eram realizadas aulas, já, a plataforma de e-learning (LMS Dokeos) continha: powerpoints, conteúdo do curso, material de leitura, trabalhos, quizzes, fórum de discussão e submissão de trabalhos, sempre acompanhando os assuntos trabalhados na sala de aula.

Zhu (2017)

Juntamente com as aulas presenciais, foi feito a utilização de um curso MOOC por meio da plataforma Coursera, em que os estudantes tinham que assistir as aulas, completar os quizzes e realizar as entregas das atividades, e opcionalmente, participar em fóruns de discussão.

Bruff, Fisher, Mcewen, & Smith (2013) Os alunos assistiam aulas presenciais semanais e realizavam um MOOC na

plataforma edX (assistir vídeos, fazer as tarefas propostas e responder quizzes de avaliação). Durante as aulas presenciais, os alunos levantavam os tópicos em que estavam tendo dificuldade para entender e, juntamente com o professor, realizavam uma revisão do conteúdo. Também nesse ambiente, era realizado a aplicação de mais quizzes, tanto em grupo, quanto individualmente.

Ghadiri,

Qayoumi, Junn, Hsu, & Sujitparapitaya, (2013)

Fonte: Elaborado pela autora.

A partir de alguns estudos apresentados na Figura 7, nota-se que há duas grandes vertentes no desenvolvimento e utilização do blended learning no ensino superior, dentro da conceitualização aceita neste trabalho, do blended learning como a integração entre as modalidades presenciais e a distância. A primeira, faz a utilização de plataformas de Learning

Management Systems (ex. BlackBoard, Moodle, Dokeos), para que os estudantes entreguem as

atividades propostas pelo professor, possam ter acesso ao material utilizado na aula (como powerpoints e gravações), vejam recomendações de leitura e tenham acesso a um fórum de dúvidas. A segunda, engloba a utilização dos MOOCs, hospedados em plataformas de e-

learning como Cousera, Veduca e edX, para que os alunos tenham acesso prévio ao conteúdo

das aulas por meio de vídeos desenvolvidos por outras instituições.

Como pode ser observado a partir dos exemplos apresentados, a literatura não apresenta um consenso a respeito de práticas blended learning. Porém é importante destacar que somente a inserção das tecnologias na sala da aula não caracteriza que o processo de ensino ocorre no formato blended. Essa abordagem ocorre quando há uma sintonia entre o que o aluno aprende a distância e o que aprende na sala de aula. Isso é diferente de o aluno somente entregar as atividades através da internet ou somente ver vídeos sobre as aulas e ir fazer avaliações presencialmente.

2.2.3 Motivações e desafios para a utilização do blended learning no ensino superior

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